Reportagem de Andressa Silva e Danilo Borges / Fotos: Andressa Silva e Bia Braga

Eleger governantes é uma tarefa que requer discussão e reflexão. Participar da vida política e exercer a cidadania é uma prática que deve ser constante. Esperar quatro anos para escolher quem representa sua cidade ou o país é apenas uma parte do processo. Optar por quem prometeu dinheiro ou algum bem em troca do voto também é uma forma de se corromper, além de dar o direito de o candidato enxergar ignorância e ingenuidade no eleitorado.

Uma alternativa de reivindicar os direitos não assegurados ou ameaçados é através das manifestações de rua. Mas, essa é uma atitude que ocorre também por que não há participação e integração de grande parte da população sobre política. É grande o número de pessoas que estão desacreditadas. Outra parcela de habitantes não tem acesso à educação na escola, ou não chegam às universidades, um dos poucos espaços em que ainda se debate política. E, ainda, existe um grupo de pessoas que sequer, tiveram condições de estudar e se inserir nesses círculos de debate. E assim os discursos vão sendo reproduzidos boca a boca nas mesas de bar, nas reuniões familiares, em qualquer ambiente, e que não contribui para a mudança. Geralmente acabam em discussões entre as próprias pessoas, que não se abrem para ouvir outros posicionamentos e, tentar refletir se outra forma, que não a internalizada, poderia ser uma possibilidade.

Mas, a educação no Brasil ainda não é prioridade. O poder não deveria servir para oprimir as minorias, mas garantir melhores condições de educação, saúde, segurança e outros direitos estabelecidos na Constituição. No entanto, quem, de fato, conhece as leis? Quem sabe como fiscalizar e colaborar para que seus direitos sejam garantidos? Será que as pessoas sabem o que muda com a Reforma da Previdência?

No dia 31 de março, estudantes, trabalhadores, integrantes de centrais sindicais e movimentos sociais participaram do Ato contra a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 287/16 do governo Michel Temer, pelo cancelamento da votação do Projeto de Lei que libera a terceirização para todas as atividades empresariais (PL 4.302/98), e em preparativo para a Greve Geral prevista para acontecer no dia 28 de abril. As concentrações foram na Praça do Bambuzinho, em Petrolina – PE e no Arco da Ponte, em Juazeiro – BA.

Fizeram parte do ato, representantes da Associação das Mulheres Rendeiras, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Levante Popular da Juventude, Marcha Mundial das Mulheres, Sindicato dos Servidores Municipais de Petrolina (Sindsemp e Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco Sintepe), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Petrolina (STR), estudantes, além de pessoas da sociedade civil.

“Hoje estamos lutando por três causas. A primeira é a reforma da previdência, que somos contra; a segunda é a terceirização; e a terceira, um preparativo para a greve geral que foi convocada pelas centrais sindicais de todo o Brasil prevista para acontecer no dia 28 de Abril. Estamos convocando todas as categorias, movimentos sociais, as pessoas que vão ser atingidas por essas reformas trabalhistas, para uma reunião no dia 06 de abril, com local ainda a definir, para pensar a próxima jornada de luta em abril”, explicou Luis Piritiba membro do Levante Popular da Juventude e coordenador da Frente Brasil Popular em Juazeiro.

Diante de um governo considerado ilegítimo por uma parcela da população brasileira, as manifestações continuam sendo a melhor maneira de tentar alertar cidadãos e lutar para que nenhum direito lhes seja retirado. “O grande problema é que quem está perdendo é a classe mais baixa, que mais precisa de ajuda. Viemos aqui, hoje, porque a gente quer defender os direitos dos nossos professores e a nossa oportunidade de crescer na vida, de a gente conseguir entrar numa universidade pública” disse Maria Clara Pontes, acompanhada de um grupo de estudantes.

Além do senso de participação popular para lutar por um país mais justo, a professora Rivânia da Silva deixou de estar em casa para integrar os debates daquela noite em Juazeiro. “O que me traz aqui não é o fato de ser funcionária pública, venho como cidadã que está vendo o Brasil ir por água abaixo e um atual governo que só pensa nele. Não é só pelos meus direitos, nem pela questão da aposentadoria. Mas por uma questão de humanidade”. Foi justamente para obter esse conhecimento que Virna, 15, compareceu ao ato. “Estou participando das manifestações para me conscientizar, por que eu, enquanto estudante vou sofrer daqui para frente, então venho pelos meus direitos e pelos de quem vai sofrer, também. Poucos dos meus amigos vêm ou sabem o que está acontecendo. Na escola, alguns professores trazem essas discussões para a sala de aula, mas é bem pouco”.

Com as novas mudanças, além da desigualdade de salários entre homens e mulheres, Reforma propõe que a idade mínima de aposentadoria fique igual para pessoas de ambos os sexos. Portanto, o direito antes definido e assegurado pela Constituição de 1988, na qual as mulheres podiam se aposentar 5 anos antes que os homens, levando em consideração a maior jornada de trabalho aumenta com serviços domésticos e cuidado com os filhos.

“A aprovação da terceirização e a questão da Previdência, são reformas que vêm com a falsa justificativa de que nós temos um déficit no orçamento do Estado. Os bancos continuam lucrando e a gente continua pagando os juros altíssimos da dívida pública. O governo Temer é extremamente problemático, machista, e, enquanto mulher me sinto extremamente atingida pela falsa proposta de igualdade de gênero, colocando de lado a ideia de que as mulheres não têm a mesma jornada de trabalho que os homens, a divisão de trabalho é sexual. Essas mobilizações servem para unir forças rumo à uma greve geral de todos os setores públicos, e fazer a burguesia tomar conhecimento de que a classe trabalhadora sabe de seus direitos e não vai deixar que ela e o governo se apropriem desses direitos que foram legitimamente conquistados, e com muita luta” desabafa Isa Granja, estudante e militante do Coletivo Feminista-classista Ana Montenegro e da União da Juventude Comunista (UJC).

O ato também contou com a participação do rapper Euri Mania e a P1 rappers, e do músico Maercio José da banda Tio Zé Bá. Ambos tiveram espaço para intervenções de fala, além de poderem descontrair o ambiente e demonstrar, que a música também serve como importante difusora de informação e construção de ideias positivas.

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Andressa Silva
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Credits:

Andressa Silva e Bia Braga

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