Terra repartida Da fazenda de café ao assentamento produtivo

Texto e fotos de Marcio Menasce

As mãos fortes de dona Selma, movem o enorme pilão de madeira que vai formando o doce de leite. Sobre uma prateleira ao lado, descansam outras fornadas. O trabalho vai garantir R$ 14 por quilo do produto. O dinheiro não é muito, mas desde abril ela já pode dizer que é para ajudar no sustento da casa. Dona Selma faz parte das 137 famílias que ganharam um lote de terra no Assentamento Denis Gonçalves, na antiga fazenda Fortaleza de Sant'aana, em Goianá, Zona da Mata de Minas Gerais. Entre as famílias, integrantes do movimento Sem Terra, habitantes da região que se uniram ao grupo, colonos, antigos trabalhadores da fazenda, descendentes de escravos e italianos.

A fazenda foi uma das maiores produtoras de café do país no início do século 20. A propriedade de cerca de 4300 hectares foi fundada em 1811 pelo processo de cartas de sesmarias. O beneficiário foi Mariano José Ferreira Armond, pai de Mariano Procópio, engenheiro responsável pela construção da primeira estrada pavimentada do país, a Estrada União Indústria, que ligava Petrópolis a Juiz de Fora. Em 2010, a fazenda foi ocupada pelos Sem Terra e no primeiro semestre de 2013, desapropriada pelo governo federal. O loteamento do Incra, no entanto, só ficou pronto em abril de 2016.

Credits:

Fotos de Márcio Menasce

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