Contabilidade de Custos Luis Augusto de Carvalho

Apresentação da oficina

Caro Aluno,

Nesta Oficina você vai receber informações importantes sobre a Contabilidade de Custos. Na oficina serão analisados seus objetivos e o papel do administrador nos custos e resultado da empresa, e na sequência serão discutidas as principais terminologias da contabilidade de custos e suas definições. Foram selecionados dois vídeos de apresentação que tratam da Contabilidade de Custos.

Desejamos a você bom estudo!

TERMINOLOGIA APLICADA EM CUSTEIO

Para facilitar o entendimento da sistemática de apuração de custos é necessário compreender o significado dos principais termos utilizados. Embora encontremos na literatura sobre o assunto conceitos diferentes para eles, iremos considerá-los com os seguintes significados, atribuídos por autores de renome:

Gasto: Vamos entender por gasto o compromisso financeiro assumido por uma empresa na aquisição de bens ou serviços, podendo o gasto ser definido como gasto de investimento, quando o bem ou o serviço forem utilizados em vários processos produtivos e, como gastos de consumo, quando o bem ou o serviço forem consumidos no momento mesmo da produção ou do serviço que a empresa realizar. Dependendo da destinação do gasto de consumo, ele poderá converter-se em custo ou despesa.

Custo: São os gastos, não investimentos, necessários para fabricar os produtos da empresa. São os gastos efetuados pela empresa que farão nascer os seus produtos. Portanto, podemos dizer que os custos são os gastos relacionados aos produtos, posteriormente ativados quando os produtos objeto desses gastos forem gerados. De modo geral são os gastos ligados à área industrial.

Despesa: Bem ou serviço consumidos direta ou indiretamente para a obtenção de receitas.

Investimento: São todos os bens e direitos registrados no ativo das empresas para baixa em função de venda, amortização, consumo, desaparecimento, perecimento ou desvalorização. Assim quando se compram materiais, realiza-se um investimento em estoque. O consumo na fabricação de um produto ou na realização de um serviço gera um custo, assim como o consumo nas divisões administrativa ou de vendas gera uma despesa. Do mesmo modo, a aquisição de uma máquina gera um investimento no imobilizado. Pela depreciação teremos um custo ou despesa.

Perda: É um gasto Involuntário, anorma, extraordinário Ex: Desfalque no caixa, inundações, greves, incêndio, perda de um veículo em desastre, etc. Na prática, é bastante difícil prever uma perda( por ser anormal). Geralmente a perda reduz o Ativo (Consequentemente o PL).

Exemplificando, consideramos a compra de matéria prima. A compra em si (a vista ou a prazo) é um gasto. Ao abastecer o estoque de matéria prima, temos um investimento (pois o material ficará estocado até que seja requisitado para o consumo, isto é, aplicado na produção de um bem). Ao requisitá-lo do estoque e aplicá-lo na produção, temos a ocorrência do custo. Ao concluir o produto e estoca-lo para venda, temos novamente um investimento no estoque (estoque de produtos acabados). Para realizar a venda do produto, os gastos incorridos serão considerados despesas, como também os gastos incorridos na administração da empresa.

Assim, os custos são a parcela do gasto ligado à produção, como mão – de – obra da área fabril, matéria – prima, aluguéis de prédios da fábrica, depreciações de máquinas e instalações fabris, energia elétrica consumida na fábrica, etc. As despesas são a parcela do gasto não ligado à produção, como mão – de – obra dos departamentos de administração e de vendas, comissões de vendedores, aluguéis de escritórios, depreciação de móveis e utensílios, manutenção e depreciação dos prédios administrativos, etc.

BASES PARA O CONHECIMENTO DE CUSTOS

Os custos devem refletir a empresa. São reflexos de atitudes, comportamentos, estruturas e modo de operar. Quanto mais estruturada for uma empresa, melhores serão os resultados encontrados. Quanto menos informações estiverem disponíveis, ou se a qualidade dessas informações não for das melhores, os resultados encontrados por certo serão deficientes.

Por se tratar de um assunto que mistura simplicidade quanto aos objetivos e complexidade no tratamento dos dados, é necessário definir os objetivos que se pretende atingir ao estruturar um sistema de custeio. Assim, uma empresa apura seus custos para:

  • Atendimento de exigências legais quanto à apuração de resultados de suas atividades e avaliação de estoques;
  • Conhecimento dos seus custos para a tomada correta de decisões e o exercício de controles.

Para atender às exigências legais, a empresa precisa adequar seus métodos de apuração de custos aos princípios contábeis em conformidade com normas e legislações vigentes. Para a tomada de decisões, podem ser empregados métodos de apuração derivados daquele anterior, capaz de fornecer as informações que atendam às necessidades gerenciais da empresa.

Figura 1 – Interpretação das terminologias

Os diversos tipos de gastos da empresa apresentam-se com diversas naturezas e atendem uma variedade de objetivos no processo de transformação de seus recursos em produtos e serviços finais. A necessidade de informações para uma adequada gestão de custos, recursos, processos, produtos e serviços exige um estudo pormenorizado de todos os gastos que ocorrem na empresa, classificando-os segundo suas principais naturezas e objetivos.

Não se pode fazer uma gestão de custos tratando todos os gastos de uma única forma, assim como é muito difícil uma administração com boa relação custo / benefício tratando cada custo de forma individualizada. Portanto, o processo classificatório objetiva agrupar os custos com natureza e objetivos semelhantes em determinadas classes, facilitando a administração, as apurações, análises e modelos de tomada de decisão a serem utilizados posteriormente.

Essencialmente, classificam-se os custos e despesas de duas maneiras:

  • Quanto ao objeto a ser custeado: custos diretos e indiretos;
  • Quanto ao volume de produção ou venda: custos fixos e variáveis.

OBJETO DO CUSTO

Define-se objeto de custo o elemento do qual se deseja ter o custo específico apurado. Em outras palavras, objeto do custo é o elemento que será objeto de mensuração monetária, com a finalidade de se obter o custo unitário ou total desse elemento. Um objeto de custo pode ser um produto, um serviço, uma mercadoria, uma atividade, um departamento, uma divisão, um processo, um recurso, etc.

Tradicionalmente, os objetos de custo dos quais mais se deseja mensuração específica são os produtos e serviços produzidos e vendidos pelas empresas, uma vez que estes são elementos fundamentais para a obtenção de rentabilidade de uma determinada empresa e, portanto, a mensuração de seus custos é básica para a gestão financeira empresarial.

Comportamento de Custo

Denomina-se comportamento de custo a evolução do valor dos custos (fixos ou variáveis) em relação ao volume de atividade. Toma-se como referência o volume de produção (ou vendas) e verifica-se como os custos aumentam ou diminuem em relação a esse volume.

Se a evolução do custo cresce, se o volume cresce e diminui, se o volume diminui, esse custo tem característica de variabilidade, ou seja, pode ser classificado como custo variável. Se o custo não varia com a alteração do volume para mais ou para menos, esse custo tem a característica fixa, classificando-se como custo fixo.

Custos Diretos e Indiretos

A classificação mais antiga e mais utilizada é em relação ao objeto de custo, ou seja, classificando-se os custos como diretos e indiretos em relação ao produto ou serviço que está sendo produzido e fornecido pela empresa.

Custos Diretos

São aqueles que podem ser fisicamente identificados para um segmento particular em consideração. Assim, se o que está em consideração é uma linha de produtos, então os materiais e a mão – de – obra envolvidos na sua manufatura seriam os custos diretos. Dessa forma, relacionando-os com os produtos finais, os custos são os gastos industriais que podem ser alocados direta e objetivamente aos produtos. Podem ser fixos ou variáveis.

Em outras palavras, um custo é direto se:

a) É possível verificar ou estabelecer uma ligação direta com o produto final;

b) É possível de ser visualizado no produto final;

c) É clara e objetivamente específico do produto final e não se confunde com os outros produtos;

d) É possível ser medida objetivamente sua participação no produto final,etc.

Os principais custos diretos são os materiais diretos e mão – de – obra direta. Os materiais diretos são facilmente identificados aos produtos porque fazem parte de sua estrutura ou o seu consumo é claramente identificado como necessidade para fazer-se o produto final. A mão – de – obra direta representa o valor pago dos salários e encargos sociais aos trabalhadores que manipulam, diretamente ou por meio de equipamentos, todos os materiais e o produto final, até a sua conclusão em condições de venda. Outros gastos também podem ser classificados como diretos, desde que tenham uma ligação direta, específica e identificável a um determinado produto e não sejam atribuíveis também a outros produtos.

Custos Indiretos

Todos os gastos que não são considerados diretos são classificados como indiretos. São os gastos que não podem ser alocados de forma direta ou objetiva aos produtos ou a outro segmento ou atividade operacional e, caso sejam atribuídos aos produtos, serviços ou departamentos, esses gastos o serão por critérios de distribuição (rateio, alocação, apropriação são outros termos utilizados). São também denominados custos comuns. Podem ser fixos ou variáveis.

Os custos indiretos caracterizam-se, basicamente, por serem de caráter genérico e não específicos a produtos finais. A sua relação com os produtos finais existe, porém de forma indireta. Exemplo de custo indireto são os gastos com as gerências ou diretorias da fábrica, pois essas pessoas trabalham genericamente para todos os produtos da empresa e, não especificamente para um determinado produto. Para alocar esses gastos a cada um dos produtos da empresa, há a necessidade de se elaborar um critério de distribuição, com alguma base numérica ou percentual, que normalmente é denominado rateio.

Materiais Diretos

É o principal custo direto. Representam as matérias – primas, os componentes, os materiais auxiliares e os materiais de embalagem que fazem parte da estrutura do produto. Os componentes e os materiais de embalagem normalmente são visíveis no produto final. O mesmo pode não ocorrer com todas as matérias – primas e os materiais auxiliares, uma vez que, dependendo do produto e do processo de fabricação, eles podem assumir características diferentes no produto final após serem processados e até mesmo desaparecer durante o processo.

O ponto referencial para classificar os materiais diretos é a sua identificação na estrutura do produto.

O quadro a seguir, representa : Indústria e produtos finais e principais materiais diretos.

Fonte: Padoveze – Curso Básico Gerencial de Custos

Materiais Indiretos

Fonte: Padoveze – Curso Básico Gerencial de Custos

Denominam-se materiais indiretos aqueles comprados e requisitados para utilização no processo fabril, sem contudo fazerem parte do produto, ou seja, não constam na estrutura do produto. São materiais necessários para auxiliar o processo produtivo, tanto para utilização pelo pessoal envolvido nos processos e atividades industriais, como para os equipamentos utilizados nos processos diretos e nas atividades indiretas.

Os principais materiais indiretos consumidos e/ou utilizados pelos equipamentos são:

a) Materiais consumidos para conservação e manutenção dos equipamentos (materiais de limpeza, conservação, peças de reposição, etc.);

b) Materiais consumidos para conservação e manutenção dos imóveis (tintas, pequenas reformas, etc.);

c) Materiais consumidos para utilização dos equipamentos (combustíveis, lubrificantes, etc.);

d) Materiais consumidos para auxílio às operações dos equipamentos (moldes, modelos, dispositivos, ferramentas, produtos químicos para adequação da temperatura das operações e equipamentos, etc);

Os principais materiais indiretos consumidos utilizados pelo pessoal envolvido nas operações e atividades industriais são:

a) Materiais de expediente (papéis, materiais de escritório, etc.);

b) Materiais para higiene e segurança do trabalho (óculos de segurança, capacetes, materiais higiênicos, materiais de limpeza para as operações, etc.).

O quadro a seguir, representa : Indústria e produtos finais e principais materiais indiretos.

Fonte: Padoveze – Curso Básico Gerencial de Custos

Mão – de – obra direta

Denominamos mão – de – obra direta todos os gastos com o pessoal envolvido diretamente na produção dos produtos finais da empresa. É o gasto com o pessoal que:

a) Tem contato direto com o processo de fabricação dos produtos finais, desde a manipulação das matérias – primas até a montagem e a expedição dos produtos acabados.

b) Opera os equipamentos dos processos necessários à elaboração dos produtos finais.

O principal identificador da mão – de – obra direta é a possibilidade de mensurar os esforços de cada trabalhador, seja em processos diretos envolvendo o produto, seja em processos envolvendo os equipamentos de transformação dos materiais em produtos finais. A mensuração mais utilizada é a quantidade de tempo despendida nos processos (dias, horas, minutos, segundos). Porém, podem-se utilizar medidas médias envolvendo a manipulação das matérias – primas ou mesmo quantidades de produtos finais.

As empresas têm necessidade de medir os esforços dos funcionários diretos dedicados aos diversos processos necessários para se obter o produto final. Essa necessidade se impõe uma vez que, conhecendo os esforços necessários (normalmente medidos em tempo de processamento), a empresa têm condições de avaliar sua capacidade de produção, seja em termos de mão – de – obra, seja em termos dos equipamentos operados pela mão – de – obra.

O quadro a seguir, representa : Indústria e produtos finais e principais funcionários de mão – de – obra direta.

Fonte: Padoveze – Curso Básico Gerencial de Custos
Created By
Lucas Campos Moura
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