Trabalhadores das ruas de Aracaju Antonio Gonçalves

Este trabalho tem como objetivo finalizar a disciplina Fotojornalismo I – COMSO0155, ministrada pela Profª Greice Schneider, período 2016/2 turma 02 do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe(UFS). A proposta foi um ensaio fotográfico com algo ou alguma coisa de livre escolha relacionada ao tema democracia. Escolhemos pessoas da cidade de Aracaju que trabalham como vendedores (as) ambulantes e prestadores de serviços porque entendemos que a democracia está relacionada com igualdade entre os seres humanos. Dessa forma, decidimos fotografar pessoas que trabalham informalmente pelas ruas, ou de forma precária. Ressaltamos que todos os entrevistados e fotografados não têm carteiras de trabalho assinadas e vivem exclusivamente dessas atividades

Foi fundamental para realização do trabalho fotografar as pessoas nos seus ambientes de trabalho, ou seja, nas ruas de Aracaju(SE). Optamos, pela praticidade, pelo uso de um telefone celular Smartphone Sansung Galaxy , modelo SMG531BT, Android 5.1, tela do ecrâ 5’, resolução: 960 x 540 px, LCD TFT tátil, memória de 9 GB e micro chip de 16 GB, com processador de 1,2 GHz, Câmerra 3264 x 2448 px, autofocos, flash de led, geo-tagging, panorama, touch focus, detecção de face e sorriso, estabilização de imagens, gravação de vídeo em Full HD, Câmera frontal 5MP e câmera principal 8MP.

As fotografias foram tiradas pelo dia para aproveitar a luz solar, no formato retrato, porém pelas especificidades dos trabalhos, todas as fotos abertas caracterizando as profissões têm ruídos, porque se retirássemos o ambulante do local de trabalho ficaria difícil relaciona-lo a sua atividade. A proposta inicial do trabalho era retratar em uma fotografia pessoas trabalhando ao lado dos objetos ou mercadorias, carregando, conduzindo, limpando, vendendo, porém por orientação da professora ampliamos para imagens frontais dos rostos desses trabalhadores escolhidos aleatoriamente.

José Soares – Vendedor de picolé há 1 ano na Rodoviária Nova, 61 anos, tratorista e rolista por profissão, já trabalhou em vários estados com carteira assinada em obras de engenharia, alegou que escolheu essa atividade por causa do desemprego, culpa a crise econômica pela situação em que se encontra: “ que no governo de Lula era melhor e quer que ele volte”, não paga INSS. Natural de Pão de Açúcar em Alagoas, atualmente mora no Bairro Roza Elze em São Cristóvão.
William Felipe Cardoso Santos– Vendedor de galinhas há 1 ano no Bairro Veneza , 17 anos, estuda 7ª série, já trabalhou em oficina de pintura, informou que: “trabalha por necessidade, que mesmo ganhando pouco ajuda a família e quer continuar estudando para chegar na universidade, e que a sociedade o reconheça pelo que é bom e não pelo que é mal”.
Rodnei de Aguiar - Vendedor de Laranja no Bairro Grageru há 4 anos, 50 anos, fez questão de manifestar orgulho do bairro em que vive desde que nasceu . Quanto ao trabalho: “trabalhei na Alpargatas um bom tempo, saí de lá porque houve um corte geral aí muita gente saiu de lá e eu fui no meio”. Continua: “hoje em dia ninguém tem mais emprego fixo, somente os políticos”. Solteiro, 1 filho, tem vontade de ter carteira assinada, mas reconhece que: “está muito difícil e só quem trabalha é quem tem conhecimento”. Estudou até o 1º ano cientifico, é pintor e tecelão.
Gustavo Figueiredo Silva – Motoboy há 2 anos no Bairro Grageru, 33 anos, mora no Eduardo Gomes em São Cristóvão, solteiro, motorista de carreta, afirma que: “está desempregado pela crise e foi no bolo das demissões”. Tinha na profissão de motoboy (entregador de pizza)como bico e agora como profissão. Ganha para sobreviver e disse estar satisfeito porque faz o dobro do salário da atividade anterior.
José Orlando Santos – (Jamaica)Lavador de carro há 30 anos na rua de Lagarto, em frente a 1ª Igreja Batista de Aracaju(SE), já teve carteira assinada, é motorista, já trabalhou embarcado, pagou INSS durante 5 anos, mas não paga mais por falta de condições. Não ganha o suficiente para sobreviver com a família, por isso afirma: “faço das tripas coração, no mês durante o verão R$ 700, 600, mas no inverno menos da metade, casado, 6 filhos todos estudando graças a Deus”.
Maria de Fátima Araújo – Vendedora de coco há 3 anos no centro da cidade, solteira, 55 anos, 12 filhos, mora no Bairro Cidade Nova. Informou que escolheu essa atividade porque: “não tem emprego formal e é muito difícil trabalhar com carteira assinada. A idade avançou e ninguém me quer no comércio”. Já foi catadora de rua, carregadora, fez reajunte em obras, empregada doméstica e só teve carteira assinada por pouco tempo “dois, três meses só”, não paga INSS.
Eliana de Souza – Vendedora do Cajucap (titulo de capitalização)há 2 anos no centro da cidade, 44 anos, solteira tem um filho de filho de 12 anos, mora no Parque dos Faróis em N. S. do Socorro(SE). Deseja um emprego de carteira assinada por achar melhor, trabalhou também em casa de família, mas sempre foi vendedora.
) Adriana Maria da Conceição (“Galega do milho, a rainha do milho da Rodoviária Velho sou eu”) - Vendedora de milho há 8 anos em Rosário do Catete(SE) e 8 meses no ponto atual, Rodoviária Velha, 35 anos, mãe solteira, 3 filhos de 10, 5, 2 anos, sustenta a casa sozinha, estudou até a 8ª série, trabalhou como doméstica e já teve carteira assinada, por isso confidenciou: ”gostaria de ter novamente, mas como não tenho estudos fica mais difícil”.
Damiana Vieira de Souza ( Ana) - Vendedora de sopa na Rodoviária Velha e ruas do Centro há de 6 anos, como camelô 20 anos, estudou até a 5ª série, mora de aluguel, tem 1 filho, disse que ganha o suficiente para sobreviver, mora no Bairro Industrial.
Gilberto Roberto dos Santos (Dequinha) – Carroceiro com 25 anos de profissão, 42 anos, casado , 1 filho, mora de aluguel no Jardim Centenário , estudou até a 5ª série, já teve carteira assinada como ajudante de caminhão, mas prefere ser carroceiro porque ganha mais.
Antonio Silva – Vendedor de panos de prato – 65 anos, já teve restaurante no mercado, mas vende panos e flanelas há 2 anos. Antes vendia doces, não paga INSS.
Cinara Lourenço Menezes - Vendedora de queijo e manteiga há 2 anos no Bairro Luzia, 44 anos, estudou até o 4º período de química no IFES, divorciada, 2 filhos. Sempre trabalhou com carteira assinada como auxiliar administrativo, almoxarifado e RH, porém ganha mais como ambulante, tem casa própria, que o salário baixo a estimulou ser ambulante e pode dar mais atenção aos filhos.
Karoline de Oliveira Valença Pereira (Karol) , Vendedora de tapioca recheada há 3 meses no Bairro Luzia, casada, 2 filhos, trabalhou em empresa terceirizada da Petrobrás como auxiliar administrativo, saiu do emprego por problemas profissionais com a chefia e para ter mais tempo para os filhos. Cursou o ensino médio, afirmou ganhar o suficiente, o marido trabalha e mora de aluguel.

Credits:

Antonio Gonçalves

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