Dez anos de pré-sal Como a maior descoberta brasileira de petróleo atravessou uma década de turbulências, promessas, incertezas e inovações

Cercada de incertezas econômicas, desgastes políticos e envolvida em escândalos, uma das maiores reservas de petróleo do mundo, no pré-sal brasileiro, completa dez anos de sua descoberta ainda aquém do seu tão aguardado potencial, que muitos julgavam ser transformador das mazelas sociais do País.

São inegáveis as inovações que permitiram que hoje a Petrobras produza a partir da camada pré-sal quase a metade de todo o petróleo nacional, e a um custo seis vezes menor do que há dez anos. Mas a queda no custo internacional do barril, as investigações que devassaram a Petrobras e ainda as mudanças no cenário político nacional, afetaram drasticamente a trajetória da cadeia de óleo no Brasil nos últimos anos, impedindo os esperados avanços sociais que viriam a partir do crescimento na arrecadação dos recursos dessa cadeia.

Mais que isso, as expectativas produziram em algumas cidades tidas como bases da produção ou processamento desse óleo, um verdadeiro caos, ante a frustração de negócios que, prometidos, nunca chegaram. Migração, desemprego, violência são alguns dos reflexos em municípios como Itaboraí, em que estava prometida a obra do Comperj, o Complexo Petroquímico da Petrobras que empregaria mais de 100 mil pessoas, e hoje não passa de um quintal de obras inacabadas e enferrujando.

O próprio Estado do Rio de Janeiro, que ainda detém a maior parte das reservas e seria o principal beneficiado pela descoberta, está quebrado. Também a indústria naval, que tem no Rio seu principal berço, e teve seu período de glória, está em crise na esteira dos escândalos envolvendo as construtoras, e ameaça fechar estaleiros milionários construídos na última década. Até porque a política de conteúdo nacional, estabelecida durante a era Lula, para promover a indústria local e atrair investimentos para o desenvolvimento dessa indústria em detrimento dos fornecedores estrangeiros, veio por terra e ameaça, inclusive, os negócios de quem acreditou nessa empreitada, como empresas que se instalaram em Macaé e no Porto do Açu, com investimentos milionários.

Tão rico, tão pobre: Sem recursos para investir, a Petrobras manteve em 2016 apenas três sondas perfuratórias, ante mais de 100 em anos passados. A perfuração é condição primordial de uma petroleira para garantir a manutenção de sua produção futura

Neste cenário que destoa completamente do otimismo esbanjado quando o pré-sal foi revelado ao mundo, as reservas encontram-se sob impasse: os campos já concedidos, que estão praticamente todo nas mãos da Petrobras, não estão sendo explorados por falta de recursos da estatal. Já os demais campos potenciais do pré-sal devem ser concedidos sob novas regras - mais flexíveis - no segundo semestre de 2017, à espera de investidores de peso que movimentem a economia local.

Isso pode atrair investidores mas deverá se reverter em quais benefícios para a sociedade? Quais as taxas sobre a exploração? Para onde vai o petróleo produzido? Qual o destino das obras inacabadas? Quando o Fundo para a Educação começará a ser estruturado? Se é que ele ainda vai ser. Quando, enfim, o Brasil terá o retorno da descoberta dessa riqueza e o que fazer com o rastro das frustrações deixadas no período?

Refinaria de Paulínia (Replan): Petrobras terá que se desfazer de alguns parques de refino para conter endividamento. Esse será um sinal ao mercado sobre sua intenção de reduzir hegemonia, podendo atrair investidores também para projetos greenfield

Além da área exploratória, novo choque de investimentos também é esperado para a área de downstream (refino e abastecimento). Isso porque há um esgotamento da capacidade atual de refino do País, que está completamente concentrada nas mãos da Petrobras. Novos investidores, no entanto, só virão se a Petrobras cumprir sua meta de se desfazer de parte dos parques de refino, e abrir mão de seu total controle de preços do mercado de gasolina e diesel, permitindo livre concorrência para os novos players.

Investidores demonstram maior interesse em explorar o petróleo brasileiro e exportá-lo bruto, a exemplo do que já vem fazendo, inclusive, a própria Petrobras, na contramão da gestão anterior, que pretendia construir refinarias no País, e exportar derivados. Quais os caminhos para esse elo da cadeia? Quais investidores estariam dispostos a se arriscar neste segmento no Brasil? Como ficam as cidades em torno do Comperj? O que será feito da obra? E a unidade de Pernambuco, que começa a operar com menor capacidade do que o previsto? E as áreas que seriam destinadas o refino no Ceará e no Maranhão, e que já estavam atraindo trabalhadores para as obras?

Sob a gestão de Pedro Parente, Petrobras deverá se desfazer de parques de refino, abrindo espaço para novos investidores

PROPOSTA

Vamos produzir uma série que pretende jogar luz sobre a realidade do pré-sal no ano que sua primeira descoberta completa dez anos. O que foi prometido e o que virou realidade. Além disso, abordar os dilemas que o pré-sal tem pela frente para consolidar seu potencial na próxima década e quando de fato a sociedade vai sentir esses benefícios. Vamos concentrar a apuração das matérias em personagens que sofreram na pele as mudanças (ou ausências) desse período, contrastando com as promessas feitas à época da descoberta.

Considerando como principais eixos: (i) Expectativa X Realidade, (ii) Histórias Reais e (iii) Dilemas Futuros, a série será dividida em:

  1. Terra de contrastes: A partir de discursos do presidente Lula, da então ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef e do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, a primeira parte da série vai relembrar o anúncio do pré-sal à sociedade e fazer um apanhado das mudanças no País e no setor, desde então: avanços na produção, mudanças na lei, como a descoberta do pré-sal afetou a produção de combustíveis fósseis e de outras fontes de energia. Como pensam hoje as cabeças que decidiram o futuro do pré-sal, dez anos atrás.
  2. Eldorado Distante: Vamos conhecer a realidade do downstream brasileiro, afetado diretamente pela descoberta do pré-sal, desde a mudança na rota das refinarias nacionais, aos planos de construção de refinarias que nunca saíram do papel. Vamos ver como está o projeto do Comperj, mostrar as obras paradas e saber da população a expectativa de retomada do negócio, bem como ouvir a Petrobras, e consultores. Vamos buscar personagens entre as pessoas comuns que acreditavam que sua vida seria mudada a partir do pré-sal, especialmente em Macaé e Itaboraí, no Rio de Janeiro..
  3. Navios Atracados: Como sobrevive a indústria naval brasileira, que depositava no pré-sal todas as esperanças de sua alavancada. Quais projetos estão ainda por sair, quais as perspectivas viáveis para essa indústria, que além de afetada diretamente por denúncias de corrupção, deixará agora de contar com a cláusula de conteúdo nacional? Vamos conhecer a realidade no entorno das regiões que receberam estaleiros, especialmente, Pernambuco.
  4. Evolução presente: As tecnologias e inovações que fizeram com que a Petrobras chegasse até hoje na produção do pré-sal, a custos menores e ganhos de produtividade. Vamos ao Cenpes e falar com técnicos especializados, mostrando que tipo de tecnologia foi empregada. Vamos falar com as empresas que estão chegando ao Brasil de olho nos leilões de 2017, e entender o quanto dominam essa tecnologia.
  5. Agora, o amanhã: Para onde vamos? Depois de contextualizar o passado e mostrar como chegamos até aqui, vamos buscar analistas, consultores e autoridades para saber para onde o setor de petróleo está indo. Mesclamos aqui expectativas de personagens nas principais cidades afetadas e que possuem expectativas de sair da crise. Vamos até o porto do Açu mostrar como novos investimentos podem afetar a região, ou também revelar os que já estão deixando para trás esse sonho e partindo para novas buscas em outras áreas. Vamos concentrar neste capítulo nas questões sociais envolvidas na exploração do pré-sal. Como está sendo formado o Fundo Social? quando, de fato, haverá o benefício direto para a sociedade?

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