A cultura dos dog walkers Como esse novo hábito vem fazendo parte da rotina dos cariocas

Por Elis Brasil

Em um país onde a população de animais de estimação só cresce, são mais de 70 milhões de gatos e cachorros no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, a rotina corrida é um dos principais motivos que impulsiona o crescimento do mercado de passeadores de cães no país. Esse é um dos serviços oferecidos no mercado pet, que só em 2016 faturou 19 bilhões de reais, deixando o Brasil com o terceiro maior faturamento mundial.

Camila encontrou no amor pelos animais a saída para sobreviver à crise | Foto: Elis Brasil

Além de ser um mercado novo, que está em crescimento, principalmente no Rio de Janeiro, a cultura dos dog walkers representa, também, uma saída para o crescente índice de desemprego no país. A estudante de biologia Camila Córdoba foi um exemplo disso. Ela encontrou no amor pelos animais o incentivo para se reinventar. Após ficarem desempregados, ela e o marido perceberam uma demanda reprimida no mercado carioca e resolveram investir na criação da empresa Cão Carioca, decisão que não se arrependem. “O negócio está crescendo bastante, superando as expectativas, pois a gente achava que o Rio não estava preparado para esse serviço, mas está”, contou Camila.

Com uma das populações que mais trabalha no mundo, com o tempo médio de 39,9 horas semanais, os brasileiros que possuem animais de estimação têm cada vez menos tempo de dar atenção adequada aos seus bichos. Mas é nesse contexto que eles se tornam mais consciente e procuram maneiras de compensar a falta de tempo, pensando no bem estar do animal. “As pessoas passaram a ver o cachorro não só como um animal, passaram a ver como um filho também, um membro da família. As pessoas não podem se privar de ter um animal de estimação por causa do trabalho e ai, nesse meio tempo, elas pensam já em ter um animal e pensam na solução desse problema que é a questão do tempo”, afirmou Camila.

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Nem só pela falta de tempo que a procura pelo serviço se resume. A empreendedora Mariana Santoro, dona do labrador Bagunça e cliente da Cão Carioca, mesmo tendo mais tempo que a média das pessoas procurou o serviço para tratar o sobrepeso do cão, que em poucos meses já melhorou seu ritmo de passeio e perdeu alguns quilos. “Ele precisa de muita atenção e isso eu consigo dar, mas preciso de apoio nos passeios por que ele tem tendência a engordar e precisa de exercício”, explica Mariana.

Mariana Santoro, com seu filho e o companheiro de quatro patas, Bagunça | Foto: Reprodução pessoal
A cadela Twiggy com sua dona, durante um passeio no Aterro do Flamengo | Foto: Elis Brasil
Acho ótimo o serviço de passeador, mas é uma profissão que tem que ter muita responsabilidade. Já vi um caso de um cachorro que fugiu enquanto andava com um passeador e acabou morrendo atropelado no Aterro do Flamengo

Mesmo em um mercado sem muita referência, os donos já se mostram exigentes na hora de escolher um passeador a quem vão confiar seus animais de estimação. Eles procuram por profissionais qualificados e com formação. “Acho ótimo o serviço de passeador, mas é uma profissão que tem que ter muita responsabilidade. Já vi um caso de um cachorro que fugiu enquanto andava com um passeador e acabou morrendo atropelado no Aterro do Flamengo”, contou a securitária Eugênia Barral, dona da cadela Twiggy, da raça west terrier. E são as técnicas de passeio, mais os conhecimentos básicos de adestramento que diferem um profissional qualificado de um passeador amador. “Todos os cachorros da nossa empresa passam por uma ficha de avaliação. Perguntamos sobre a rotina do cachorro e se ele tem alguma doença pré-existente. Eu não posso botar um cachorro com sobrepeso ou com alguma doença como diabetes e epilepsia numa matilha saudável, porque o ritmo dele é diferente. Isso é um diferencial de um dog walker profissional para um amador”, explica Camila, que é formada nos cursos de dog walker, comportamento canino e adestramento com cliker.

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O profissional não pode somente entender as técnicas da profissão, como também precisa ser capaz compreender as necessidades e vontades de cada animal. Cabe a ele, enquanto condutor do bicho introduzi-lo naquele ambiente, permitir que socialize com outros animais e perceber as condições físicas do animal no dia, respeitando o limite deles. “Eu não posso simplesmente pegar um cão e sair pra passear, porque de repente ele pode estar hoje, com uma dor na pata, num ritmo diferente. Talvez ele queira voltar pra casa. A gente respeita eles, porque se fosse eu cansada também ia querer voltar pra casa”, revela Camila.

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