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Entre Contos e Lendas

Desde bem nova tive contato e convivência com livros. Lembro que minha mãe, que trabalhava como doméstica na época, ganhava muitos livros e levava para minha irmã, que também gostava muito de ler.

Na minha família, formada por pai, mãe e cinco irmãos, tínhamos o costume de contar histórias. Sentávamos em uma escada no quintal de casa, sempre no horário da noite, que era o momento em que todos conseguiam estar juntos, e ouvíamos as histórias que meu pai ou meus tios nos contavam. Eram lendas, folclore, alguns relatos de mineiros, que juravam ter acontecido (risos). Não precisavam de livros para isso, as histórias foram compartilhadas por seus pais e colegas no tempo de adolescência, e de alguma forma marcaram uma boa fase de suas vidas a ponto de permanecerem com esse costume. A imaginação que tinham para criar ou relatar as histórias me fazia imaginar as cenas e as características de cada personagem relatado. Elas realmente ganhavam vida.

O primeiro livro que me despertou interesse foi Os contos de Grimm. Mas, a princípio, como ainda não era alfabetizada, ficava nas ilustrações, imaginando as cenas daquela história.

Com a adolescência, e todos os conflitos que essa fase desperta na vida de um jovem, me desliguei um pouco do hábito de ler, não tive na escola a mesma influência que recebi em casa, não tínhamos, como alunos, o hábito de realmente ler, mas sim de copiar para entrega e nota. A imaginação e a releitura do aluno não eram boas o suficiente para serem consideradas, o que é uma pena, por afastar o aluno leitor da tomada de consciência sobre a importância que o hábito da leitura traz para o desenvolvimento pessoal.

Ao final do ensino médio, retornei ao hábito de ler pela recomendação de um livro: O Sétimo, de André Vianco. E olhem só, toda aquela imaginação para interpretar os personagens e as cenas ainda estava lá, não tinha se perdido.

Há algum tempo conheci um grupo lindo de leitores, todos aproximados por uma pessoa mais linda ainda, que hoje, infelizmente, não está mais conosco, mas que plantou uma sementinha de compartilhamento de experiências literárias. Esse grupo é formado por pessoas muito diferentes umas das outras, e essa é mais uma coisa que eu descobri sobre os livros, além de nos proporcionar uma ótima imaginação, eles unem pessoas, unem a diversidade em prol de suas histórias.

O que eu percebo, pela minha convivência com outras pessoas e pela minha própria experiência, é que o hábito de ler traz uma forma bastante ampliada de ver e compreender a vida, é uma leitura realmente consciente, seja sobre as letras, palavras, a vida ou o mundo.

Por Jussara Alves, 25 anos.
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Dente-de-Leão Criação de Projetos Literários
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