O Casaco do Encontro Documentário Interativo e Exposição Coletiva

Pessoas cantando nas praças da China

O projeto de confecção de um casaco em colaboração com pessoas que vivem no Brasil e na China é parte importante do projeto “Canções em Pequim”, no qual eu irei refazer o documentário “As Canções” de Eduardo Coutinho na cidade de Pequim.

O Casaco será parte da roupa utilizada no momento de encontro com os entrevistados do documentário. Ele será a minha identidade, construída colaborativamente, um mapa mundi tecido em uma trama poética de saberes artesanais e narrativas chinesas e brasileiras.

Um documentário interativo e uma exposição coletiva serão produzidos ao final do processo. Aqui, a noção de documentário como criação e não apenas registro de uma asserção sobre o mundo é acionada na criação de um objeto, o casaco do encontro. A peça é entendida como um documento de cultura, agente motivador e produto de um encontro que vai na contra mão da produção têxtil capitalista. Um encontro, um documentário e um objeto que busca resgatar a transmissão de culturas através do intercâmbio e da produção coletiva, e desta forma, criar uma nova comunicação.

Casaco da região de Danzhai (丹寨), na província de Guizhou (贵州)selecionado junto com 小丹 como modelo original para confecção da peça. A paleta de cores e composição geométrica permitem uma relação com as pesquisas iniciais realizadas sobre pinturas corporais indígenas, lendas e narrativas tradicionais brasileiras.

Na etnia Miao e na arte têxtil tradicional desta região as estampas e as narrativas orais são uma das formas de transmissão da cultura ao longo das gerações.

À Esq. padrão recorrente na estamparia Miao e à Dir. Casaco Miao com personagens da mitologia abaixo.

"Há muito, muito, tempo atrás... um redemoinho se enroscou com o tronco de uma árvore. A árvore estremeceu e dela nasceu uma borboleta e de uma folha tremulante nasceu o pássaro Jiwei, que tinha seis cabeças e seis caudas. A borboleta voou e ao pousar em uma folha ficou gr;avida de uma gota de orvalho dando origem a 12 ovos coloridos e saiu voando.

O pássaro Jiwei sentou-se sobre os ovos como se eles fossem seus... ele sentou, sentou e lá ficou, por doze anos e nada dos ovos chocarem. Quando o pássaro Jiwei já estava prestes a levantar vôo, cansado de tanto esperar, o ovo amarelo começou a se quebrar. Um choro ecoou de dentro dele e o primeiro homem, JiangYang, surgiu.

O primeiro homem reconheceu no pássaro Jiwei a sua mãe. E um a um, os outros ovos do ninho começaram a se romper. Deles nasceram os irmãos do homem: Leigong, o trovão, saiu como um raio; de um ovo colorido nasceu o dragão e de um ovo listrado nasceu o tigre. Depois vieram o porco, o búfalo, o cão e o galo. A despeito de todo o cuidado do pássaro Jiwei, 4 ovos apodreceram, e só trouxeram ao mundo doenças e calamidades. "

Mas afinal, com que roupa eu vou?
Modelagem da peça e costura do primeiro boneco do casaco, com tecidos da região de Guizhou(贵州).
Estampa frontal desenvolvida por Clarisse Romeiro do Veredas Ateliê.

A filosofia chinesa, Zhuangzi (369-286AC), e referências da pintura corporal indígena motivaram a criação da estampa.

A única coisa de que estamos certos é de que "todas as coisas brotam de germes e se tornam germes novamente". "Todas as espécies vêm de germes. Certos germes, caindo na água, tornam-se lentilhas-d'água (...) tornam-se líquenes (...) tornam-se um eritrônio (...) produzem o cavalo, que produz o Homem. Quando o Homem envelhece, torna-se germes outra vez"

Estudos para o desenvolvimento dos módulos da estampa

Técnicas a serem utilizadas na confecção do casaco e colaboradores:

Blockprint- Clarisse / Batik - Celso Lima / Batik - Yanchunye / Bordado Débora Kikuti / Bordado - XiaoDan / Retalhos - Várias Pessoas

Mapa da Exposição: Do lado externo, participantes do projeto e na região central, as etapas de produção da peça

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