Para se manter competitivo, produtor brasileiro aumenta o uso da agricultura de precisão Apesar da crise, estimativas indicam que segmento de equipamentos deve crescer até 20% em 2017

17/06/2017 - Paulo Palma Beraldo

Máquinas agrícolas com GPS e piloto automático, drones sobrevoando plantações e informações viajando do campo para um computador a quilômetros da lavoura em tempo real. O que parecia ficção há uma década é realidade no Brasil e no mundo com a agricultura de precisão (AP), que propõe a aplicação dos insumos de acordo com a demanda de cada área e aumenta a eficiência da produção.

O gerente comercial José Carlos Bueno trabalha com a técnica desde 2004 e percebe a mudança na mentalidade dos agricultores. Se antes ele tinha de apresentar as novidades e convencer os produtores, hoje são eles que vão em busca de inovações. No Brasil, são mais de 9 milhões de hectares utilizando técnicas de AP, segundo estudo da consultoria Kleffmann de 2013. “O interesse tem aumentado muito. O setor está em ascendência no mundo inteiro”, diz Bueno, que representa a americana Trimble, líder mundial na produção de tecnologias de geolocalização.

Ele diz que a companhia espera crescer 20% neste ano, mesma ganho esperado para o setor neste ano, lembrando que os números podem mudar com o cenário político e econômico do país. "Há situações que fogem ao nosso controle, mas a expectativa é muito boa. Em um momento assim, um ganho de margem, que a AP permite, faz toda a diferença para o produtor".

Bueno compara a agricultura de precisão com os smartphones. “Você consegue imaginar alguém usando um celular que não é um smartphone? Existe, mas é muito pouco. Então, é uma realidade que não tem volta”, afirma. Devido a problemas como logística e infraestrutura precárias, o produtor brasileiro tem que ser sempre o melhor, diz ele.

“Em um momento como o que vivemos, é preciso ter todos os processos de produção muito bem definidos. Isso só se faz com tecnologia, transformando a fazenda em uma fábrica”, diz José Bueno, da Trimble

Produtores e empresas agrícolas têm ampliado investimentos em AP devido à redução de custos e ao aumento da produção. Isso porque a produtividade de uma lavoura varia de acordo com as características do solo, do clima e das pragas de cada local. “Gerir essas diferenças para diminuir as variações de produção é o núcleo da agricultura de precisão”, explica o pesquisador Ricardo Inamasu, coordenador da Rede de Agricultura de Precisão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com 214 pesquisadores envolvidos.

Agricultura de precisão é mais usada nas lavouras de soja e milho no Brasil. Foto: Paulo Palma Beraldo/De Olho no Campo

Fazenda digital

Com 10 milhões de toneladas de cana processadas por ano, a Usina São Martinho, de Pradópolis-SP, é a maior do mundo em moagem. Para atingir tais números, foi fundamental investir em tecnologias de georreferenciamento das linhas de plantio e no uso de piloto automático nas colhedoras, explica o vice-presidente e superintendente agroindustrial da empresa, Agenor Pavan. Segundo ele, essas práticas permitem evitar perdas de até três toneladas por hectare.

O objetivo atual do Grupo São Martinho, composto por quatro usinas, é se aproveitar da revolução digital. “Vamos ter fazendas digitais. A informação será transmitida do campo à central de operações e poderemos fazer correções em tempo real”, explica, citando que o investimento no projeto foi de R$ 40 milhões.

Para dar conta de processar 55 mil toneladas de cana por dia, a usina tem 180 caminhões, 55 colhedoras e mais de 150 tratores. As máquinas captarão dados como localização, desempenho, umidade do solo e condições climáticas – e enviarão ao centro de operações por uma rede 4G da usina. “Já temos esses dados, mas não online. “Vamos criar modelos para enxergar os problemas antes que eles aconteçam”, explica. “Vai ser uma revolução”.

Setor sucroenergético é um dos que mais investe em tecnologias de agricultura de precisão no Brasil. Foto: Paulo Palma Beraldo/De Olho no Campo

De cima

Outro equipamento capaz de auxiliar na tomada de decisão do produtor é o drone ou veículo aéreo não tripulado (vant). Por fazer imagens de cima, o vant permite a identificação de “manchas” e diferenças nas áreas. “O produtor tem um direcionamento seguro tanto para tirar amostras de solo exatamente de onde precisa quanto para definir áreas que requerem tratamentos diferenciados”, explica Leandro Ponchio, engenheiro agrônomo e sócio da consultoria Ello Agronegócio, de Piracicaba-SP.

Proprietário de um vant equipado com câmeras apropriadas para a agricultura, Ponchio já trabalhou com o equipamento em cultivos de pastagens, cana, grãos e até eucalipto. “É muito caro pagar para funcionários percorrerem toda a área. O vant economiza tempo e insumos, que serão aplicados exatamente onde for preciso. Isso traz mais agilidade e menos custos”.

Máquinas autônomas

Em maio, a fabricante de máquinas agrícolas Case IH, do Grupo Fiat, apresentou pela primeira vez ao mercado brasileiro um trator controlado à distância que pode trabalhar sem operador. Desenvolvido nos últimos quatro anos, o trator de 380 cavalos é uma adaptação de um modelo existente no mercado e já plantou mil hectares de milho e soja nos Estados Unidos. O diretor de marketing da companhia, Christian Gonzales, diz que o segmento de AP é o que mais tem evoluído na Case IH.

Dificuldades de encontrar mão de obra e necessidade de trabalhar 24 horas por dia em grandes propriedades são algumas das motivações do projeto. “Tenho um cliente que precisa plantar 57 mil hectares em 15 dias. Se atrasar um só dia, ele passa a perder 1% da produção final devido às condições climáticas e à quantidade de luz que chega nas plantas”, exemplifica Gonzales.

"Vejo mais potencial de mercado para esse tipo de máquina no Brasil do que nos EUA ou Europa. Lá, eles (agricultores) costumam operar as próprias máquinas”, opina Gonzales, da Case IH.

Por onde passa, o veículo autônomo chama a atenção. “Queremos sentir da sociedade e do mercado a recepção desse trator para entender as necessidades dos produtores. Houve um grande debate, mas a aceitação está sendo ótima”, afirma. Mais testes com outros modelos e outras culturas serão feitos. O produto deve chegar ao mercado nos próximos cinco anos.

Também em maio, a fabricante de caminhões e ônibus Volvo apresentou um caminhão que dispensa motorista capaz de auxiliar na colheita da cana. Quando está na linha de plantio, o veículo não precisa mais do controle humano, pois tem um sistema que permite a correção da rota em tempo real, evitando as perdas típicas do processo. A companhia sueca estima que em até três anos o modelo vai estar disponível comercialmente. Os preços de nenhum dos produtos foram informados pelas companhias.

Não são só os grupos empresariais a aderir à agricultura de precisão. “Passamos a usar o insumo, que está caríssimo, somente no lugar onde realmente precisa”, explica o agricultor Mário Corso, que trabalha com sua família em uma propriedade de 1.600 hectares em Iguatama-MG.

Antes de usar a agricultura de precisão, Mário cometia erros como plantar duas vezes no mesmo lugar ou deixar áreas sem sementes. Agora, pode controlar a quantidade exata de plantas, de fertilizantes e de defensivos agrícolas. O preço elevado das tecnologias, no entanto, freia maiores investimentos. “A vontade é comprar tudo de uma vez, mas não dá porque é muito caro e o retorno é um pouco lento. Então tem que ir se adaptando com o tempo", sugere.

Nas duas primeiras fotos, plantadeiras capazes de aplicar variável de sementes e fertilizantes. O equipamento faz também corte de sementes e fertilizantes onde já foi plantado. "Isso é muito importante para evitar a sobreposição desses insumos", diz Mário Iguatama. Na terceira foto, plantio de milho e nas outras duas, monitores da Trimble com possibilidade de acesso à distância. Fotos cedidas pelo produtor.

O agricultor Sérgio Peres, de Jataí-GO, planta 1.300 hectares de milho e soja tem a mesma reclamação de Mário. “Tem muitas tecnologias disponíveis no mercado, mas ainda são muito caras. Nem sempre compensa”. Para ele, os preços deveriam ser mais acessíveis. "É interessante adquirir as tecnologias, mas é preciso ver se dá retorno, já que tem o perigo de se endividar", pondera ele, que reduziu gastos com insumos usando técnicas de AP nos últimos anos.

As possibilidades são muitas: controle da quantidade e profundidade de sementes, aplicação de fertilizantes e defensivos em taxas variáveis, colheita com sensores de produtividade, redução do uso de água na irrigação. Com tudo isso, é possível entender com exatidão as necessidades da lavoura e responder precisamente a elas, maximizando os ganhos.

“As tecnologias precisam ser boas e baratas, o que pouca gente entende. É preciso oferecer inovações com custos que a agricultura consegue pagar, porque o poder de pagamento do agricultor é muito diferente daquele do empresário de outros setores da economia”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão (AsBraAP), José Paulo Molin.

Esforço conjunto

Nos próximos 35 anos, o mundo deve atingir 10 bilhões de pessoas. Para alimentar essa população, a produção de alimentos deverá aumentar em até 70% e, nesse contexto, o Brasil deverá ganhar cada vez mais destaque. Isso porque grandes países como Canadá, Rússia, China e Austrália enfrentam dificuldades climáticas intransponíveis para aumentar suas safras, como neve e desertos. Ao mesmo tempo, os países europeus e os EUA já estão muito próximos de seu limite de produção.

“O Brasil tem terras em abundância, boas condições climáticas e recursos naturais. Existem quase 60 milhões de hectares degradados. Não precisa desmatar, basta recuperar áreas”, diz Alan Bojanic, representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU) no Brasil.

A FAO estima que o Brasil será o maior produtor e exportador de alimentos do mundo até 2025. “O país estará no coração da solução do fornecimento de alimentos para o mundo”, afirma Bojanic, reforçando o papel da agricultura de precisão, da revolução digital no campo e da conectividade para atingir tal resultado.

Bojanic diz que para as novidades chegarem a mais agricultores, será preciso um esforço conjunto do poder público, das empresas e da sociedade. “É preciso apoio de todos. A agricultura de precisão é a agricultura do futuro. Só assim vamos atingir maiores patamares de produtividade e de sustentabilidade”, garante.
Futuro do segmento de agricultura de precisão é promissor, dizem especialistas. Foto: Paulo Palma Beraldo/De Olho no Campo

No Brasil e no mundo, setor se organiza e ganha capilaridade

A produção de leite na Nova Zelândia, os vinhedos do Chile, os canaviais da Colômbia, os cultivos de batata na Holanda e a produção de grãos no Brasil têm um elemento em comum: todos usam, em alguma medida, técnicas de agricultura de precisão.

Em 2010, foi fundada a Sociedade Internacional de Agricultura de Precisão (Ispa), entidade com 34 países tão distintos quanto Brasil, Estados Unidos, Noruega, Irã, Turquia, Rússia e China. Presidente da sociedade, o inglês Ian Yule diz que um dos grandes desafios da agricultura de precisão é o fato de que a tecnologia está avançando muito, mas ainda faltam meios de aproveitar toda a informação gerada para orientar ações no campo.

Produção de uvas no Chile adota diversas técnicas de agricultura de precisão que ajudaram o país a tornar-se o quarto maior exportador de vinho do mundo. Na foto, vinhedos no Vale do Elqui, 477 quilômetros ao norte de Santiago. País tem 125 mil hectares de plantações de uva que produzem 1,2 bilhão de litros de vinho por ano. Foto: Paulo Palma Beraldo/De Olho no Campo

“É importante compartilhar experiências e conhecimento para maximizar nosso progresso. Ter contatos internacionais ajuda porque aproxima pessoas que podem dar opiniões bem fundamentadas e não enviesadas” diz. Ele acredita que sociedades internacionais têm papel importante na dinâmica do trabalho da AP ao redor do mundo.

A ideia de organizar o setor e trocar experiências também chegou à América Latina. Em 2012, o Brasil ganhou a Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão, órgão consultivo do Ministério da Agricultura. Pesquisando o assunto há mais de 20 anos na Universidade de São Paulo, José Paulo Molin é um dos mais experientes no assunto e um dos dois representantes brasileiros na Ispa.

Site da Ispa, a Associação Internacional da Agricultura de Precisão. Foto: Reprodução/Internet

Ele presidiu o grupo por quatro anos, quando passou a liderar a Associação Brasileira de Agricultura de Precisão (AsBraAP), que iniciou as atividades em maio de 2017. Na região, foi fundada a Comunidade Latino-Americana de Agricultura de Precisão em 2016, também encabeçada por Molin.

Para ele, grande parte da agricultura brasileira ainda trabalha com conceitos “confortáveis”. Por isso, há muito espaço para melhorias. “Se considerarmos que 80% a 85% das lavouras ainda estão sendo conduzidas com base na ‘média’, estamos errando muito”, avalia.

"É hora de AP deixar de ser tratada como 'exótica'. Ela tem que ser rotina. Fazer agricultura com precisão é errar menos", diz José Paulo Molin. Foto: Curso de Solos Esalq/Reprodução

Molin diz que agora a AP precisa de contribuições mais “disruptivas”, lembrando que o campo ainda não assimilou todas as novidades da tecnologia da informação e da onda digital. Nos próximos anos, ele acredita que interpretar melhor os dados coletados no campo e oferecer soluções será uma das grandes buscas das pesquisas em AP.

Para pesquisar o assunto, a Embrapa tem desde 2009 uma rede com 214 pesquisadores, 20 unidades de pesquisa e 15 campos experimentais em todo o território nacional. “A agricultura de precisão está em um momento de amadurecimento no Brasil”, afirma Ricardo Inamasu, líder da rede.

Embrapa tem página dedicada à AP, com diversas informações sobre o setor. Foto: Reprodução/Internet

Robótica

Inamasu diz que os robôs chegarão ao campo em breve, não como protótipo, mas como realidade, especialmente pelas vantagens econômicas. Ele foi responsável por desenvolver um robô que carrega sensores para detectar doenças nas plantas através das cores das folhas.

A máquina“enxerga” também o estágio de desenvolvimento das plantas, a existência de pragas e a falta de água. Depois, cria um mapa da região, podendo até coletar amostras do solo. O projeto foi uma parceria da Embrapa, da USP de São Carlos e da fabricante de máquinas agrícolas Jacto.

Na primeira foto, o Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre), em São Carlos. Na segunda, drone da Embrapa e na terceira, robô desenvolvido em parceria da Embrapa com a Jacto e a USP de São Carlos. As fotos do laboratório e do robô são da Agência de Notícias da Embrapa e a do drone, do site De Olho no Campo
Para quem tem medo de que as máquinas possam roubar o espaço do homem no campo, Inamasu tem um recado: “Uma boa máquina de escrever não faz um bom escritor, uma boa panela não faz um bom cozinheiro e um bom trator não vai fazer um bom agricultor. O produtor sempre vai ser a peça mais importante da agricultura e precisa ser valorizado como tal”.

O holandês Corné Kempenaar lidera os projetos de agricultura de precisão na Universidade de Wageningen, um dos mais importantes centros de pesquisas agrícolas do mundo. Ele concorda que um grande desafio da AP é aproveitar melhor os dados coletados e lembra que aumentar o uso de tecnologia nas propriedades é a maior necessidade atual.

A Holanda, um dos principais exportadores de alimentos da União Europeia, tem adotado sistematicamente práticas de AP - lá, mais da metade da área agricultável usa sistema de navegação por satélite. Segundo Kempenaar, um destaque é a produção de batatas, em que tem sido possível reduzir em 30% o uso de insumos e elevar em 10% a produção do pequeno país, que já é um dos 10 maiores produtores do planeta e tem área menor que a do estado do RJ.

Maior aproveitamento das informações geradas ainda é desafio, diz diretor da Sociedade Internacional de Agricultura de Precisão

Ian Yule, diretor do Centro de Agricultura de Precisão da Nova Zelândia (NZCPA) desde 2000, tem se dedicado a encontrar soluções práticas para os problemas agrícolas, em especial para melhorar o uso do espaço na agricultura. Foto: KiwiNetTV/Reprodução

O pesquisador inglês Ian Yule é uma das referências mundiais quando o assunto é agricultura de precisão. Ele começou estudar o tema nos anos 1990 na Inglaterra e, em 1997, passou a dar aulas na Universidade de Massey, uma das mais respeitadas da Nova Zelândia.

Diretor da Sociedade Internacional de Agricultura de Precisão (Ispa), ele diz que um enorme desafio da agricultura de precisão é incentivar a maior adoção por parte dos produtores, entendendo suas reais necessidades. Na sua percepção, a agricultura de precisão está se tornando cada vez mais comum. “O piloto automático em máquinas agrícolas já é muito frequente. A irrigação de precisão é usada em mais da metade das novas instalações agropecuárias e mais de 50% da área agricultável da Nova Zelândia pode usar aplicação variável de insumos”, enumera.

Para o futuro, entende que a automação e a robótica devem ganhar cada vez mais terreno para aumentar a produtividade. O uso das tecnologias permitiria aumentar a eficiência dos sistemas agrícolas usando apenas a quantidade necessária de insumos e de recursos naturais.

Com base em sua experiência, quais os principais desafios para que a agricultura de precisão seja mais adotada ao redor do mundo?

Os principais desafios são desenvolver ciência capaz de beneficiar as técnicas de agricultura de precisão. Sinto que a tecnologia está avançando muito, mas nós não temos certeza de como podemos usar da melhor maneira a informação produzida por técnicas como sensoriamento remoto ou mapas de produtividade.

Nessas circunstâncias, é importante dividir as experiências e conhecimento para maximizar o progresso. Sinto que ter contatos internacionais ajuda a aproximar pessoas que podem dar opiniões bem fundamentadas e não enviesadas.

Nesse sentido, qual o papel das sociedades e associações internacionais?

Um papel importante especialmente na dinâmica da agricultura de precisão. Mas acredito que a comunidade científica não deu o devido valor para a economia de tempo do usuário final. Muitos agricultores se enxergam como pessoas sem tempo, então, além de pesquisar, temos que fazer acontecer.

A forma como o produtor lida com a tecnologia é muito importante. Precisamos encontrar caminhos para aumentar o uso da AP e facilitar a vida do agricultor.

Atualmente, para onde as principais linhas de pesquisa da agricultura de precisão estão indo? Quais os principais problemas precisando ser resolvidos e as maiores demandas?

A agricultura de precisão está muito diferente da forma como surgiu nas lavouras dos Estados Unidos. Na Nova Zelândia, por exemplo, temos uma variedade de indústrias com foco em horticultura intensiva, cultivos de uvas e de grãos. Além disso, a pecuária de leite e a criação intensiva de ovinos estão usando muitas técnicas da agricultura de precisão.

Irrigação de precisão tem sido adotada em países como a Nova Zelândia e deve tornar-se tendência com o passar dos anos, aposta Yule. Fotos: Paulo Palma Beraldo/De Olho no Campo

A irrigação na agricultura de precisão está ganhando cada vez mais espaço num contexto de uso racional dos recursos naturais.

A ideia original da AP era melhorar a aplicação de nutrientes, mas a pessoas rapidamente perceberam que isso era muito simplificado. A irrigação de precisão tem sido altamente adotada na Nova Zelândia porque a possibilidade de controlar a profundidade da água e de variar sua quantidade melhorou tremendamente, reduzindo muito a lixiviação (perda de nutrientes do solo).

Irrigar mais que o necessário é tão ruim quanto faltar água. Onde a irrigação de precisão é usada, é possível reduzir a quantidade e melhorar a cultura em comparação com os meios convencionais. Podemos cobrir mais área com a mesma quantidade de água, apenas aumentando a eficiência do uso desse recurso natural.

Em uma escala global, como o senhor enxerga o futuro da agricultura de precisão?

A agricultura de precisão está se tornando a nova tendência. O que sabemos sobre ela atualmente vai se tornar a nova regra. O uso cuidadoso de insumos vai ajudar a melhorar a eficiência, mas temos que parar de prejudicar a saúde do solo e pensar com cautela no fornecimento de água onde a irrigação é requerida.

Temos que garantir que possamos maximizar a eficiência dos nossos sistemas agrícolas, que usemos apenas a quantidade correta de fertilizantes, aplicada no período certo, e que usemos somente a água necessária. Creio que veremos uma tendência crescente de automação e do uso de robôs. Já podemos produzir robôs a preços razoáveis que podem ser usados para um grande número de tarefas nas propriedades rurais, inclusive alguns para cuidar das lavouras. Eles também podem ter sensores que vão nos permitir aumentar ainda mais a produtividade.

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