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Frente de Mulheres Defensoras da Pachamama - FMDP A LUTA DO EQUADOR PARA PROTEGER A VIDA É LIDERADA POR MULHERES.

Em 2006 e 2007, Cuenca, a capital da província de Azuay, no Equador, foi centro de vários projetos de mineração. O projeto de mineração de ouro e prata de Rio Blanco gerou preocupação e provocou oposição das comunidades locais, devido aos impactos negativos que esses projetos tiveram no meio ambiente e nos meios de subsistência das pessoas.

particularmente, estes projetos de mineração causaram a contaminação dos rios de Cuenca e da floresta protegida Molleturo-Mollepungo . Ao mesmo tempo, a degradação ambiental afetou os direitos à alimentação, trabalho e saúde das comunidades. Esse dano motivou a realização de várias mobilizações pacíficas. Na linha de frente dos protestantes, tinha mulheres que defendiam os seus direitos e os das suas comunidades.
Depois de reconhecer as suas preocupações em comum, estas defensoras que representam diferentes comunidades, decidiram trabalhar junto pela promoção e proteção do meio ambiente e dos direitos da mulher. Elas decidiram formar A 'Frente de Mulheres Defensoras da Pachamama' no dia 13 de fevereiro de 2008.

Em 2008, a Frente se uniu à União Latino-Americana das Mulheres (Red ULAM) para fortalecer a sua luta e apoiar as atividades de defesa das suas colegas na Guatemala, Venezuela, Peru e Bolívia. Por meio da Red ULAM, a Frente promoveu a educação sobre direitos ambientais e humanos e trabalhou para tornar visíveis as ameaças e os riscos enfrentados pelas mulheres defensoras da região.

No Equador, as atividades da Frente para a defesa dos seus direitos e do meio ambiente, e oposição a projetos de mineração incluíram a organização e promoção de mobilizações pacíficas, educando às comunidades locais sobre os danos ambientais e sobre a violência contra as mulheres. Também documentam os riscos e as ameaças enfrentados pelos defensores ambientais no país.

No Equador e no exterior, o trabalho e a liderança da Frente tem sido reconhecidos por muitas organizações da sociedade civil.

como tem acontecido com a maioria dos defensores de direitos humanos ambientais no mundo inteiro, o trabalho da Frente se tornou perigoso para os membros da organização. A criminalização, o assédio judicial e o uso da força para parar os protestos pacíficos, são algum dos riscos enfrentados pelos defensores.

Em outubro de 2015, durante uma manifestação pacífica contra o projeto de mineração de ‘Rio Blanco’, a polícia agrediu e prendeu arbitrariamente oito membros da Frente.

os riscos enfrentados pela frente aumentaram em 2016, depois que a empresa chinesa ‘ecuagoldmining’ iniciou as atividades de exploração. A partir desse momento, os confrontos entre a empresa e a Frente caracterizaram as atividades de defesa das mulheres.

Em abril de 2018, foi realizado um referendo nacional para decidir se a mineração devia ser proibida nas áreas protegidas, zonas intangíveis e centros urbanos. 67% dos eleitores de Azauy votaram a favor da restrição das atividades de mineração. No mesmo ano, a comunidade entrou com uma ação protetora contra a empresa, argumentando, entre outras coisas, que o direito à consulta prévia não tinha sido respeitado.

Em agosto de 2018, o Tribunal Provincial de Azuay declarou a suspensão judicial do projeto de mineração ‘Rio Blanco’, com base na ação legal da Frente e no referendo. A decisão da Corte representou uma vitória histórica da Frente e das comunidades locais de Azuay. Provou que a luta deles não tinha sido em vão, apesar de não ter sido concluída ainda.

Credits:

1. UN Geneva; UNTV mission in Ecuador; January 7, 2010; (CC BY-NC-ND 2.0). 2. Wikipedia. 3. United Nations Photo; Human settlements - places where people live and work; January 1, 1976; (CC BY-NC-ND 2.0). 4. Mary Hess; Ecuador; February 2, 2003; (CC BY-NC-SA 2.0). 5. Craig Bellamy; Ecuador; June 20, 2015; (CC BY-NC-SA 2.0). 6. Craig Bellamy, Ecuador; June 23, 2015; (CC BY-NC-SA 2.0). 7. Craig Bellamy; Ecuador; June 22, 2015; (CC BY-NC-SA 2.0).