Arte-educação: Um olhar para as ruas

Entendida como uma linguagem artística e contemporânea, o grafite está inserido nas culturas urbanas e é um movimento artístico, mas, sobretudo, social. Nascido no movimento de contracultura dos anos 60, o grafite está ligado a manifestações políticas e ideológicas, além de movimentos de afirmação identitária. Foi acolhido pelas comunidades negra e latina nos EUA e na década de 90 é incorporado ao movimento hip hop, junto com break, rap, e MC. O grafite assume então uma nova forma de estética urbana que se estende até os dias atuais.

O urbano é arte?

A arte de museu e a urbana se configuram como dois discursos de arte. A cristalização e reprodução de padrões elitistas e que cultuam o talento como algo divino não dão conta das diversas transformações estéticas e sociais que vivemos. A arte urbana está ligada ao mundo da vida e sujeita ao seu acontecer. A efemeridade da arte urbana contrapõe a arte de museu, onde a arte se constitui em obras perfeitas e que devem ser conservadas, junto ao nome de seus autores. Assim, o grafite se constitui enquanto arte no momento em que produz e transforma a realidade.

Das ruas às galerias

Contudo, a arte urbana faz o movimento inverso e se insere nas galerias. Ao mesmo tempo em que valorizam e mantém a postura de rebeldia e liberdade de expressão, os grafiteiros também se submetem á lógica do mercado, visando sua condição objetiva e material. Assim, os grafiteiros transitam no âmbito underground e também nas galerias conceituadas. A discussão da fidelidade ás raízes envolve primordialmente a questão do corrompimento da arte, quando absorvida pela mídia e pelo mercado. Nesse caso, os grafiteiros separam o que é o grafite pensado como contestação social e o que são as relações de trabalho, e mesmo assim, se fazem legitimados e reconhecidos num espaço historicamente negado, ainda que este não precise dessa legitimação, pois grande parte do seu reconhecimento vem das ruas.

"Street art é sinônimo de educação, a arte tá na rua e a rua é pública." Clarissa Campelo

O ensino da arte realmente educa?

Hoje, o grafite ainda se insere de maneira marginal no ensino da arte, principalmente pelo estigma de ser uma arte vinda da periferia e com um caráter extremamente político, de questionamento e contestação social. A invisibilidade dessa arte urbana no ensino da arte se dá por uma série de fatores e valores historicamente atribuídos ao ensino da arte.

O ensino da arte não contempla o grafite porque assume o discurso da arte de museu. Se o ensino da arte se propõe a ser reflexivo e conectado á realidade, deve contrapor o ideal de talento e padrões impostos e ter em mente a variedade de expressões artísticas. Além disso, a arte não deve ser apenas um fator da interdisciplinaridade ou usada como uma das formas de melhorar a cognição e melhorar as funções mentais. A arte é em si mesma uma área de conhecimento com conteúdo e habilidades próprias. A principal missão no ensino da arte é instrumentalizar o estudante material e ideologicamente para que este se expresse.

Equipe:

Danilo Souza, Hyarlla Wany, Letícia Figueiredo, Maria Eduarda, Marília Durães e Vanessa Gonzaga

Credits:

Danilo de Souza

Made with Adobe Slate

Make your words and images move.

Get Slate

Report Abuse

If you feel that this video content violates the Adobe Terms of Use, you may report this content by filling out this quick form.

To report a Copyright Violation, please follow Section 17 in the Terms of Use.