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COMPANHEIRO N.º 2- Setembro 2018-Newsletter TRIMESTRAL

NOTA DE ABERTURA

VIII Jornadas d´ O Companheiro, “Percursos em Liberdade: Aprender a Envelhecer”

O envelhecimento e o desenvolvimento da pessoa necessitam, cada vez mais, de uma abordagem integrada e (re)abilitadora. Apenas uma abordagem integrada entre a pessoa, a ecologia e o social pode assegurar que os mesmos sejam auspiciosos na forma responsável, efetiva e equitativa das suas vivencias e mendicâncias.

Como o mundo real tem problemas mais complexos do que aqueles que se podem encontrar num jogo online ou de tabuleiro, a nossa visão tem que ser mais abrangente: inspirada no cérebro humano, temos que ser capazes de desenvolver soluções, criar um conjunto de algoritmos flexíveis capazes de aprender a dominar tarefas em múltiplos campos. O que sabemos sobre o envelhecer?

Com o propósito de fortalecer o diálogo e o conhecimento sobre esta realidade associada à (re)inserção de reclusos e ex-reclusos idosos, realizar-se-á as VIII Jornadas d´O Companheiro intituladas Percursos em Liberdade. Aprender a Envelhecer, no dia 03 de outubro de 2018, no auditório Carlos do Carmo em Lagoa, no Algarve.

À semelhança das edições anteriores, o objetivo destas jornadas é o de reunir técnicos de áreas de especialidade da justiça e de diferentes inserções institucionais visando a integração da pessoa idosa durante e no pós-reclusão.

A nossa expectativa é que a mesma capacidade de promover e adquirir conhecimento possa ser aplicado à resolução de problemas reais que envolvam o reconhecimento de padrões complexos, o planeamento a longo prazo e a tomada de decisão.

Pretende-se estimular a participação de estudantes de graduação e pós-graduação, permitindo-lhes o conhecimento efetivo das metodologias de atuação em Portugal, na prisão e na comunidade.

Pelo quarto ano consecutivo, iremos promover as Jornadas d´O Companheiro na cidade de Lagoa, no Algarve. Desde a primeira hora que sentimos o carinho, a amizade e o querer fazer desta edilidade. Será portanto um enorme desafio que esperamos alcançar, que seja profícuo e estimulante no saber fazer.

Convidamos todos a participarem nestas VIII Jornadas d´O Companheiro, com o seu contributo para a afirmação de práticas sociais mais inclusivas e integradoras no saber envelhecer.

O presidente da Comissão Organizadora

José de Almeida Brites

SUMÁRIO DESTA EDIÇÃO

  • Nota de abertura (José de Almeida Brites, Director d`O Companheiro)
  • O estrangeiro que se tornou português (Guiomar Rainho)
  • Formação profissional para reclusos (Helena Baron)
  • Aprender A Ser Feliz. Um Ensaio de Psicologia Positiva Em Contexto Prisional (Américo Baptista )
  • Torneio Nacional de Futebol de Rua (Margarida Ferreira)
  • Gabinete Sul em ação – Lagoa, Algarve (Cláudia Estorrado)
  • A correlação entre comportamento delinquente e consumos ativos de substâncias psicoativas (Carlos Filipe-Saraiva)
  • Um sonho quase realidade (Cláudia Parente)
  • A verdadeira riqueza está no capital humano (Vanda Franco Simão)
  • Férias ativas (Ana Rita Rodrigues)
  • O Estado de Direito e o Companheiro (Rui Verde)
  • Ficha Técnica

O estrangeiro que se tornou português

Impõe-se falar sobre Hermano Nicolau Maria Lambers, um holandês que chega a Portugal nos anos 60, em plena Ditadura.

Este holandês entende que a sua missão tinha que ser cumprida em Portugal. Este estrangeiro veio, ficou e, entre outros, cumpriu um sonho. O estrangeiro que se tornou português.

Falar do Pe. Dâmaso é falar d’O Companheiro.

O Companheiro é o sonho do Pe. Dâmaso, seu fundador, que se cumpre todos os dias.

Esta Instituição cresceu sendo outras coisas, fazendo outras coisas, mas nasceu orientando-se para as pessoas que são a sua origem e os seus destinatários. É assim que o Pe Dâmaso quer.

Numa época em que os valores humanos estão em queda livre e o culto do “Eu” em franca ascensão, torna-se imperiosa a reflexão: que Mundo temos, que Mundo pretendemos.

O Companheiro tem uma história resultante de uma construção permanente e ininterrupta daqueles que acreditam que a força do conjunto é mais do que soma de interesses individuais, crença que o seu Mentor nos passa.

Na continuada acção de edificação há que consolidar o legado e alicerçar o futuro com solidez, mas sem abandonar o lado quixotesco, que permite enfrentar a dureza de alguns obstáculos: “Pelo Sonho é que Vamos” (Sebastião da Gama)

Fraternidade (do latim frater, que significa `irmão`). Solidariedade (significa “responsabilidade mútua”). Inclusão (o acto de incluir e acrescentar, ou seja, adicionar coisas ou pessoas em grupos e núcleos que antes não faziam parte.); estas palavras ganharam nova dimensão desde que conheço o Pe. Dâmaso e já lá vão 30 anos!

Temo que, para muitos, se tenham perdido nos discursos “politicamente correctos”.

Muito já se escreveu sobre o Pe. Dâmaso mas eu, que tenho o privilégio de o ter na minha vida há 30 anos não sou capaz. Não há palavras que lhe façam jus.

Nunca pensarei nele como se já tivesse partido. Falo nele no presente, pois só assim faz sentido.

Fica a promessa, meu grande e doce amigo das horas mais felizes e infelizes da minha vida:

(…)Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo

que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,

com a mesma alegria,

ao que desconhecemos

e ao que é do dia a dia.(…)

(Sebastião da Gama)

E não se esqueçam, caros leitores : sonhem.

Guiomar Rainho

Formação Profissional para reclusos

Cofinanciado pelo Programa Operacional de Inclusão Social e Emprego, Portugal 2020 e Fundo Social Europeu, O Companheiro IPSS ministrou, entre 16 de maio e 3 de setembro de 2018, 200 horas de formação profissional em Desenvolvimento Pessoal e 150h em Informática a 20 pessoas reclusas no Estabelecimento Prisional Regional de Leiria.

Foram 350 horas de Capacitação para a Inclusão, com 100% dos formandos certificados e um elevado grau de satisfação por parte de toda a equipa envolvida.

Helena Baron

Aprender A Ser Feliz. Um Ensaio de Psicologia Positiva Em Contexto Prisional

A experiência de estar preso tem aspectos que abalam profundamente a identidade do indivíduo. Para além de estar obrigatoriamente fisicamente confinado e afastado das pessoas que, habitualmente, fornecem suporte social, implica riscos aumentados de poder ser sujeito a violência por parte dos companheiros e do desenvolvimento de diversas formas de psicopatologia, comportamentos auto-lesivos, tentativas de suicídio, perturbações de ansiedade e de depressão.

Outra questão fundamental é que os modelos ou as pessoas com que se interage nas instituições prisionais são, principalmente, outras pessoas que cometeram delitos. É assim de esperar que o preso esteja exposto a modelos expressem por excesso emoções negativas, cólera e hostilidade, e que tenham grandes dificuldades de regulação dos impulsos e comportamento. Assim, o que deveria ser uma instituição reabilitação, com exposição predominante a modelos socialmente adequados, tanto do ponto de vista emocional como comportamental, tem as condições para ser num ambiente que reforce ou torne crónicas as condições que levaram originalmente a cometer o delito e à condenação

Tendo como objectivo modificar este ambiente prisional O Companheiro desenvolveu um programa designado por “Aprender A Ser Feliz”. Este é composto por 3 passos. O primeiro passo ensina os participantes a concentrarem a sua atenção nos aspectos mais positivos da sua vida quotidiana. Isto é feito com ajuda de uma escala que varia de 0, que quer dizer “Nada Feliz”, a 10, que quer dizer “Muito Feliz”, designada por Termómetro da Felicidade. No segundo passo são exaustivamente discutidas 24 qualidades (a criatividade, a curiosidade, o julgamento e o pensamento crítico, o gostar de aprender, a perspectiva e sabedoria, a bravura e a coragem, a perseverança, a honestidade, a vitalidade, o amor, a bondade, a inteligência social, o trabalho em equipa, a equidade, o perdão e a misericórdia, a humildade e a modéstia, a prudência, a auto-regulação, apreciar a beleza e a excelência, a gratidão, a esperança, o humor, e a espiritualidade e o sentido de significado) agrupadas em 6 virtudes (sabedoria, coragem, humanidade, justiça, temperança e transcendência), que permitem viver uma vida feliz, com significado e realizada. Finalmente o programa é concluído com a apresentação e discussão do Princípio da Maior Felicidade, em que todos os participantes são encorajados a envolverem-se activamente na promoção da felicidade das outras pessoas.

A primeira aplicação deste programa decorreu no Estabelecimento Prisional Regional de Leiria durante 4 dias com 20 participantes. Os resultados são considerados positivos pelos comentários efectuados pelos participantes na avaliação final do programa, sem o formador estar presente. Este optimismo deve ser temperado por dois aspectos fundamentais a considerar neste contexto. Se a participação no programa deu origem, a curto prazo, a um comportamento mais adequado e mais prossocial. A longo prazo, se provocou uma menor taxa de recidivas no comportamento delinquente e a estar mais capacitado para levar uma vida mais feliz, realizada e com significado.

Américo Baptista

Torneio Nacional de Futebol de Rua

O Futebol de rua é a modalidade mais importante e primordial da prática desportiva da nossa Associação.

Em 2011, iniciámos a nossa participação no Campeonato de Futebol de Rua e desde 2013 somos promotores distritais desta modalidade em Lisboa.

Esta participação, já promoveu a ida de 5 atletas do projeto em representação da Seleção Nacional de Futebol de Rua, no Homeless World Cup e este ano proporcionou a mais um jovem a participação na Fifa Foundation Festival realizado na Rússia. Através deste projeto 5 participantes tiveram oportunidade de realizar o curso de arbitragem de futebol de rua.

Entre os dias 11 e 15 de julho fomos representar a cidade de Lisboa a Braga no Torneio Nacional de Futebol de Rua, com a seleção de oito jogadores do nosso distrito, provenientes de quatro Instituições. De entre 18 equipas, alcançámos o 5º lugar na competição, para além do coração repleto de novas emoções, experiências e amizades.

“E Prontos…

Cheguei ao fim da longa caminhada como jogador de Futebol de Rua. Três anos de excelência, três anos de experiências únicas, momentos únicos, momentos que ficaram gravados na minha memoria eternamente.

Ao fim de três anos deitei lagrimas foras não de tristeza, mas sim alegria, pois fiz parte desta grandioza família. Obrigada por tudo (apesar de um simples obrigado ser pouco) que continuem a fazer como o fazem por da maneira que mudaram minha vida e me fizeram ser o que sou agr iram faze los cm futuras gerações.”

(Gerson Fernandes- Jogador da equipa do Companheiro, 2018)

Margarida Ferreira

Gabinete Sul em ação – Lagoa, Algarve

No que diz respeito ao trabalho que o Companheiro desenvolve a Sul, este prende-se essencialmente com o acompanhamento psicossocial que é necessário desenvolver na área do pós-reclusão e reintegração da população ex-reclusa e reclusa nesta zona do país.

Recebemos encaminhamentos de várias entidades, nomeadamente a DGRSP, a Segurança Social, algumas instituições que desenvolvem o seu trabalho na área social, Hospital e Estabelecimentos Prisionais. É realizado um atendimento inicial no sentido de compreender um pouco melhor as necessidades e recursos da pessoa em questão e se necessário encaminhar para outra resposta que seja mais adequada para cada situação.

Muitos dos clientes que atendemos a Sul, chegam até nós para cumprir uma medida decretada pelo Tribunal. Desta forma, cumprem o acompanhamento psicológico e/ou a integração num dos Programas Psicoeducativos da Escola Social d’O Companheiro. Também, se necessário ajudamos na procura de emprego ou outras diligências com vista à melhoria da qualidade de vida e à promoção do bem-estar.

Realizamos atendimentos nos Estabelecimentos Prisionais a Sul do país, nomeadamente em Faro, Olhão e Silves (quando necessário) e também promovemos ações de informação e divulgação dos serviços d’O Companheiro.

Pelo quarto ano consecutivo, realizam-se a Sul, em Lagoa, as Jornadas d’O Companheiro cujo objetivo é o de reunir técnicos de áreas de especialidade da justiça e de diferentes inserções institucionais visando a integração da pessoa durante e na pós-reclusão. Desta forma, no Gabinete Sul estamos a preparar este evento, com a temática “Percursos em Liberdade: Aprender a Envelhecer”. Será um momento privilegiado de partilha de conhecimentos e de reflexão, com palestrantes de várias áreas que certamente nos brindarão com excelentes comunicações.

Cláudia Estorrado

A correlação entre comportamento delinquente e consumos ativos de substâncias psicoativas

A correlação entre comportamento delinquente e consumos ativos de substâncias psicoativas encontra-se bem documentada na literatura científica, a nível mundial.

Evidências entre a existência de consumos e a sua associação com comportamentos desviantes como por exemplo;

Homicídios, suicídios, crimes de natureza sexual, violência doméstica, etc. (Laranjeira, Duailibi & Pinsky, 2005; Moraes, 2001; Tavares, 2008), é inegável.

O National Center on Addiction and Substance Abuse (NCASA, 1998), revelou a existência de prevalência superior do historial de consumos psicoativos na população em reclusão e ex-reclusa, comparativamente à restante população.

A situação nacional, não é exceção à regra. Os resultados do Inquérito Nacional sobre Comportamentos Aditivos em Meio Prisional – INCAMP, 2014, Cit in SICAD, 2015) revelaram que a população reclusa apresentou prevalências superiores dos consumos de substâncias psicoativas, especificamente 69% dos indivíduos já consumiram ao longo da vida e 47,9% durante o período de reclusão, comparativamente à restante população.

Complementando a informação exposta, a nível nacional, existe interligação entre consumos e comportamento criminal, visto que 42% dos indivíduos em reclusão confessaram estarem sobre o efeito de substâncias psicoativas, na altura do cometimento de atos criminais que causaram a detenção atual (SICAD, 2015).

Estes dados, em tudo similares aos dos países europeus o que se constata na seguinte citação do Observatório Europeu de Droga e Toxicodependência (OEDT);

“Os consumidores de droga representam uma parcela considerável da população prisional e são desproporcionalmente afetados por problemas de saúde e sociais relacionados com o consumo de droga” (OEDT, 2012, p. 38).

Assim, é prioritário a existência de uma intervenção preventiva e de minimização e danos, para prevenir as consequências nefastas do abuso/dependência de substâncias psicoativas, a vários níveis, mas que de forma geral afetam a inserção adequada e saudável em meio social, livre.

É deste modo, que no Companheiro, em 2017 foram criadas respostas ao nível de programas de prevenção (secundário e quaternário) do consumo das substâncias psicoativas, a saber;

i) Programa de prevenção secundária indicada do consumo de substâncias psicoativas;

ii) Programa de prevenção terciária/quaternária de redução do consumo de canabinóides.

Os objetivos são claros, trabalhar a prevenção. Para que seja possível;

“…evitar um dano antes que este aconteça. A prevenção de consumos visa evitar que (…) consumam, ou no caso de já terem iniciado, evitar que se torne um problema de maior gravidade” (Filipe-Saraiva, 2016, p. 130).

Parafraseando o lema do Companheiro, “Para não haja homem excluído pelo homem”.

Através da prevenção, procuramos reforçar a inclusão de todos.

Carlos Filipe-Saraiva

A verdadeira riqueza está no capital humano

Um Bem-Haja à Equipa d’O Companheiro que todos os dias dá o seu contributo para

“…dignificar o Homem, não permitindo a perpetuação dos seus erros.”

No exercício das suas funções a Equipa d’O Companheiro tem presente que no seu “código genético” o trabalho realizado consagra valores, como a humanização, solidariedade, justiça, igualdades de oportunidades, competência, entre outros, que não podem dissociar-se da missão Institucional.

Desta forma, torna-se imperativo destacar o desempenho profissional de excelência, tanto na componente técnica como humana, realizado pelos profissionais que integram este projeto, fazendo dele uma verdadeira obra de solidariedade social:

“Para que não haja Homem excluído pelo Homem”.

Esta foi a frase escolhida pelo fundador da Associação O Companheiro, Reverendíssimo Padre Dâmaso, homem de fortes convicções, coração generoso e com uma imensa capacidade de amar o próximo, de forma a retratar a missão desta instituição. Esta tem sido rigorosamente respeitada por esta Equipa que tem como bússola orientadora, a convicção de que, desde que queiramos é possível fazer mais e melhor, no sentido de promover a inclusão psico-socio-laboral da população reclusa e ex-reclusa, sempre que estes, assim o desejem.

Competência, resiliência e humildade é a tríade que traduz as características das pessoas que fazem parte da Equipa Técnica d’O Companheiro.

A verdadeira riqueza está no capital humano!

São as pessoas que contribuem para continuarmos a:

“…semear sorrisos”

Vanda Franco Simão

Um sonho quase realidade

Um dos Sonhos quase, quase a tornar-se realidade…

Desde que cheguei a’O Companheiro sempre ouvi falar das novas instalações, daquelas com melhores condições e que seriam cedidas em breve, muito em breve.

E como os que antes cá chegaram também iam ouvindo o mesmo – “talvez para o ano” – diziam. Pois bem, em junho deste ano começaram as obras com à responsabilidade da Cunha e Barroso, Lda. e, mesmo não sabendo precisar a data, sabemos que o sonho está prestes a tornar-se realidade.

Mais que isso, conseguimos estabelecer uma parceria com a empresa, que nos permite integrar até 3 pessoas em atividade ocupacional, contribuindo assim para a reinserção social, pelo menos durante a duração da obra. Estejam atentos, em breve daremos notícias sobre a inauguração das novas instalações.

Cláudia Parente

Férias ativas

Entre 16 a 20 de julho iniciámos aquela que é a semana mais aguardada pelas crianças e jovens apoiadas no âmbito do Projeto “Práticas Educativas Positivas”: a semana das férias! O tempo em que a brincadeira e a diversão aliada ao conhecimento se tornam verdadeiros companheiros de viagem. Foram cinco dias repletos de atividades em que a aventura reinou durante a experiência de canoagem; o conhecimento sobre a região e os trabalhadores de Setúbal no Museu do Trabalho de Michel Giacometti; entre banhos e mergulhos na piscina ou como verdadeiros piratas na descoberta de um tesouro no Museu do Dinheiro. A felicidade e os sorrisos das nossas crianças demonstram o sucesso que foi esta semana!

Ana Rita Rodrigues

O Estado de Direito e o Companheiro

Estado de Direito é daquelas expressões tão abusadas, que acaba por ter um relevo insignificante. Contudo, uma das grandes conquistas da humanidade tem sido viver num governo de leis e não de pessoas. No momento em que o nosso futuro legal depende determinada pessoa e não da lei estamos perdidos, porque nunca sabemos o que nos espera. Como diziam alguns autores norte-americanos acerca das decisões judiciais:"-Tudo depende do que o juiz comeu ao pequeno-almoço". No entanto, a lei muitas vezes é algo de formal, frio, que necessita da intermediação humana para atingir os seus fins. Não se pode pensar que a lei resolve tudo, pelo que o adágio romano "Dura lex sed lex" (a lei é dura, mas é lei) também não é a melhor solução.

Há um caldeamento, e uma harmonia entre norma e pessoa que é necessária para existir um verdadeira Justiça, e desse modo um efectivo Estado de Direito.É nesse âmbito, de tornar o Estado de Direito em Estado de Direito Justo que entra o Companheiro. O Companheiro pretende que aqueles que foram condenados voltem a encontrar o seu caminho na sociedade. Uma pena de prisão definida num período de alguns anos não é uma pena vitalícia. Aquele que sofreu a pena tem que ter a segunda oportunidade da sua vida, acertando e não errando. É para propiciar essa segunda oportunidade que existe o Companheiro.

A consecução de um Estado de Direito implica uma segunda oportunidade para cada um, e o papel do Companheiro é ajudar a lançar essa via.

Rui Verde

Ficha técnica

Companheiro-Newsletter do Companheiro IPSS

Diretor: José de Almeida Brites

Editor: Rui Verde

Chefe de Redação: Guiomar Rainho

Periodicidade: Trimestral

Número 2-Setembro 2018

Created By
Rui Verde
Appreciate

Credits:

Created with images by Angel Origgi - "Salvation Mountain"

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