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Projeto Integrado da Amazônia revista edição 07

Seja bem-vindo!

Esta é a sétima edição da revista eletrônica do Projeto Integrado da Amazônia, uma parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Neste conteúdo multimídia você vai conhecer melhor projetos importantes desenvolvidos na região da Amazônia e, principalmente, as pessoas beneficiadas pelos avanços alcançados.

Nessa edição você vai ver:

(clique nos links para ir direto para as reportagens)

  1. Quanta diferença: áreas degradadas ganham cara nova, melhorando a vida de produtores do Pará. Descubra os segredos por trás dessa mudança.
  2. Na ponta do lápis: fizemos as contas pra mostrar todas as vantagens desses sistemas inovadores. Mas ainda existem desafios pela frente!
  3. Tradição na beira do rio: que tal encarar 8 horas de barco? Venha com a gente até a comunidade onde mulheres estão inovando na produção de óleo.
Para tornar a sua leitura mais gostosa, compartilhamos uma playlist com sons da floresta. Clique no botão abaixo, ajuste seu volume e inicie essa imersão pela Amazônia:

Mandiotec: mais produção, renda e alimentos

Reportagem: Ana Laura Lima

Aumentar a produtividade da mandioca em um solo degradado...
e ainda intercalar com milho e feijão caupi na mesma área...
parecia impossível...

Mas os agricultores da comunidade Lajedo II, assentamento a 60 quilômetros do município de Marabá, sudeste do Pará, encararam esse desafio!

E a parceria da comunidade com a pesquisa e a extensão rural mostrou que nada é impossível quando se tem informação, tecnologia e vontade.

A mudança começou quando os produtores locais receberam pesquisadores do projeto Mandiotec, uma das ações da Embrapa financiadas pelo BNDES através do Fundo Amazônia.

E os resultados logo apareceram!

Os resultados do trabalho já mostraram que com tecnologias simples, boas práticas e capacitação da comunidade é possível produzir melhor, garantindo mais segurança alimentar, renda e menos pressão ao meio ambiente.

As ações do Mandiotec na região começaram em 2019 com a criação de 4 Unidades Demonstrativas (UD).

São áreas de até 2 hectares delimitadas dentro do assentamento para aplicação das tecnologias da pesquisa e práticas de alta produtividade.

Os resultados do cultivo nesses espaços servem como inspiração para que os agricultores adotem novas práticas.

Lá foram utilizadas variedades de mandioca desenvolvidas pela pesquisa da Embrapa, como a BRS Poti, Jurará e Manivão.

E também variedades selecionadas pela comunidade na própria região, como o Vermelhão e a Água Morna (macaxeira).

Os pesquisadores mostraram aos agricultores dois sistemas de produção de baixo custo e com resultados surpreendentes.

O primeiro deles é o Trio da Produtividade.

Esse sistema é um conjunto de boas práticas para cultivar a mandioca a partir de técnicas simples, como um arranjo especial, capinas regulares e uso manivas sementes - esse é o nome que se dá ao galho da planta, que serve como semente ou muda para o plantio.

Outra tecnologia empregada em Lajedo II é o Sistema Bragantino.

Ele dispensa o uso do fogo, prioriza a correção do solo e adubação, e integra o cultivo de mandioca a outros plantios, como milho e feijão. Os agricultores da comunidade, com o apoio da equipe técnica, também inseriram no sistema abóbora e melancia.

Quer saber quais foram os resultados? É só dar play no vídeo abaixo:

Mais produção e renda na ponta do lápis

Quando levou os resultados de Lajedo II para a ponta do lápis, o agrônomo Moisés Modesto se surpreendeu.

E além dos ganhos em produtividade, o retorno financeiro dos produtores também foi positivo:

“Para cada real investido na roça com o uso da tecnologia, retornaram R$ 3,44 ao agricultor”, comemora o analista.

A conta também fechou positiva para o Sistema Bragantino:

“A possibilidade de ter várias culturas ao mesmo tempo, na mesma área e por tempo indeterminado é o grande diferencial desse sistema”, destaca Moisés.

Mas o desafio ainda é grande!

Apesar do sucesso nas Unidades Demonstrativas, boa parte dos agricultores do assentamento ainda vê a constante degradação do solo e a produtividade da mandioca cada vez menor.

O principal desafio ainda é romper com a tradição da agricultura de corte e queima...

...e o uso intensivo do solo com pouco tempo de descanso entre um ciclo e outro.

Além de tudo, ainda predomina a monocultura da mandioca.

“Esse conjunto de práticas, com queimadas sucessivas, causou empobrecimento dos solos e das capoeiras, e consequentemente vem reduzindo a produtividade da mandioca”, explica Moises Modesto.

O agricultor Ronildo Chaves Pedrosa Timóteo, presidente da Associação dos Produtores Rurais de Lajedo II, diz que o fogo é vilão, degrada a terra e prejudica a produção. Mas ele tenta fazer a diferença mudando a consciência dentro da comunidade.

“Pegar uma área já degradada e tornar ela produtiva é a nossa principal vitória!”, celebra o agricultor.

Ele espera passar esse conhecimento para suas futuras gerações, como você pode ver no vídeo abaixo:

Os resultados de 2020 também envolveram capacitações e visitas técnicas para agricultura e técnicos da extensão rural, dia de campo e reunião técnica.

E mais três Unidades Demonstrativas já foram implantadas em 2021.

Outro resultado importante é a articulação da comunidade com a Secretaria de Agricultura de Marabá, e a possibilidade de incluir Lajedo II no programa de mecanização da agricultura familiar.

“Associar a mecanização ao uso de fertilizantes e boas práticas, pode elevar ainda mais a produtividade das roças”, diz o pesquisador da Embrapa Oriental Raimundo Brabo.

Isso significa um aumento de 42% na produtividade atual da mandiocultura no local.

Mas a comunidade ainda tem outros desafios. O pesquisador da Embrapa destaca a integração do cultivo da mandioca à pecuária leiteira, que é outra atividade importante em Lajedo II.

“Conciliar a agricultura à pecuária é um desafio para garantir ainda mais a segurança alimentar e a renda das famílias”.

inovação e tradição na beira dos rios

Reportagem: Dulcivânia Freitas

Entre cursos de água bem estreitos...
e as vegetações das margens deste rio, no Amapá...
podemos ver uma cena única e de saber ancestral...

A coleta de sementes de pracaxi feita por mulheres ribeirinhas!

Sim, é da força das matriarcas que a atividade se sustenta na comunidade Limão do Curuá, uma das ilhas do arquipélago do Bailique.

Para chegar lá, é uma longa viagem de barco saindo da capital, Macapá...

É aqui que encontramos esse verdadeiro tesouro vegetal!

O pracaxi, árvore típica de floresta de várzea, produz frutos que são grandes vagens verdes.

Dentro desses frutos estão as sementes, usada para produção do óleo feito para tratamento capilar.

As sementes são trazidas de diferentes lugares da ilha pela própria correnteza do rio...
Por isso, é com pequenas canoas que as mulheres vão em busca da matéria-prima para extração do óleo.

E são as mulheres as protagonistas de todo o processo, da coleta ao envase.

Dessa forma, elas acumulam esse conhecimento tradicional...
...que as conecta ainda mais à floresta onde vivem.

O óleo de pracaxi é utilizado por muitas outras comunidades na Amazônia para fins medicinais e cosméticos, principalmente no estuário do rio Amazonas.

E aos poucos esse produto florestal vem ganhando mais espaço no mercado cosmético de todo o país.

Uma das extratoras da ilha é Claudiane da Silva Barbosa.

Ela conta com orgulho que conhece a prática da extração do óleo de pracaxi desde criança, quando começou a observar sua experiente avó. “E hoje já temos uma média de 40 extratoras de óleos na nossa comunidade Limão do Curuá!”.

A produção aproximada é de 1,3 toneladas de óleo de pracaxi por safra, que acontece de fevereiro a junho.

Com a parceria da Embrapa, por meio dos projetos Manejo Florestal e Extrativismo (MFE) e Kamukaia (Valorização dos produtos florestais não madeireiros na Amazônia), a experiência foi aperfeiçoada.

“Vendemos os óleos dentro de Macapá e no Bailique, e enviamos para outros estados”, comemora Claudiane.

A adoção das Boas Práticas foi imprescindível para alcançar um produto de qualidade.

Isso transformou as extratoras do arquipélago Bailique em uma referência para outras comunidades da Amazônia. A meta agora é fortalecer parcerias para alcançar outros desafios:

  • melhorar a infraestrutura;
  • aperfeiçoar os acordos para extração coletiva;
  • definir um preço mais justo e adequado à realidade de custo e mão de obra;
  • gerar oportunidades para os jovens, valorizando a transmissão deste conhecimento tradicional.

Uma cooperação técnica entre a Embrapa, por meio do Projeto Manejo Florestal e Extrativismo, e o Instituto Internacional de Educação no Brasil (IEB), vai fortalecer o apoio às extratoras do Bailique, favorecendo a organização produtiva das mulheres.

Hoje elas vendem o óleo de pracaxi por valores entre R$ 40 e R$ 50 por litro. Mas ainda não se sabe quanto vale de fato o óleo extraído por esse método.

Alguns avanços já foram feitos para fortalecer cada vez mais a atividade!

Entre eles está o registro da descrição de todo o processo da extração do óleo, as análises químicas para verificar a acidez do produto e participação das extratoras em Rodada de Negócios promovida pelo Sebrae e Embrapa.

Na comunidade do Limão do Curuá, as extratoras têm uma maneira própria de extrair o óleo de pracaxi: não cozinham as sementes e usam uma prensa artesanal de madeira.

Essa inovação trouxe um importante aumento da produtividade.

“Com isso essas mulheres conseguem produzir uma quantidade elevada de óleo; a maior quantidade produzida no Amapá, chegando a atingir mais de uma tonelada por safra”, diz a pesquisadora Ana Cláudia Lira Guedes.

Esperamos que tenha gostado dessa viagem pela amazônia

Você também pode acessar o site do projeto para conhecer mais sobre as atividades que estão buscando melhorar a vida das comunidades e do bioma da Amazônia.

Equipe revista digital

Projeto Integrado da Amazônia

Comitê editorial:

Ana Laura Silva de Lima Costa, Antônio Luiz Oliveira Heberlê, Priscila Viudes, Renata Silva, Sabrina Maria Morais Gaspar, Selma Lúcia Lira Beltrão

Fotos:

Ana Claudia Lira Guedes, Anna Euler, Caludiane da Silva Barbosa, Moisés Modesto, Ronaldo Rosa, Adelson Rocha Dantas, Carlos Augusto Trindade Ferreira

Jornalistas responsáveis:

Antônio Luiz Oliveira Heberlê, Selma Lúcia Lira Beltrão

Edição e diagramação:

Amanda Santo e Gustavo Schwabe

Contato: 2vidascomunicacao@gmail.com

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