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TERRA Garantia de liberdade...

Em Moçambique, a condição da mulher e a sua missão como agente de transformação social, é uma das apostas da Comissão de Justiça e Paz. Fundamentais para mudar mentalidades, as mulheres estão a assumir causas políticas e sociais.

Em Mecubúri, perto de Nampula, esta assembleia feminina reuniu-se para debater a Lei da Terra. Neste momento Moçambique é alvo de uma intensa pressão por parte de multinacionais que querem explorar recursos agrícolas e florestais.

O apetite destas empresas concentra-se na área conhecida como o Corredor de Nacala, que abrange os melhores terrenos agrícolas e conta com a importância da linha férrea que é fundamental para o escoamento dos produtos para o porto de Nacala.

Em jogo estão 14 milhões de hectares para plantio intensivo. O ProSavana é um projeto que congrega os interesses de empresas brasileiras e japonesas, que entretanto apostam no aliciamento dos camponeses para que se desfaçam das suas terras.

Em Moçambique, a exploração agrícola é garantia de sustento e sobrevivência para grande parte da população. Sem o acesso aos campos, os camponeses não têm alternativas de sustento.

A Irmã Rita Zaninelli, missionária comboniana, é na Arquidiocese de Nampula a responsável pela Comissão de Justiça e Paz. Diz que muitas comunidades já perderam as suas terras...

Esta religiosa Comboniana assume um trabalho de promoção humana que é uma corrida contra o tempo e os interesses políticos. A Comissão Justiça e Paz articula a sua ação com outras organizações na defesa dos camponeses que são pressionados a vender as terras.

Esta missionária comboniana diz que se trata de uma batalha da cidadania...

O plantio do Eucalipto está na base da pressão das empresas sobre os agricultores moçambicanos.

A espécie que nada tem a ver com a floresta moçambicana, prepara-se para usurpar grandes extensões de terra arável em benefício de interesses estrangeiros, e até de empresas portuguesas.

As multinacionais prometem tudo... principalmente infraestruturas de saúde, educação e de acesso à água potável. As ofertas exploram as fragilidades sociais, porque têm mais potencial para convencer os camponeses.

Ermelida Namorro habita a região de Napai 2, uma das mais cobiçadas. Esta mulher que integra a Comissão de Justiça e Paz, dá conta do aliciamento de que a sua comunidade é alvo.

Os frutos da terra não são apenas o alimento mas também a única fonte de rendimentos que permite aos moçambicanos ter acesso a outros bens essenciais.

É pela venda dos produtos agrícolas que os moçambicanos acedem a outros bens essenciais.

Pela lei moçambicana, as terras pertencem ao Estado.

Os camponeses têm apenas “direito de uso e exploração da terra”, de acordo com a Constituição do país.

Grandes empresas e dirigentes políticos tecem elogios aos novos projetos agrícolas, mas os camponeses da região não foram consultados.

Os próprios líderes locais, têm sido aliciados para convencer os camponeses...

A rainha da comunidade de Ermelinda Namorro, assumiu a causa das multinacionais e tenta convencer o seu povo...

Ermelinda Namorro, trava um combate pela justiça e contra interesses poderosos que ultrapassam as fronteiras do país. Está consciente de que é uma luta pela sobrevivência.

16 anos de trabalho no Brasil foram uma escola para Rita Zaninelli. Esta religiosa comboniana sabe que a Igreja se se constrói e concretiza com os frágeis.

A disputa pela terra em Moçambique. Para uns um negócio de milhões... para muitos, uma questão de sobrevivência e liberdade.
Um grito dos pobres que não pode ficar esquecido na imensidão da savana
Created By
Henrique Matos
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Credits:

Henrique Matos

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