História da Arquitetura: Contemporâneos Sônia Siqueira - História da Arquitetura e do Urbanismo

MÓDULO I: QUEM É SANTIAGO CALATRAVA

Arquiteto e engenheiro espanhol cujo trabalho tem se tornado bastante popular nas últimas décadas.

Calatrava licenciou-se em arquitetura em 1974. Mudou-se para Zurique para estudar engenharia civil, licenciando-se em 1979 e doutorando-se em 1981.

O partido de seus projetos é considerado único e altamente influente. Torna-se difícil estabelecer um perfil da arquitetura de Calatrava devido a sua complexidade e heterodoxia irredutíveis a fórmulas que combinam uma presença visual marcante com conhecimentos tecnológicos sólidos.

Frequentemente inspirado por formas orgânicas como esqueletos, seus trabalhos elevaram o desenho de certas obras de engenharia para novos patamares. Calatrava gosta de evidenciar o movimento das forças que animam as construções. Introduz soluções móveis e configurações dinâmicas, frequentemente assimétricas. Talvez por isso seja classificado como um dos mais ativos "estruturistas" contemporâneos. Também gosta de dotar suas realizações de conotações organicistas e surrealistas. Inspira-se primordialmente nos seres da natureza (antropomórficos, harmonias e equilíbrios dos esqueletos ou das formas naturais, articulações-rótulas, tendões-cabos); assume muitos riscos na busca de um estilo próprio que se baseia na natureza. Em sua curta trajetória, já tem obras suficientemente importantes para ser reconhecido. Dotado de um grande talento para o desenho, também se ocupou de pesquisas paralelas à sua arquitetura, tanto no campo do desenho de objetos como no da escultura.

Alguns de seus projetos mais famosos incluem:

  • Cidade das Artes e das Ciências - Valência, Espanha
  • Hemisfèric
  • Museu das Ciências Príncipe Felipe
  • L'Umbracle
  • Palácio das Artes Rainha Sofia
  • Ágora
  • Ponte de l'Assut de l'Or
  • Auditório de Tenerife - 1997 a 2003, Santa Cruz de Tenerife, Espanha
  • Stadelhofen Railway Station, Zúrique, Suíça 1983 a 1984
  • Museu de Arte de Milwaukee, Milwaukee, Wisconsin, Estados Unidos
  • Complexo Olímpico de Atenas, Atenas, Grécia
  • Gare do Oriente, em Lisboa, 1998
  • Turning Torso, em Malmö
  • Puente del Alamillo e Puente de La Cartuja, Sevilha, Espanha, 1987 a 1992
  • Ponta da Constituição, em Veneza, Itália
  • Puente de la Mujer, em Buenos Aires, Argentina

Veja, agora, um pouco da biografia de Santiago Calatrava

A SAÍDA PELA ALTA TECNOLOGIA

Uma das vertentes da arquitetura contemporânea se baseia nas contribuições da ciência, da indústria e da técnica. Desde meados do século XIX, uma parte da arquitetura se desenvolveu sobre a base das possibilidades formais da utilização de novos materiais e do suporte das novas tecnologias. Isto, que já no Oitocentos gerou símbolos como o Palácio de Cristal de Londres (1851) e a Torre Eiffel de Paris (1889) , se expressou com todo o seu brilho na época das vanguardas.

Nos anos sessenta reapareceram as utopias tecnológicas, como as projetadas pelos ingleses do Archigram[1], ou pelos japoneses do grupo Metabolismo[2]. E ao longo dos anos oitenta, apesar das críticas que uma parte do pensamento contemporâneo de origem ecológico, alternativo ou pós-moderno lançou contra o poder totalitário e destrutivo da tecnologia, voltou a aflorar essa confiança na racionalidade que o mundo da tecnologia pretende possuir intrinsecamente.

Esta arquitetura rejeita sempre qualquer retorno historicista ou qualquer jogo formal, decorativo ou arbitrário. Continua vigente a confiança nos princípios básicos das vanguardas do início do século XX, especialmente o papel central outorgado à tecnologia como fonte de inspiração. É uma arquitetura redutiva, que tenda resolver o máximo de questões com o mínimo de formas, confiando na capacidade de síntese que a tecnologia possui. É uma arquitetura que pretende uma realidade e coerência máximas, que persegue a imagem de globalidade de um conjunto lógico e mecânico.

Dentro deste panorama encontramos posturas muito diferentes: uma arquitetura de alta tecnologia que busca uma grande elegância no desenho, como no caso da obra de Norman Foster; outras obras nas quais predomina a própria agressividade e presença dos elementos estruturais e de instalações, como ocorre na nova sede da Companhia Lloyd em Londres (1979-1986) de Richard Rogers; tendências nas quais essa linguagem tecnológica abandona a condicionante da estrita racionalidade para explorar campos formais baseados na evocação ou na proximidade às outras artes, como realiza Jean Nouvel; ou casos como o de Santiago Calatrava em que a confiança no mundo científico se desdobra em formas escultóricas e expressivas.

Em outros casos como o de Jacques Herzog (1950) e de Pierre de Meuron (1950), abandona-se a aspiração à monumentalidade que quase sempre está ligada ao uso da alta tecnologia e busca-se uma via mais modesta e renovadora na qual o estatuto do material de cada obra seja essencial, tal como demonstraram nos Armazéns Ricola em Basstrasse, Laufen (1986-1987), obra minimalista feita com estruturas de aço recoberta com tábuas de madeira e laminas de estanho.

Curiosamente, a maior parte dos arquitetos que se situam no campo da arquitetura tecnológica se correspondem com a figura do arquiteto mais conservador, reacionário e apolítico.

  1. Grupo de arquitetos ingleses formado em 1961 - embora o grupo só tenha adotado o nome de fato em 1963 - com base na Architectural Association School of Architecture, em Londres, cujas propostas buscavam um diálogo mais próximo com o contexto cultural da época. Se inspirou na tecnologia como forma de expressão para criar projetos hipotéticos, na tentativa de resgatar as premissas fundamentais da arquitetura moderna
  2. O Movimento Metabolista surgido no Japão em meados da década de 1960 do século XX teve como um de seus grandes idealizadores o arquiteto Kenzo Tange que, a partir de um olhar atento à crise concernente à falta de territórios para a expansão das megalópoles japonesas, buscava através da arquitetura, das grandes infraestruturas, dos grandes recursos de engenharia e de um ideal de intervenção em megaescala, respostas projetuais possíveis. A alternativa imediata à qual se dedicavam os arquitetos metabolistas japoneses consistia na inevitável ocupação dos oceanos enquanto interface para a construção de uma "nova civilização".

ORGANICIDADE E ARTISTICIDADE NA OBRA TECNOLOGICA DE SANTIAGO CALATRAVA

Calatrava recebeu uma ampla formação entre as quais estão: artes plásticas, engenharia, arquitetura e matemática. Esta formação permite a ele desenvolver uma obra pessoal onde as belas e dinâmicas formas de cada construção – pontes, fabricas, pavilhões, estações etc. - são o resultado da expressividade formal no próprio percorrido das forças. A obra de Calatrava apresenta uma síntese de dois paradigmas aparentemente opostos: a máquina e a obra de arte. Em sua obra aparecem influências das estruturas ósseas orgânicas da obra de Antônio Gaudí, do desenho aerodinâmico norte-americano dos anos cinquenta e de todos os mestres da arquitetura escultórica e expressiva do período pós-guerra: Félix Candela, Eero Saarinen, Kenzo Tange, Pier Luigi Nervi e Jörn Utzon.

Um dos primeiros exemplos onde apareciam tais qualidades foi na reforma das fachadas dos armazéns Ernestingem Coesfeld, Westfalia (1983-1985), onde contou com a colaboração de Bruno Reichlin e Fabio Rëinhart. Toda a fachada lateral é de chapa ondulada de alumínio e está situada sobre uma base de concreto e coroada com uma cornija de metal. Três enormes portas basculantes compõem a fachada principal e quando estão abertas e soltas adotam a forma de uma escultórica marquise.

Um claro exemplo de seu trabalho no campo da construção civil é a ponte queune as ruas Bach de Roda e Felipe II de Barcelona (1987). Esta possibilita a transposição do obstáculo dos trilhos da ferrovia e propõe um nó de comunicações básico para a reestruturação da rede viária da cidade. Trata-se de uma ponte de formas aerodinâmicas, com uma estrutura mista onde as partes fundamentais são de concreto armado e as mais leves usadas como base estrutural são de aço – tirante se vigas. Esta escultura urbana foi pensada cuidadosamente para permitir tanto a passagem do tráfego de veículos como itinerários dos pedestres.

A Estação Ferroviária Stadelhofen (1990), em Zurique, utiliza passarelas e ampliações de coberturas de modo radical acima de uma arcada orgânica, abobadada e subterrânea. Como na Capela Güell e no viaduto do Parque Güell de Gaudí, as paredes e a cobertura da estação se transforma em um todo orgânico que se eleva como o tronco e galhos de uma árvore.

Em 2001, Calatrava concluiu a ampliação, principalmente de concreto, do Milwaukee Art Museum. Assemelha-se a uma ave prestes a voar; seu elemento mais proeminente é o conjunto cinético de brises ou dispositivos para controle solar, que ameniza o ambiente na área de recepção envidraçada do museu. Sob essa concepção fantástica, as galerias horizontalizadas correm na direção norte-sul, aparentemente extrudadas a partir da base dos brises, até chegar à War Memorial Art Gallery construída na década de 1960 por Eero Saarinem. Finalmente, uma passarela de pedestres sustentadas por um mastro inclinado e cabos segue para o leste, na direção do centro da cidade.

O Palácio das Artes Rainha Sofia, localizado em Valência, na Espanha, é um teatro lírico feito com concreto e aço, revestido de mosaico. Ganhou fama pelo telhado alto e branco, que se assemelha à escultura gigante de uma criatura do mar em movimento. Com 75 m. de altura, essa é a ópera mais alta do mundo e contém quatro auditórios – dois grandes (um principalmente para óperas e outro para usos diversos) e mais dois espaços menores, destinados a apresentações. Das janelas do teatro, o espectador pode olhar pelas frestas do enorme telhado e ver desde s lagos ornamentais e os jardins verdejantes ao redor até as edificações igualmente extravagantes da Cidade das Artes e Ciências.

Assista agora o filme sobre o Palácio das Artes Rainha Sofia

O Museu do Amanhã é um museu em construção no Rio de Janeiro. O prédio está sendo erguido na Zona portuária do Rio de Janeiro (mais precisamente no Píer Mauá) como parte do projeto Porto Maravilha.

Serão cerca de 30 mil m², com jardins, espelhos d'água, ciclovia e área de lazer. O prédio terá 15 mil m² e arquitetura sustentável. O projeto arquitetônico prevê a utilização de recursos naturais do local - como, por exemplo, a água da Baía de Guanabara, que será utilizada na climatização do interior do Museu e reutilizada no espelho d´água. No telhado da construção, grandes estruturas de aço, que se movimentam como asas, servirão de base para placas de captação de energia solar. Com isso, o Museu do Amanhã vai buscar a certificação Leed (Liderança em Energia e Projeto Ambiental), concedida pelo Green Building Council (USGBC). O projeto do Museu do Amanhã foi totalmente baseado pela paisagem da zona portuária e da Baía de Guanabara.

Amanhã sustentável

O museu está sendo construído de acordo alinhadas com os mais elevados padrões da certificação LEED (Liderança em Energia e Projeto Ambiental, em português), chancelado pelo Green Building Council Brasil e um dos mais importantes reconhecimentos na área. Isso significa estar atento a pequenas atitudes que, somadas, evitam grandes impactos. Como escolher materiais reciclados de alta durabilidade, que não agridam o ambiente e que sejam produzidos próximos ao local da obra, por exemplo.

As águas da Baía de Guanabara serão utilizadas na troca de calor com o sistema de climatização do prédio. Realizada de forma a não prejudicar a vida marinha, a troca vai possibilitar ainda que as águas sejam filtradas durante o processo. A geração de energia para uso interno será feita por meio da instalação de placas que transformam a energia da luz do Sol em energia elétrica. O projeto prevê que as estruturas da cobertura do edifício se movimentem ao longo do dia para captar a maior quantidade possível de luz solar.

Assista agora o filme sobre o Museu do Amanhã

REFERÊNCIAS

COLE, Emily. (org.) História ilustrada da arquitetura. São Paulo: Publifolha, 2011.

FAZIO, Michael; MOFFETT, Marian; WODEHOUSE, Lawrence. A história da arquitetura mundial. 3ed. Porto Alegre: AMGH, 2011.

JONNES, Denna. Tudo sobre arquitetura. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.

MONTANER, Josep Maria. Depois do movimento moderno: arquitetura da segunda metade do século XX. Barcelona: Ed. Gustavo Gilli, 2013.

WILKINSON, Philip. Grandes edificações. São Paulo: Publifolha, 2013.

Created By
Lucas Campos Moura
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