“Vestida assim, sim”: a censura machista à liberdade de representação da mulher não é democrática Por Labely Rairai e Mathews Fernando

A roupa que usamos diz muito sobre nós, sobre nossa personalidade. através do vestuário podemos identificar a imagem que uma pessoa quer passar de si mesma. mas isso não quer dizer que seja sempre assim. Viver em uma sociedade que diariamente impõe padrões de aceitação predominantemente machistas às mulheres pode fazer com que muitas delas não tenham o simples direito à liberdade de representação, sendo julgadas simplesmente pela forma de se vestirem.

"Mulher tem que usar vestido pra ficar feminina"

"Desde muito nova eu tive total liberdade de escolha no que vestir por parte dos meus pais, o que não correspondia muito bem à pressão e os julgamentos que não só eu, mas todas as mulheres enfrentam na sociedade. É perceptível os olhares maldosos que recebo até hoje sempre que coloco uma blusinha mais decotada ou um shortinho mais curtinho, não só isso, mas já ouvi por diversas vezes que não deveria vestir tanto shortinho e camiseta porque isso me deixava mais masculina. É incrível como a sociedade ainda é sexista. Estão sempre tentando nos dizer o que vestir, a quantidade de maquiagem certa que devemos usar, como devemos sentar... Querem fazer de nós mulheres um conjunto de normas e padrões que nem sempre nos representa". Natany Borges, 23, aluna do curso de Turismo da Universidade Federal de Sergipe.

"Agora sim tá parecendo mulher decente"

"Sempre gostei de estar confortável e nunca achei que perdi minha feminilidade por isso. Certa vez, um rapaz interessou-se por mim e ao procurar saber mais de mim através de alguns colegas em comum foi alertado de que ' - Rafinha é meio 'mano', não sei se você faz o gosto dela...' Meses depois estávamos namorando. Sempre quis me vestir, me comportar, entre outras coisas, da maneira com que me senti bem, viva, feliz e de paz comigo mesma, oscilando do salto alto, ao tênis surrado, da roupa de grife e que exalta a beleza feminina às camisas roubadas do meu irmão. O que as pessoas acham e falam? É o que elas acham, e o que elas falam. Mas a roupa que eu visto, sou eu quem visto, a maneira que me porto, sou eu quem porto, o que faço ou deixo de fazer sou eu quem faço ou deixo. O corpo é meu, o couro é meu, eu sou minha". Rafaela Costa, 20, estudante de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal de Sergipe.

"Mulher tem que usar salto para ser elegante"

"Recentemente, estava em uma festa e o amigo de um amigo meu que eu não conhecia, chegou para mim e foi falando 'você com essa blusa transparente já dá vontade de chegar rasgando'. Eu fiquei... Na verdade não tive nem o que falar de tão constrangida, porque tipo, a gente nem se conhecia e tal, não tínhamos nenhuma intimidade e ele chegou falando isso. Outra vez, isso partiu de um colega meu de curso, por incrível que pareça. 'Você vai com essa roupa de ballet pra casa?', eu disse que sim e perguntei o por que, aí ele respondeu 'é, depois reclamam quando os homens ficam mexendo'. Muitas vezes saí de saia também e sempre tem um engraçadinho que fala 'ai se passasse um vento agora...'. Acho que a coisa mais comum é quando você coloca uma blusa que tem decote e alguém pergunta 'e esse decote, é pra seduzir quem?', como se a gente se vestisse em prol dos homens, como se a gente não colocasse uma roupa porque nos sentimentos bem, porque gostamos. Sempre "aquele" decote e "aquela" roupa curta é para seduzir os homens". Denise Oliveira, 22, aluna de Dança da Universidade Federal de Sergipe.

"Vai aonde arrumada desse jeito?"

"A sociedade tem levado tão a sério os padrões de vestimenta que as relaciona diretamente com a formação do caráter individual. De fato, através da vestimenta constrói-se uma identidade, mas isso não tem correlação com o caráter do indivíduo. O problema é que a sociedade, ao invés de se preocupar com os interesses próprios, ou do coletivo, prefere palpitar sobre aquilo que não lhe diz respeito e acaba sendo inconveniente nos seus comentários carregados de soberba". Tailane Noronha, 20, aluna de Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe.

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mathews fernando
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