TRANSTORNOS PSIQUIATRICOS PUERPERAIS Mara Filomena Falavigna

MODULO I

INTRODUÇÃO

Os transtornos mentais podem acometer os indivíduos em diversas fases da visa, e a vulnerabilidade relativa a esses transtornos pode ser agravada por eventos vitais. A gestação e o puerpério são períodos da vida que precisam ser avaliados com especial atenção, pois envolvem alterações físicas, hormonais, psíquicas e sociais, que podem refletir diretamente na saúde mental da mulher.

Vários fatores podem ser considerados como decisivos para um desfecho saudável do puerpério. Dentre eles, destacam-se a relação harmoniosa e cooperativa, bem como o desejo e o planejamento da gravidez feito pelo casal. O papel do companheiro, nessa fase, merece destaque, uma vez que ele vivencia sensações psicológicas semelhantes as da mulher e, por sua vez, o direcionamento dos fatos (proximidade do casal, conciliação do papel de pais e a vida sexual do casal) repercutirá de maneira favorável ou não no relacionamento do casal.

O fenômeno do nascimento é uma experiência marcada por sentimentos de ansiedade, expectativa, realizações, projetos, entre outros. Desse modo, com a chegada de um filho, inicia-se uma nova fase na vida da mulher, denominada puerpério.

A fase do puerpério é marcada pela instabilidade emocional e pela vulnerabilidade feminina em relação às síndromes psiquiátricas no pós-parto. Essas síndromes podem ser compreendidas como estados mórbidos caracterizados por um conjunto de sinais e de sintomas que podem ser produzidos por mais de uma causa.

Consideram-se transtornos puerperais os que têm inicio no primeiro ano após o parto, embora os que surjam nos primeiros dois meses tenha relação com a transição do estado gravídico para o estado puerperal.

Os fatores de risco dos transtornos puerperais em geral são:

- historia familiar de depressão ou de transtornos ansiosos;

- historia pessoal pregressa de depressão;

- presença de sintomas depressivos na gravidez;

- adversidade psicossocial (problemas conjugais, mas notícias de grande impacto negativo, baixo suporte social).

É importante ressaltar que a sociedade contemporânea é um evento estressante para a saúde da mulher, quando se entende que o ritmo acelerado de vida cotidiana possibilita a vivencia de sentimentos de ansiedade, expectativa, frustação e preocupações tanto no âmbito pessoal e familiar quanto no âmbito trabalhista, refletindo em comportamentos isoladores e introspectivos.

A inserção da mulher no mercado de trabalho e o surgimento, na maioria das vezes, de jornadas extensas dedicadas ao desenvolvimento profissional podem ser fatores limitantes a realização de ações integralistas voltadas aos cuidados puerperais. Isso ocorre principalmente quando as condições sócias econômicas desfavoráveis podem ser um risco a integridade social da família, que se alicerça na contribuição financeira da puérpera.

Bibliografia:

PROENRE: Saúde Materna e Neonatal. Programa de Atualização em Enfermagem/ Associação Brasileira de Enfermagem; Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros obstetras, organizadora geral: Isila Aparecida da Silva; organizadoras: Keyde Ventura de Souza, Ivis Emilia de Oliveira Souza Porto Alegre: Artmed/Panamericana, 2009.

FONSECA, A. S.; VIEIRA JANICAS, R. C. Saúde materna e neonatal. São Paulo (SP): editora Martinari, 252 p., 2014.

MODULO II

CLASSIFCAÇÃO DOS TRANTORNOS PSIQUIATRICOS PUERPERAIS

Os transtornos psiquiátricos puerperais são classificados como: disforia puerperal (puerperal blues), depressão puerperal e psicose puerperal.

Disforia puerperal

Inicia-se no 3° ou 4° dia do puerpério entre 50 a 85% dos casos, pode levar a puérpera a apresentar um estado transitório de reatividade emocional com oscilações de humor, irritabilidade, fadiga, tristeza, choro fácil, insônia, comportamento hostil com familiares e os acompanhantes, ansiedade relacionadas ao bebe. Sua remissão é espontânea entre uma semana a dez dias.

Psicose puerperal

Transtorno psicótico com perturbações mentais graves que acomete entre 0,1 a 0,4% das puérperas, manifesta-se de forma abrupta na segunda ou terceira semana após o parto. Os principais sintomas são: confusão mental, agitação psicomotora, angustia, insônia, podendo evoluir para o quadro de depressão. O prognostico depende da identificação precoce e de intervenções adequadas.

Depressão puerperal

A depressão puerperal, em 50% dos casos, inicia-se na primeira semana do puerpério, contudo, em 80% dos casos, o seu diagnostico é feito ente o 3e e o 9° mês. A sintomatologia da depressão puerperal é muito próxima daquela que ocorre no transtorno depressivo maior em outro período da vida da mulher.

A depressão puerperal é um transtorno afetivo ou do humor, portanto, não é sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço da puérpera.

Além do ritmo acelerado das mudanças fisiológicas na fase puerperal (elevação dos níveis de corticosteroides e queda abrupta dos níveis hormonais), surgem exigências culturais, sociais, familiares e pessoais em relação a puérpera, no que corresponde ao desempenho das funções maternas, uma vez que, mesmo vivenciando um período de vulnerabilidade, cabe a mãe a satisfação e o reconhecimento holístico das necessidades e das demandas do bebe.

Em realidade, acaba por intensificar as alterações psicológicas na puérpera, pois esta ainda tem de enfrentar os comentários familiares, conjugais, sociais e culturais que recepcionarão após o nascimento do filho. Além disso, nesse período, todas as atenções estão voltadas ao novo membro da família, ficando a mulher muitas vezes esquecida.

O quadro clinico é variável, podendo apresentar alterações físicas, cognitivas e comportamentais:

- humor deprimido, tristeza e choro fácil, indiferença ou labilidade emocional, isolamento, desanimo persistente,

- ansiedade e irritabilidade,

- Agitação ou inibição psicomotora,

- alteração do sono (insônia ou hipersonia),

- Alteração do apetite (anorexia ou náuseas),

- dificuldades de concentração e memoria,

- diminuição do interesse sexual e pelas atividades de vida diária,

- diminuição do nível de funcionamento mental,

- pensamento de morte recorrente e ideias suicidas,

- sentimentos de culpa, de incapacidade de desempenho do papel de ser mãe,

- anergia e fadigabilidade fácil,

- ideias recorrentes de limpeza e checagem da rotina de cuidados ao bebe,

- queixas de dor e desconforto em diferentes sistemas sem causa orgânica aparente.

Bibliografia:

PROENRE: Saúde Materna e Neonatal. Programa de Atualização em Enfermagem/ Associação Brasileira de Enfermagem; Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros obstetras, organizadora geral: Isila Aparecida da Silva; organizadoras: Keyde Ventura de Souza, Ivis Emilia de Oliveira Souza Porto Alegre: Artmed/Panamericana, 2009.

FONSECA, A. S.; VIEIRA JANICAS, R. C. Saúde materna e neonatal. São Paulo (SP): editora Martinari, 252 p., 2014.

MODULO III

DEPRESSÃO PUERPERAL: IMPACTO E ABORDAGEM

A depressão puerperal tem consequências tanto para a saúde da mãe quanto para o desenvolvimento o bebe. Estudos tem procurado avaliar o impacto da depressão na interação entre mãe e o bebe e no desenvolvimento futuro da criança.

Os transtornos depressivos no puerpério podem provocar sensação de descontentamento ou de aflição na relação afetiva da mulher com sue companheiro e familiares, aumentando a possibilidade de autoagressão e de heteroagressão. O desequilíbrio caudado pela depressão puerperal também se faz sentir de forma negativa na vida social e econômica da mulher, alterando o equilíbrio psicossocial e familiar.

Um fator preocupante, no caso da depressão puerperal, é que a privação materna pode acontecer mesmo sem a intenção da mãe em prejudicar o bebe, causando alterações no padrão de apego mãe-bebe.

Relacionando o dialogo mãe-bebe e a depressão materna, acredita-se que a comunicação entre a mãe e o bebe no primeiro ano de vida seja crucial na criação do vinculo. É essa interação da díade que dirige a aquisição da linguagem verbal e dos sinais afetivos. A naturalidade e a espontaneidade da mãe ao cuidar do bebe (por meio da fala, do toque, etc.) o induz a emitir as suas primeiras expressões comunicativas.

No primeiro ano de vida, a criança espera receber tipos específicos de informação. Se, por algum motivo, a mãe não consegue propiciar a criança proteção e estímulos adequados, as consequências no desenvolvimento neurológico e psicológico do bebe aumentam de forma significativa, podendo manter-se até a adolescência. A mãe, como provedora de cuidados, consegue minimizar os fatores estressantes dos meios internos e externo do seu filho, ou seja, ela “tampona” esses fatores.

A abordagem da depressão puerperal deve ser multifatorial, composta por atuação educacional, psicoterapia e grupos de apoio. Grupos de autoajuda e aconselhamento do casal são estratégias terapêuticas de sucesso. Também é fundamental encorajar a mulher a requerer suporte de familiares e amigos para o cuidado com a criança, para que ela possa ter o máximo de sono e descanso possível e reduzir outras responsabilidades estressantes.

O uso de antidepressivos costuma ser bastante efetivo. A decisão quanto o uso ou não de medicação deve levar em consideração se a cliente ira ou não amamentar. O parceiro deve ser envolvido no tratamento, pois seu suporte é essencial.

Bibliografia:

PROENRE: Saúde Materna e Neonatal. Programa de Atualização em Enfermagem/ Associação Brasileira de Enfermagem; Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros obstetras, organizadora geral: Isila Aparecida da Silva; organizadoras: Keyde Ventura de Souza, Ivis Emilia de Oliveira Souza Porto Alegre: Artmed/Panamericana, 2009.

FONSECA, A. S.; VIEIRA JANICAS, R. C. Saúde materna e neonatal. São Paulo (SP): editora Martinari, 252 p., 2014.

MODULO IV

LEITURAS COMPLEMENTARES

Depressão puerperal, uma revisão de literatura.

Revista eletrônica de enfermagem, v 07, n 02, p, 231-238, 2005.

Depressão pós-parto: considerações teóricas.

Estudos e pesquisas em psicologia

UERJ, RJ, ano 8, n 3, p. 759-773, 2008.

Com base na modulo IV, elaborar um relatório (ate 500 palavras ) de cada artigo.

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