8 de Março na Quebrada #eutrabalhadoraperiferica Dicampana Foto Coletivo - Texto e Fotos: Gessé Silva

O ato "8 de Março na Quebrada" começaria no Terminal Jardim Ângela às 10h. Por volta das 9h eu cheguei sendo recebido com abraços pelas manas conhecidas. Mas o clima não era de brincadeira, como elas diziam, não haviam motivos para comemorar e logo me deram a letra: "Gessé você até pode nos acompanhar mano, porque em você a gente confia, mas tem que respeitar as minas durante o protesto, não queremos ver nenhuma mana sendo constrangida ou atrapalhada". Agradeci por poder estar junto respeitando e ajudar no que fosse possível. Esse começo de ato deu o tom do que seria até o fim do dia.

Do Jardim Ângela partimos para o almoço na Casa de Cultura da M'Boi Mirim no Piraporinha. Após o almoço todos saímos para o segundo ato que seria no Largo do Piraporinha e de lá todos seguimos para o derradeiro ato na estação de metrô Capão Redondo.

A voz dessa luta é somente delas e o que segue são suas falas e as imagens desse dia intenso, um dia em que muita emoção foi vista, ouvida e sentida.

DiCampana Foto Coletivo.

Foto: DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva
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"A gente não conseguiu pegar o fluxo grande do terminal, mas ainda assim a gente alcançou muitas mulheres, e teve uma super receptividade delas, de conversar com a gente. Elas estavam super abertas pra trocar ideia. A gente trombou, como já era previsto muitas domésticas, e elas relataram umas coisas, conseguimos trocar idéia sobre o trampo delas, acho que com as minas também foi assim, então foi muito daora, muito daora."
Foto: DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva
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"Para quem estava de fora vendo a performance, foi muito impactante, muito louco mesmo. Era perceptível que nossa, as mulheres paravam, e olhavam... eu achei do caralho, achei muito foda. Até a galera do ônibus acompanhou eles ficavam olhando, colocavam a cara pra fora assim, pra ver mais."
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"Teve gente que mesmo atrasado parou e deu uma atenção, perguntou por que a gente estava lá. Então as pessoas se interessam mas não sabem como começar a agir, fazer essa situação reverter, então achei bem legal essa ação que a gente está fazendo na quebrada."
Foto: DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva
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"Foi daora também ter uma mana no megafone. Quando a gente falava dos nomes dos pais que não constam nas certidões de nascimento, as mulheres já se ligavam sobre o que que era aquele protesto."
Foto: DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva - Final do Primeiro Ato, no Jardim Ângela.
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"Teve muita gente que se identificou. Acho que a reação dos homens, eles ficaram meio espantados, eles tomaram um susto e isso foi legal porque eu acho que eles não estavam esperando tudo aquilo. Teve um cara que chegou em mim e perguntou "mas você não é médica, por que você tá limpando?", e eu falei "você acha que eu faço só uma coisa? A mulher faz de tudo".
Foto: DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva
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"Esse lance do #eutrabalhadoraperiferica chamava muita atenção, aquela plaquinha chamava muito atenção, porque a pessoa olhava a placa e via aquelas ações e já entendia tudo que estava passando."
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"Ali no Ângela eu moro já tem sete anos e é a primeira vez que acontece uma intervenção assim, tanto no dia da mulher, tanto por nós periféricos, é muito difícil. Então a gente conseguiu atingir um público daora, que deu uma atenção pra gente, eles ficaram curiosos com o que a gente estava fazendo."
Foto: DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva
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"Eu estava observando meio de fora, porque estava entregando panfletos, e estava observando todo mundo, as meninas super "dentro" do que estavam fazendo. Acho que é nessa sutileza que a gente consegue atingir também. E andar no contrafluxo do ato é fundamental também tá ligado, que é esse olho no olho com a mulherada, pra ouvir, pra falar."
Foto: DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva
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"Senti os caras meio em choque mesmo, que bom. Sobretudo quando a gente estava falando no megafone, da questão dos pais, e os caras já ficavam meio com receio assim. E senti uma receptividade muito forte das mulheres."
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"Foi muito interessante. As mulheres queriam saber porque que a Carol estava lavando roupa na calçada, porque que as meninas estavam limpando as grades, umas minas pararam e ficaram acompanhando."
Foto: DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva
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"Uma coisa que eu queria falar é pra gente ir pensando quais são essas abordagens para chamar as mulheres né, acho que uma das coisas que percebi é que as mulheres davam mais atenção quando eu falava que hoje é o nosso dia, dia da mulher trabalhadora, dia da gente que mora aqui sabe, aproximar essa idéia do dia internacional da mulher, e quando você traz essa perspectiva do trabalho ou dos filhos, pois muitas mulheres passavam com seus filhos indo levar pra escola, então acho que isso aproxima a gente e a partir disso acontece essa conversa."
Foto: Dicampana Foto Coletivo / Gessé Silva
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"Acho que a performance é importante porque tem um entendimento imediato ali, elas olham a performance e já se identificam. Eu vi umas chorando e aí eu chorei também. Foi assim, uma conexão mesmo. Foi essencial gente, sem dúvida."
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Foto: DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva - Final do Segundo Ato, no Largo do Piraporinha, M'Boi Mirim.
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"Isso que estamos fazendo é uma marca, porque esse é um dia que você recebe um monte de coisas coloridas, bregas, parabéns pra cá, florzinha no trabalho, bombom, e no trabalho que te fode todo dia e você fala "ah, é que eles são atenciosos", e aí você vê isso aqui e se choca, se encontra, essa que é a beleza do negócio."
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"Teve uma senhora que ela falou assim "ah, é muita violência né?", aí eu falei "é o Brasil é um dos países que mais mata mulheres no mundo, por este sentimento do homem de achar que é dono, se não é o companheiro é o ex e tal", aí ela falou "é sério que o Brasil é dos que mais mata mulheres?", tipo, uma informação que é chocante mas as pessoas não sabem."
Foto: DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva
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"Eu cheguei ontem e não sabia o que ia rolar, mas foi uma coisa que a gente conseguiu desenrolar muito bem hoje. Acho que saiu melhor do que se a gente tivesse ido pro centro, porque a gente tem que atingir aqui mesmo a demanda daqui, porque quase não chega. Tipo eu vi minhas vizinhas e isso foi muito legal."
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"Também é importante falar o quanto isso mexe com nós mesmas né, porque enquanto a gente estava lá panfletando e na performance, eu fiquei pensando em várias coisas, sei lá na minha vó, na minha mãe, tudo que a gente estava fazendo, tipo, nossas mães viveram isso, acho que parte da gente também, de ser babá, doméstica, alguma coisa, e estava mexendo comigo de verdade, eu estava muito emocionada, estava me dando angustia, vontade de chorar, estava mexendo com a gente também, foi muito especial."
Foto: DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva
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"Companheira me ajude eu não posso andar só, eu sozinha ando bem mas com você ando melhor."
"Companheira me ajude eu não posso andar só, eu sozinha ando bem mas com você ando melhor"

Credits:

DiCampana Foto Coletivo / Gessé Silva

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