"É melhor fazer junto do que separado" sistema de parcerias do centro de treinamento na bahia traz satisfação para associado e transforma vidas

A escolha do nome para o local de capacitação e qualificação profissional da Associação Baiana dos Produtores de Algodão - Abapa - não poderia deixar de lado a palavra “parceiros”. Buscar pessoas, empresas, entidades no intuito de trabalhar de forma conjunta é a característica do Centro de Treinamento Parceiros da Tecnologia - CTPT, sediado em Luiz Eduardo Magalhães-BA.

O início de tudo foi em julho de 2010, com a aproximação de uma concessionária de máquinas e equipamentos agrícolas de grande porte. Naquele momento se visualizou a possibilidade da transferência de tecnologia junto aos associados da Abapa. O objetivo era potencializar todas as funcionalidades que os equipamentos traziam a cada nova geração lançada no mercado. E em relação ao maquinário agrícola, cada vez mais a técnica ganha o espaço da força.

A empresa Agrosul/John Deere iniciava uma forma de trabalho que cresce a cada ano. “Ali se iniciou o que chamamos de ‘Sonho Grande’ ”, conta o coordenador do CTPT, Douglas Fernandes.

Entre 2010 e 2012, instrutores do Serviço Nacional de Aprendizado Industrial - SENAI - foram capacitados pela Agrosul/John Deere para ministrarem os cursos no CTPT. Ali começava a primeira parceria com um dos braços do Sistema S, parceria que avançou para as demais áreas de atuação do sistema, conforme algum novo projeto pudesse ser contemplado.

O número atendimentos junto aos colaboradores nos dois primeiros anos do Centro de Treinamento ficou um pouco acima de 300 por ano. Em 2012, os atendidos praticamente dobraram, passando para 596 alunos capacitados.

Em 2013, a Abapa assume a coordenação do Centro. Foi o momento de buscar novos caminhos. Era preciso diversificar os conteúdos dos cursos, ir além do objetivo de treinar e qualificar mão de obra direcionada à mecanização agrícola. Importante reiterar que os novos caminhos sempre foram trilhados com o mesmo modelo adotado nos primeiros anos, o modelo de 'parceria'.

Os números de atendimentos demonstram que o caminho foi bem escolhido

OBS.: números de 2016 estão atualizados até o dia 02 de dezembro de 2016

A sede do Centro de Treinamento fica em Luiz Eduardo Magalhães-BA, mas também há extensões em Roda Velha (distrito do município de São Desidério-BA) e Rosário (distrito de Correntina-BA).

O principal objetivo é levar para dentro das lavouras dos associados o que há de mais moderno na área.

Objetivos Gerais:

  • Capacitar profissionais para a operação de máquinas de alta precisão, a fim de reduzir os custos operacionais;
  • Aumentar a capacidade produtiva das máquinas e implementos, elevando assim a competitividade da agricultura baiana;
  • Aprimorar o conhecimento técnico-teórico dos profissionais para atuarem no setor de mecanização agrícola.

Todos os programas disponibilizados são gratuitos para os associados. Nos primeiros anos o Centro de Treinamento foi custeado pelo Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão - Fundeagro. Desde 2013, o Instituto Brasileiro do Algodão - IBA - repassa recursos para o CTPT.

Visita de técnicos e consultores do IBA aos parceiros do SENAI junto ao Centro de Treinamento - agosto 2016

Área de atuação

  • Mecanização Agrícola;
  • Movimentação de Cargas;
  • Equipamentos Móveis Industriais;
  • Florestal;
  • Beneficiamento e Análise da Fibra do Algodão;
  • Saúde e Segurança do Trabalho – NR’s;
  • Siderurgia;
  • Informática;
  • Rodoviário;
  • Ensino Técnico – EaD;
  • Tecnologia em Pivôs Agrícolas;
  • Boas Práticas em Pulverização Aérea;
  • Tecnologia em Lubrificantes;
  • Tecnologia em Pneus Agrícolas e Rodoviários;
  • Controle, Redução e Monitoramento de Poluentes para Veículos a Diesel.

Como estratégia para abranger toda essa gama de temáticas, a Abapa se aproximou das instituições de ensino da região com cursos voltados para a área agrícola e assim, ajuda a nortear como os programas de ensino podem ser conduzidos de forma a atender as características locais.

Da mesma forma, sempre são marcadas visitas técnicas dos alunos dessas instituições, numa troca de experiência, com cursos ou palestras. Cada conversa com esses alunos, conhecimentos são trocados nas duas direções, com aprendizados adquiridos também pela equipe do Centro de Treinamento.

Visita de estudantes das escolas técnicas do Oeste da Bahia - dezembro de 2016

Com o SENAI totalmente integrado à forma de trabalhar do CTPT, ficou mais fácil para se fazer a segunda parceria com o Sistema S, com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR. O Centro de Treinamento foi importante para o SENAR se adequar à realidade do Oeste da Bahia.

O coordenador do Centro de Treinamento, Douglas Fernandes, explica o papel de cada um:

Cada visita, um diagnóstico

Sem dúvida, essa outra característica, de se fazer um diagnóstico das necessidades dos associados, e não apenas pensar naquilo que estes demandam ao CTPT,  potencializou o atendimento junto aos associados. A proatividade ajuda na forma de modelar os cursos a serem ministrados.

Qualificação nas usinas beneficiadoras

Com o objetivo de atender as necessidades de toda a cadeia produtiva do algodão do estado da Bahia, atender os requisitos da legislação trabalhista e normativas, o Centro de Treinamento começou a atuar nas algodoeiras da região.

A capacitação de profissionais das algodoeiras começou a ser feita em 2013, com treinamentos de 14 horas/aula, e foco em cada etapa das rotinas de operação e nas práticas do processo de beneficiamento.

Pontos específicos de segurança de trabalho foram trabalhados, com cursos sobre as NRs 10, 12, 13, 31, 33 e 35; CPATR; SESTR, bem como questões sobre aplicação de agrotóxicos, transporte de trabalhadores e procedimentos adequados para resíduos produzidos nas áreas produtoras.

É fundamental disseminar as boas práticas e aumentar, em muitos casos reforçar, o conhecimento dos trabalhadores nas questões de segurança.

Encarregado de uma das maiores algodoeiras da região, Divino dos Reis confirma a necessidade da segurança e boa capacitação de mão de obra:

Entrevista: Divino dos Reis - encarregado de algodoeira do Grupo SLC

Qual a maior dificuldade que você tem na algodoeira, depois de mais de 15 anos de experiência?

Qualificação de mão de obra. Mas estamos trabalhando ano a ano, e sabemos que daqui a algum tempo teremos mão de obra bem qualificada.

Seria um problema localizado, aqui do Oeste da Bahia??

Não, o problema não é regional, é nacional. A dificuldade está por todas as regiões com algodoeira. Hoje está um pouco melhor, mas ainda está precária.

O Centro de Treinamento pode ajudar?

Ele vem para suprir essa dificuldade. Essa melhora que comentei é um efeito do trabalho deles. Estamos há dois anos com pessoal fazendo curso lá. Há dois anos era muito difícil trazer alguma empresa de qualidade para capacitar nossos funcionários. Além do custo, que era muito alto.

Como a algodoeira está em relação à segurança de trabalho?

Já estamos a mais de 2.800 dias (setembro 2016) sem qualquer acidente. Isso nos traz um certa tranquilidade, mas nunca uma desatenção. Tranquilidade por saber que os funcionários sabem o que deve ser feito em relação à segurança.

E você já fez algum dos cursos do Centro de Treinamento?

Já. Fiz vários. O último foi de classificação de algodão. Mesmo com 18 anos de experiência, eu nunca tinha feito esse curso.

Outro profissional especializado em beneficiamento de algodão, Joselmo Fagundes também explica a importância do Centro de Treinamento da Abapa para toda a cadeia de produção de algodão e fibras:

Parcerias na área de transporte

Volvo:

A preocupação da Abapa com a condução e manutenção de caminhões fica evidente ao fazer parceria com a empresa Volvo Gotemburgo. Com treinamentos de 8h de duração, desenvolvidos conforme a realidade do sistema rodoviário brasileiro, os atendidos recebem informações sobre como realizar uma condução econômica e a importância da manutenção preventiva de caminhões.

Além disso, é sempre necessário atualizar os motoristas das mudanças tecnológicas que a cada nova geração de veículos, são disponibilizadas pela indústria de caminhões. Não são apenas as colheitadeiras e tratores que mudaram nos últimos anos. Hoje a era é do caminhão digital.

O investimento para a aquisição dos veículos é altíssimo. As frotas de boa parte dos associados é de caminhões novos, que são conduzidos, muitas vezes, por profissionais que não estão capacitados. Na parceria, foram trazidos instrutores da fábrica da Volvo.

SEST/SENAT:

Outra parceria que nasce na área de transporte também está dentro do Sistema S. Junto com a prefeitura de Luiz Eduardo Magalhães-BA, o supervisor regional do SENAT, Roberto Knittel, foi convidado para conhecer o potencial da cidade para a implantação de uma sede do SEST/SENAT.

Acompanhamento da visita do supervisor regional do SEST / SENAT

Desse encontro já ficou acertado o primeiro treinamento de "Transporte de Cargas Perigosas", e em breve irá ser elaborado um curso para "Transporte de Cargas Indivisíveis", que é uma realidade do setor.

Sala de Treinamento da Oeste Pneus-Pirelli:

Dentro da edificação que está o CTPT, há uma parceria visualmente clara. É o espaço criado para o aprendizado sobre pneus. A importância em saber como se porta esta peça, tanto em maquinários agrícolas, como em diferentes tipos de veículos, ajuda no custo de manutenção e no controle de desgastes desnecessários de outras estruturas do veículo.

Estrutura física

O Centro de Treinamento Parceiros da Tecnologia possui espaço para atender 100 alunos em salas de aula diariamente. Além disso conta com:

  • 03 salas climatizadas;
  • 01 auditório climatizado;
  • 02 laboratórios direcionados à mecânica, elétrica e hidráulica;
  • 01 laboratório direcionado à tecnologia de pneus;
  • 02 banheiros;
  • recepção;
  • sala de coordenação;
  • galpão coberto;
  • área externa para atividades práticas com máquinas.

Instrutores e atendidos

Silmarques Silva Nunes

Instrutor no Centro de Treinamento parceiros da Tecnologia desde 2012. Ministra cursos de “Equipamentos Móveis Industriais” (pá carregadeira, retroescavadeira e escavadeira hidráulica) e “Equipamentos Agrícolas” (colheitadeira de algodão, colheitadeira de grãos, trator, pulverizador e plantadeiras)

Entrevista:

Você deve encontrar com alunos orgulhosos pelas fazendas da região?

Tem um aluno que tomamos como exemplo, o aluno Valdemir, que passou pelo Centro de Treinamento, fez o curso de operador de máquinas e hoje é técnico de logística na fazenda que ele entrou como operador de máquinas. Essa mudança aconteceu em apenas três anos. A capacitação proporciona essa mudança na vida das pessoas. Elas não vêm apenas para se capacitar, elas sabem que tem uma mudança de perfil profissional. Todo início de curso nós focamos muito nisso, para mostrar para eles o que as empresas esperam do perfil profissional do futuro funcionário.

E qual o sentimento de ver essas mudanças nas vidas dos alunos?

É o de um trabalho realizado. Quando encontro alguém lá fora e você percebe que você realmente proporcionou a mudança na vida dessa pessoa, você se sente mudado também. Saber que o seu trabalho impacta diretamente na vida dessa pessoa faz o acordar do outro dia um pouco diferente, melhor.

Qual o caminho que você fez para chegar até aqui?

Eu vim de Teixeira de Freitas, no sul da Bahia. Eu passei pela SENAI de Salvador e tive a oportunidade de vir para cá. E pensar que há 10 anos eu era operador de máquinas florestais na Aracruz Celulose. Em 2012, saí para trabalhar na área de treinamentos e capacitação, me tornando docente.

E o futuro?

Além da docência, estou terminando minha graduação em tecnólogo em segurança do trabalho. Com isso terei um campo de atuação maior, e com melhor qualidade. Como eu sempre falo, a educação, o estudo tem que ser de forma continuada, porque a tecnologia avança, as normas, a legislação mudam, e é preciso estar o tempo todo atualizado.

Você tem problemas com a diferença de nível cognitivo dos alunos?

Algumas pessoas entendem que a inteligência é uma graduação. Na verdade a escola te norteia para a educação, a inteligência vem de berço. Muitas vezes uma pessoa não graduada, ou com uma graduação menor, pode entender melhor a operação de um equipamento.

3 perguntas para:

Uislan Figueiredo, 23 anos, auxiliar de coordenador de lavoura

Qual a experiência que você tem com a cultura do algodão?

Eu fiz curso de Técnico em Agropecuária, e há 3 anos estou na lavoura. Já plantei soja, algodão e milho. Para nós que temos muito veranico, o algodão é uma cultura boa. Aguenta seca. Acho que devia se plantar algodão sempre. A produtividade é boa.

O que achou do curso?

Hoje estamos entrando no curso de trator, vamos falar de VCR. Ontem foi plantadeira, conexão, espaçamento. Hoje até fizemos alguns cálculos para poder saber utilizar o marcador. Fizemos cálculos de “por dentro” ou “por fora”, como utilizar tudo certinho. Eu não sabia desses cálculos. Sempre trabalhei com a tecnologia, nunca fiz no braço. É importante saber como calcular sem os equipamentos que já vem nas máquinas.

Então está se sentindo diferente?

Com certeza. Hoje sei o quanto posso ajudar. Com as informações adequadas e certas, tudo vai dar certo. Daqui 5, 10 anos, me vejo como um grande profissional. Vou tentar sempre me especializar. Espero, em algum tempo, deixar de ser auxiliar e quem sabe ser um coordenador de lavoura.

Edenílson Santos: ele viu a cidade de Luiz Eduardo Magalhães-BA nascer...

E convive com as mudanças, não apenas urbanísticas, mas principalmente as tecnológicas. Apesar de certas dificuldades, sempre busca algo a mais.

Manual do aluno

Todos os cursos disponibilizados pelo CTPT por meio de parcerias são gratuitos para os associados. Mas também são disponibilizadas vagas para a comunidade.

Há o entendimento dos gestores da Abapa e do Centro de Treinamento da importância de capacitar novos profissionais para o campo.

Esse foi o caso de Milton Matos Jr., um ex-marinheiro que resolveu ficar mais próximo do pai, saindo da capital Salvador, para o Oeste do estado.

A história de Milton, a transformação da sua vida, não está em nenhum item do Manual do Aluno, mas é uma história que serve como exemplo:

Educação, pela educação

Ainda há as parcerias do Centro de Treinamento com importantes instituições de ensino e de capacitação técnica:

Universidade Federal de Viçosa - UFV

Historicamente uma referência no ensino de cursos voltados para o agro. O CTPT tem uma parceria para ensino de nível técnico com a UFV, no formato de educação a distância - EaD. Não há custo para o Centro, pois os recursos são disponibilizados pela própria universidade. Desta maneira, estão sendo formados Técnicos em Agropecuária e Técnicos em Hospedagem.

Centro das Indústrias do Estado da Bahia - CIEB

Esta parceria é voltada para o aperfeiçoamento profissional em relação à gestão do agronegócio. Futuramente já se visualiza uma parceria com o Instituto Euvaldo Lodi - IEL.

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnológico da Bahia - IFBa

Recentemente a Secretaria Estadual do Estado da Bahia entrou em contato com o CTPT para conhecer o trabalho que está sendo desenvolvido. Como os interesses se completam, esta é mais uma parceria que poderá trazer frutos para a região Oeste do estado. Já estão sendo feitas visitas de estudantes do Campus de Barreiras-BA, bem como visitas dos gestores do CTPT para diagnosticar os potenciais programas que podem surgir.

“Semeamos a cultura da educação, mas sempre regada de informações técnicas, o que nos garante a satisfação dos Associados e Parceiros, além de operações cada vez mais seguras e eficientes”

Propósito do Centro de Treinamento Parceiros da Tecnologia

Referências:

  • Visita à Abapa entre os dias 17 e 19 de agosto de 2016
  • Entrevista com o Coordenador do Centro de Treinamento, Douglas Fernandes, nos dias 17, 18 e 19 de agosto, e no dia 06 de outubro de 2016
  • www.abapa.com.br
  • relatório de gestão da Abapa
  • informativo AbapaInforma
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IBA - 2016
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