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O que é feito dos gira-discos?

Por: Mariana Júdice - Escola Superior de Comunicação Social; Bruno Soares e Emanuel Semedo - Escola Secundária António Damásio

Já se ouvem as primeiras notas da inconfundível melodia de Under Pressure. A baixa lisboeta corre na sua normal agitação, mas assim que se descem os pequenos degraus da Louis Louis, somos transportados no tempo. Por momentos, somos envolvidos num ambiente de filme americano dos anos 80 e levados para aquele que é um paraíso dos amantes da música.

Degrau a degrau, o volume do combate de titãs entre David Bowie e Freddie Mercury vai ficando mais forte, e a melodia, que ao longe se ouvia, ecoa agora a alto e bom som naquelas quatro paredes da Rua Nova do Almada.

Zona lounge com quadro de Marco Paulo

A estrela da companhia é Marco Paulo, que mesmo sem expressão, ali está, vivamente representado numa silhueta inconfundível. Entre duas grandes poltronas vermelhas e na companhia de objetos míticos para as novas gerações, leitores de CD e gira-discos.

Secção a secção, estilo a estilo, a lista de discos parece infindável. Rock, funk, clássico, jazz... aqui nada é posto de parte, porque tal como explica Jorge Dias, sócio-gerente, há público para tudo. "Os nossos clientes são muito variados, e por isso, não nos restringimos a um só estilo", afirma.

"É música que as pessoas querem, e é música que temos para oferecer!"

Secção de CD's

Louis Louis tem o seu berço na Cidade Invicta, mas há 10 anos que se estabeleceu na capital e, ao contrário do que seria de esperar, o número de clientes não para de crescer. "Há essa ideia de que as pessoas já não compram discos, quer seja CD's ou LP's, mas nós estamos aqui para mostrar o contrário".

"Este mercado está vivo e nunca vai desaparecer"

Em 2ª mão, ainda dentro do plástico, lançamentos da semana passada ou edições com 30 anos, há de tudo um pouco e é essa miscelânea que faz da ida à Louis Louis uma verdadeira caça ao tesouro. Ao mergulhar na secção “Portugal” vemos Amália ao lado de David Fonseca e Rui Veloso ao lado de Marco Paulo e o que todos têm em comum é o facto de fazerem parte da cultura nacional. “Somos especiais por isso mesmo, porque vendemos cultura. É isso que todos estes discos têm para oferecer, independentemente da época ou do estilo musical. O que importa aqui é que tenhamos o formato físico e que continuemos a lutar para que ele esteja nas nossas montras, porque público não falta”.

Num canto, a vasculhar na secção de 80’s rock está Pedro Zuquete, de 28 anos, é cliente habitual. Cresceu a ver o mundo digital desenvolver e impor-se, mas nunca perdeu o fascínio por ver os discos a girar. “Para mim, não há nada como a sensação de comprar um disco novo, mesmo que seja um clássico editado há décadas". Para Pedro, é isso que o leva, religiosamente, a esta pequena loja no Chiado, o entusiasmo de descobrir um mundo novo. “Claro, que podia comprar os discos na Fnac, por exemplo, ou mesmo online, mas não era a mesma coisa. Perco horas aqui a procurar, a ouvir... é quase como uma terapia”, afirma.

"Há algo de especial em descobrir um álbum, cada um é uma viagem diferente"

Vista geral da loja

Estão todos lá, e mais do que estrelas são também a decoração, desde John Lennon aos Rolling Stones, Bob Dylan a Elton John... todos, devidamente emoldurados, têm um lugar de honra nas “walls of fame” da Louis Louis. Afinal, são eles que mantêm vivo este sonho que Jorge Dias carrega consigo há mais de 25 anos. "É um trabalho drenante, tal como qualquer profissão em que se lide com clientes, mas a verdade é que, no fim do dia, continua a valer a pena".

"É preciso ser-se um bocado maluco para ter um negócio destes"

Turistas na loja

Considera-se um peixe numa indústria de tubarões e os seus melhores amigos são os turistas, mas não tem medo dos predadores . "Somos um mercado de nicho, só vendemos música em suporte físico, por isso estamos num campeonato à parte. Não podemos fazer frente às grandes superfícies, mas também não é esse o nosso objetivo. Eles crescem, mas as secções de discos ficam mais pequenas e nós preenchemos essa falha."

"Daqui a 2 anos não sei onde vou estar, mas, para já, conseguimos manter esta chama acesa"

É esta chama de que Jorge fala que o motiva a continuar a lutar contra as adversidades e que leva centenas de pessoas por dia a esta pequeno recanto na baixa lisboeta: a paixão pela cultura, pela música e pelo que ela tem de melhor. É esta mesma paixão que faz com que o disco não pare de girar.

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