As fronteiras da Pérsia O Irã desconhecido

Visão original

O que vem a sua cabeça quando pensa em Irã? Talvez imagine mulheres cobertas dos pés à cabeça ou um país do “eixo do mal”, onde vivem terroristas barbudos que ameaçam o Ocidente. Ou, talvez, se você se interessa por política internacional, lembre-se de acordos sobre armas nucleares, da Revolução Islâmica, do petróleo, das guerras. Mas, avance um pouco mais.

O que você sabe de verdade sobre a vida em um dos maiores e mais importantes países do Oriente Médio, um dos mais antigos do mundo?

Para a maioria de nós, brasileiros, surja talvez um grande vazio, como se não houvesse em nossos registros imagens que traduzam a existência do Irã, o rosto do povo, a vida nas cidades, a realidade para além das manchetes mais recorrentes da imprensa.

Há muitas causas para o desconhecimento a respeito do Irã. Entre elas, estão a distância, as diferenças culturais, as notícias geradas quase sempre das mesmas fontes externas, os interesses de outros países. O certo é se sabe muito pouco sobre o país que hoje está no centro das mais importantes questões geopolíticas do mundo.

Com uma das maiores reservas de gás e petróleo e uma posição estratégica entre Europa e Ásia, o Irã é hoje fundamental nas relações comerciais e políticas entre grandes potências como EUA, Rússia, China e Índia. E essa história não vem de hoje.

Uma história milenar.

Com raízes no Neolítico, os persas criaram um dos maiores impérios da antiguidade, visível em cidades como Persépolis ou Pasárgada, e presente, ainda hoje, na cultura, na língua e na forma como os iranianos se percebem no mundo. Mesmo vencido e ocupado por vários povos, o país se manteve como entidade política e cultural unificada, com uma continuidade incomum no Oriente Médio.

Por circunstâncias pessoais e profissionais, sempre quisemos ir além das imagens mais comuns sobre o Irã. Eu, Cassiana, por ligações familiares com países do Oriente Médio, viagens, leituras e atividades profissionais. E eu, Vinícius, por ter sido correspondente da rede de TV iraniana.

Em nossas buscas, encontramos uma nação que não cabe em clichês. Uma cultura única, repleta de aparentes paradoxos. Uma teocracia com eleições periódicas. Um país muçulmano que fala a língua persa, onde convivem islâmicos, judeus, cristãos e zoroastras. Um lugar com um dos maiores índices de engenheiros per capita do mundo, onde mulheres são maioria nas universidades. E que encontrou em sua forma de fazer cinema, com linguagem sensível e delicada, um contraponto à imagem estereotipada que carrega.

Quais os direitos da mulher no Irã?

Nossa série preenche de imagens e histórias reais o vácuo que existe entre o Irã real e sua representação usual. Transitamos entre assuntos polêmicos e a vida cotidiana de homens e mulheres. Falamos sobre a religião, o estado, a questão energética, os conflitos e a recente abertura econômica, relacionando tudo isso com a vida das pessoas: o trabalho, o comportamento, a família, a arte.

Queremos mostrar esta terra fascinante, repleta de contrastes, que despertam a curiosidade e a imaginação. Vamos mergulhar nela e levar o espectador a uma grande aventura por lugares quase desconhecidos pelos brasileiros.

Acreditamos que conhecer o Irã mais de perto pode ampliar nossa compreensão sobre algumas das questões mais relevantes da atualidade, como a disputa pelo Oriente Médio, as diferenças entre os modos de vida ocidental e oriental, as relações entre os pólos de poder no mundo.

Para o Irã, esta produção pode contribuir de diversas maneiras para estimular negócios e turismo de brasileiros no Irã.

Além disso, desvendar o Irã, com cultura, história, economia, modo de vida e sensibilidade próprios, pode nos ajudar a dar um passo em direção ao diferente, num mundo em que os diferentes tão frequentemente se transformam em inimigos.

Abordagem

O Irã é um país com grandes contrates geográficos. Em seu território, estão praias no Mar Cáspio e no turbulento Golfo Pérsico, montanhas nevadas, reservas naturais, o deserto mais quente do mundo, metrópoles e cidades que parecem saídas das antigas lendas do Oriente. Além de suas fronteiras, estão países vulneráveis como Iraque e Afeganistão.

Vamos conhecer tudo isso de perto, numa viagem através das diferentes paisagens e regiões, estabelecendo relações com as questões mais complexas de maneira envolvente.

Seguimos um roteiro lógico pelo país, mas a abordagem é dinâmica. Entendemos que a história se constrói na rua, e, no caso do Irã, ela se faz no velho estilo pé na estrada, conversando com as pessoas, experimentando os modos de vida locais e sentindo as emoções que uma jornada tão rica pode proporcionar. Tudo isso com a intenção de levar o espectador a uma experiência de imersão na realidade persa.

Serão inúmeros pontos de vista sobre cada assunto. Isso porque teremos, Cassiana e Vinícius, especialmente no caso desta viagem, acessos diferentes à determinadas regiões ou eventos, como é o caso do "vagão rosa" destinado às mulheres.

Para alcançar as várias dimensões da vida iraniana, seremos ciceroneados por moradores locais, e, por outro lado, teremos acesso às autoridades e instituições oficiais do Irã, o que consideramos também fundamental.

Um dia no Irã.

Linguagens

Este projeto experimenta linguagens e formatos. Ao mesmo tempo que produz conteúdos que sigam o "processo produtivo", o "newsmaking" testado, inclui novos elementos de comunicação atuais.

O tradicional formato de VT (off, passagem, sonora) deve ser redesenhado para que conserve os sucessos comprovados na ampliação da atenção da audiência, e, ao mesmo tempo, agregue linguagens de internet, especialmente no que tange à linguagem visual e também no jeito de contar a história, mais versátil e próxima do objeto retratado.

Com o formato de TV modernizado com a linguagem de web, pretendemos aliar as vantagens da internet à manutenção do rigor técnico, incluindo padrões de enquadramento e movimentos de câmera mais tradicionais que facilitem o entendimento do espectador.

Adoramos todos os tipos de câmera.

Processos de edição passam, obrigatoriamente, pelo aprimoramento através de recursos gráficos, como letreiros e mapas. Mais do que uma linguagem consolidada, como são os GCs, esse elemento, no caso deste documentário, é fundamental na compreensão das informações e no acompanhamento de nossa viagem pelo Irã. Os tópicos a seguir são indicações preliminares de nosso roteiro pelo país.

Roteiro de "Fronteiras da Pérsia" pelo Irã.

Teerã

Nossa viagem começa pela capital de dez milhões de habitantes, onde as questões mais atuais nas áreas de comportamento, cultura, religião, economia e política aparecem nas ruas, no cotidiano e na vida dos iranianos. Para além da abordagem jornalistica tradicional, mostramos como se vive no país e como as mudanças afetam o cotidiano dos iranianos.

Economia. Do que vive o Irã? Após a redução das sansões econômicas, uma série de novas parcerias nas áreas de tecnologia, defesa, transporte e comunicações foram fechadas com a China (que hoje concentra metade de todo o comércio exterior do Irã), Rússia , Europa e outros países. Mostramos o impacto disso na área industrial, na expansão da rede digital e nas ruas, onde a tradição convive hoje com lojas ocidentais consagradas como Nike, British Airways, Victoria Secret, Tramontina, Yogurberry.

Política. Como funciona a democracia iraniana e as eleições? Como o ocidente é visto pelos iranianos comuns?

Costumes e educação. Como se concilia um estado teocrático e a alta tecnologia? Mostramos o uso do lenço em contraponto, na visão ocidental, ao elevado número de mulheres em universidades.

Mulheres e jovens. A maioria não usa burca, e elas dirigem e votam. Vamos mostrar questões curiosas, como as cirurgias estéticas no nariz, um sinal de status. E a prática do le parkour entre os adolescentes. Iremos ao "vagão rosa" e aos parques urbanos só para mulheres. Principalmente, conversaremos com elas sobre igualdade de gênero no Irã.

Norte do país

Mas Cáspio.

Uma região montanhosa, aos pés de um vulcão adormecido e banhada pelo Mar Cáspio. É nela que vamos mostrar a produção de caviar do Irã, um dos melhores e mais caros do mundo.

O esturjão, de onde são extraídas as ovas, era retirado inicialmente no Mar Cáspio, mas a pesca foi proibida por questões ambientais. Hoje, mestres especializados extraem o caviar em fazendas de criação. A importância do produto é tão grande que chegou a gerar o equivalente a 12% da receita com petróleo do Irã. Após os sanções lideradas pelos EUA, a atividade caiu drasticamente, e, agora, depois do acordo nuclear, a tradição está sendo retomada.

Além da pesca, mostramos as belas paisagens sob o vulcão e curiosidades do modo de vida local, como as cidades onde as ruas passam sobre o telhado das casas.

Tabriz. O centro industrial e automobilístico moderno convive com duas grandes tradições iranianas: a produção de tapetes e a comida, conhecida como a melhor do país.

Centro do país

Mesquita em Isfahan.

Qom. Um dos maiores centros religiosos dos xiitas do país. O local onde viveu o Aiatolá Khomeini, líder máximo da Revolução Iraniana que depôs o Xá Reza Pahlavi em 1979, é hoje local de peregrinação.

Isfahan e a produção de tapetes. Uma das cidades mais belas do Irã tem uma história que remete à antiguidade e preserva ainda hoje a antiga tradição da confecção de tapetes. Com as sanções internacionais, as exportações caíram pela metade. Após o acordo, as vendas subiram quase 30% em um ano e logo devem superar as exportações anteriores. Mostraremos a beleza arquitetônica de Isfahan e as fábricas que mantém produção artesanal dos tapetes mais famosos do mundo.

Abadan. Na divisa com o Iraque, este lugar tem uma peculiaridade interessante. A cidade é tão apaixonada pelo futebol brasileiro que o time local usa as cores da seleção brasileira e os bares têm nomes como Ronaldo e Romário. O time teve de se mudar durante a Guerra Irã-Iraque que praticamente esvaziou a cidade. Como é viver hoje tão perto do vizinho turbulento? Abadan tem também a maior refinaria de petróleo do país, o ponto de partida para tratarmos da questão energética. Com o fim das sanções, o país dobrou a produção de petróleo e retoma o projeto do gasoduto.

Deserto de Lut. O deserto mais quente da terra, com temperaturas que chegam a 70º, foi considerado Patrimônio Mundial pela Unesco. Usaremos equipamentos especiais para gravar as condições desse lugar único, com planícies de sal, formações rochosas e grandes dunas. Há 100 km, no povoado de Shafiabad, mostraremos como se vive numa mais regiões mais quentes da terra.

Rayen. A cidade fortificada, feita de barro às portas do deserto, foi posto avançado das mais antigas rotas comerciais.

Yazd. A bela cidade-oásis, localizada entre os maiores desertos do Irã, tem mais de 3 mil anos de história. A produção tradicional de seda, tapetes e doces convive hoje com a moderna indústria têxtil e a crescente industria de tecnologia de informações. A cidade também é o centro do Zoroastrismo, a antiga religião do Irã.

Sul do país

Shiraz. A capital do turismo, com uma mesquita maravilhosa, cujo interior é coberto por espelhos. Dali, seguimos para as míticas Pasárgada e Persépolis, a antiga capital do Império Persa, patrimônio da Unesco. As figuras esculpidas e as ruínas nos ajudam a contar a história do Irã. Aproximamos-nos do país mítico, de tirar o fôlego, que inspirou o poema “Vou-me embora pra Pasárgada”.

Ilha Kish.

Ilha Kish. As praias belíssimas do Golfo Pérsico são a aposta do país na área do turismo. Há shoppings modernos, hotéis sofisticados, e os costumes são mais liberais. O país pretende transformar o aeroporto em hub para quem usa seu espaço aéreo para ir a à Índia, Malásia, Síria, Iraque e outros países do Golfo, nos moldes de Dubai, que fica a apenas 190 km de barco.

Porto de Chabahar. A primeira etapa da construção deste porto no Golfo Pérsico foi concluída em parceria com a Índia. Com a conclusão, os dois países podem deixar de utilizar os portos dos Emirados Árabes. Irã e Índia negociam também a construção de uma rodovia e uma ferrovia para ligar o porto à Selaram, no Afeganistão. Seria um corredor para o Afeganistão exportar seus minérios. Nessa região, podemos explicar a questão geopolítica mais ampla, com o Irã no centro das principais rotas de comércio entre o Oriente e o Ocidente, uma nova “rota da seda”. Há também um projeto de dessalinizar a água e levá-la para o deserto de Kerman, no centro do Irã.

Temáticas abordadas em várias regiões

Religiosidade. Mostramos o convívio entre quatro religiões previstas na Constituição: Islamismo, Judaísmo, Cristianismo e Zoroastrismo. Ilustramos a diversidade nas mesquitas, igrejas, no bairro armênio cristão em Isfahan, nas sinagogas e com os 20 mil judeus de Teerã.

Segurança. Como o Irã lida com as fronteiras turbulentas ― Iraque, Afeganistão, Paquistão? Falamos do exército e da produção de armas. O contraponto da questão externa é a segurança interna do Irã, um lugar seguro para se viver e onde não há detectores de metal nas portas dos bancos.

Revolução iraniana. O que mantém o Irã unido? Abordamos o senso e a realidade de exclusividade no Irã, um país persa entre os árabes, majoritariamente xiita entre nações sunitas. Resgatamos a história, as tradições, a postura política independente. Através de imagens antigas cedidas pela TV iraniana, contaremos a história da Revolução Iraniana. O que sobrevive dela até hoje e o que mudou?

A beleza do país. As estações de esqui. O deserto mais quente do mundo. A preservação e a reprodução do guepardo asiático, que estampa a camisa da seleção nacional de futebol. As cidades maravilhosas.

Estrutura de conteúdo

Nossa linguagem e forma de abordagem favorecem a criação de vários produtos interligados.

  1. Uma série de seis capítulos com duração aproximada de 30 minutos, para exibição em TV aberta, fechada e video on demand (VOD são distribuídos em plataformas como a Netflix ou Globo Play). A maioria desses episódios será dividida de acordo com as regiões e temas específicos.
  2. Um documentário completo de uma hora, em que os aspectos mais interessantes dos capítulos seriam entrelaçados em uma nova edição, com ritmo e lógica próprios de um único filme.
  3. Uma série de seis ou mais capítulos para exibição em internet com duração média entre 3 e 4 minutos, que podem servir como divulgação da série e do documentário.
  4. Produção de vídeos com enfoque institucional ou de divulgação turística do Irã para o público brasileiro.

Estrutura de produção

Contamos com câmera de vídeo 4K (Sony), câmeras SLR para fotos e vídeos (Canon), microfone de mão sem fio (Sennheiser), microfones de lapela sem fio (Sennheiser), microfone de ambiente (Rode), celulares com resolução 4k (Apple e Samsung), tripés (Manfrotto), pontos de luz, rebatedor, difusor, gravador de áudio de alta qualidade (Zoom).

Equipes gerenciais

Somos uma dupla de jornalista multimídia. Temos características profissionais diferentes e complementares, a partir das quais se dividem as funções, com foco no melhor resultado. Temos experiência com as linguagens tradicionais de TV e com os formatos das novas tecnologias.

Cassiana é jornalista e apresentadora.

Cassiana Pizaia é escritora e jornalista formada pela Universidade Estadual de Londrina, com especialização em Comunicação Audiovisual pela PUCPR e Jornalismo Econômico pela FAE, em Curitiba. Mantém um blog especializado em viagens e descobrimentos, o Outras Terras. Desenvolve também projetos literários junto à Editora do Brasil, tendo publicado, em 2016, a Coleção Crianças na Rede, com quatro livros infanto-juvenis de ficção com temática relacionada às novas tecnologias. Por mais de 20 anos, trabalhou em emissoras de TV nas funções de repórter e coordenadora de reportagem, a maior parte do tempo na RPCTV, afiliada da Rede Globo em Curitiba.

outrasterras.com.br

fb.com/aos4ventos

fb.com/criancasnarede

Vinícius é produtor multimídia.

Vinícius Sgarbe é jornalista formado pela PUCPR. Tem cursos em História da Arte, pela Escola de Belas Artes do Paraná, e em Desenvolvimento Humano, pela Fundação Getúlio Vargas. É aluno especial do mestrado em Opinião Pública da Universidade Federal do Paraná. Foi repórter multimídia da rádio CBN Curitiba e do portal G1 Paraná. Foi correspondente da TV iraniana no Brasil, no canal Shabake Khabar, apresentando em inglês para dublagem em persa. Desenvolve projetos independentes de jornalismo audiovisual.

sgarbe.com

fb.com/sgarbecom

Artes gráficas

Lilian é artista gráfica.

Lilian Döring é gravurista formada pela Escola de Belas Artes do Paraná, com experiência em design, audiovisual e artes plásticas. Atualmente, é motion designer na Conspiração Filmes (Rio de Janeiro). Atua como freelancer no desenvolvimento de projetos de design e multimídia, nas etapas de direção de arte, storyboard, animação 2D e 3D, edição e pós-produção. É uma das fundadoras do coletivo de artes Pelospublicos, participando da concepção e realização de projetos artísticos no campo da arte digital, instalação, performance e intervenção urbana. Trabalhou com edição e pós-produção na Televisão Educativa do Paraná e na Band Curitiba.

Cronograma estimado e orçamento

Junho e julho de 2017

Planejamento, produção e organização da viagem.

Agosto

Viagem de três semanas ao Irã.

Setembro e outubro

Edição e pós-produção.

Custo total de produção

Custos de viagem, produção e pós-produção: US$ 36 mil.

Vídeos de referência

EXCLUSIVO, PRODUZIDO PARA ESTE PROJETO Assista aos pilotos desta equipe gravados na Jordânia, como parte de um documentário sobre o país. Produção e apresentação de Cassiana, e edição de Vinícius.

Videoarte sobre partos humanizados no SUS. Produção e edição de Vinícius.

Reportagem sobre iranianos no Brasil. Produção e apresentação de Vinícius.

AVISO As fotos deste projeto são ilustrativas, retiradas da internet.

Created By
Vinícius Sgarbe
Appreciate

Report Abuse

If you feel that this video content violates the Adobe Terms of Use, you may report this content by filling out this quick form.

To report a Copyright Violation, please follow Section 17 in the Terms of Use.