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Esse Corpo que é meu

Flores de Dan / Sueide Kintê

A HORA DE FAZER DIFERENTE

Nascida e crescida na periferia de Salvador, filha de uma educadora e um sindicalista, a jornalista e terapeuta Sueide Kintê aprendeu cedo o verdadeiro significado de uma vida coletiva. Dos mutirões para asfaltar a rua, para “bater laje”, à luta por transporte e acesso a serviços, sempre houve um compromisso com a comunidade. “Ser ativista é um imperativo para quem nasceu pobre”, explica. Ela rejeita, no entanto, qualquer tentativa de fazer do seu caminho uma história única e reducionista. “Eu não gosto de pensar que foi a escassez que me moveu. Eu não reagi às coisas ruins. Eu estava acreditando em um caminho alternativo, na crença de que podemos fazer algo a respeito”, observa.

Foi esta crença que a motivou a colocar em pauta, dentro do movimento social, questões como o protagonismo e a saúde da mulher. Percebeu que, mesmo nos lugares onde o assunto era a mudança, as mulheres ainda eram relegadas ao plano de fundo, “à cozinha”. Sueide já enxergava a necessidade, urgente, de falar sobre assuntos que ninguém queria discutir.

“A gente precisa ter coragem de admitir que saúde sexual e reprodutiva é um tabu. De fato, as pessoas não têm posse de seus direitos reprodutivos”, afirma. O projeto inscrito no edital Ela Decide por meio do coletivo do qual ela faz parte, Coletivo Flores de Dan, buscava justamente isso. Deixar que as mulheres falassem. E ouvi-las. Finalmente.

“O que vimos é que tanto jovens, quanto mulheres maduras e idosas, têm dificuldade de acesso à saúde. Estamos falando de gente que perde o útero porque não tem informação sobre cuidados. Gente que sofre abusos, estupros, e se culpa por isso. É tudo tão naturalizado, os abusos diversos e cotidianos, essas mulheres simplesmente não têm para quem falar”, conta.

A gente precisa ter coragem de admitir que saúde sexual e reprodutiva é um tabu. De fato, as pessoas não têm posse de seus direitos reprodutivos."

Sueide e o coletivo Flores de Dan têm uma atuação reconhecida dentro das comunidades periféricas de Salvador pela defesa dos direitos das mulheres. “Fazíamos rodas de autocuidado quando as pessoas nem falavam sobre isso”, conta. Com a contemplação do edital Ela Decide, uma realização do Fundo de População da ONU em parceria com o Fundo Elas, o grupo recebeu um apoio inédito. “Esse edital foi super ousado e necessário. Pela primeira vez, chegamos perto de uma agência da ONU”, celebra.

A certeza de que o trabalho dentro da comunidade deixou raízes e prosperará faz com que Sueide continue, aos 36 anos, em sua jornada pelos direitos humanos, a comunicação e a saúde da mulher. “O projeto fez com que a informação chegasse a um público que nunca recebe nada”, orgulha-se. “Foi um divisor de águas.”

Projeto: Esse Corpo que é meu

Local: Salvador/BA

Pessoas beneficiadas diretamente pelo projeto: 30 mulheres.

Flores de Dan reuniu influenciadoras digitais e criadoras de conteúdo baianas para elaboração de materiais audiovisuais, inovadores e criativos sobre o tema: Saúde - Direitos Sexuais e Reprodutivos. Os materiais foram difundidos nas redes sociais das próprias influenciadoras, que somam mais de um milhão de seguidores/as. Além disso, o material também foi enviado para parceiros, entre eles, TV Kirimure e Bus TV.

Fotos: Mila Souza / Redação: Fabiane Guimarães e Rachel Quintiliano / Coordenação Editorial: Rachel Quintiliano / Revisão de conteúdo e abordagem: Anna Cunha, Juliana Soares e Michele Dantas / Design Gráfico: Diego Soares

Esta história faz parte da publicação "Força Motriz: histórias e ações empreendidas por mulheres e para mulheres na Bahia", que mostra o resultado da parceria entre o Fundo de População das Nações Unidas e o Fundo Elas para apoiar projetos liderados por mulheres residentes no Estado da Bahia, que atuam promovendo ações de formação e informação em saúde sexual, reprodutiva e direitos. Para saber mais sobre o projeto e ler outras histórias, acesse brazil.unfpa.org/forcamotriz