Belezas e agruras Na Semana da Água, um ensaio sobre esse patrimônio nacional

Texto de André Teixeira

O Brasil é o país com a maior reserva de água doce do mundo, com 6.950 quilômetros cúbicos desse precioso líquido. Algo como 43.000 metros cúbicos por pessoa.

Essa riqueza se deve, principalmente, à enorme quantidade de rios do país, entre eles o Amazonas (na foto acima, de Márcia Foletto), o mais volumoso do mundo. Com seus mais de 200 afluentes, ele contém um quinto das águas de rio do planeta. Uma infinidade de outros rios, como o Paraná, o São Francisco e o Nobres, oferecem ao Brasil uma situação até certo ponto confortável na questão hídrica, servindo também como meio de transporte e uma opção de lazer e turismo.

Rio São Francisco - Foto de André Teixeira
Rio Salobra - Foto de Marcelo Piu

A abundância de água no país, no entanto, não significa que sua distribuição seja generalizada e o acesso universal. Há, também, a questão do tratamento, ainda deficiente em boa parte do país, apesar dos avanços registrados nos últimos anos. Lixo e ocupações irregulares são outros problemas comuns.

Fotos de Marcos Tristão

O manejo inadequado da água tem efeitos desastrosos para o meio ambiente, como a mortandade de peixes, comum na Lagoa Rodrigo de Freitas, uma das áreas mais nobres da Zona Sul carioca. Na Baía de Guanabara, o lixo afeta a pesca e a própria qualidade da água, imprópria para o banho. Línguas negras contaminam praias, enquanto os canais da Barra exibem até sofás velhos.

Ângelo Antônio Duarte
Fotos de Alex Ferro (maior), Márcia Foletto e Márcio Menasce

Nem tudo, felizmente, é sujeira e descaso. Habitat natural de centenas de espécies, entre elas o boto cor de rosa, os rios formam um patrimônio ambiental que, se explorado de maneira consciente, alavanca a economia em suas margens. No Pantanal Matogrossense, por exemplo, o turismo ecológico atrai milhares de pessoas a cada ano.

Fotos de Marcelo Piu

Nos pequenos municípios ribeirinhos, a presença de um rio do porte do São Francisco é sinônimo não só de água e alimento, mas também de diversão. A vida se desenrola ao seu redor, seja nas crianças que mergulham ou vão à escola em balsas, seja nas lavadeiras que nele exercem seu ofício.

Fotos de André Teixeira

Na região Norte do país, os rios são fundamentais para a sobrevivência de várias tribos indígenas, como os da aldeia Tekohaw, da reserva Alto Rio Guamã, no nordeste do estado do Pará. Eles foram os primeiros indígenas a assinarem um contrato de venda de crédito de carbono, em troca de preservarem a floresta em pé. No Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, as cataratas movimentam a economia local, com intensa circulação de turistas.

Foto de Márcia Foletto

No Parque Nacional do Caraça, em Minas, quedas d`água como a Cachoeira da Cascatinha terminam em atraentes piscinas naturais; em Casimiro de Abreu, estado do Rio, esportes radicais como a descida de corredeiras estão no roteiro turístico. Uma infinidade de usos e perspectivas para um dos nossos recursos mais abundantes.

Fotos de Hudson Pontes
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