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uniRaid: Uma aventura em Marrocos

Reportagem: Cláudia Sebastião | Fotos: uniRaid e Cláudia Sebastião

De 23 de fevereiro a 3 de março, 120 equipas, compostas por dois elementos, participam no projeto ibérico UniRaid, um raide solidário. Daniela Gonçalves, da organização portuguesa e ex-participante, explica se trata de «um projeto para alunos do ensino superior». Miguel Agostinho já foi mais de 20 vezes a Marrocos em caravanas de jipes. «É um projeto ibérico. Começou em Espanha. Esta vai ser a oitava edição. A organização é global.» Mas esta é uma viagem diferente. «Em Marrocos, somos sempre bem recebidos. É um povo extremamente afável, são muito simpáticos. Estão habituados a ver muitas expedições em Marrocos. Eu fui várias vezes com amigos e levava sempre muitas coisas. Agora vamos de forma mais organizada. Mas este é acima de tudo um projeto formativo. Tentamos fazer com que os miúdos das universidades criem projetos empreendedores e que desenvolvam essa vertente solidária», explica. Os jovens universitários inscrevem-se na prova e depois têm formações e a responsabilidade de angariar fundos para pagar a viagem e também bens para doar em Marrocos. Cada equipa tem de levar pelo menos 40 quilos de bens para distribuir. Mas levam sempre mais. Tanto que a organização leva um camião com grande parte da mercadoria e as equipas apenas 10 quilos para irem distribuindo ao longo da viagem.

Imagens de edições anteriores do uniRaid.

Miguel conta que a entrega dos bens «é garantidamente o momento mais emocionante. Por mais que vivamos essa experiência repetidas vezes, anos sem fim, há sempre lágrimas que caem pela cara, porque vimos crianças que, se calhar, passam um ano sem um sorriso e nós conseguimos arrancar-lhes um sorriso. Estou a dizer isto e a arrepiar-me».

Alguns dos jovens universitários que participaram na expedição, com os seus carros. Ao centro, Miguel Agostinho e Daniela Gonçalves.

Daniela explica que «é tudo feito em parceria com o governo marroquino. Limitamo-nos a levar o essencial, que pelas nossas contas em média em cada ano levamos 15 toneladas de material escolar, material sanitário, de acordo com as indicações que nos dão». Esta jovem já participou em duas edições. «A primeira vez muito pela curiosidade também de conhecer um país novo e chocou-me muito o contraste da pobreza e do luxo quando chegamos a Marraquexe. Fiquei muito emocionada com a proximidade com as crianças com quem fomos travando olhares. No ano passado, já foi diferente. Já fui levando coisas que achei mais necessárias, fui mais à raiz da questão. Mas a aventura foi diferente, porque os percursos não são iguais e tive a oportunidade de passar três dias numa tempestade de areia. Acabou tudo bem e ninguém se perdeu, mas, efeivamente, tivemos de a travar e foi uma aventura completamente diferente.»

Ponto importante neste projeto: não é uma corrida, as equipas viajam em carros com mais de 20 anos e sem GPS. Miguel explica que «acima de tudo isto é um projeto formativo. Não é uma corrida de automóvel. Nós temos controlos de passagem», para garantir que ninguém ultrapassa a velocidade prevista nem o percurso. «O modelo que escolhemos para ajudar na formação e porque estamos em Marrocos e não temos facilidade de encontrar peças para qualquer carro, optamos por levar carros com mais de 20 anos, com menos de 1330 de cilindrada e com tração apenas às duas rodas. Isso dificulta nas dunas, mas facilita e muito no regresso a casa quando realmente o espírito de equipa foi provocado por os termos obrigado a colaborarem uns com os outros e no deserto aprende-se mais do que se possa imaginar», conta Daniela.

A jovem lembra situações que viveu: «Muitas vezes está o carro atascado na areia e a organização de braços cruzados a ver até onde é que eles conseguem ir.» Tudo acaba por correr bem. Os jipes mais sofisticados ficam para a organização, que garante a segurança de todos os participantes e acompanha a sua localização. Quem participa leva apenas uma bússola e livro de bordo. «Temos cadernos com acesso à informação, conhecem o percurso, não sabem pormenorizadamente, não seguem por GPS, mas a organização sabe exactamente onde é que eles estão. Os portugueses participam há três anos e tem havido cada vez mais», afirma Daniela. O percurso muda todos os anos, mas a aventura é garantida e uma aliciante. «Há dunas, há deserto, há muita areia. Os jovens têm de trabalhar em equipa e ajudarem-se uns aos outros. É a parte formativa que damos ao projeto. À medida que vão passando pelas aldeias vão entregando material e um pouco de si.»

Este ano, explica Miguel Agostinho, «demos prioridade a quatro escolas numa zona muito distante, mais para o sul de Marrocos, quase perto da Argélia, e vamos reunir um grupo de alunos. E também a uma associação de mulheres que não tem rigorosamente nada. Elas vivem do trabalho com o barro, mas estão muito carenciadas e vamos tentar ajudar. Tentamos recolher as necessidades». Daniela explica que da bagagem fazem parte coletes e tiras refletores para as crianças poderem estar mais seguras quando viajam muitos quilómetros para chegar à escola. Bolas, escovas de dentes e vestuário são outros bens que vão deixando pelo caminho.

Credits:

FAMÍLIA CRISTÃ

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