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COMPANHEIRO N.º1- Julho 2018-Newsletter TRIMESTRAL

NOTA DE ABERTURA

As nuvens tornam-nos sonhadores e convidam-nos a viagens maiores do que aquilo que conseguimos realizar

À partida, será uma newsletter, num estilo literário, numa obra histórica num processo humanístico, centrada no quotidiano d´ O Companheiro, mas mal se começa a lê-la percebe-se que é muito mais que o registo de várias estórias, é a história que se reinventou várias vezes e tem um papel fundamental no moldar do pensamento. É um contributo para a história do país, sobretudo, no pós reclusão, trazendo à luz do dia factos até agora pouco conhecidos, desde a prisão até ao meio livre.

Toda a literatura é abstracta, e mal faz se quiser imitar o concreto. “Sou optimista”, e acredito que o ser humano acaba sempre por encontrar uma solução aos seus problemas. Por aqui se verterá a imensurabilidade da vida humana. Vale a pena, afinal, voltar às origens da filosofia e ler o que disse Tales de Mileto, o primeiro dos filósofos, “o maior é o espaço porque dentro dele cabe tudo e o mais sábio é o tempo porque tudo revela.”

A pesquisa, a investigação da documentação e as entrevistas que fazem parte deste documento, procuram retratar o nosso dia a dia. Para quem conhece mal a história d´O Companheiro, o esclarecimento é dado passo a passo, sempre que a dúvida possa surgir. No fundo, ler esta newsletter é reflectir sobre a vida, e pensar que se tudo acontece por uma razão, muitas vezes não se percebe onde ela está.

José de Almeida Brites, Ph.D

Diretor d´O Companheiro, IPSS

SUMÁRIO DESTA EDIÇÃO

  • Nota de abertura (José de Almeida Brites,PhD, Director d`O Companheiro)
  • Palavras do Diretor-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (Dr. Celso Manata, Procurador-Geral Adjunto)
  • Assinatura do Protocolo com a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (Guiomar Rainho, Chefe de Redação)
  • A condenação de Ronaldo (Rui Verde, Editor)
  • Apresentação dos Gabinetes e Atividades do Companheiro (Verónica Leirião;Dulce Semedo; Catarina Abrantes;Cláudia Parente;Vera Rodrigues; Margarida Ferreira; Helena Baron; Cláudia Estorrado; Carlos-Filipe Saraiva)
  • Ficha Técnica

PALAVRAS DO DIRETOR-GERAL DE REINSERÇÃO E SERVIÇOS PRISIONAIS

No dia 8 de Junho de 2018 subscrevi, em representação da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e conjuntamente com o Sr. Dr. José Brites, um protocolo de cooperação com “O Companheiro”.

Antes de prosseguir devo dizer que já assinei muitas dezenas de protocolos pois considero que eles nos aproximam de outras instituições, permitem criar sinergias muito positivas e, já agora, consubstanciam um melhor aproveitamento dos escassos recursos disponíveis.

Contudo, o protocolo assinado com ”O Companheiro” teve, para mim, um sentido muito especial….

Desde logo porque se tratou de formalizar a renovação e alargamento de uma relação que já dura há muitos e bons anos. Com efeito, o meu primeiro contato com esta importante instituição ocorreu no início dos anos noventa, durante o meu primeiro mandato como Diretor Geral dos Serviços Prisionais, tendo tido por interlocutor o “nosso” saudoso Padre Dâmaso que, como todos sabem, era o capelão do EP do Linhó.

Logo nessa ocasião – e embora a área da reinserção competisse sobretudo a outra instituição – compreendi a imensa generosidade e altruísmo do Padre Dâmaso e das demais pessoas que corporizavam esse projeto que tanto reclusos e ex-reclusos ajudou a mudar de vida e a alcançarem a felicidade.

Decorridos mais de 20 anos e cabendo-me a tutela do novo serviço que desenvolve a sua atividade em todas as áreas relativas às pessoas a quem são aplicadas penas ou medidas (privativas ou não de liberdade), considero ainda mais importante esta relação.

Com efeito, para além do longo labor que vem desenvolvendo no apoio aos reclusos e ex-recluso, também no domínio das penas e medidas não privativas de liberdade o trabalho realizado por “O Companheiro” é cada vez mais significativo, o que para nós é muito relevante pois poderá evitar a indesejável a aplicação de uma pena de prisão.

Todo este projecto só é possível por esta instituição acreditar que a mudança na vida das pessoas é possível, desde que tenham o acompanhamento acertado e as oportunidades ajustadas às suas características e necessidades.

De destacar, finalmente, o esforço sério e comprometido que esta associação tem realizado no que concerne às respostas diferenciadas dirigidas a problemáticas criminais específicas, de cariz psicoeducativo, com vista à mudança cognitiva daqueles indivíduos que apresentam necessidades específicas de reabilitação, esforço este que, mais uma vez, está em total sintonia com a visão que a DGRSP defende há muito, de que a prevenção da reincidência e o combate à criminalidade só se consegue se lograrmos alterar no indivíduo as suas crenças, distorções e atitudes face a si e face aos outros, através de intervenções especializadas nas áreas da Psicologia e da Saúde Mental.

A DGRSP acompanha, por isso, com natural expetativa o potencial aprofundamento da articulação no âmbito de outros programas de intervenção, como sejam o “Programa de redução de consumo de canabinóides“ “Programa desporto é companheiro” ”Programa recompensa”.

Estas apenas algumas das razões que me levaram a iniciar estas breves linhas com palavras de grande júbilo pela renovação e reforço dos “votos” que nos unem a “O Companheiro”, estando profundamente convicto de que, desta forma, aumentaremos as oportunidades de futuro das pessoas que um dia tropeçaram no seu percurso mas que queremos que voltem a ser cidadãos ativos e úteis promovendo, no mesmo passo, uma sociedade mais justa e inclusiva.

Bem hajam !

Celso Manata

Diretor Geral de Reinserção e Serviços Prisionais

Procurador-Geral Adjunto

ASSINATURA DO PROTOCOLO COM A DIREÇÃO GERAL DE REINSERÇÃO E SERVIÇOS PRISIONAIS (DGRSP)

A 7 de Junho de 2018, foi assinado novo Protocolo de Cooperação entre a Direcção Geral de Reinserção Social e O Companheiro – Associação de Fraternidade Cristã, revalidando o longo e profícuo trabalho entre as partes, que visa a reinserção social.

Nos termos da alínea o) do artigo 3ª do Decreto-Lei nº215/2012 de 28 de Setembro, cabe à DGRSP “ conceber, executar ou participar em programas e acções de prevenção da criminalidade e contribuir para um maior envolvimento da comunidade na administração da justiça tutelar educativa e penal, através da cooperação com outras instituições públicas ou particulares e com cidadãos que prossigam objectivos de prevenção criminal e de reinserção social”

Cumprindo o sonho do Pe. Dâmaso, seu fundador, que desde 1987 O Companheiro tem como objectivo promover a inclusão de reclusos, ex-reclusos e suas famílias desenvolvendo um trabalho proficiente junto de destes, durante e no pós reclusão.

Neste evento estiveram presentes os Diretores dos Estabelecimentos Prisionais de Caxias, Monsanto, Policia Judiciária, Sintra, Leiria, Alcoentre, Silves, Faro e Portimão, bem como um representante do EP de Lisboa, além de Técnicos e Coordenadores das Equipas da DGRSP.

Alguns dos participantes tiveram, ainda, oportunidade de assistir pela primeira vez à apresentação da Escola Social, ministrada pelo Prof.Doutor Américo Baptista.

A importância de estabelecer e manter parcerias torna-se cada vez maior, pelo que a efectivação das mesmas implica identificar as necessidades que se desejam ver colmatadas.

Neste contexto, O Companheiro e a DGRSP propõem-se manter entre si as sinergias necessárias nos domínios que lhes sejam de interesse comum, designadamente na prossecução dos objectivos propostos, integrando a pluralidade de acções necessárias à concretização dos mesmos para a qual foi estabelecida.

De forma madura e transparente, quando ambos os lados deixam claras as suas necessidades e intenções, acabam por dar e fazer mais.

Para que mantenha o sucesso, esta intercooperação foi alvo de reflexão institucional, antes de se iniciar qualquer abordagem com a outra parte, com o intuito de promover o equilíbrio entre o que se dá e o que se recebe pois, além de garantir a produtividade, com parcerias de sucesso ficamos mais aptos a oferecer o melhor aos nossos clientes.

Numa parceria contar-se com o apoio de quem que comunga das mesmas ideias, torna o processo mais fácil, embora seja interessante e proveitosa a diferença. Na verdade, há questões fundamentais que precisam de estar em harmonia durante todo o processo para que o resultado supere as expectativas. Com objectivos e valores em comum, os restantes procedimentos decorrem com muito mais eficácia.

Os bons resultados de qualquer parceria dependem, não só das condições conjunturais, mas também, e sobretudo, da disponibilidade dos implicados para cooperarem entre si, acrescentando valor à aliança e fomentando confiança entre eles, bem como a consciência de que o objectivo a ser alcançado é , neste caso, a reinserção social.

Consolida-se um acordo de cooperação duradouro e proveitoso a partir do momento que existe o comprometimento por parte de todos os envolvidos em relação aos objectivos almejados conjuntamente.

Tais parcerias consistem, de um modo geral, em gerenciar relacionamentos de auxílio mútuo nos quais ambas as partes beneficiam, facilitando os desígnios a que se propõem.

A cooperação entre diferentes organizações, proporciona benefícios mútuos.

Assim, O Companheiro tem vindo, de forma persistente e consistente, a diligenciar estreitamento de relações com instituições públicas e privadas, no sentido de promover parcerias e protocolos que possibilitem aperfeiçoar, modernizar, cimentar e incrementar todo o trabalho feito ao longo destes 31 anos:

“PARA QUE NÃO HAJA HOMEM EXCLUÍDO PELO HOMEM”

Guiomar Rainho

(escrito sem o novo acordo ortográfico)

CRISTIANO RONALDO CONDENADO

Foi abundantemente noticiado que o Ministério Público espanhol e Cristiano Ronaldo terão chegado a um acordo para encerrar o processo criminal por fuga ao fisco que corria contra ele. Segundo esse acordo Ronaldo seria condenado a uma pena de prisão suspensa de dois anos e ao pagamento ao Estado espanhol da quantia de 18,8 milhões de euros.

Se Cristiano Ronaldo não pagar,ou não tivesse, os 18,8 milhões de euros, iria preso. Este sistema de “acordo” entre o Ministério Público e o arguido não existe em Portugal. É uma prática relativamente recente dos Estados Unidos que se tem espalhado por todo o mundo.

Em Portugal, na actual fase da lei, Cristiano Ronaldo teria que esperar (possivelmente alguns anos) para ver sair uma acusação contra si.Depois teria que estar no tribunal a defender-se e só de seguida haveria uma primeira decisão, que seria objecto de recurso. Já teria terminado a carreira quando o processo finalizasse.

Mas o importante da história da Cristiano Ronaldo não é o processo penal português e a sua comparação com o estrangeiro.

O importante é a atitude do jogador de futebol e as suas consequências como exemplo para a reinserção social e a percepção que a sociedade tem dos condenados. Os condenados sofrem duas condenações. A condenação da prisão, e a condenação social. Após a prisão fica-lhes difícil encontrar emprego, amigos, vida social e tudo o mais.

Cristiano Ronaldo no dia em que se conheceu a sua condenação (definitiva se vier a ser caucionada pelas autoridades judiciais espanholas) entrou em campo para jogar brilhantemente futebol e marcar três golos de mestre à Espanha, sendo aplaudido pela população portuguesa em peso. Todos se interessaram pela sua capacidade como pessoa e atleta e estiverem desinteressados pela sua condenação. Não houve estigma social.

É este exemplo de coragem e de tolerância social que Ronaldo transmite e deve ser estendido na sociedade portuguesa em relação aos ex-reclusos. Já cumpriram a sua pena, e por isso, a sua inserção na sociedade deve ser um facto e uma realidade.

Espera-se que a condenação de Cristiano Ronaldo, além de engordar os cofres do tesouro espanhol, sirva a causa da Reinserção Social em Portugal, sirva para tornar a sociedade portuguesa um espaço de tolerância e qualidade de vida.

Rui Verde

ESCOLA SOCIAL

A criação da Escola Social constitui uma experiência inovadora no seu funcionamento como rede de conhecimento partilhado para o combate à exclusão social, abandonando o tradicional institucionalismo. Visa criar uma estrutura modular, flexível, e com graus de formalização e desenvolvimento diferenciados.

Todas as atividades desenvolvidas no seu âmbito promovem uma cultura orientada pelos valores da cooperação, solidariedade, empatia e respeito pelos outros. Assim, a integração na comunidade de quem cometeu algum tipo de delito ou ofensa tem como base a avaliação dos fatores ou perfis que conduzem à reofensa, foco de toda a intervenção através dos programas psicoeducativos.

A nossa tarefa principal é prevenir a entrada em futuras trajetórias de desvio ou antissociais, retirar as pessoas que já as iniciaram e fornecer as competências psicológicas, emocionais, sociais e profissionais necessárias para a vida em sociedade. A Escola Social Companheiro adota firmemente a perspetiva que todas as pessoas merecem ser tratadas com dignidade e o respeito e serem-lhe dadas as condições para que possa desenvolver as suas qualidades e potenciais.

Nesta âmbito estão a ser aplicados vários programas psicoeducativos:

Programa de Métodos de Estudo

Objetivos:

- Promoção do sucesso escolar, a partir do desenvolvimento de competências que proporcionem uma melhor gestão e identificação de técnicas de estudo apropriadas, e uso de estratégias de aprendizagem que o impulsionem.

- Estimular a motivação para os estudos, mostrando a importância do envolvimento do próprio aluno na sua aprendizagem, por forma a reconhecerem a importância do estudo, e consequentemente impulsionando o prosseguimento dos mesmos.

Programa Uma Família com Futuro

Objetivos:

- Habilitar os pais na sua função parental promovendo práticas educativas positivas baseadas no melhor interessa da criança, assegurando desta forma o seu desenvolvimento. Pretende-se ainda fortalecer as relações familiares, aumentando o bem-estar e a qualidade de vida das famílias.

Programa Desporto é Companheiro

Objetivos:

- O Projeto Desporto é Companheiro pretende utilizar a atividade desportiva regular como ferramenta de capacitação, estando em consonância plena com os objetivos da Instituição O Companheiro: promover a inclusão psico-socio-laboral de pessoas que têm ou que tiveram problemas com a justiça e seus familiares.

Programa de redução e cessação de consumo de canabinóides

Objetivos:

- Promover o conhecimento das consequências decorrentes da ingestão de canabinóides;

-Identificar as crenças dos utentes respeitantes aos consumos e à intervenção em causa;

-Avaliar a manutenção da respetiva cessação sustentada.

Programa de Prevenção secundária de consumo de estupefacientes

Objetivos:

- Dirige-se a pessoas que tenham historial de consumo de substâncias ou que apresentem fatores de risco para o consumo, baseando-se em treino de competências, nomeadamente o autocontrolo e resolução de problemas.

Programa Custos e Benefícios da Agressividade

Objetivos:

- Diminuir a frequência, duração e intensidade da raiva e comportamentos associados.

- Programa Psicoeducativo dirigido a adultos com comportamentos violentos, visando-se a prevenção da recaída.

Programa Bem estar e Felicidade sénior

Objetivos:

- Melhorar a qualidade de vida e a felicidade das pessoas com mais de 60 anos

- Promover a prossocialidade, a empatia e as ligações com os outros

Programa de Violência Doméstica de filhos contra pais

Objetivos:

- Reduzir ou eliminar os comportamentos violentos exercidos sobre os progenitores;

- Promover a capacidade de regulação emocional;

- Promover a empatia;

- Quebrar o ciclo de violência;

Programa Crimes Sexuais (Ofensores Sexuais Adultos a Crianças e/ou Adolescentes; Ofensores Sexuais Adultos a Mulheres; Ofensores Sexuais Adolescentes)

Objetivos:

- Fornecer ao ofensor as competências, os valores, as atitudes e os comportamentos necessários para conseguir estabelecer esse tipo de vida, de modo a não causar qualquer tipo de dano ou mal-estar aos outros e a contribuir para a sua própria realização pessoal

- Diminuir ou eliminar os fatores de risco ou os défices psicológicos, emocionais e comportamentais, nomeadamente as fantasias, preferências e excitação sexual que sejam anómalas ou abusivas

Programa Recompensa (Intervenções assistidas por cães)

Objetivos:

-Desenvolvimento de competências, reforçando o sentimento de identidade pessoal e responsabilidade, através de atividades que combatam o isolamento e que melhorem a qualidade de vida dos que dele usufruem.

-Promover a mudança através da afirmação ativa, gerando modificações positivas;

-Promover a solidariedade e altruísmo;

-Estimular a empatia, a ligação ao outro e a prossocialidade.

Catarina Abrantes

FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Desde 2009 que O Companheiro é acreditado pela DGERT na promoção, desenvolvimento e execução de atividade formativa.

Em 2016, certificou-se pela DGERT para ministrar formação nas seguintes áreas:

 090 - Desenvolvimento Pessoal

 310 – Ciências Sociais e do Comportamento

 482 - Informática na Ótica do Utilizador

 543 – Materiais (e.g. Carpintaria)

Pela experiência adquirida ao longo de 31 anos, podemos afirmar que a formação profissional contribui para se derrubarem barreiras de estigmatização social e marginalização, garantindo que os/as reclusos/as, ex-reclusos/as e respetivas famílias não sejam excluídos/as do acesso aos deveres/direitos e recursos comuns a todos/as.

Acreditar nas capacidades destas pessoas, permite que deixem de ser ignoradas, tornando-se agentes ativos na vida económica e social da comunidade, derrubando a barreira da participação passiva.

Através de métodos participativos que posicionam os/as formandos/as no centro do processo de ensino-aprendizagem, reforça-se o seu envolvimento e motivação. Pretende-se, também, proporcionar novas aprendizagens ou solidificar e certificar conhecimentos já adquiridos, tal como desenvolver/reforçar competências (pessoais, sociais e laborais) que permitam a plena integração social e uma efetiva cidadania.

Objetivos

1) Promover a inclusão social;

2) Ativar o empoderamento dos/as clientes;

3) Estimular a componente cognitiva dos/as formandos/as;

4) Prevenir comportamentos desviantes;

5) Promover a integração laboral.

Helena Baron

GABINETE DE INTERVENÇÃO CLÍNICA E PSICOLÓGICA

O Gabinete de Intervenção Clínica e Psicológica d´O Companheiro é um serviço de acompanhamento e desenvolvimento psicológico que visa responder às necessidades dos clientes, procurando promover o seu bem-estar e qualidade de vida.

Dispõe de diversos serviços, com diferentes modalidades de intervenção, em função das especificidades do público-alvo, tendo por base ações reabilitadoras, preventivas e de desenvolvimento pessoal.

No âmbito de intervenção, destacamos a consulta psicológica individual, o acompanhamento psicossocial, a mediação familiar e a avaliação psicológica.

A intervenção do GICP, é baseada nos princípios gerais e específicos do Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Verónica Leirião

GABINETE DOS DIREITOS E DEVERES FUNDAMENTAIS

O Companheiro, IPSS, tem como objetivo principal a prevenção do crime pelo que, na prossecução desse objetivo, procura, em rede com as demais valências da instituição, apoiar os clientes incutindo-lhes valores de cidadania e de responsabilização na resolução de litígios pendentes, judiciais ou extrajudiciais.

Em sentido amplo, o Gabinete de Direitos e Deveres Fundamentais procura:

• Promover/ defender o Estado de Direito e os direitos, liberdades e garantias dos Clientes, nos termos da Constituição da República Portuguesa;

• Contribuir para a solidificação/ fortalecimento do estado de direito e para o desenvolvimento da cidadania do Cliente;

• Promover a inclusão;

• Reduzir as disparidades sociais e a reincidência criminal.

O GDDF disponibiliza aos Clientes serviços de aconselhamento jurídico de qualidade, gratuitos e confidenciais contando para o efeito com a preciosa colaboração e conhecimentos de Advogados e Juristas, em regime de voluntariado.

A pretensão deste gabinete é informar os Clientes de forma gratuita sobre as instituições onde poderão dirigir-se para exercerem os seus direitos e obterem a informação necessária sobre as diligências que deverão realizar no sentido de resolverem os seus conflitos e defenderem os seus interesses, seja através de informações ainda que de carácter genérico, como pelo apoio no preenchimento de impressos e/ou outras diligências que podem evitar graves prejuízos e eventual prescrição de direitos para o/a cidadão/ã.

O GDDF limita-se a prestar um serviço de:

 Informação;

 Aconselhamento;

 Encaminhamento inter e intrainstitucionais;

 Mediação em áreas diversificadas como o apoio na mediação de conflitos judiciais ou extra judiciais, nacionalidade, trabalho, segurança social, conservatórias, menores, acesso ao direito e aos tribunais.

Dulce Semedo

GABINETE DE INTERVENÇÃO SOCIAL

O GIS tem como objetivos o acolhimento, triagem, acompanhamento social e encaminhamento intra e inter institucional de reclusos, ex reclusos e suas famílias.

É um serviço preparado para desenvolver processos de intervenção social assentes em competências como a articulação, a negociação, a interação institucional permanente e a mediação entre serviços e cidadãos, que se impõem pela necessidade de potenciar capacidades e recursos.

A par disto é responsável pelo funcionamento e acompanhamento de clientes apoiados pelas valências da Instituição:

 Banco de roupa - distribuição de roupa e calçado, gratuitamente, a população carenciada;

 Cantina Social - distribuição de refeições confecionadas ao almoço e jantar, diariamente;

 Banco Alimentar- distribuição de cabazes mensais com alimentos provenientes do Banco Alimentar Contra a Fome, tendo em consideração a constituição e necessidades do agregado.

É, ainda, da responsabilidade deste Gabinete o acompanhamento social :

• Residentes, ao nível da elaboração e monotorização do seu Plano Individual de inclusão;

• Reclusos em gozo de Licenças de Saída de Curta ou Longa duração, na preparação para um eventual apoio após libertação;

• Cliente com Medidas Alternativas à Pena de Prisão, como por exemplo no cumprimento das horas de trabalho a favor da Instituição.

Práticas Educativas Positivas

Este projeto, que surge em 2013, visa habilitar os pais na sua função parental, centrando-se na identificação e sistematização de estratégias psicossociais, e o desenvolvimento social, escolar e pessoal de crianças e jovens.

Neste âmbito foram criados os seguintes serviços:

- Acompanhamento de estudo: espaço destinado para a elaboração de trabalhos escolares e estudo acompanhado para avaliações;

- Atelier “De pequenino se traça o destino”: atividades lúdicas e educativas realizadas mensalmente, que têm como propósito estimular a criatividade e proporcionar aos participantes momentos de lazer que promovam a sua participação, assiduidade e relacionamentos interpessoais;

- Acompanhamento psicopedagógico: realizado por psicólogos que acompanham a situação escolar, social e familiar, trabalhando competências e comportamentos.

Por termos a convicção que o trabalho em parceria com as escolas é uma mais valia para as crianças e jovens que acompanhamos, mantemos contato regular com diretores de turma e professores.

Através dos programas da Escola Social, nomeadamente o programa de “Métodos de Estudo” e “Uma família com futuro – Parentalidade Positiva” tornou-se possível complementar o trabalho realizado com estas crianças e jovens bem como os seus educadores.

Recentemente foi, ainda, possível realizar uma parceria que proporcionou a alguns jovens o contato com um desporto considerado de elite, o hipismo, e que muito tem contribuído para a melhoria e aquisição de competências. O mesmo podemos referir relativamente ao Projeto Desporto Mexe Comigo, da responsabilidade do GAFD, e que tem tido efeitos muito positivos no que se refere ao comportamento, estabelecimento de relações interpessoais e melhoria da atenção e concentração.

Vera Rodrigues

GABINETE DE EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO E EMPREGABILIDADE

Depois da triagem realizada pelo Gabinete de Intervenção Social (GIS), o GEFE avalia as motivações e expectativas dos clientes, tendo como principal objetivo a inclusão da pessoa no meio laboral, formativo e educacional. Considerando a educação e formação, este Gabinete desenvolve formação adequada para os técnicos e clientes, e realiza o encaminhamento para entidades externas. Relativamente à empregabilidade destacam-se dois pontos:

 apoio à procura de emprego

 integração em atividade ocupacional.

A Procura Ativa de Emprego (PAE) ocorre diariamente, mas com acompanhamento mais individualizado duas vezes por semana, às terças e as quintas, preferencialmente, no período da manhã. Aqui os clientes são apoiados na criação do currículo, carta de apresentação, pesquisa de ofertas de emprego e candidatura às mesmas.

Os protocolos de atividade ocupacional, consistem em Parcerias com entidades públicas e privadas, com vista à colocação de clientes desempregados (e à procura de emprego), em atividades que possam desenvolver as suas competências, hábitos e rotinas laborais, de forma a melhorar as suas possibilidades de integração no mercado de trabalho.

Cláudia Parente

GABINETE DE ATIVIDADE FÍSICA E DESPORTO

O Gabinete de Atividade Física e Desporto inclui o Projeto Desporto é Companheiro em vigor desde 2012, e está integrado no mais recente projeto da Escola Social do Companheiro. Este emerge da reflexão de que a atividade física e desportiva se constitui como um direito humano fundamental, e deve estar compreendida na integração de programas e políticas inclusivas que permitam extinguir a desigualdade, o estereótipo e a exclusão de género na vida societária, procurando assim mediatizar as questões sociais e criar uma imagem positiva dos grupos habitualmente estigmatizados.

Assim, o projeto pretende utilizar a atividade desportiva regular como ferramenta de trabalho, estando em consonância plena com os objetivos d’ O Companheiro, nomeadamente promover a inclusão psico-socio-laboral de pessoas que têm ou que tiveram problemas com a justiça e seus familiares.

Dispomos de uma equipa de Futebol de Rua, a qual, ao longo dos últimos anos, tem regularmente participado em diversos torneios desta modalidade, obtendo excelentes resultados.

O treino de futebol de rua é considerado como um processo formativo, atendendo às faixas etárias existentes (a partir dos 7 anos), respeitando a individualidade do atleta e não simplesmente impondo-lhe tarefas a serem assimiladas e repetidas, proporcionando momentos de descontração e alegria, revelando novos horizontes de participação e de crescimentos humano de cada jogador.

Em novembro de 2017, criámos uma equipa de futsal sénior, com a qual participamos com sucesso em vários torneios.

Para os mais novos, o Projeto Desporto Mexe Comigo (6 aos 22 anos), para além do Futebol de Rua, proporciona também atividades como a Natação, Jiu-Jitsu, Surf, Dança e Educação Física.

Margarida Ferreira

GABINETES REGIONAIS

Gabinete Sul

O Gabinete Sul d’O Companheiro existe desde maio de 2017, através de um protocolo com a Câmara Municipal de Lagoa (do Algarve), sediado na Unidade de Ação Social e Saúde. No Gabinete Sul colabora uma técnica (com formação em Psicologia) que articula com as mais diversas entidades e instituições, no sentido de levar a cabo a missão d’O Companheiro “Para que não haja Homem excluído pelo Homem”.

Para além do acompanhamento psicológico que é efetuado a sul do território nacional, a técnica do Gabinete Sul, pode deslocar-se aos Estabelecimentos Prisionais (nomeadamente de Faro, Olhão e Silves), para proceder a uma avaliação psicológica, no sentido de emitir um parecer técnico, no caso de haver um pedido de integração na residência masculina (em Lisboa) e preparar um plano de inclusão, caso seja solicitado.

No âmbito dos programas Psicoeducativos da Escola Social, são recebidos pelo Gabinete Sul, clientes que encaminhados por diversas entidades, veêm cumprir as medidas decretadas pelos Tribunais, entre eles Programa de Competências Parentais Positivas, Custos e Benefícios da Agressividade e Prevenção de Violência Filioparental.

São realizadas pelo Gabinete Sul, diversas ações de divulgação dos serviços d’O Companheiro, nomeadamente nas reuniões do CLAS de Lagoa (Conselho Local de Ação Social) e Rede Social para que o maior número possível de instituições e entidades da região tenham conhecimento do trabalho desenvolvido pela associação.

Destas sinergias, resultam as mais diversas articulações e encaminhamentos que vão desde a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, às Equipas Multidisciplinares de Assessoria ao Tribunal, Equipas Técnicas Especializadas de Tratamento e Prevenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências, ao próprio Tribunal, Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, entre outras, com o objetivo de prevenir comportamentos desviantes e que cumpram as medidas decretadas pelos Tribunais.

Cláudia Estorrado

Gabinete do Norte

Em 2017, O Companheiro convidou-me para o que era, um dos objetivos da instituição, solidificar a sua atividade na região norte, com a criação de um espaço físico.

E, como disse Lao Tse, “Qualquer jornada de mil milha começa com o primeiro passo”.

Foi este o mote de partida para esta jornada. Os objetivos eram claros:

-Abranger os indivíduos reclusos e ex-reclusos da região norte do País num apoio constante e consistente para alcançar o objetivo de fundo da instituição:

-Prevenir a reincidência criminal, através da reabilitação de reclusos e ex-reclusos para evitar a rotulagem arbitrária e sobre generalizada dos mesmos.

Abrangendo assim a missão da instituição;

“Para que não haja Homem excluído pelo Homem”

(Sua Santidade, Papa João Paulo II).

Mãos à obra e o projeto torna-se real em 2018, com o acordo protocolado entre O Companheiro e o Sr. Padre Mário Henriques, pároco de Ramalde, com a cedência de um espaço físico da paróquia, para a realização de grupos psicoterapêuticos integrados na Escola Social d`O Companheiro, adaptados às necessidades específicas da comunidade envolvente.

Para além desta valência, o protocolo abrange um gabinete de atendimento psicossocial.

Carlos Filipe-Saraiva.

Gabinete Centro

Atendendo a que O Companheiro atua a nível nacional, articulando, entre outros,com os Estabelecimentos Prisionais da zona Centro, constatou a necessidade de abrir um gabinete naquela região.

Assim, em 2017, estabeleceu um protocolo com a Câmara Municipal de Leiria que disponibilizou um espaço para que O Companheiro realize acompanhamento psicossocial ou reuniões com entidades parceiras.

Para além destas respostas, encontramo-nos atualmente a ministrar formação profissional para os reclusos do Estabelecimento Prisional Regional de Leiria, cofinanciados pelo Programa Operacional Inclusão Social e Emprego.

Helena Baron

Ficha técnica

Companheiro-Newsletter do Companheiro IPSS

Diretor: José de Almeida Brites

Editor: Rui Verde

Chefe de Redação: Guiomar Rainho

Periodicidade: Trimestral

Número 1-Julho 2018

Created By
Rui Verde
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Credits:

Created with images by Angel Origgi - "Salvation Mountain" • gunthersimmermacher - "cristiano ronaldo world cup 2010 portugal football"

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