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Comunidade de Nossa Senhora da Esperança

O inicio da Comunidade de Nossa Senhora da Esperança foi de grande sacrificio e trabalho para todos os que nela estiveram envolvidos. À falta de infra-estruturas (estradas acessíveis, eletricidade, água canalizada) acrescia-se as dificuldades financeiras inerentes à criação do templo religioso. Os primeiros sacerdotes da Quinta do Conde não viviam nas melhores condições e por vezes tinham que fazer a deslocação entre as Igrejas a pé, por meio de um extenso pinhal. Na entrevista feita ao Padre José Marques Pinto ele refere que a dado momento arranjou uma moto para se poder deslocar entre as igrejas sem depender da boa-vontade dos paroquianos.

O terreno da futura Igreja, com mais de 4 quilómetros quadrados, foi cedido gratuitamente por António Xavier de Lima, tendo a escritura sido concretizada em Junho de 1984. A obra da Igreja de Nossa Senhora da Esperança foi projetada por José Lopes Toledo, decorador e restaurador de pintura e móveis, Luís Manuel Baptista e Silva, desenhador-projetista, e pelo Padre José Marques Pinto, que é engenheiro civil.

Foi apresentada à comunidade uma maqueta da futura Igreja em Junho de 1978. A primeira iniciativa de angariação de fundos consistiu em fotografar a maqueta e vender as fotos ao público: «A primeira tiragem foi de 1000 fotos e em pouco tempo todas foram vendidas» (António Fernando Pereira).

Em 1979 foi criada a comissão para recolha de fundos. Foram muitos os bem-feitores que contribuiram para a concretização deste projeto. Destaca-se o senhor João Gorjão, segundo o Senhor Bispo D. Manuel Martins, «o rosto mais visivel desta história da Igreja de Nossa Senhora da Esperança». António Fernando Pereira conta-nos na sua obra que o senhor João Gorjão chegou um dia a sua casa e lhe confidenciou que «tinha ouvido num sonho uma voz a pedir-lhe que fizesse uma Igreja para o Povo de Deus». Foi um dos principais rostos dos peditórios de rua, sendo descrito como “incansável”: para além dos peditórios na Quinta do Conde, deslocava-se às principais Igrejas de Lisboa, a Fátima e inclusivamente a França, pedindo aos emigrantes portugueses que lá viviam.

Nos poucos estabelecimentos comerciais que haviam foram colocados mealheiros para as ofertas dos quintacondenses. Também muitas empresas da região foram oferecendo materiais para a construção da Igreja. E o templo ia-se erguendo sob o olhar do Padre Marques Pinto e dos homens e mulheres da comunidade...

Construção da Igreja de Nossa Senhora da Esperança em 1979

Mas os problemas financeiros persistiam. E é neste contexto que surge uma história caricata, contada pelo senhor António Fernando Pereira:

«Lembrámo-nos de enviar uma foto da maqueta da Igreja a todos os senhores Bispos de Portugal, e pedir ajuda monetária, para pagamento ao pessoal e artigos de necessidade urgente para a continuação da obra. Simpaticamente, todos enviaram um cheque de 20 contos, e com palavras de ânimo e coragem para continuar. Em face destes donativos, pedimos uma entrevista ao nosso bispo D. Manuel, que ele aceitou, e fomos informá-lo da nossa ousadia, de pedir aos seus colegas bispos um auxílio para a nossa Igreja.

Apresentámos-lhe os envelopes e os cheques, e ele reconhecendo que foi um atrevimento da nossa parte, ao mesmo tempo bem-sucedido, pediu-nos licença e retirou-se por momentos. De regresso, com um sorriso nos lábios, deu-nos também um cheque de 20 contos, acompanhado de palavras simpáticas. O nosso pároco ficava comprometidíssimo com estas ações que a Comissão fazia, pois a delicadeza da sua pessoa e o seu fino trato, não dava para estas aventuras.”

Primeira comissão da Igreja. Em cima, da esquerda para a direita: D. Maria José Gorjão, D. Emilia Costa, Sr. José Maria da Costa, D. Conceição Toledo, Sr. Manuel Pinheiro, Sr. José Lopes Toledo, Sr. Miguéis, (?), Sr. Fernandes, Sr. António Fernando Pereira e Sr. João Gorjão. Em baixo: Jorge Costa e Padre José Afonso Marques Pinto

O primeiro casamento foi celebrado a 25 de junho de 1978 e o primeiro baptizado a 5 de Agosto de 1979, ainda na garagem do senhor José Maria da Costa. A primeira celebração da Primeira Comunhão ocorreu no dia 14 de Junho de 1979, já no espaço da Igreja mas ainda em construção. Quando as celebrações eucaristicas passaram para o recinto da Igreja, realizavam-se na atual capela mortuária, pois foi o primeiro espaço a estar concluido. Nas primeiras eucaristias na Igreja, esta nem reboco tinha.

As obras na Igreja prolongaram-se por um periodo de cerca de 10 anos, entre melhoramentos e aquisição de equipamentos.O telhado só é colocado em 1982. Posteriormente foi construida a torre sineira que durante muitos anos não teve qualquer uso. Já com a assistência do Padre Horácio de Noronha a igreja foi ampliada em 1993 com a construção de salas de reunião e catequese. A ala oeste da Igreja chegou a ser a residência do Padre Horácio durante os anos 90. Com a aquisição da Casa Paroquial na viragem do século, o espaço foi convertido em salas de catequese.

Os dois sinos da torre foram fundidos pela Serafim Jerónimo de Braga. Segundo a informação do boletim paroquial da época, «O sino grande, afinado na nota DO, tem 0.76 metros de diâmetro e pesa cerca de 300 quilos. O sino pequeno, afinado na nota MI, tem 0,60 metros de diâmetro e pesa cerca de 200 quilos.» A benção e inauguração dos sinos foi feita no fim da Missa da Páscoa, em Março de 1997.

Colocação dos sinos em 1997

No século XXI, sob administração do Padre Sezinando, os eucaliptos, imagem de marca da Igreja de Nossa Senhora da Esperança, foram substituidos por oliveiras. Foi construido um novo palco para as festas e o recinto da Igreja foi fechado. Em 2010, uma nova intervenção tem lugar por iniciativa do Padre Júlio do Vale com a construção de um coro alto, confessionário e instalação de ar condicionado. Em 2014 o estado danificado do telhado obriga a uma intervenção urgente, com a sua substituição.

Momentos da Comunidade da Esperança

A comunidade da Esperança continua a crescer e a desenvolver-se. Para além da Eucaristia dominical, a Igreja tem nas suas valências a Catequese de Infância e Adolescência e a sede do Grupo Sócio-Caritativo “Encontra a Esperança”. Recebe ainda as reuniões do Grupo de Jovens, do Renovamento Carismático e do Curso de Preparação para o Baptismo. Nos últimos anos, a comunidade aderiu às Marchas Populares através da “Marcha da Esperança” e criou o grupo de “Peregrinos com Esperança.”

ORAGO

Estava a obra de construção da Igreja ainda no inicio, quando o senhor Padre José Marques Pinto e o senhor bispo D. Manuel Martins concordaram em reunião que estava na altura de indicar uma padroeira. A escolha está associada à própria história da Diocese: segundo D. Manuel Martins, «A Igreja de Setúbal vivia em plena infância, em momentos de grande entusiástico movimento evangelizador, motivo porque começaram a chamar-lhe Diocese da Esperança. Lembro este agradável pormenor, para justificar o nome que o povo quis dar à sua nova Igreja.» «E assim, o Senhor Bispo, sentindo a coragem deste Povo e a sua Fé, escolheu para sua padroeira Nossa Senhora da Esperança, para amparar este povo lutador. (António Fernando Pereira)».

Foi feita uma pesquisa sobre outras paróquias onde houvesse uma “Nossa Senhora da Esperança” a que fosse possível pedir uma estampa da imagem. Foram encontradas duas paróquias: uma em Viana do Castelo e outra em Beja. A primeira não deu qualquer resposta mas a segunda prontamente enviou uma estampa que foi apresentada a D. Manuel Martins.

O bispo e o padre Horário concordaram em mandar fazer a imagem, com algumas pequenas alterações, tendo a encomenda sido feita a uma empresa de Braga. Em Dezembro de 1993 a imagem chega à Quinta do Conde. Com a sua presença, já foram realizadas as celebrações natalícias desse ano. Um mês depois, o bispo de Setúbal desloca-se à Quinta do Conde para benzer a imagem. A procissão e festas em honra de Nossa Senhora da Esperança, que antes já eram organizadas em Julho, passaram a contar com a imagem da padroeira.

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