LOGÍSTICA REVERSA Epaminondas Junior - Logística Empresarial Integrada

Segundo Rogers e Tibben-Lembke, (2001), existem três princípios fundamentais para as empresas aderirem à logística reversa são elas: a) as Leis ambientais que forçam as empresas a receber de volta seus produtos e cuidar de seu tratamento; b) os benefícios econômicos de usar produtos devolvidos no processo produtivo, ao invés de descartá-los; e c) a crescente consciência ambiental dos consumidores.

Antes da logística reversa as empresas não viam como sua responsabilidade o descarte dos resíduos, após o uso pelos clientes que o descartava em qualquer lugar causando risco ao meio ambiente. Devido à conscientização dos consumidores e fiscalização das autoridades as empresas sentem a obrigação de reduzir os lixos gerados por seus produtos.

Por conta das novas Leis de gerenciamento de resíduo, alto custo e o impacto ambiental, as empresas visam à reciclagem como vantagem.

Segundo Leite (2002), a logística reversa se define como a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo. Esse processo ocorre pelos canais de distribuição reversos e agrega a esses bens valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa entre outros.

Para Campos (2006), o conceito de logística reversa vem evoluindo nos últimos anos, não só enquanto definição, como também no que diz respeito às atitudes e à sua abrangência, de seu inicio quando era vista apenas como uma distribuição passou a ganhar importância e a se fazer presente com mais responsabilidade em todas as atividades logísticas relacionadas ao retorno de produtos.

Ainda, segundo Campos (2006), as atividades de logística reversa variam desde a simples revenda de um produto até processos que compreendem etapas como: coleta, inspeção, separação, levando a uma remanufatura ou reciclagem. A logística reversa envolve todas as operações relacionadas à reutilização de produtos e materiais, na busca de uma recuperação sustentável.

Segundo Bowersox e Closs (2002), apesar de ser um tema extremamente atual, esse processo já podia ser observado há alguns anos nas indústrias de bebidas, com a reutilização de seus vasilhames, isto é, o produto chegava ao consumidor e retornava ao seu centro produtivo para que sua embalagem fosse reutilizada e voltasse ao consumidor final. Esse processo era contínuo e aparentemente cessou a partir do momento em que as embalagens passaram a ser descartáveis.

Como procedimento logístico, trata também do fluxo de materiais que retornam por algum motivo como, por exemplo, as devoluções de clientes, o retorno de embalagens, o retorno de produtos e os materiais para atender a legislação, etc. A logística reversa não trata apenas do fluxo físico de produtos, mas também de todas as informações envolvidas nesse processo. A figura abaixo demonstra o processo da logística reversa:

Figura 01: Fluxo da Logística Reversa

Fonte: Nogueira, Amarildo: Logística Reversa no Brasil.

Segundo o Conselho de Logística Reversa do Brasil - CLRB (2010), o crescente volume de mercadorias transacionadas, a grande quantidade de novos produtos com alta variedade de modelos, a redução do ciclo de vida dos produtos, o aumento de legislações ambientais, entre outros motivos, justifica a maior preocupação empresarial em equacionar o retorno de mercadorias não consumidas ou descartadas, através da Logística Reversa.

A implantação de programas de Logística Reversa, com diferenciados objetivos estratégicos e nos diversos setores empresariais, permite identificar, medir, planejar e operar adequadamente os diversos processos envolvidos no retorno de produtos do mercado seja produtos ainda não consumidos ou aqueles já consumidos, agregando-lhes valor de alguma natureza.

Nos últimos anos, a logística reversa está recebendo um significado mais econômico, além do ecológico: as empresas estão investindo nessa área como um diferencial competitivo para aumentar os lucros e garantir a fidelidade dos clientes. Por esses motivos, as políticas de retorno das empresas estão cada vez mais generosas, ou seja, tornam-se mais flexíveis quanto à aceitação de devoluções e trocas.

Logística Reversa como uma nova onda

Com o crescente volume de negócios em escala mundial e a imensa quantidade de produtos transportados diariamente, aumenta também a quantidade de lixo gerado e de materiais que precisam ser mandados de volta à sua origem. Esse tráfego de produtos no sentido contrário da cadeia de produção normal (dos clientes em direção às indústrias) precisa ser tratado adequadamente, para evitar trabalho e custos extras.

Sendo a logística reversa a área responsável pelo fluxo reverso de produtos, seja qual for o motivo (reciclagem, reuso, recall, devoluções, etc.) a sua importância reside em dois extremos: em um, as regulamentações, que exigem o tratamento de alguns produtos após seu uso (como as embalagens de agrotóxicos ou baterias de celulares); na outra ponta, a possibilidade de agregar valor ao que seria lixo. Veremos mais detalhes ao longo deste artigo.

Com o aumento das pressões da sociedade para produtos e processos ecologicamente corretos, a reciclagem ganha força e a logística reversa é um dos principais motores deste movimento. Além de contribuir legitimamente para a redução dos impactos ao meio ambiente há um ganho de imagem para a empresa que o faz. Há exemplos de reciclagem que já são práticas comuns: latas de alumínio, garrafas pet, papel, dentre outros itens de pós-consumo.

Há também a reutilização, notadamente com as sobras industriais, partes de equipamentos e sucatas em geral. No entanto, existe também o fluxo de produtos do consumidor de volta ao vendedor por iniciativa do usuário: quando ele não está satisfeito com uma compra, ele devolve o produto (bastante comum no comércio eletrônico ou erro de escolha do produto em lojas físicas).

De maneira geral, três fatores estimulam o retorno de produtos: (1) consciência cada vez maior da população para a necessidade de reciclar e de se preocupar com o meio ambiente; (2) melhores tecnologias capazes de reaproveitar componentes e aumentar a reciclagem; (3) questões legais, quando a legislação obriga que as empresas recolham e dêem destino apropriado aos produtos após o uso.

Do ponto de vista das empresas, alguns cuidados precisam ser tomados. Nos locais de armazenagem, faz-se necessário estruturar sistemas capazes de lidar com estes volumes crescentes (e dificilmente previsíveis). Além disso, assim como a logística tradicional, a logística reversa tem como um dos principais componentes os sistemas de transporte. É necessário que os sistemas de roteamento sejam capazes de solucionar os complexos problemas de entregas e coletas simultaneamente, levando em conta, dentre outras restrições, as capacidades dos caminhões e os intervalos de tempo (este problema é chamado tecnicamente de pickup and delivery routing problem).

Identificar as melhores estruturas de transporte capazes de recolher estes produtos, normalmente muito dispersos nos centros de consumo, e levá-los de volta às fábricas ou centros de tratamento é um grande desafio que precisa ser corretamente modelado. As práticas neste recente segmento ainda não estão consolidadas, e há espaço para diversas inovações.

Portanto, faz-se necessário planejar estrategicamente os sistemas internos (gerenciamento de estoques, sistemas de informação, espaço físico) e externos (transporte e relacionamento com clientes), a fim de aproveitar este novo mercado, atraindo e fidelizando clientes com mais uma opção de serviço pós-venda.

Fonte: COELHO, L. C. 2009. http://www.logisticadescomplicada.com/a-nova-onda-logistica-reversa/

Logística Verde / Ambiental

Atualmente, percebe-se uma maior preocupação com a sustentabilidade por parte das empresas, que passam a se comprometer de forma mais intensa com a preservação do meio-ambiente.

Conforme Moura (2006), o termo verde sugere várias interpretações (ecológico, sustentabilidade, conservação, responsabilidade social entre outras) associadas à logística reversa. A logística verde ou ecológica não se baseia essencialmente em novas atividades logísticas, e sim na inclusão de conceitos ambientais no seu desempenho, por exemplo, a seleção do melhor modo de transporte ou do mais eficiente plano de entregas que minimizem os efeitos negativos do impacto ambiental.

Por Campos (2006), a logística verde é um termo que às vezes é confundido com logística reversa. A logística verde está relacionada a questões ambientais. Todas as atividades logísticas que buscam melhorias, ou seja, menores prejuízos ao meio ambiente, direta ou reversamente, fazem parte da logística verde, ou seja, defini-se como o esforço para medir e minimizar o impacto ambiental das atividades logísticas.

Segundo Campos (2006) a importância da logística reversa pode ser vista em dois grandes contextos: o econômico e o social. O econômico refere-se aos ganhos financeiros obtidos a partir de práticas que envolvem a logística reversa. Por exemplo, uma empresa pode diminuir seus custos reutilizando peças que seriam descartadas pelos clientes finais, como cartuchos de impressora.

No contexto social, a logística reversa diz respeito aos ganhos recebidos pela sociedade. Por exemplo, ao se depositar menos lixo em aterros sanitários adotando-se a reciclagem, é diminuída a chance de contaminação dos lençóis freáticos. A preocupação da sociedade com o desenvolvimento sustentável criou oportunidade para as organizações vincularem seus produtos como ecologicamente corretos, sendo assim um diferencial capaz de fidelizar os clientes. Por exemplo, um consumidor ao saber que determinada marca de leite oferece seu produto em embalagem reciclável, ele certamente passará a consumi-lo com regularidade.

Contudo, empresas incentivadas pelas Normas ISO 14000 e preocupadas com a gestão ambiental, também conhecida como "logística verde", começaram a reciclar materiais e embalagens descartáveis, como latas de alumínio, garrafas plásticas e caixas de papelão, entre outras, que passaram a se destacar como matéria-prima e deixaram de ser tratadas como lixo. Dessa forma, podemos observar a logística reversa no processo de reciclagem, uma vez que esses materiais retornam a diferentes centros produtivos em forma de matéria prima.

Apenas em 2008 foram comercializados no Brasil mais de 30 milhões de aparelhos celulares, 2,6 milhões de tevês e 972 mil refrigeradores. Pesquisa realizada em 13 países e divulgada no ano passado por uma fabricante de celulares revelou que somente 3% entregam os aparelhos antigos para reciclagem.

No Brasil, esse índice cai para 2%. No mundo, segundo o estudo, 44% dos consumidores abandonam antigos aparelhos em casa, 25% os doam para amigos ou familiares e 16% os vendem. Dos brasileiros consultados, 78% declararam não considerar a reciclagem, e 32% avisaram que ainda conservam os aparelhos.

Fonte: GALVÃO, H. M.; PEREIRA, A. F.; CRUZ, F. A. P. R.; ALMEIDA, K. S.; COUTO, J. G.

Revista de Administração da Fatea, v. 4, n. 4, p. 42-56, jan./ dez.,2011

Created By
Lucas Campos Moura
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