Mulheres na indústria da música DJ Thascya desabafa sobre como é ser mulher em um mercado predominantemente masculino

DJ ha 9 anos, Thascya Spirandelli ainda enfrenta muita dificuldade por trilhar sua carreira em um mercado predominantemente masculino e machista. Em entrevista, a dj desabafou sobre sua luta desde o inicio da carreira, de momentos que quase a fizeram desistir e empecilhos que encontra por ser mulher na indústria da música.

“Quando comecei não tinham muitas mulheres djs, fui uma das pioneiras aqui no Brasil e isso me fez enfrentar batalhas que ainda eram desconhecidas. Foi o que me fez crescer tanto e hoje saber lidar com todo tipo de problema que eu possa ter só por ser mulher”.

Foto por Fernanda Marinho

Thascya comentou também sobre a disputa que o meio cria entre ela e outras djs, como os contratantes e profissionais da área instigam essa briga da mulher por ser mais sexy e atraente do que a outra, muitas vezes deixando de lado o potencial e talento delas.

“As vezes encontro umas djs em eventos e sem perceber se instala um “climão”. Não somos concorrentes, somos amigas de trabalho e eu as admiro muito! Hoje, sei lidar bem com esse tipo de coisa, me aproximo, converso e em alguns minutos quebro essa barreira que vão criando entre a gente. Nós, mulheres, temos que nos unir e só assim vamos conseguir brigar de igual pra igual. Porque eles são unidos.”

O movimento feminista e o debate constante sobre o direito das mulheres foi de extrema importância para Thascya reagir ao machismo tão presente na indústria musical. Com o crescimento da musica eletrônica e a vinda de grandes festivais internacionais para o brasil, ela acredita em uma mudança nesse cenário

“No começo me sentia mal e insegura com tudo isso. Tinha contratante querendo influenciar na minha roupa e eu tinha que colocar meu irmão a frente das negociações. Hoje eu crio. Eu participo de todas as reuniões. Escolho as campanhas que vou participar. Me visto como gosto e faço tudo pra minha carreira acontecer. Não me enxergo menos capaz do que os grandes djs homens que temos por aí. Eles são incríveis, cheios de talento e eu também. Já passou da hora te termos mulheres do eletrônico se destacando em festivais, assinando com grandes gravadoras e sendo referência nesse segmento, temos muitas djs prontas pra isso.”

Ao ser questionada sobre assedio e objetivação da mulher, ela responde: “Essa semana desmarquei uma reunião com um empresário de sucesso porque ele passou dos limites. Isso acontece o tempo todo, é a briga mais difícil que enfrento. Isso já me fez querer desistir algumas vezes, mas meu amor pela música é maior.”

Quase todas as gravadoras de música, empresas de assessoria, agenciamento e empresariamento de carreira é comandada por homens. Ela completa: “A falta de mulheres nesses cargos é inacreditável. Não só na minha carreira, falta mulher bem sucedida e respeitada, em todas as áreas da indústria musical.”

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Fernanda Marinho
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Fernanda Marinho

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