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Da TV ao Streaming Como os aplicativos mudaram a forma de consumir conteúdo

Tudo começa pela maior paixão mundial. O esporte. Ao redor do mundo, bilhões de pessoas assistem a eventos esportivos de todos os tipos: futebol, automobilismo, basquete e futebol americano, entre os mais populares. O mundo globalizado permite que todos os amantes consigam ter acesso a todo tipo de conteúdo pela televisão ou com o popular streaming, que cresce a cada ano. A comodidade é o principal motivo apontado pelos usuários dessas plataformas, que podem ser utilizadas em quaisquer ambientes e quando o espectador desejar, sem a necessidade de ter um televisor. Essa nova era significa uma ruptura na maneira tradicional de consumir esse tipo de conteúdo. Com um celular em mãos, um torcedor do Bahia no metrô do Rio consegue vibrar com seu time. Dissecando os números da maior competição do planeta, essa realidade se torna mais evidente.

A Copa do Mundo de 2018, na Rússia chegou ao fim e a FIFA divulgou os dados das transmissões das partidas, obtendo recordes de audiência. Ao todo, o Mundial foi visto por 3.572 bilhões de pessoas, o que corresponde a 51,3% da população da Terra, literalmente. Ao analisar os números, a entidade percebeu que aproximadamente 309 milhões utilizaram plataformas digitais. Isso mostra que o público já está se adaptando ao streaming. As emissoras não ficam atrás. Diversos aplicativos foram lançados para utilizar a segunda tela e oferecer ao usuário a melhor experiência de seu conteúdo. Sites mais conhecidos no ramo do "ao vivo" largam na frente nessa corrida.

Fonte:BlueBus.com

O Facebook e o Youtube estão investindo pesado nesse novo tipo de conteúdo, conseguindo até exclusividade em competições renomadas, como a Champions League e a Libertadores. Essa forma de transmissão ainda está se adaptando às plataformas. Diversos relatos de travamentos e engasgues já foram reportados por telespectadores. No Brasil, principalmente, onde a banda larga deixa a desejar, os problemas se tornam mais recorrentes, mas o fato de ser uma forma gratuita e cômoda acaba gerando certa paciência dos usuários. Recentemente, o Facebook Watch registrou recorde mundial de espectadores em uma partida da Libertadores entre Flamengo X San José, que teve simultaneamente 7,6 milhões de torcedores. O marco é significativo para a plataforma, que deseja continuar o projeto.

O Youtube corre ao lado, já com uma emissora própria. O DAZN surgiu em 2016 na Europa e Ásia, ganhando fãs e desembarcando no Brasil só em 2019, trazendo consigo a transmissão de campeonatos nacionais e internacionais. Conquistou também o país do futebol, tendo como embaixador ninguém menos que Neymar. A competição italiana chegou com exclusividade e o ícone Cristiano Ronaldo, na Juventus, ajudou na popularização por aqui. Com isso, as tradicionais emissoras perderam um espaço que até então era único e isso fez com que o preço dos direitos televisivos tivesse uma valorização, gerada pela nova concorrência. Esse aumento mostra como os aplicativos de streaming cresceram.

Arthur de Mello, 26 anos e formado em Engenharia da Computação na USP é o desenvolvedor de um dos aplicativos de transmissões ao vivo mais baixados na loja do Google, FutHD, com mais de 1 milhão de downloads. " De fato esse ramo cresceu muito nos últimos anos. Todos têm um celular e isso facilita para a popularização dos apps." Ele afirma que a idéia surgiu em um trabalho na faculdade e tomou corpo depois de sua formação, quando decidiu investir no negócio. "Foi difícil no início, conseguir apoio financeiro, principalmente, mas persisti até encontrar." No dia 8 de junho de 2018 foi o lançamento oficial". Creio que seja a nova realidade e que definitivamente veio para ficar." Seus usuários pensam o mesmo.

É o caso de João Victor Santoro, estudante, 18 anos e amante de futebol. "Sempre assisti com meu pai; gosto muito de futebol internacional". No ano anterior ele passou a estudar nos turnos da tarde aos sábados, horário dos campeonatos europeus. "Fiquei muito chateado porque ia perder minha principal diversão na semana". Foi quando ele descobriu, graças a um colega, que havia transmissões em aplicativos e, desde então, aderiu ao streaming. Hoje ele prefere assistir via celular ao invés da tradicional televisão. "Gosto muito pelo fato de ser de graça, obviamente, porque consigo sintonizar qualquer campeonato no mundo e principalmente pela facilidade e praticidade".

Não importa o local ou a plataforma. O streaming oferece a praticidade como principal atrativo.

Esses são de fato os argumentos que mais se ouve por parte dos usuários. O preço e a comodidade. Grande parte dos aplicativos ofertados é gratuita. Isso faz com que as pessoas tenham interesse em baixá-los e depois se adaptem, graças ao conforto de poder assistir onde e quando desejar. Essa é a principal diferença que faz com que a troca da primeira para a segunda tela seja tão frequente atualmente, fazendo esse tipo de aplicativo ganhar cada vez mais adeptos. Com isso, a demanda desse público cresce, levando ao desenvolvimento de cada vez mais apps. Alguns amantes dos esportes, entretanto, ainda preferem a maneira tradicional.

"Assisto mais pela TV mesmo com tantos aplicativos". É a opinião do estudante de nutrição Ronaldo Gomes, carioca de 22 anos e apaixonado desde cedo por futebol. "Aos meus cinco anos já assistia aos jogos com meus pais". Apesar da preferência pela televisão, ele dá o braço a torcer para a nova realidade digital. "Os apps e sites de streaming vieram para ficar, abrem um leque de opções muito vantajosas: como assistir jogos em diversos horários, que na grade da televisão, não podem ser encaixados". Por outro lado, sua escolha se deve pelo âmbito social, onde é possível reunir familiares e amigos em torno do jogo, criando um ambiente descontraído. Esse é, de fato, um assunto que diverge idéias: o digital X o tradicional

"é uma plataforma que nos dá muito mais liberdade, pois posso usar o celular ou computador e assistir a duas partidas diferentes ao mesmo tempo."
Ronaldo Gomes: "Graças ao streaming, eu consigo assistir aos jogos do meu time sem precisar, necessariamente, estar em um lugar que tenha tv".

A grande opinião pública, entretanto, parece apontar para um vencedor. A mídia digital conseguiu atingir em cheio algo que o atual cliente precisa: Velocidade de informação. Em poucos segundos é possível ver estatísticas completas, placares em tempo real e streaming ao vivo de todas as partidas. A maioria dos apps disponibiliza informações detalhadas de eventos anteriores, além da capacidade de compartilhamento que, nos dias atuais, se mostra fundamental, pois estamos sempre conectados, e essa capacidade de interação, que pode ser promovida pelos aplicativos, os tornam o presente e futuro das transmissões.

O SuperBowl é um ótimo exemplo de como a mudança, da tela tradicional para as mídias digitais, cresceu nos últimos anos, superando marcas históricas. Nos Estados Unidos, o serviço de transmissão ao vivo já está mais consolidado em comparação aos outros países. Isso se deve pelo fato de lá, a conexão com a internet ser mais evoluída e mais rápida, gerando segurança e comodidade para o espectador. A final do campeonato de futebol americano é um dos eventos esportivos mais vistos do mundo, gerando milhões de dólares para as emissoras que, ao perceberem o êxodo do público, passaram a investir mais nesse modelo de transmissão.

As grandes emissoras, ao perceberem essa movimentação do público, rapidamente se atualizam e criam seus próprios veículos digitais. A Globosat, do grupo Globo, por exemplo, tornou o seu canal pay per view, em um serviço streaming, agora independente de uma assinatura na TV. O Esporte interativo, detentor dos direitos exclusivos da Liga dos Campeões, seu carro chefe, foi cancelado na televisão pela Turner, dona do canal. Graças ao contratempo, foi criado o EI Plus. Fábio Medeiros, head de esportes da Turner afirmou em entrevista ao UOL que a situação aconteceu mais rápido que o planejado mas que a migração para o digital já estava muito clara. “Quando lançamos o app, as pessoas não achavam que alguém pagaria por conteúdo, mas virou padrão. Vamos ampliar”. Quem não consegue pagar pelo produto das grandes empresas, recorre aos aplicativos gratuitos.

Pedro Paulo, 27 anos e formado em Tecnologia da Informação é diretor e co-fundador do app FTTV, que atualmente é o terceiro mais baixado no Brasil, ajudando muitos amantes do esporte a conseguirem acompanhar sua paixão sem a necessidade de uma assinatura. “Nossa plataforma é totalmente grátis, o dinheiro que ganho é com o número de downloads e com os patrocínios das lojas virtuais". Ele decidiu criar o aplicativo depois que foi demitido da emissora na qual trabalhava, usou seu conhecimento e experiência para levar conteúdo a quem não possui condições para pagar por outros. “Nosso país é o do futebol, e esse esporte está elitizado aqui, por isso minha missão é levar a todos diversão e emoção de forma cômoda e gratuita". De fato muitos são os beneficiados por iniciativas como a de Pedro.

O estudante Gabriel Araújo é um exemplo claro dessa realidade. O dinheiro é curto em casa e a TV por assinatura não entra no orçamento. Ele sempre acompanhou futebol na televisão aberta, mas hoje as coisas mudaram. Poucos são os jogos transmitidos assim, levando esse público a assinar pacotes mais caros. “Temos internet, que ajuda para vermos pelo aplicativo, não é das melhores, mas é melhor que nada.” Para ele é indispensável assistir futebol pois deseja, no futuro, ser jornalista esportivo. “Tento ao máximo entrar nesse mundo e entender tudo disso, para um dia levar esse conhecimento para outros como eu".

Assim como Gabriel, Ronaldo entende que o streaming é, de fato, uma maneira de se consumir conteúdo de forma mais democrática para todos aqueles que às vezes não têm condições de pagar planos de TV a cabo.

Essa elitização evidencia o que o país pode perder. Novos jogadores, jornalistas e outras profissões dedicadas ao esporte, deixam de ser cogitadas, por consequência da falta de contato das novas gerações com o futebol, gerada pelo alto preço das emissoras a cabo. Os aplicativos chegam com a missão de não deixar que essa paixão acabe, apresentando novas alternativas para o consumo de conteúdo esportivo. O Brasil é enorme e muito diversificado, mas a paixão é a mesma do Oiapoque ao Chuí: Futebol. Onze jogadores correndo atrás de uma bola e com um objetivo maior que fazer o gol, levar felicidade aos lares de quem dá a vida e o dinheiro para ver seu time vencer.

por: Victor Bandeira; Alexia zveiter e hugo barbosa

Created By
Victor Bandeira
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Credits:

Criado com imagens de Marvin Ronsdorf - "a guy making photos of the celebration after the Champions League final at the Wanda Metropolitano in Madrid" • Gustavo Ferreira - "untitled image"