Uma parede branca…
Seu pai, como qualquer outro de populações que vivem na beira dos rios da região Norte do Brasil, chegava em casa com peixe fresco para alimentar a família.
Talvez um dos alimentos mais importantes dos ribeirinhos, juntamente com outros extraídos da floresta, peixes como tambaqui e pintado eram comuns à mesa dos Souza.
“Eu saía pra pescar, subia em árvore, tive uma infância muito boa”, conta Nara da época que morava às beiras do rio Amazonas. Ela lembra que em uma das saídas para acompanhar a pesca, viu algo enorme se mexer dentro da água e não sabia o que era.
“Podia ser cobra ou um pirarucu”. Imagina o susto!
Pra quem não sabe, o pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do planeta, chegando a atingir 3 metros de comprimento e mais de 200 quilos.
Atualmente, quase toda a produção da empresa vai para a merenda escolar do estado.
“A gente alimenta as crianças com um produto saudável e ainda trabalha em parceria com o governo do estado para manter a tradição da cultura gastronômica amazônica.”
Filé de peixe ensopado, guisado e moqueca são servidos para milhares de crianças durante o período escolar.
Entre os peixes, o pirarucu, dourado do Amazonas, tambaqui, pintado e jatuarana.
Mas para chegar a alimentar tanta gente, Nara teve que percorrer um longo percurso.
Com a mudança da família para Rondônia, trabalhou limpando chão de farmácia, passou por lojas de roupa, até que começou a pintar escolas. Ao levar sua arte para as paredes de salas e refeitórios, conseguiu pagar a faculdade de Fisioterapia.
E foi aí que o projeto da agroindústria surgiu. Por meio da atividade na escola, ela soube que o governo do estado estava apoiando quem quisesse trabalhar com pescados.
E em 2016, construiu uma agroindústria no sítio onde morava, na zona rural de Porto Velho.
A abertura do negócio deu também oportunidade a seus pacientes de fisioterapia.
“Eu atendia agricultores que queriam parar de trabalhar devido a dores no corpo”, relata Nara. E ela os convenceu que a piscicultura não exigia tanto fisicamente quanto a agricultura.
Assim, passou a adquirir peixes de 30 pescadores e piscicultores da agricultura familiar.
Todos fazem parte da COOPPEIXE, cooperativa em que ela é presidente.
São os pescados deles e os dos açudes de Nara que recheiam os pratos das escolas estaduais de Rondônia.
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A revista digital surge da vontade de contar essas histórias e também valorizar cada alimento.
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e tem mais histórias nesta edição:
- Produzir e preservar: esse produtor de café especial está ajudando a recuperar áreas degradadas da Amazônia.
- Um queijo abençoado: saiba como a fé em Santa Paulina inspirou a produção desse queijo saboroso.
- O doce sabor da preservação: conheça a produtora de mel que cuida das abelhas como se fossem filhas!
- Comer é um ato político: entenda o que é gastropolítica e como gerar transformação social através do prato.
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Café com sabor da floresta
O dia recém tinha começado na Chácara Rio Limão quando a família Bento foi surpreendida por uma visita...
Era final da década de 80 quando Ronaldo e a esposa Jane Severina saíram do Mato Grosso para investir seus sonhos na produção de café em Rondônia.
Aos poucos foram conquistando seu pedacinho de terra e se especializando em diferentes tipos de café - enquanto isso, a família ia crescendo…
Há 9 anos, decidiram investir tudo para recuperar a área onde fica a Chácara Rio Limão.
Até então era um terreno degradado pela pastagem, e quase não tinha promessas de produtividade. Mas o cuidado e o amor pelo café transformaram o lugar e fizeram da Don Bento uma empresa referência em sustentabilidade.
"A gente está na Amazônia, então precisa ser exemplo pro país. Mostrar que a gente consegue produzir café especial sem desmatar.
Aqui preservamos as nascentes dos rios e fazemos a produção em torno deles. Em volta da propriedade, hoje, temos uma carreira de árvores nativas."
Deigson Bento, produtor.
Pra família, o respeito ao meio ambiente sempre foi um norte e agora é a sua maior marca.
A Don Bento é pentacampeã de sustentabilidade no concurso Concafé, a principal competição de marcas de café de Rondônia. No quesito qualidade, está entre as 5 melhores do Estado.
E já foi escolhida a segunda melhor do país na Semana Internacional do Café, em 2019.
Mais do que prêmios, o cuidado com a Amazônia traz satisfação pra família Bento. Além de um sabor todo especial que só a floresta dá.
Hoje a marca trabalha com café Robusta, variedade de café que no estado rondoniense possui a Indicação Geográfica Matas de Rondônia. São duas linhas: a tradicional, perfeita para um café coado no dia a dia, e a fermentada, especial para elaborações mais diferentes.
Mesmo o café fermentado não leva adição nenhuma: a transformação do produto acontece no tempo natural e com os sabores próprios do grão. E isso quer dizer que cada lote é um lote: ele pode vir saborizado com taperebá, maçã ou até guaraná.
Notas sensoriais que o próprio café capta da floresta e leva para o processo de fermentação.
"É o sabor amazônico, coisas que só acontecem aqui. Já mostrei o café para barista que não acreditou que é puro, disse que parece ter infusão de fruta.
Mas não, é natural. É a umidade, o modo de colher, selecionar, adubar, tudo influencia no sabor."
Deigson Bento, produtor.
Tudo vai descrito na embalagem. Além da rastreabilidade típica das Indicações Geográficas, o consumidor também pode saber a pontuação daquela torra (mais de 80%, se trata de um café especial!) e o sabor específico daquele lote.
sugestão de consumo: pudim de café
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O queijo da gratidão
Essa é a história de uma brasileira devota de Madre Paulina…
O ano era 2005 quando Maria Salete Lampugnani Pelissari tentava vencer um câncer.
“Fiz promessa, pedia pra não morrer. Eu queria viver.”
A homenagem tão cheia de fé enche de alegria os clientes, que vivem dizendo que não existe queijo igual ao seu!
Dona Salete é daquelas pessoas que já acorda cheia de energia para colocar a mão na massa, literalmente.
Com a chegada do leite ordenhado de suas próprias vacas, ela começa o processo de produção dos queijos na pequena queijaria que construiu junto à sua casa.
De segunda a segunda, repete a receita que desenvolveu em três anos de teste: leva leite cru, coalho, iogurte, sal e pingo.
Este último, um soro retirado da produção do dia anterior, o que revela que a inspiração da produtora passa pelos renomados queijos mineiros, também feitos com pingo.
Mas ela garante que a qualidade final do produto não vem apenas da receita e do uso de ingredientes bons.
Seu capricho e um segredinho que não conta a ninguém são os elementos que dão o toque essencial para a boa aceitação de seus queijos. Isso sem mencionar a segurança. A queijaria Santa Paulina possui o SIM (Selo de Inspeção Municipal), que garante que tudo é feito dentro das normas sanitárias.
Por mais que a receita da massa seja a mesma para todos os queijos que faz, o produto varia de acordo com o tempo de maturação e uso de tempero.
Dona Salete, que trabalha sozinha e faz tudo de forma artesanal, produz uma média de 25 queijos por dia, entre fresco e maturado por até 60 dias.
Hoje, aos 70 anos, a queijeira se sente satisfeita por fazer um produto que expressa a identidade de Rondônia, estado que a acolheu depois de deixar pra trás uma vida de dificuldade em Santa Catarina.
Em 1982, mudou-se com o marido e 4 filhos para o recém criado estado, do outro lado do país. Foram oito dias de uma viagem sem saber o que os esperaria.
“Viemos às escuras, sem alternativa. Era acostumar ou acostumar.”
E deu certo!
Do ramo madeireiro passaram para a pecuária, quando já começou a mexer com leite para fazer seu próprio queijo, tradição que trouxe da infância.
Quando era criança, ajudava a mãe na confecção de queijo para consumo da família. E assim começou.
No início, seus queijos eram para os familiares que também se mudaram para o estado do norte. Com o tempo, foi ganhando a vizinhança, e os clientes começaram a surgir.
Atualmente, além de fornecer para dois mercados, atende os clientes na queijaria.
“Hoje mesmo veio um de uma cidade que fica a 175 quilômetros daqui”, conta Dona Salete.
A distância não é empecilho para os apreciadores dos queijos Santa Paulina, que dirigem até a queijaria para receber das mãos de Dona Salete um produto com o sabor da pastagem amazônica.
Quando se vive em um lugar onde a natureza por si se responsabiliza pelo alimento dos animais, o que resta é pedir por abundância de leite e saúde.
Se quiser entrar em contato com Dona Salete e provar seus deliciosos queijos, você pode ligar para o número:
(69) 99965-9031
sugestão de consumo: tábua de frios especial
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Mel, o rastro de vida das abelhas
Um pedido de socorro. Uma mão estendida…
O ser humano tem suas vantagens quando o assunto é perigo…
Mas e os animais? Como eles pedem ajuda quando precisam?
Vê-se com cada vez mais frequência o trabalho de pessoas que resgatam animais domésticos em situações de risco.
Mas e as abelhas?
Esses insetos extremamente importantes ajudam a preservar nossa biodiversidade com seu trabalho de polinização.
Mas a quem eles recorrem quando necessitam? Você já parou alguma vez pra se questionar sobre isso?
Pois saiba que na cidade de Ji-Paraná, em Rondônia, existe uma mulher que protege e resgata as abelhas.
A bióloga e apicultora Elizângela Hoffmann da Silva, que está à frente da SOS Abelhas em Foco, virou personagem central no salvamento de enxames.
“Quando os Bombeiros e outras pessoas da cidade precisam remover colmeias, eles recorrem a mim.”
Elizângela Hoffmann da Silva
Antes, os insetos acabavam mortos. Hoje, com o trabalho de Elizângela, a mortandade chegou a zero.
Ela recolhe as colmeias com cuidado e as leva para casa, que por coincidência, se chama Sítio Socorro.
O sítio tem esse nome por ter sido ponto de apoio dos colonizadores quando chegavam à região.
Hoje ela vive no sítio com seu marido Cândido Pavão da Silva, parceiro no trabalho com as abelhas.
A família de Elizângela foi uma das primeiras a chegar à Rondônia quando o local não era nem um estado ainda, o que veio a acontecer em 1981. Já naquela época, em 1972, o avô materno dela lidava com a apicultura.
Isso a faz acreditar que esse amor que ela tem por esses bichinhos é nada menos do que um “encontro de raízes”.
Mas a relação com as abelhas teve início quando seu pai adoeceu, em 2004.
Com uma doença grave nos pulmões, os médicos indicavam mel para sua dieta, e Elizângela, já casada e com um filho, se questionava “cadê o mel puro para o meu pai?”.
Foi quando decidiu trabalhar com apicultura.
O questionamento constante para entender o motivo do abandono e morte das abelhas fez com que voltasse a estudar. Quando o segundo filho fez 4 anos, Elizângela retornou à escola para terminar o ensino médio.
Seguiu até fazer o ENEM, e acabou conseguindo vaga em bolsa integral para estudar Biologia. Durante todo o tempo que estudou, vendeu produtos agrícolas na universidade e comércio local.
“Fazia pamonha, queijo e requeijão. Me mantive com comida”.
Sua entrada no curso de Biologia foi focada nas abelhas.
Como sua casa é imersa em meio à Floresta Amazônica, ela queria compreender como os ecossistemas se interligavam por meio delas. Então, como trabalho de conclusão de curso, Elizângela passou um ano resgatando abelhas de Ji-Paraná.
E mesmo depois de terminar a pesquisa, a população continuou pedindo sua ajuda.
O reconhecimento dos anos de dedicação às abelhas e a excelência na produção de méis que trazem as floradas da Amazônia veio com um convite pra fazer parte da agroindústria Amazon Mel.
A empresa familiar tem mais de 30 anos de prática na apicultura de Rondônia.
E é uma oportunidade de levar ao consumidor final a “alma da floresta”, como Elizângela chama o mel.
Quer saber mais?
Se você viveu o Brasil anos 90, com certeza leu isso cantarolorando na cabeça. Ou talvez algum dia até já tenha cantado a plenos pulmões, com sede de protestar por um país melhor.
E se a gente se propor a fazer uma releitura dessa música, conectando ao tempo presente?
Vejamos, o cenário é 2021: um país se reencontrando com a fome e a miséria. Mas hoje também temos novas lentes para enxergar, há novas discussões sobre alimentação e como usar sua potência para além do prato.
Comida não é “só”comida, mas um terreno político fértil onde tudo mais pode brotar.
A brincadeirinha de recriar o clássico dos Titãs é um convite pra gente pensar a gastronomia como uma forma de se posicionar no mundo. Existe até um nome pra isso: gastropolítica. E não, não é só sobre o Estado e a política burocrática das instituições.
Gastropolítica tem mais a ver com problematizar.
Pensar os sistemas agroalimentares, de onde vem esse milho, quem produz essa banana, quem fez essa moqueca e quem comeu esse feijão. É sobre atitudes individuais e coletivas, conexão entre comunidades, visibilidade para minorias.
E claro, é sempre sobre matar a fome. É ver o alimento como direito básico e também ferramenta de justiça social.
Pra entender melhor o conceito, conversamos com Elaine de Azevedo, nutricionista, socióloga da alimentação e professora universitária. Ela tem um podcast, o Panela de Impressão, onde traz discussões importantes sobre o tema e já falou de gastropolítica nesse artigo.
Pra Elaine, um país desigual como o Brasil precisa do ativismo alimentar.
"A gastronomia é um recurso potente pra, dentro dela, promover várias discussões de cunho político. Assim, a gente torna o consumidor mais ativo e mais consciente da problemática alimentar.”
Elaine de Azevedo, ativista alimentar
E esse ativismo pode ser praticado por quem?
Qualquer pessoa.
Começando pelos profissionais da gastronomia, cozinheiros e chefs.
Ações de caridade, como doação de alimentos, são importantes, mas não suficientes. É preciso ir além, usar a cozinha para incluir, gerar debate. Elaine cita o livro "O engano da gastronomia espanhola”, de José Linares, em que o autor traz exemplos de ativismo alimentar praticado por grandes restaurantes.
Num deles, um chef estadunidense criou uma atmosfera multicultural e recria pratos étnicos para criticar as relações internacionais do governo dos EUA.
O consumidor também pode causar transformação numa simples escolha no prato.
E, por sua vez, os governos podem e devem usar a gastropolítica para desenvolver o país economicamente e emancipar as camadas mais marginalizadas. Infelizmente não é o que ocorre por aqui.
O Peru tem sido um modelo mundial em ativismo alimentar. Há alguns anos, o país vem criando sua nova cara: hoje é uma terra de cozinheiros.
Abriu centenas de escolas de gastronomia, forma cada vez mais profissionais e constrói uma cultura alimentar promissora. Através do resgate de raízes culinárias, o projeto político estimula uma aproximação com o conhecimento ancestral, enquanto fortalece o turismo, a economia e a cultura popular.
Há muito sendo feito aqui, sim, mas pela própria sociedade civil. São ONGs, projetos, conselhos estaduais e ações solidárias, como a campanha de distribuição de alimentos do MST na pandemia.
Elaine diz que os ativistas alimentares nunca trabalharam tanto quanto atualmente!
Quando há fome, há pressa. E há também uma vontade enorme de usar a gastronomia para mudar as coisas.
A saída para uma transformação através do prato está nos lugares mais simples: a cozinha das comunidades tradicionais. Saber de onde vieram nossos costumes mais antigos e resgatá-los pode ser empoderador.
"Todo prato produzido localmente, com caráter territorial e que implica um saber ancestral, tem capacidade de gerar sentimento de brasilidade.”
“E mesmo assim, produziu uma identidade alimentar muito potente. Uma identidade que apesar de invizibilizada, resistiu.
Ela é mantida por esses saberes de minorias.”
“E hoje tá clamando para ser resgatada e compreendida. Isso é político."
Elaine de Azevedo, ativista alimentar
Se você é produtor e também tem histórias cheias de sabor, conta pra gente:
Alô alô, pais!
Uma obra riquíssima e inédita sobre o modo de viver ancestral das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, SP, está disponível online. Roça é Vida é voltado para o público infantojuvenil e registra também o Sistema Agrícola Tradicional Quilombola (SATQ), que em 2018 foi reconhecido como patrimônio imaterial brasileiro pelo IPHAN. Uma lição de vida aos pequenos.
Anote na sua agenda!
Nos dias 26 e 27 de novembro acontece a 4ª edição do Seminário Estadual da Guavira: agrofloresteie. Neste ano, o evento vai ter transmissão pelo YouTube e atividades presenciais. Símbolo do Mato Grosso do Sul, a guavira é um fruto que tem relação com a memória afetiva de muitas pessoas do estado. Temas como sociobiodiversidade e cadeia produtiva sustentável vão ser discutidos.
Uma discussão super necessária
Atualmente, 41% da população brasileira é atingida pela insegurança alimentar. Por isso, torna-se mais do que necessário buscar soluções para esse grave problema. A comissão organizadora do 1° Congresso Interestadual em Atuação com Movimentos Sociais está convidando para a inscrição e participação nas mesas de debate e dos grupos de submissão de trabalho do congresso. Com o título de Fome de Tudo: do direito à terra à soberania alimentar, o evento acontece entre os dias 3 e 5 de dezembro.
E tem mais uma dica para a garotada!
Atenção pais que se preocupam com educação alimentar (e sabem que ela tem relação com educação ambiental, cultural e social). A educadora infantil Juçara Borges criou o livro Butiazinhos para crianças, que contém a história A ameaça do Butiá e mais sete atividades infantis relacionadas ao tema. Foram distribuídas três mil cópias para a rede de ensino municipal de Imbituba, SC, mas seu filho pode aprender com a versão virtual, que compartilhamos aqui.