Pesquisa da Esalq/USP desenvolve tomate sem semente

Paulo Palma Beraldo/De Olho no Campo - As fotos foram cedidas pelos pesquisadores.

SÃO PAULO - Após cinco anos de pesquisa, um grupo de pesquisadores brasileiros conseguiu produzir um tomate sem semente a partir de modificações genéticas. O estudo foi realizado no câmpus de Piracicaba da Universidade de São Paulo (USP). Os responsáveis pela descoberta integram a equipe do Laboratório de Genética Molecular e Desenvolvimento de Plantas, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq).

O tomate foi o fruto escolhido por ser importante para a saúde humana e por ser muito consumido e produzido no Brasil - em 2015, o País colheu 4,18 milhões de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Após diversas tentativas, o grupo encontrou um microRNA, molécula que pode alterar a informação genética da planta, responsável pela formação das sementes nos frutos, o microRNA 159. “Então, modificamos a planta de tomate geneticamente para aumentar a quantidade dessa molécula”, diz o pesquisador Fabio Tebaldi Nogueira, orientador do projeto, que começou em 2012 com a tese de doutorado de Éder Marques da Silva.

Comparação de tomates com e sem sementes

Segundo ele, isso fez com que a flor produzisse frutos sem semente, acabando com a necessidade de polinização e posteriormente fertilização. “Buscamos uma nova maneira de produzir sem a necessidade de ter sementes”, explica.

Para Nogueira, um tomate sem sementes pode facilitar o consumo e o processamento do alimento. “Muitas empresas precisam gastar um valor importante do orçamento para retirar as sementes, como as que processam ketchup ou extrato de tomate. Além disso, a semente altera o sabor e pode acidificar o molho”, exemplifica.

Pesquisador Éder Marques da Silva nas plantações de tomate.

Próximos passos. No futuro, o objetivo é conseguir aplicar essa molécula diretamente nas flores, sem a necessidade de modificar geneticamente as plantas. “Queremos aplicar a molécula, ou seus derivados, em flores selecionadas. Assim, em um único tomateiro, vamos ter flores que produzem frutos sem e com semente”, explica.

A pesquisa pode abranger outras culturas como goiaba, melão e maracujá. Apesar de já existirem frutos sem sementes no mercado como uvas e melancias, o método geralmente utilizado é o de aplicar hormônios que estimulam a flor a produzir os frutos.

Pesquisador Fábio Nogueira em seu laboratório analisando os tomates sem semente.

O trabalho, se expandido para outras culturas, pode facilitar a produção de frutas, já que reduz ou elimina a necessidade da presença de um polinizador. "Em culturas como o maracujá, a produção depende da presença de um determinado inseto. Se ele sumir ou estiver presente em menos quantidade, a produção fica prejudicada", diz.

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