Juventude na Umbanda Variadas personalidades jovens formam terreiros de umbanda pelo brasil

A umbanda está crescendo bastante no Brasil. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, existem 407.332 terreiros espalhados pelo país. É uma religião totalmente brasileira, fundada há 108 anos no Rio de Janeiro, que sintetiza elementos africanos, católicos e espíritas. Nela existem adeptos de variadas idades, principalmente jovens, que interpretam diferentes papéis dentro da umbanda.

Aryana Pereira, 20 anos, estudante de Nutrição, é um exemplo desses jovens que estão aderindo à religião. A jovem está dentro da umbanda há 3 anos. Parte dos filhos de santo do Centro Espírita Caminhos de Oxóssi, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, acredita que não conseguiria viver sem ir ao terreiro pelo menos uma vez na semana. Para ela é melhor estar dentro do centro do que em festas com amigos.

Aryana é filha de Oxum, no sincretismo religioso, Nossa Senhora da Conceição.
“Prefiro estar dentro da minha casa espírita, porque lá eu aprendo coisas boas, lá eu me sinto bem, me sinto feliz, do que saindo para outros lugares aos sábados, por exemplo. E me sentir bem como me sinto no terreiro não iria acontecer se eu não tivesse lá”

O comprometimento com a religião pode ser considerado um dos grandes fatores que ajuda estes jovens a criar mais responsabilidades e sabedoria. Caroline Moreira tem 28 anos e faz parte do Terreiro Pai Jacó, um centro de umbanda em Curitiba, no Paraná. Ela decidiu criar um canal no YouTube onde pudesse falar sobre a religião e passar seus conhecimentos. Com o “Filha de Oyá”, Caroline conta com 12.323 seguidores e já atingiu 36.579 visualizações em um dos seus vídeos.

Caroline posta pelo menos dois vídeos na semana e todo o conteúdo é passado para seu pai de santo antes de ser gravado. Ela não tem medo de sofrer críticas e defende que em cada terreiro tem um fundamento, ou seja, cada um ensina de uma forma, e ela está apenas explicando a dela.

Sua iniciativa é muito importante para pessoas que estão iniciando na religião. Ela acredita que ensinar para os novatos é muito bom, e decidiu fazer isso pois quando tinha dúvidas procurava na internet e não conseguia achar muitas informações.

Caroline usa o YouTube como meio de ensinar e explicar os fundamentos da umbanda.
“Eu acredito que ajuda muito quem está começando, principalmente aqueles que ainda tem um pouco de preconceito sobre a religião. Eu decidi criar pois procurava muito sobre esse assunto e nunca achava nada bom, apenas um canal ou outro muito chato ou com uma explicação muito vazia. Daí conversei com meu pai de santo e com a ajuda dele comecei tudo”

O terreiro não só aproxima os jovens, mas também pode criar uma conexão maior entre eles. Um exemplo disso é Karolina Ribeiro, 32 anos, ela conheceu seu atual marido, Carlos Augusto Júnior, 29, quando ainda era do Candomblé, por ter ficado com a responsabilidade de contratar um grupo de pagode para tocar na festa da entidade Zé Pelintra.

“Nos conhecemos diretamente de uma festas da antiga casa que eu fazia parte. Fui incumbida de contratar um grupo de pagode e ele era a pessoa responsável, foi assim que nós conhecemos. Começamos a conversar e estamos juntos até hoje”

O casal hoje não faz mais parte do terreiro de Candomblé que se conheceram na época, agora estão no Centro Espírita Caminhos de Oxóssi, mesmo centro de umbanda que Aryana frequenta. Para Júnior, estar dentro da mesma religião que a esposa une cada vez mais o casal.

“A religião ajudou a nos aproximar. Hoje seguimos a mesma casa, compartilhamos do mesmo pensamento e estamos juntos no terreiro. Acho que para nossa vida isso é muito bom. E a vida religiosa é muito importante na vida de um casal”

Além do fato de aproximar as pessoas, dividir o tempo entre estudo, trabalho e centro é uma das maiores complicações para os jovens umbandistas. Aryana passava quase todos os dias dentro do terreiro, além dos sábados quinzenais de reunião, mas quando passou para a faculdade de Nutrição ficou difícil de conciliar.

“Eu ia no meu centro toda semana. Ia nas consultas do preto velho Pai Antônio de Quimbanda, ajudava a limpar a casa, e ia principalmente nas giras de sábado. Mas como minhas aulas na faculdade são à noite, e as consultas e limpeza são no dia de semana no mesmo horário, eu passei a poder ir ao centro apenas aos sábados. É muito ruim ficar longe do centro, pois eu amo estar lá, mas eu tenho me acostumar e conciliar isso com minha vida pessoal”

A juventude dentro da religião também é vista de forma positiva, já que iniciantes dentro dela são moldados de acordo com a religião. Além disso podem ajudar o centro a se atualizar mais, como no caso de Caroline, do canal “Filha de Oyá”, já que esses conhecimentos podem ser usados dentro de outros terreiros e passados de jovens para outros.

Os centros hoje em dia estão mais atualizados, boa parte deles conta com sites e páginas no Facebook, que ajudam a estes a informar mais as outras pessoas sobre detalhes internos do centro e fatos da religião.

Para Aryana os jovens falam a mesma língua, onde juntos podem um ajudar ao outro, e isso acontece independente da religião. Sendo para a mesma importante cada um ter um segmento que ajude a ter maior comprometimento, consequentemente maior responsabilidade.

“Não importa a religião que for, é muito bom para nós jovens termos algo a seguir. Nos ajuda a ser mais responsável, principalmente com uma doutrina séria. A gente não perde tempo dentro da religião, já que cada ensinamento é um acréscimo para nossa vida. É melhor ficar dentro do templo religioso do que estar em lugares que vão desviar nossa conduta"
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Anna Beatriz Dias
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Anna Beatriz Dias

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