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COMPANHEIRO N.º 4- MARÇO 2019-Newsletter

NÚMERO 4: MARÇO 2019

IRS Solidário 2018

3122,85€ foi o valor atingido em 2017, com a sua ajuda, através da consignação do IRS. Muito obrigado a todos/as os/as que contribuíram.

Quando preencher a sua declaração de rendimentos de 2018, assinale o campo 11, da folha de rosto (Instituições particulares de solidariedade social ou pessoas coletivas de utilidade pública X) e identifique o NIF 502 121 637. Deste modo, sem pagar mais, vai poder doar 0,5% do IRS que já pagou ao estado, a’ O Companheiro.

SUMÁRIO DESTA EDIÇÃO

-“O oposto do amor não é o ódio: O oposto do amor é a indiferença”-Nota de Abertura-José de Almeida Brites

-Formação Profissional-Helena Baron

-Vozes Miúdas-Ideias Graúdas-Vera Rodrigues e Helena Baron

-Escola Social-Programas Psicoeducativos-Catarina Abrantes

-"Futebol é Companheiro"- Margarida Ferreira

-Natal N´O Companheiro-Vera Rodrigues

-A fechar. Direitos fundamentais e voluntariado-Rui Verde

-Ficha Técnica

“O OPOSTO DO AMOR NÃO É O ÓDIO: O OPOSTO DO AMOR É A INDIFERENÇA"-NOTA DE ABERTURA

“O oposto do amor não é o ódio: O oposto do amor é a indiferença” Elie Wiesel é o autor deste ajuste, vencedor do Nobel da Paz em 1986, sobrevivente de um campo de concentração e de nacionalidade romena. Sábio, com o primor da vida humana, ensina-nos o saber ouvir o eco em prejuízo da voz. Ecoamos nas reivindicações de uma sociedade mais igualitária, mais humana, com direitos mas também deveres, numa voz impregnada de afeto e de amor. O Companheiro assume a voz que ecoa no pós-reclusão, que conhece e procura na pessoa o melhor de si. Ambicionamos tornar melhores pessoas todas aquelas que nos procuram, agindo sobre os factores etiológicos do crime ou em termos gerais, com a finalidade de envolver grupos empresariais (através da responsabilidade social) e a sociedade civil na problemática e na procura de modelos alternativos face aos comportamentos de desvio. Estas mudanças, devem ser em termos de prevenção primária, com ações de informação e sensibilização junto da população de modo a minimizar acontecimentos stressantes gerados pelo sentimento de insegurança, prevenção secundária intervindo em grupos com comportamentos de risco e prevenção terciária apostando na prevenção da reincidência.

1. A Prevenção de todo o tipo de Crime como primado da intervenção psico-social;

2. A estratégia da comunicação de raças, religiões, culturas e profissões como opção da coesão social;

3. A necessidade da existência de uma sociedade “musculada” em que todos e cada um sejam agentes da “Prevenção do Crime”;

4. A leitura e interpretação de sinais como mobilizador para ações preventivas;

5. O direito à mobilidade como imperativo do condicionamento de comportamentos;

6. Os bens pessoais devem ser respeitados e usufruídos em pleno;

7. Os conhecimentos técnico-científicos que promovam comportamentos inclusivos sejam opções exclusivas de treino de competências;

8. A intervenção na estrutura familiar como preferencial à resposta social;

9. A mudança de comportamento do agressor como objectivo de limitar o dano e proteger a vítima;

10. A sociedade e o indivíduo têm mais capacidades mobilizadoras do que de autodestruição;

11. A educação e a formação como meio preferencial no desenvolvimento do potencial humano;

12. A cultura como o agente mobilizador da colaboração institucional;

13. As leis e normativos como potenciadores da “Prevenção do Crime”;

14. O investimento na prevenção gera rentabilidade irrecusável;

15. Quem deixar de promover a “Prevenção do Crime” assume a responsabilidade moral do dano;

16. As notícias de atos de inclusão superem as notícias de ocorrência de danos;

17. As ações de regulação social se façam preferencialmente pela prevenção;

18. Que haja “Mais Pessoa”;

José de Almeida Brites

FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Nos dias 8, 9 e 15 de fevereiro, O Companheiro, IPSS promoveu a ação de formação O Agressor na Violência da Intimidade: Prevenção, Diagnóstico e Tratamento. Durante 10horas, profissionais de diversas entidades discutiram e partilharam com formadores da área do Jornalismo, Psicologia e Direito, temáticas como a Ética e Deontologia no Jornalismo; Avaliação e aplicação de programas de reinserção para ofensores sexuais; Motivações ajurídicas do sentenciar.

Helena Baron

VOZES MIÚDAS-IDEIAS GRAÚDAS

O Projeto “Vozes Miúdas - Ideias Graúdas” encontra-se a ser desenvolvido por uma parceria constituída pel’ O Companheiro, IPSS, Questão de Igualdade – Associação para a Inovação Social, Associação Humanidades, CERCI de Lisboa, Nuclisol Jean Piaget e Fundação Aga Khan no âmbito do Programa BIP/ZIP – 2018.

O projeto centra a sua intervenção nas crianças do 1º ciclo do ensino básico, nos Bairros de Intervenção Prioritária: Boavista, Alto da Eira, PRODAC, São João de Brito/Pote de Água.

Depois do projeto ter sido apresentado a todos/as os/as envolvidos/as (crianças, encarregados de educação, escolas, comunidade local), encontram-se a ser desenvolvidas sessões com as crianças sobre os seus Direitos e Deveres, respeito pelo outro e pelas diferenças, sentido de pertença e reforço da cidadania. Pretende-se ainda que as mesmas identifiquem e implementem na escola/bairro onde estudam/residem projetos que promovam os Direitos das Crianças.

Helena Baron e Vera Rodrigues

ESCOLA SOCIAL-PROGRAMAS PSICOEDUCATIVOS

Por uma vida conjugal e sexual satisfatória…

Alguns de nós, outros, a partir de determinada altura procedem como mecanismos desgovernados; como se um parafuso vindo de uma outra máquina neles se tivesse introduzido e desatasse a provocar anomalias! Causam então grande sofrimento e uma espécie de blasfémia se instala na carne. Como uma ferida, ela perdura, e, pode alastrar numa escalada cataclísmica incomensurável. Mas, talvez, que algo, alguma coisa, alguém, possa travar esta escalada. É nisso que acreditamos, e portanto, em consonância com as nossas convicções nos projectamos num horizonte com futuro, de feridas cicatrizadas.

Contrariando a doutrina “Nothing works”, ainda tão intricada na sociedade civil, O Companheiro acredita que, de facto, algo pode até funcionar. Desenvolvemos programas de tratamento para várias problemáticas, assumindo particular destaque nesta edição, o Programa Por uma vida conjugal e sexual satisfatória, destinada a pessoas que cometeram crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual.

No dia 15 de novembro de 2018 iniciámos a nossa primeira edição contando com um grupo de 11 participantes dispostos a experimentar algo que possa funcionar nas suas vidas. Este programa segue o The Good Lives Model, assente numa perspetiva positiva da Psicologia Criminal.

Mais do que intervir no que é anómalo, pretendemos exacerbar o que é normativo ou exemplar, promovendo estilos de vida saudáveis e prevenindo a reincidência criminal.

Catarina Abrantes

"FUTEBOL É COMPANHEIRO"

No âmbito desportivo, O Companheiro destaca-se na modalidade de futebol (futebol de rua e futsal), enquanto promotoras do acesso ao desporto e inclusão pelo desporto.

Além de criarem e consolidarem aprendizagens promovem o desenvolvimento de competências sociais e pessoais que os ajudam na concretização dos princípios de igualdade de oportunidades e participação social.

Estas modalidades apoiam na promoção, participação e na mudança, a melhorar a autoestima, a partilhar responsabilidades e objetivos e estabelecer novas redes sociais e afetivas.

Em parceria com a CAIS, estivemos entre os dias 13 e 18 de novembro um atleta da nossa associação a representar Portugal na seleção de futebol de rua no Campeonato do Mundo no México, onde alcançaram um vitorioso 4º lugar.

Segundo o jogador, “novembro de 2018 foi o mês e ano mais marcante da minha vida, foi o sonho tornado realidade, foi um momento que não terei palavras pra descrever pois é algo que só vivendo. Pra muitos representar a seleção apenas é vestir o equipamento, dar uns pontapés na bola enquanto o arbitro apita aquele momento acabou por ali…quando vesti o equipamento pela primeira vez larguei um enorme sorriso.

O mundial em si foi o patamar mais alto da minha vida… o saber que estás a ser seguido pelos teus amigos, familiares, colegas até mesmo desconhecidos, mas que te apoiam e enviam mensagens de parabéns. Aproveitei e desfrutei ao máximo… de certa forma fez-me crescer bastante o ter saído do meu país da minha “zona de conforto” pois fez-me ser aquilo que sou desde a chegada a Portugal, fez-me lutar mais pelos meus objetivos e acima de tudo fez-me crescer como Homem”.

(Gerson Fernandes, 2019)

No que se refere ao futsal, participámos num torneio da Superliga MiniFootball, alcançando o 2º lugar no campeonato da primeira liga, tendo já sido campeões da segunda liga em 2017. Conquistámos também o 2º lugar na Taça de Lisboa.

Importante referir que os jogadores da equipa de futsal participam no Programa “Desporto é Companheiro” iniciado em novembro de 2018 e com a duração de 6 meses, ministrado por uma psicóloga do gabinete de intervenção clínica e psicológica do Companheiro. Este programa tem como principal objetivo o desenvolvimento de competências e habilidades psicológicas determinantes ao sucesso pessoal e desportivo dos participantes.

Margarida Ferreira

NATAL N`O COMPANHEIRO

No dia 20 de Dezembro realizou-se a FESTA DE NATAL d’O Companheiro!

Para os mais novos e os mais crescidos … houve atividades para todos os gostos! Com muita música e dança, começamos com a divertida atuação da Tuna do IADE seguida da participação do Elvis Pereira e da Jaciara que nos encantaram com músicas da sua autoria e que nos emocionaram com o carinho de pai e filha. Antes do lanche ainda tivemos uma aula de ritmos latinos com o professor Gil que meteu a dançar miúdos e graúdos!

Acabamos a nossa festa com a entrega de presentes às nossas crianças pelo PAI NATAL e os seus duendes, acompanhados pela atuação da Tuna da Europeia.

Ainda nesse dia, não podíamos deixar de referir o momento de entrega do Louvor do Presidente da República, pela pessoa do Dr. Gonçalo Santos da Associação CAIS, ao Gerson Fernandes que esteve a representar Portugal na Seleção Nacional de Futebol de Rua que este ano jogou no México. Fica o nosso agradecimento por vestir a camisola d’O Companheiro num evento tão importante!

Foi uma festa cheia de carinho e a pensar em todos os que fazem parte desta grande família!

Mas, não é tudo!!

O Natal d’O Companheiro não terminou por aqui! No dia 22, como não podia deixar de ser, fomos ao circo com as nossas crianças!! Este ano, com o apoio da JUVELEO, fomos assistir ao Circo Chen! Foi uma tarde muito bem passada e cheia de doces e brincadeiras!

Mas desengane-se se pensava que o Natal tinha acabado aqui!

N’O Companheiro é Natal todo o ano e no dia 24 ainda tivemos o nosso almoço de família com a equipa e residentes da Instituição. Como não podia deixar de ser, começamos com o bacalhau para o almoço e acabamos com entrega de presentes e cabazes doados pela Tranquilidade Seguros. Contamos ainda com a atuação musical do Pedro Magalhães que meteu a cantar toda a gente e que animou, ainda mais, a nossa tarde.

Obrigado a todos aqueles que continuam a ajudar-nos a tornar o Natal das nossas famílias ainda mais felizes!

Para o ano há mais! OH OH OH OH

Vera Rodrigues

DIREITOS FUNDAMENTAIS E VOLUNTARIADO

Andava-se na década de 1830, quando o aristocrata francês Alexis de Tocqueville foi incumbido de realizar um périplo pela nova nação chamada Estados Unidos da América para analisar o seu sistema prisional e ver que sugestões poderia trazer para a Europa.

O principal resultado da viagem de Tocqueville não foi o relatório prisional, mas sim o texto que redundou no seu famoso livro " A Democracia na América". Nessa obra fazia uma apurada descrição analítica da vida política, económica e social no jovem país.

Um dos aspectos essenciais do espírito americano era o individualismo e o apego aos direitos fundamentais. E é neste ponto que a análise de Tocqueville permite fazer a ponte para o papel do Companheiro. Afirmava o francês que era através da associação voluntária de pessoas para fins mútuos que os americanos eram capazes de superar os desejos egoístas, criando uma comunidade política consciente e activa e uma sociedade civil vibrante.

Quer isto dizer que é através do voluntariado em que várias pessoas se juntam para promover o bem-comum que melhor se cria uma sociedade justa que defenda e proteja os direitos fundamentais. Não basta ficar à espera do Estado, que não pode prover a tudo, nem dos indivíduos sozinhos que não conseguem concretizar a maior parte das suas intenções. Entre o indivíduo e o Estado existiam nos EUA inúmeras associações de voluntários que davam a necessária densidade à vida social e resolviam inúmeros dos problemas da comunidade. Era este espírito solidário e de uma sociedade civil activa que Tocqueville via nos Estados Unidos e queria trazer para a Europa.

É este o conceito que no Gabinete de Direitos e Deveres Fundamentais do Companheiro procuramos desenvolver. É na nossa acção conjunta realizando o mais possível pelo outro e atendendo intensamente ao pulsar da sociedade, e à integração de cada um nesta, que realizaremos melhor os nossos objectivos. Portanto, adoptamos uma abordagem holística, não estritamente legalista dos problemas, procurando sempre o enquadramento circunstancial e a solução prática proveniente, sempre que possível, do funcionamento da sociedade em rede. Sabemos que esperar ou contar com as várias instituições formais e burocráticas, a maior parte das vezes, não resolve os problemas, e as violações de direitos permanecem. É nas organizações voluntárias da sociedade civil que estarão as respostas mais rápidas e eficientes no curto-prazo.

Rui Verde

Ficha técnica

Companheiro-Newsletter do Companheiro IPSS

Diretor: José de Almeida Brites

Editor: Rui Verde

Chefe de Redação: Guiomar Rainho

Periodicidade: Trimestral

Número 4-Edição Março 2019

Created By
Rui Verde
Appreciate

Credits:

Created with an image by Angel Origgi - "Salvation Mountain"

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