Potterhead
A primeira coisa que tenho a falar é: a leitura salvou minha vida. Mas vamos do comecinho para entender.
Eu sempre gostei de histórias e de ler. Minha mãe conta que desde pequenininha, quando ela lia histórias para eu dormir, eu pegava o livro e “lia”, não gostava que alguém fizesse por mim. Fui crescendo e aprendi a ler cedo, sempre tive meus livrinhos, pois minha mãe sempre incentivou muito a leitura (que também é uma de suas paixões), e me apaixonei cedo por literatura.
No colégio em que eu estudava, a cada bimestre eram oferecidas quatro opções de leitura obrigatória, e cada aluno tinha que escolher um dos livros. Eu lia os quatro de cada bimestre, normalmente antes do ano letivo começar. Mas naquela época não tinha tantos livros infantojuvenis, então eu não tinha muitas opções.
"Quando ela lia histórias para eu dormir, eu pegava o livro e “lia”, não gostava que alguém fizesse por mim."
Foi quando surgiu Harry Potter. Sim, sou dessa geração, Potterhead de carteirinha. Os livros eram muito caros, então eu ganhava um por vez e de tempos em tempos. Eu pedia de presente de aniversário, Natal, trocava ovo de páscoa (mesmo sendo looouca por chocolate), tudo para ter um livrinho. E os livros de Harry Potter chegaram em um momento muito difícil da minha vida. Eu ganhei o primeiro livro no ano em que meu melhor amigo faleceu. Eu já era tímida, mas depois disso me retraí ainda mais. Um ano depois, a garota com quem mais tive proximidade, pois era a única que também gostava de ler, também faleceu. Cada vez mais eu me fechava, eu só encontrava abrigo nos livros, os quais eu lia e relia. Perdi as contas de quantas vezes reli a saga Harry Potter (e todas as vezes eram mágicas). Com o tempo, foram surgindo cada vez mais livros infantojuvenis, para minha felicidade.
"E os livros de Harry Potter chegaram em um momento muito difícil da minha vida."
Na adolescência, desenvolvi depressão e distúrbio alimentar, a ponto de não ver motivos para lutar pela minha vida. Foi uma época péssima e as únicas coisas que eu tinha eram os livros e os filmes. Eu passei um bom tempo com a cara enfiada nos livros, pois me faziam esquecer de tudo de ruim que acontecia. Eu sempre gostei muito de ler fantasias, e acabei me inspirando nos heróis das aventuras que eu lia para melhorar. Eu via que eles eram capazes de tantas coisas que comecei a me questionar por que eu também não era. Isso ajudou muito a melhorar minha saúde.
"Eu passei um bom tempo com a cara enfiada nos livros, pois me faziam esquecer de tudo de ruim que acontecia."
Foi assim que a literatura mudou a minha vida e nunca mais abandonei a leitura. Teve épocas em que eu lia menos, épocas em que eu não fazia nada além de ler. Cada vez que eu tinha uma recaída das doenças, eu encontrava força nos livros para me reerguer de novo. A leitura salvou (e continua salvando) a minha vida.
Por Thainara Parente, 22 anos.
Biografia
Thainara Parente, 22 anos, livros favoritos: Harry Potter (não podia faltar), O Código Da Vinci, Maze Runner, Percy Jackson e os Olimpianos e A Culpa é das Estrelas.
Tem vários outros que são queridinhos também, mas esses são os que sempre veem à minha cabeça quando me perguntam qual meu favorito.
Credits:
Created with images by aka Paty Oliveira / Maionese_paty - "Quadrinhoooosss!!" • Ravi_Shah - "Hogwarts" • I'm Harry Freakin' Potter - "Harry Potter 6"