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SUPERNADA EP01 Clarice lima

Supernada é um intervenção coreográfica para crianças que acontece em espaços abertos. Nesse primeiro episódio teremos a participação da princesa alface que foi devorada por um tubarão, da nota de vinte reais que sangra, do MM's azul que caiu em um pote de farinha, da camponesa peluda que entrou na casa e se sujou de tinta, do monstro post it rosa e muito mais.

Episódio 1: Não entendi nada. Umas princesas perdidas, uns bichos pedindo ajuda e umas coisas estranhas correndo, tipo um chocolate azul e uma nota de dinheiro gigante.

Você viu o bicho goiaba virando pedra? Você um dinossauro andando de bicicleta? Você viu o monstro rosa fugindo do tubarão? Você viu uma banana andando? Você viu o supernada? Você viu o dragão popstar? Você viu uma camponesa vestida de homem? Você viu a lagosta que comeu o MM's? Você viu uma casa com cabeça? Você viu a cabeça do leão? Você viu o dinheiro andando por aí? Você viu o chiclete usado?

Sobre a criação

1. Para você, qual a principal discussão/temática trazida pelo trabalho? No Supernada não existe principal, transitamos enter os dois extremos presentes nas palavras super e nada para construir um universo fantástico e ordinário ao mesmo tempo. Desejamos envolver as crianças através do movimento dos corpos no espaço afim de que cada uma construa sua própria história/ narrativa a partir do que vê, a partir das figuras que vão aparecendo, desaparecendo e se transformando durante a apresentação. O Supernada é como se fosse um livro que vc arrancou as páginas, embaralhou e agora vai ler a mesma história só que numa ordem completamente diferente, permitindo que cada espectador crie sua própria narrativa.

2. Quais vertentes da dança estão, principalmente, presentes no espetáculo? Acredito que a dança contemporânea como pensamento do corpo e sua organização no espaço.

3. Quais foram o ponto de partida e/ou as principais referências para a criação do espetáculo? Eu queria muito criar um trabalho de dança para criança que não fosse careta nem chato, que tratasse a criança como um ser autônomo capaz de criar suas próprias conexões e formulações de sentido e subjetividade. Para isso partimos da idéia de empatia cinética, aquilo que move o outro quando alguém se move. Queria que o movimento fosse a primeira relação das crianças com o trabalho junto com o aparecimento, desaparecimento e transformação das figuras, fantasias e personagens, criando um universo que transita entre o fantástico e ordinário. Minha principais referências foram o espetáculo de dança Menu de Heróis de Weila Carvalho e a série de desenhos animados Cueio do Gato Galático.

4. Como é pensar um espetáculo infantil que acontece na rua? O que está em jogo nessa relação espacial? Esse é o meu primeiro trabalho para o público infantil. Eu não sabia (e nem sei) como se faz isso, fui aprendendo fazendo e a cada apresentação aprendo mais e reformulo o trabalho. Quis criar um trabalho na rua por esse ambiente deixar ainda mais explícito a dicotomia entre o super e o nada, o fantástico e o ordinário, diferente da caixa preta que tende a deixar tudo com um tom espetacular. A proximidade com o público presente na rua fez a gente desenvolver uma série de estratégias para procurar incluir as crianças, nos aproximando e nos distanciando delas de acordo com a dramaturgia do trabalho. Quando faço trabalhos na rua gosto de pensar nesse espaço que é criado junto do público.

5. A ação consiste basicamente em andar pela rua propondo essas personas lúdicas, certo? Ou isso varia? A ação consiste basicamente em se deslocar pelo espaço, andando e correndo. Esse deslocamento pelo espaço segue diferentes lógicas que organizam e desorganizam o espaço, os bailarinos e o público. A cada entrada de um novo elemento, figuras, fantasias, personagens o espaço se re-configura. Em cada espaço de apresentação o trabalho se reconfigura. No Sesc Avenida Paulista a sua percepção foi bastante fragmentada, já no Sesc Pinheiros onde apresentamos no mês passado a relação do público com o trabalho foi bem mais contemplativa do todo. Vamos ver com vai ser em Campinas.

6. Essas personas foram escolhidas pensando no quê? Partimos de figurinos que já tinham sido utilizado pelos bailarinos em outros espetáculos, em outros momentos da vida. A partir desse primeiro recorte começamos a entender essas figuras entre o super e nada, e como eles poderiam ser cada vez mais absurdos dentro dessa dicotomia. Entendendo esses parâmetros, tudo que nos interessava, chamava a atenção a gente trazia, testava e incluía ou não. Muita coisa tb foi descartada, fizemos até uma audição dos figurinos (rs).

7. As ações são improvisadas ou há um roteiro pré-estabelecido? Existe um roteiro pré-estabelecido detalhado porém com bastante espaço para ser surpreendido pelo espaço e pelo público.

8. O título é "EP.1". Há outros EPs? Se sim, eles seguem pela mesma linha? Por quê essa divisão por EPs? Podemos dizer que é um espetáculo em série? Desde o início eu pensei em fazer uma série de trabalhos de dança para o público infanto-juvenil. O Supernada EP01 é o episódio piloto digamos assim, foi com ele que me lancei no universo infanto-juvenil e que aprendi e aprendo um monte. O segundo episódio foi lançando (rs) em Abril desse ano no Circuito Sesc de Artes e chama Bichos Soltos, que é tb um trabalho de dança para o público infanto-juvenil que acontece na rua mas que não tem uma ligação sequencial com o primeiro episódio, tipo o Black Mirrow sabe?! Os episódios não são sequenciais mas tem elementos recorrentes como a idéia de empatia cinética e o universo fantástico/ ordinário.

Entrevista para Mariana Marinho na ocasião da Bienal Sesc de Dança 2019.

Sobre o grupo

Clarice Lima & gente fina, elegante e sincera representa o modo de pesquisa, criação e produção em dança desenvolvido pela coreógrafa Clarice Lima. Clarice Lima é Cearense. Bailarina, coreógrafa e professora, estudou no Colégio de Dança do Ceará, na Folkwang Hoschuler em Essen, Alemanha e se formou em dança no Modern Theater Dance/ AHK em Amsterdam, Holanda. Estudou com David Zambrano e trabalhou com os coreógrafos Cristian Duarte (SP), Andréa Bardawil (CE) e Jan Fabre (Bélgica) entre outros e foi co-criadora do Lote, residência artística para dança na cidade de São Paulo. Há dez anos vive e trabalha em São Paulo onde desenvolve parcerias e estratégias criativas para produzir seus trabalhos de forma intensa e continuada. Seus trabalhos transitam entre as linguagens da dança, performance e artes visuais os quais podemos citar Árvores [2010], Intérpretes em Crise [2013], Supernada [2018] e Bichos Soltos [2019]. Apresentou seus trabalhos em mostras e festivais nacionais e internacionais como Bienal Internacional de Dança do Ceará, Festival Panorama RJ, Bienal SESC de Dança SP, Festival Internacional de Artes Cênicas BA, Junta PI, Verbo SP, Festival City of Woman Eslovênia, Thessaloniki Performance Festival Grécia, DNA Espanha, Festival Dias de Dança Portugal, Danzalborde Chile, entre outros. Foi contemplada com o prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna na categoria circulação com os trabalhos Árvores e Intérpretes em Crise.

Desde 2013 atua em parceria com a artista Aline Bonamin e a cada projeto, outros artistas e técnicos profissionais são convidados a participar, formando uma rede de colaboradores de acordo com a especificidade de cada projeto.

Créditos

Direção, Coreografia & Criação Clarice Lima

Assistente de Coreografia & Direção Aline Bonamin

Criação & Dança Aline Bonamin, Ísis Andreatta, José Artur Campos, Manuela Aranguibel, Marcela Costa, Maurício Alves, Natália Mendonça, Patrícia Árabe, Rafaela Sahyoun e Vinícius Possal ou Chico Lima.

Produção & Realização Clarice Lima & gente Fina, Elegante e sincera

Assistente de Produção & Contra-regra Leandro Berton

Coprodução Lote#5

Apoio Publica, Casa do Povo, Meias Jaca e Agência Lema/ Converse All Star

Duração 30 minutos

Faixa Etária Crianças de todas as idades

Necessidades Técnicas

Espaço amplo com chão liso e iluminação do local.

Vídeos

Registro da Apresentação no Sesc Pinheiros, 2019

Programa Metrópolis na Bienal Sesc de Dança, 2019

Teasers

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Contato

Clarice Lima infoclaricelima@gmail.com