O garimpo de cristal de quartzo movimentou a Chapada dos Veadeiros do início à metade do século XX. Com a queda do quartzo natural, muitos deixaram os garimpos. Aqueles que ficaram se perpetuaram pelas corrutelas, vilas garimpeiras, e continuaram garimpando. Nossa pesquisa buscou conhecer mais sobre esse povo garimpeiro, através de seus saberes e técnicas. Nessa busca encontramos Seu Dedé, um antigo garimpeiro, filho de garimpeiros, raizeiro, músico, contador de histórias e, atualmente, guia turístico.
Nascido na década de 1950, à beira da cachoeira do Vale da Lua, Seu Dedé garimpa desde os doze anos de idade, aprendendo principalmente com sua mãe a arte de garimpar. Vivenciou a criação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, que proibiu a extração mineral e transformou o modo de vida local. Com seus 63 anos, Seu Dedé nos contou a história do garimpo, sobre como caçar veios de cristal e andar pelos morros seguindo pelas trilhas de antigos garimpeiros. Também nos ensinou sobre o cristal, suas formas, cores e ações. Com Seu Dedé aprendemos que os cristais se movem pelo chão, somem, enganam, matam. O cristal é mais do que um minério: é um agente que se relaciona com os garimpeiros.
Este ensaio é parte do material visual produzido ao longo do ano de 2019, resultado da pesquisa colaborativa entre a graduada em antropologia Júlia Tossin e o graduando em audiovisual José Procópio. Nele, buscamos apresentar parte do trabalho de garimpeiros, passando da busca à lapidação dos cristais. As legendas são transcrições de conversas gravadas durante caminhadas que fizemos com a companhia de Seu Dedé. Mais do que explicações, os trechos selecionados visam transpor os espectadores do ensaio para esse lugar de aprendizagem vivenciado por nós, tentando aproximá-los ao máximo da nossa própria experiência.
Ciclo de Ensaios Fotográficos
O ensaio exposto é um dos 13 trabalhos selecionados em 2020 para o Ciclo de Ensaios Fotográficos promovido pelo IRIS - Laboratório de Imagem e Registro de Interações Sociais.
Através de oficinas, ciclos de mostras, apoio a projetos de pesquisas, atividades de ensino e empréstimo de equipamentos a professores, pesquisadores e estudantes vinculados ao Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília, o IRIS estimula a capacitação e a produção de conhecimento acerca da relação entre a prática antropológica e o uso da linguagem audiovisual e fotográfica em várias dimensões.
Se você faz parte da comunidade do DAN e deseja empregar os recursos técnicos e a linguagem fotográfica ou audiovisual em sua pesquisa, venha nos conhecer.