Alma E SANGUE PELA PROFISSÃO Jornalismo de Risco: Resistir á corrupção, e ás balas

Os meios de comunicação social possuem a obrigação de fornecer a informação necessária para a sociedade se organizar, e para esta criar a sua imagem do mundo, definir os seus interesses e objetivos, com base no que este lhe permite. O mundo é feito de imagens criadas pela informação a que temos acesso, sem informação, sem um testemunho físico ou visual do mundo, permanecemos na ignorância. Cabe aos profissionais jornalísticos e as plataformas socias estabelecerem os seus critérios de credibilidade e serviço público de maneira a cumprirem as expetativas das audiências, de forma imparcial, objetiva, e livre de julgamentos. Porem, a história está cheia de momentos em que a essência materialista e consumista das sociedades e daqueles que as governam procuram manipular a informação e reconstruir novas imagens, imagens de um mundo do qual podem mais facilmente tirar proveito, de forma a saciar os meus interesses pessoais.

Governos e grandes corporações controlam, ou pelo menos tentam manipular, a opinião pública e os processos do debate na comunidade através da comunicação mediática. Em acontecimentos mundiais ou geopolíticos, os governos procuram através das redes nacionais de notícias criar uma guerra de informação – Como? - Filtrando informação, ou mesmo oculta-la, transforma-la, tudo de maneira a que o seu ponto de visto saia favorecido, influenciando o publico a tomar o seu lugar. Essa guerra de informação é uma disputa onde as redes internacionais de notícias, os maiores jornais, bem como frequências de radio, redes sociais, redes de comunicação e a internet, agem como exércitos. Faz tudo parte dessa “guerra”.

No entanto, mesmo que toda esta informação seja de forma tão incansável atacada e mutilada, apenas de uma forma é obtida: Através do esforço e dedicação dos profissionais do campo jornalístico, que muitas vezes são eles mesmos atacados, procurados, mutilados ou vitimas no exercício da sua profissão, o chamado “Jornalismo de Risco”.

'Sem jornalistas independentes a guerra seria apenas um bom show'

As informações que recebemos dos conflitos mundiais são, como tudo, muitas vezes mascarados pelos governos, e a partir daí podemos compreender a importância de um jornalista em campo de combate. Por um lado, temos as agências de notícias internacionais a mostrar imagens de tanques, soldados, lideres e misseis a cruzar os céus; Por outro lado, temos as imagens que os líderes políticos querem passar do seu país a sair vitorioso face aos seus oponentes.

Contudo, existe ainda uma outra faceta, onde se resume a realidade e tudo dá lugar a imagens terríveis, que mostram a outra face da guerra. São cenas que exibem crianças feridas, montes de pessoas mortas e soldados na lama e na miséria. Estas cenas muitas vezes servem de pretextos para grandes organizações mundiais apelarem pelo fim dos conflitos, mas mais uma vez ignorando, ou desvalorizando aqueles que lhes forneceram imagens em primeira mão de toda a faceta da guerra.

Uma campanha da agência francesa BETC foi fundada com esse mesmo propósito, de criar visibilidade para aqueles que estão atrás das camaras, e de forma a incentivar doações à ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Nesta campanha é possível ver como seria a cobertura de uma guerra sem a existência de jornalistas independentes, na qual no fim pode-se ler:

"Sem jornalistas independentes a guerra seria apenas um bom show. Apoie aqueles que arriscam as suas vidas para nos trazer a verdade".

A campanha faz uma clara referência ao importante papel dos jornalistas em mostrar o genocídio que envolve uma guerra, e que muitas vezes não quer ser trazido a público por parte dos envolventes. Com seu poder emocional, o vídeo tem o objetivo consciencializar sobre a importância de garantir a segurança dos jornalistas de guerra.

A desvalorização do papel dos jornalistas não vem de agora. Desde o início da profissão, até á atualidade, que permanece a ideia de que ser jornalista é apenas escrever um texto. É bem mais do que isso. É toda uma dedicação que faz o jornalista procurar insaciavelmente informação visando também a sua própria satisfação profissional, sempre com o foco em informar a sociedade dos acontecimentos do dia-a-dia, sem se deixar ser censurado pelas grandes elites, colocando muitas vezes em risco a sua própria condição física.

Gilles Jacquier, jornalista francês com longa experiência na cobertura de conflitos, morto numa explosão na Síria.

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