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Sem solução ao Anel Viário, tráfego de caminhões pelo centro segue gerando contratempos Direção e APM da Escola Jean Piaget cobram transferência da rota de veículos pesados ao cruzamento das ruas Minas Gerais e Colombo. Vereadores dizem que medida é paliativa, sendo essencial batalhar pela construção do Contorno Oeste. Fotos: Joni Lang/OP

Um problema que se arrasta há anos em Marechal Cândido Rondon ganhou um novo capítulo no último dia 18, quando um ofício sugerindo que o tráfego de caminhões e carretas que passam no cruzamento das ruas Cabral e Minas Gerais seja desviado 200 metros adiante. O ofício em questão foi assinado pelo presidente da Associação de Pais e Mestres (APM) da Escola Municipal Jean Piaget, Adriano Roberval de Souza, amparado por um abaixo-assinado no qual 200 pessoas somam forças para cobrar das autoridades uma solução imediata. O documento em prol dos 289 alunos e professores da escola que completa 65 anos de atuação em 2016 foi entregue em sessão da Câmara de Vereadores.

A solução apontada como paliativa é transferir o tráfego para o cruzamento das ruas Colombo e Minas Gerais. Isso porque os alunos entram e saem pela Rua 12 de Outubro, sendo o trânsito intenso motivo de grande preocupação no quesito segurança pelo risco de acidentes, assim como devido às cargas com produtos tóxicos e inflamáveis que também influenciam na saúde das pessoas. Outros apontamentos dizem respeito à poluição; à diminuição da concentração, fazendo com que os alunos tenham menor rendimento escolar; ao forte odor deixado por caminhões de suínos; e ao ronco que fica apenas 20 decibéis abaixo do barulho causado por uma turbina de avião.

Mães e estudantes constantemente atravessam a faixa da Rua 12 de Outubro, ao passo em que caminhões transitam no cruzamento

O problema que incomoda a Escola Jean Piaget e moradores dos arreadores não é novidade, uma vez que o Contorno Sul, mais conhecido como Anel Viário, está há anos sem condições de receber o tráfego pesado, fazendo com que caminhões e carretas transitem pelo centro da cidade e atravessem a Avenida Rio Grande do Sul passando por comércios, restaurantes, por duas escolas e uma creche. Os vereadores João Marcos Gomes, presidente da Câmara, e Elmir Port sugerem um amplo engajamento dos edis e lideranças rondonenses no sentido de exigir das autoridades competentes a construção do Contorno Oeste, formando, assim, um grande entroncamento rodoviário, o que, no entender deles, dará solução definitiva à situação, uma vez que caminhões, carretas e bitrens trafegarão obrigatoriamente fora do perímetro urbano.

Alunos embarcam em ônibus estacionado enquanto caminhão trafega pela Rua Minas Gerais: preocupação com a segurança dos estudantes

Transferência

O presidente da APM da Escola Municipal Jean Piaget, Adriano Roberval de Souza, menciona que a intenção é retirar o fluxo de caminhões da esquina da Rua Minas Gerais com a Cabral e transferir para a Colombo. “Esse trânsito tem ocasionado problemas como odor forte, barulho intenso e desconforto para as crianças durante as aulas e em momentos de provas. O barulho também atrapalha outras atividades, como o devocional feito de manhã”, salienta.

Souza comenta que, apesar da travessia elevada construída na Rua Minas Gerais ter oferecido mais segurança para alunos, professores e moradores da localidade, a aceleração produzida pelos veículos de carga pesada para arrancar gera um barulho tão forte que fica 20 decibéis abaixo do barulho gerado por uma turbina de avião, oferecendo danos à audição e à concentração. “As crianças reclamam da falta de concentração e nós lutamos para que a situação seja resolvida de imediato, uma vez que esta mudança é fundamental para a escola. Nós não podemos deixar isso ser protelado”, frisa.

O presidente da APM reconhece que o tráfego de caminhões precisa passar pela Rua Minas Gerais por ela ter sido pavimentada para esta finalidade, contudo sugere a transferência para outra rua.

A diretora da escola, Anelise Weirich Verona, diz que só não houve atropelamento de alunos ou acidentes porque a direção, professores e APM sempre tomam cuidados redobrados. Anelise menciona que a entrada e saída dos alunos não ocorre mais pela Rua Minas Gerais há anos, sendo que os estudantes usam como acesso o portão da Rua 12 de Outubro, mas, por vezes, embarcam e desembarcam de ônibus e carros pela Rua Minas Gerais. “Essa luta pela mudança de trajeto dos caminhões acontece há cerca de 20 anos”, destaca. “O aprendizado fica bastante afetado, seja devido ao barulho, tremor em sala e odor forte, impedindo a concentração de professores e alunos. Há momentos que nós não podemos atender ao telefone na secretaria da escola devido ao trânsito intenso, sendo que quando há reuniões no saguão nós precisamos parar, inclusive porque o movimento é considerável também no período noturno”, menciona. “Conversamos com os vereadores e fomos bem atendidos por eles. Não vamos abaixar a cabeça porque temos um propósito, e se as mudanças não acontecerem, é possível que sejam realizados manifestos. Vamos nos engajar para resolver este problema de uma vez por todas”, enfatiza Anelise.

Contorno Oeste

O presidente da Câmara, vereador João Marcos Gomes, ressalta que encaminhou requerimentos destacando as situações de risco às quais as crianças estão expostas com o objetivo de exigir solução ao caso. Eles foram encaminhados ao Ministério Público da comarca; à Vara da Justiça, Infância e Juventude; à Prefeitura; ao prefeito Moacir Froehlich; aos secretários de Educação, de Segurança e Trânsito e de Viação e Serviços Públicos; ao governador Beto Richa; ao secretário de Estado da Educação; e aos deputados estaduais Ademir Bier e Elio Rusch.

“Se nós colocarmos o trânsito 200 metros acima resolveremos o problema da Escola Jean Piaget, mas é um paliativo porque vamos transferir para outro ponto da rua e outros pontos de Marechal Rondon, como escolas, restaurantes e empresas. Nós temos bitrem, treminhão e caminhões transportando frangos, suínos e bovinos, carga inflamável e tóxica que trafegam pelo centro da cidade como se estivessem em uma rodovia. O trânsito é enorme. Já não é sem tempo de construir o Contorno Oeste, porque é algo urgente. O projeto já foi feito, existe recurso destinado e deve ser executado o mais breve possível para que estes caminhões sejam retirados definitivamente do centro da cidade. Ninguém suporta mais, portanto a comunidade deve brigar por isto”, opina João Marcos.

Ele destaca que o Anel Viário é importante, contudo, não é sinônimo de solução porque está em condições ruins de trafegabilidade e está no perímetro urbano, fazendo com que veículos de carga pesada passem em frente à escola e à creche da Vila Gaúcha, transitem pela Avenida Rio Grande do Sul e em frente de restaurantes, além de passar por mais uma escola no Bairro Marechal. “Precisamos de um projeto saindo pelo frigorífico da Copagril ou onde dá acesso à BR-163 para Toledo e/ou Guaíra, sendo que o projeto pronto é o da construção do Contorno Oeste, que já tem recurso destinado. Com um trevo na BR-163 ou na PR-467 será possível obrigar todos os caminhões a seguirem viagem por ele e retirar todo o trânsito pesado de Marechal Rondon. Se um caminhão de grande porte estiver no perímetro urbano, ele pagará multa pesadíssima e da próxima vez não trafegará mais na cidade. Nós devemos deixar de lado as discussões menores para que esta obra seja definitivamente realizada”, enaltece o presidente da Câmara.

Entroncamento essencial

Para o vereador Elmir Port, hoje vive-se um momento de difícil solução técnica para o caso. “Acredito que deveríamos primeiramente tentar desviar o trânsito mais uma ou duas ruas e preservar a escola. O gestor municipal deve encontrar uma solução ou mudar a escola para outro local”, entende. “Estamos acompanhando o problema do trânsito há muito tempo ao longo dos nossos quatro mandatos, sendo que há cerca de dez, 12 anos sugerimos a reurbanização total, a humaniza.

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Credits:

Fotos: Joni Lang

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