Métodos e Tipos de Pesquisa Autor Conteudista: Eriberto Carvalho

Módulo 1

O QUE É ARGUMENTAÇÃO

A argumentação pode ser definida como uma organização discursiva com características próprias que a diferenciam de outros modos de organização do discurso, como a narração, a descrição e a explicação.

Dentre suas características principais, a argumentação inclui a negociação de argumentos a favor e contrários a um ponto de vista, objetivando chegar a uma conclusão. Argumentar significa refletir sobre o que era objeto de certeza do pensamento ao ser destacado o que é submetido a debate.

Argumentação é manipulação do pensamento correto em fase a um determinado objetivo.

Até agora, a argumentação foi abordada na sua condição de processo, no caso, discursivo; porém o termo argumentação também se refere a um campo interdisciplinar de pesquisa no qual convergem áreas tais como a filosofia, a linguística, a psicologia e as ciências da educação.

Isto é, argumentação seria conversar, debater o assunto

PARA QUE SERVE O METODO CIENTIFICO

O método científico refere-se a um aglomerado de regras básicas de como deve ser o procedimento a fim de produzir conhecimento científico, quer um novo conhecimento, quer uma correção (evolução) ou um aumento na área de incidência de conhecimentos anteriormente existentes. Na maioria das disciplinas científicas consiste em juntar evidências empíricas verificáveis baseadas na observação sistemática e controlada, geralmente resultantes de experiências ou pesquisa de campo - e analisá-las com o uso da lógica. Para muitos autores o método científico nada mais é do que a lógica aplicada à ciência.

Metodologia científica literalmente refere-se ao estudo dos pormenores dos métodos empregados em cada área científica específica, e em essência dos passos comuns a todos estes métodos, ou seja, do método da ciência em sua forma geral, que se supõe universal. Embora procedimentos variem de uma área da ciência para outra (as disciplinas científicas), diferenciadas por seus distintos objetos de estudo, consegue-se determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros métodos encontrados em áreas não científicas, a citarem-se os presentes na filosofia, na matemática e mesmo nas religiões.

CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS

Indutivo

Método Indutivo (Empiristas: Bacon, Hobbes, Locke, Hume)

Indução – processo mental que parte de dados particulares constatados para inferir-se uma verdade geral ou universal não contida na parte analisada. Primeiro os fatos a observar, depois hipóteses a confirmar. Consiste na observação sistemática da sucessão de fatos da realidade, resultando na explicação do fenômeno. Assim, parte do particular para o geral. Formula leis gerais com base em casos particulares. É o empirismo (fundamentado exclusivamente na experiência, sem levar em consideração princípios preestabelecidos).

Considere o exemplo:

Antônio é mortal. Benedito é mortal. Carlos é mortal. Ora, Antônio, Benedito, Carlos são homens. Logo, (todos) os homens são mortais.

Dedutivo

Dedução – difere do indutivo por apresentar premissas verdadeiras e por toda a informação já estar, pelo menos implicitamente, nas premissas. Os fenômenos não podem ser explicados sem uma teoria geral ou no mínimo um modelo teórico. Portanto, parte-se da teoria geral para explicar o particular. É o racionalismo (Só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro). Parte de duas premissas, da qual se retira a conclusão.

Considere o exemplo:

Todo homem é mortal (premissa maior)

Pedro é homem. (premissa menor)

Logo, Pedro é mortal (conclusão)

Hipotético-dedutivo

Quando o pesquisador não dispõe de uma teoria (ou explicações insuficientes), ele começa pelo método indutivo para organizar as informações e possibilitar a formulação de uma teoria geral para depois formular e testar as hipóteses e depois utiliza o método dedutivo. Defende em primeiro lugar o problema e a conjectura a serem testadas pela observação. “...o cientista, através de uma combinação de observações cuidadosas, hábeis antecipações e intuição científica, alcança um conjunto de postulados que governam os fenômenos pelos quais está interessado, daí deduz ele as consequências por meio da experimentação e, dessa maneira, refuta os postulados, substituindo-os, quando necessário por outros e assim prossegue”.

Esquema: Problema

Conjectura = hipótese

Dedução de consequências observadas

Tentativa de falseamento

Corroboração

Dialético

A filosofia descreve a realidade e a reflete, portanto a dialética busca, não interpretar, mas refletir acerca da realidade.

A dialética é a história das contradições. Em alemão aufheben significa supressão (ou suprassunção) e ao mesmo tempo manutenção da coisa suprimida. O reprimido ou negado permanece dentro da totalidade.

Hegel, um dos filósofos que mais tratou da dialética

Esta contradição não é apenas do pensamento, mas da realidade. Então, tudo está em processo de constante devir.

Positivista

método geral do positivismo de Augusto Comte consiste na observação dos fenômenos, opondo-se ao racionalismo e ao idealismo, por meio da promoção do primado da experiência sensível, única capaz de produzir a partir dos dados concretos (positivos) a verdadeira ciência (na concepção positivista), sem qualquer atributo teológico ou metafísico, subordinando a imaginação à observação, tomando como base apenas o mundo físico ou material. O positivismo nega à ciência qualquer possibilidade de investigar a causa dos fenômenos naturais e sociais, considerando este tipo de pesquisa inútil e inacessível, voltando-se para a descoberta e o estudo das leis (relações constantes entre os fenômenos observáveis).

Fenomenológico

Husserl define seu novo modo de filosofar como uma ciência relacionada ao objeto intencional, o qual deve estar despojado de sua relação com a experiência. A preocupação central da fenomenologia husserliana é de erigir uma filosofia atrelada aos dados imediatos e inegáveis para, posteriormente, utilizá-los como embasamento para a construção de teorias. Como lema, tem-se o “retorno às próprias coisas”, isto é, “buscar coisas manifestas, fenômenos tão evidentes que não possam ser negados” (REALE, 2007, p. 554).

Funcionalista

Todo sistema social tem uma unidade funcional (instituição) na qual as partes as acham interligadas num grau suficiente de harmonia ou consistência interna (cada unidade possui uma função). Os elementos culturais representam a ligação entre o grupo humano e o meio físico, elementos através de necessidades reclamadas pelo grupo (necessidades biológicas) para atender a sua existência (imperativos culturais: economia, controle social, educação, organização política, religião e estética)...

Empirista

Na filosofia, empirismo foi uma teoria do conhecimento que afirma que o conhecimento vem apenas ou principalmente, a partir da experiência sensorial. Um dos vários pontos de vista da epistemologia, o estudo do conhecimento humano, juntamente com o racionalismo, o idealismo e historicismo, o empirismo enfatiza o papel da experiência e da evidência, experiência sensorial, especialmente, na formação de ideias, sobre a noção de ideias inatas ou tradições; empiristas podem argumentar, porém, que as tradições (ou costumes) surgem devido às relações de experiências sensoriais anteriores.

Diferença entre pesquisa qualitativa e quantitativa.

• Uma vez definido o tema da pesquisa, deve-se escolher entre realizar uma pesquisa qualitativa ou uma quantitativa. Uma não substitui a outra: elas se complementam.

• As pesquisas qualitativas têm caráter exploratório: estimulam os entrevistados a pensar e falar livremente sobre algum tema, objeto ou conceito. Elas fazem emergir aspectos subjetivos, atingem motivações não explícitas, ou mesmo não conscientes, de forma espontânea.

• As pesquisas quantitativas são mais adequadas para apurar opiniões e atitudes explícitas e conscientes dos entrevistados, pois utilizam instrumentos padronizados (questionários). São utilizados quando se sabe exatamente o que deve ser perguntado para atingir os objetivos da pesquisa. Permitem que se realizem projeções para a população representada. Elas testam, de forma precisa, as hipóteses levantadas para a pesquisa e fornecem índices que podem ser comparados com outros.

Amostra:

• Qualitativa - não há preocupação em projetar resultados para a população. O número de entrevistados geralmente é pequeno.

• Quantitativa - exige um número maior de entrevistados para garantir maior precisão nos resultados, que serão projetados para a população representada.

Questionário:

• Qualitativa - normalmente as informações são coletadas por meio de um roteiro. As opiniões dos participantes são gravadas e posteriormente analisadas,

• Quantitativas - as informações são colhidas por meio de um questionário estruturado com perguntas claras e objetivas. Isto garante a uniformidade de entendimento dos entrevistados.

Entrevista:

• Qualitativa - são realizadas por meio de entrevistas em profundidade ou de discussões em grupo. Para as discussões em grupo, as pessoas( em média 8 ) são convidadas para um bate- papo realizado em salas especiais com circuito de gravação em áudio e vídeo. Nas entrevistas em profundidade, é feito o pré-agendamento do entrevistado e a sua aplicação é individual, em local reservado. Este procedimento garante a concentração do respondente.

• Quantitativa - o entrevistador identifica as pessoas a serem entrevistados por meio de critérios previamente definidos: por sexo, por idade, por ramo de atividade, por localização geográfica etc. As entrevistas não exigem um local previamente ou em pontos de fluxo de pessoas. O importante é que sejam aplicadas individualmente e sigam as regras de seleção da amostra.

Relatório:

• Qualitativa - as informações colhidas na abordagem qualitativa são analisadas de acordo com o roteiro aplicado e registradas em relatório, destacando opiniões, comentário e frases mais relevantes que surgiram.

• Quantitativa - o relatório da pesquisa quantitativa, além das interpretações e conclusões, deve mostrar tabelas de percentuais e gráficos.

De maneira sucinta, em pesquisas qualitativas o importante é o que se fala sobre um tema, enquanto que em pesquisas quantitativas o importante é quantas vezes é falado .

DIFERENÇA ENTRE O MÉTODO DO TIPO DE PESQUISA

Método refere-se a forma como abordaremos o objeto de estudo.

Tipos de pesquisa refere-se à como procedemos na execução da pesquisa

CARACTERÍSTICAS DE ABORDAGEM METODOLÓGICA QUANTITATIVA

- descreve uma variável

- aplica-se a estudos abrangentes

- Estudos de levantamento ou descrição

- Ferramenta de demonstração e análise de dados

- Não exige proximidade entre pesquisador e objeto de estudo

- Os instrumentos de coleta de dados são por análise de documentos, aplicação de questionário

- Utilizada em estudos do tipo prevalência, caso controle ou de coorte

CARACTERÍSTICAS DE ABORDAGEM DA PESQUISA QUALITATIVA

- Estudos subjetivos

- Proximidade entre pesquisador e objeto de pesquisa

-Entender o objeto de estudo em sua totalidade

- Muitas variáveis e poucas amostras

- Coleta de dados detalhada

TIPOS DE PESQUISA

SEGUNDOS OS OBJETIVOS =

EXPLORATÓRIA

Aproximação do objeto de estudo.

Informações sobre o tema.

Levantamento de referências – Bibliografia, pesquisa documental ou estudo de casos

DESRITIVA

Descrição das características do objeto.

Fatos que já foram observados e registrados, sem interferência do pesquisador.

Uso de técnicas padronizadas – questionário, observação sistemática.

ANALÍTICA OU EXPLICATIVA

Analisar – aprofundamento do conhecimento das realidades, explica o porquê das coisas.

Classificar, analisar, interpretar o objeto de estudo.

Aprofundar o conhecimento da realidade.

SEGUNDO FONTE DE DADOS =

Dados coletados onde acontece.

Observar o fato tal como ele é.

Voltado para o estudo do indivíduo, grupos e outros campos.

LABORATÓRIO

Ocorre em citações controladas.

Utilizam-se instrumentos específicos e precisos.

Realizada em ambientes adequados.

BIBLIOGRÁFICA

Fontes de dados a literatura – livros, artigos científicos, jornais etc.

Trata-se de uma leitura atenta e sistemática.

Tem por objetivo conhecer as diferentes contribuições cientificas disponíveis sobre determinado tema.

SEGUNDO PROCEDIMENTOS DE COLETAS DE DADOS =

Levantamento – feito por meio de questionários, formulários ou entrevistas.

Realizado em pesquisas de campo.

EXPERIMENTAL

Pesquisas empíricas.

Tem objetivo testar hipóteses que dizem respeito a relações de causa e efeito.

Geralmente realizadas em laboratório.

DOCUMENTAL

Levantamento de informações em documentos e/ou materiais produzidos por outra pessoa.

Quando utiliza qualquer informação em fontes primárias.

PESQUISA AÇÃO

O pesquisador não assiste apenas os fatos que ocorrem, mas também participa deles

ESTUDO DE CASO OU SÉRIE DE CASOS

Estudo de caso são estudos feitos com a finalidade de detalhar uma determinada situação, afim de compreende-la melhor, para entender o ocorrido

ESTUDOS TRANSVERSAIS

São estudos feitos para descrever indivíduos de uma determinada população com relação a determinadas características e seus fatores causais.

ESTUDO DE CASO CONTROLE

Seleciona-se um grupo de pessoas com uma característica em comum e compara-se esse grupo com outro que não possui a mesma característica.

ESTUDO DE COORTE

O pesquisador toma uma amostra de uma população, verificando quais pessoas apresentam o fator causal suspeito e quais não apresentam

ENSAIOS CLINICOS CASUALIZADOS

Estudo para medir a eficiência e a segurança de intervenções, designando os participantes da pesquisa ao acaso.

PASSOS PARA SE FAZER UMA PESQUISA

Questionar.

Diferenciar problema social de problema cientifico.

Produzir uma ideia – definindo o objeto de estudo

Ler sobre o tema – alimenta as ideias

Discutir o tema com os colegas e profissionais da área

Verificar a qualidade da bibliografia consultada

Depois de definir o assunto a ser pesquisado, pensar em questões como:

-Qual o problema da pesquisa?

-Por quê estudar o problema?

-Qual a importância do estudo para a solução?

-Que hipóteses podem ser levantadas a respeito do assunto?

-etc.

REFERENCIAS

CHAMPAGNE, Patrick. Formar a opinião — o novo jogo político. Rio de Janeiro, Vozes, 1998

DA VIÁ, Sara Chucid. Opinião Pública — técnicas de formação e problemas de controle. São Paulo, Edições LoyoIa, 1993.

BREEN, George Edward & BLANKENSHIP, Albert B. Faça você mesmo pesquisa de mercado com resultados seguros e produtivos. São Paulo, Makron Books, 1992.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo, Atlas, 1989

Created By
Maria Beatriz Cruz
Appreciate

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