DRAG QUEENS A abertura na mídia para o meio LGBT

Após anos sendo vistos como um tabu, os assuntos LGBT começaram a ganhar espaço na grande mídia nos últimos anos. Programas como Amor e Sexo e Fantástico, ambos da Rede Globo, trouxeram para a televisão aberta a discussão de assuntos que só estavam mais acessíveis para certa parte da população. A repercussão do programa na internet mostrou o quanto é importante falar sobre esse tema para todos os públicos.

Tweets de internautas sobre exibição do programa.

A popularização das Drag Queens, principalmente, foi um grande motivador para pessoas mais desconectadas conhecerem esta cultura. Diferente dos transgêros, essa profissão se dá a artistas que se transformam para fazer performances. Geralmente com maquiagens e roupas escandalosas, esses personagens acabam sendo inseridos dentro e fora do mundo LGBT por conta de suas apresentações.

A iniciativa de criar um reality show inteiramente dedicado para Drag Queens fez com que ainda mais pessoas pudessem conhecer e admirar esse trabalho, como conta Juliana Lage, fã do show RuPaul’s Drag Race.

“Acho que a arte delas é uma forma de expressão e de escape da realidade num geral, além de ajudar muitas pessoas em relação a crises de identidade e sexuais, bullying e afins. Sem contar que o visual das Drags é fenomenal e inspirador”.

Apesar de ser um programa internacional, o impacto atingiu o nicho brasileiro de tal forma, que existe uma empresa encarregada de organizar shows com as ex-participantes do reality em festas no Rio de Janeiro e outros estados. Além disso, essas festas contam com divulgação do trabalho de outras Drags brasileiras, o que é muito importante.

Manila Luzon, drag finalista da terceira temporada do reality show RuPaul's Drag Race em sua visita ao Rio de Janeiro.

Dickson Vieira de 39 anos conta que começou na profissão por acaso. Ele já trabalhava com a produção de eventos, mas ao ter que substituir um dos artistas, acabou sendo atraído para esse meio.

“Para mim foi algo de outro mundo. Eu nunca tinha colocado uma peruca na cabeça e usado um salto alto na minha vida. Nunca tinha pensado em fazer esse tipo de transformação”

O maquiador que já se apresenta como Janastar, seu nome de Drag, há quase dez anos diz que atualmente esse processo de aceitação está mais fácil.

“Hoje em dia toda a minha família conhece e admira meu trabalho, mas esse começo de Drag foi complicado. Quando minha mãe viu, eu já estava aparecendo na televisão”

Ele diz que seu trabalho não passa da criação de um personagem e que as pessoas ainda têm muita dificuldade para entender isso. Além disso ele explica que muitos não reconhecem que o que ele faz é um trabalho artístico.

O Brasil ainda é um dos países que mais mata homossexuais, transexuais e bissexuais no mundo. Segundo a pesquisa feita pelo grupo Gay Bahia, 1,6 mil pessoas morreram no país por ataques homofóbicos entre 2012 e 2016. O artista acredita que esse preconceito ainda esteja longe de acabar e compartilha que já sofreu ataques preconceituosos dentro e fora de casa.

“Antes de o meu irmão falecer, eu jamais poderia ser maquiador e trabalhar com as apresentações que faço hoje. Ele veio de uma geração muito conservadora e era policial. Dizia que eu só iria poder sair de casa vestido de mulher no dia que ele morresse”

Dickson conta que foi casado por 12 anos com um homem, mas que só pode ter essa liberdade aos 23 anos, depois que seu irmão faleceu. “Esse foi o meu primeiro relacionamento, antes dele eu não tinha ninguém por causa do meu irmão que me reprimia. Ele dizia que se me visse com alguém as coisas não seriam boas e que agiria agressivamente”. Relatos como esse mostram como o preconceito ainda está muito presente e que a homofobia impede que essas pessoas possam viver normalmente, sem ter medo do pode acontecer.

Ainda assim, Dickson acredita que o mercado LGBT só tem a crescer com as paradas gays e os eventos que contam com a presença das Drag Queens. Além disso, acredita que esses programas que estão passando na televisão recentemente estão abrindo espaço e ajudando as pessoas a entenderem que mesmo dentro deste universo existem diferenças.

“É bem didático. Eles ajudam as pessoas a entenderem que é tudo diferente. Existe o transexual, travesti, drags, gays, lésbicas, bissexuais e por ai vai”

Com isso, é possível perceber uma mudança de pensamento na cabeça das pessoas conforme o passar das gerações. A evolução do pensamento junto à abertura da mídia está fazendo com que cada vez mais pessoas possam compreender e respeitar o grupo LGBT. Criando assim uma esperança de que no futuro todos possam ser respeitados de forma igualitária, pelo menos é o espera Dickson Vieira.

Credits:

Juliana Botelho

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