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Piketty passou por aqui o economista francês Thomas Piketty esteve no Brasil em setembro para participar do FRONTEIRAS DO PENSAMENTO. confira o registro de sua passagem pelo país em entrevistas e artigos selecionados por taxmax

Brasil não cresce se não reduzir sua desigualdade, diz Thomas Piketty

O Brasil não voltará a crescer de forma sustentável enquanto não reduzir sua desigualdade e a extrema concentração da renda no topo da pirâmide social, diz o economista francês Thomas Piketty.

Autor de "O Capital no Século 21", em que apontou um aumento da concentração no topo da pirâmide social nos Estados Unidos e na Europa, Piketty agora se dedica a um grupo de pesquisas que investiga o que ocorreu em países em desenvolvimento como o Brasil, a China e a Índia.

Os primeiros resultados obtidos para o Brasil foram publicados no início do mês de setembro pelo irlandês Marc Morgan, estudante de doutorado da Escola de Economia de Paris que tem Piketty como orientador.

O trabalho de Morgan, que incorpora informações de declarações do Imposto de Renda e outras estatísticas, sugere que a desigualdade brasileira é maior do que pesquisas anteriores indicavam e calcula que os 10% mais ricos da população ficam com mais da metade da renda no Brasil.

Defensor de reformas que tornem o sistema tributário mais progressivo, aumentando os impostos cobrados sobre a renda e o patrimônio dos mais ricos, Piketty veio ao Brasil para conferências do projeto Fronteiras do Pensamento em São Paulo e Porto Alegre e concedeu esta entrevista à Folha.

Piketty no Fronteiras do Pensamento

Para reduzir a desigualdade, devemos olhar mais para a política do que para a própria economia. Esta é uma das diversas conclusões do economista francês Thomas Piketty, que propôs, em sua conferência no Fronteiras, um estudo conjunto entre países como solução para a redução da desigualdade. Ou diminuímos a desigualdade pela união ou precisaremos de episódios dramáticos para fazê-lo, como guerras e revoluções.

Educação e tributação mais justa reduziriam desigualdade, diz Piketty

Democratizar o acesso à educação de qualidade, para que quem estuda no ensino público também consiga bons empregos e salários mais altos, é uma das chaves, junto com um sistema tributário mais justo, para reduzir a desigualdade no Brasil, afirmou na noite de ontem (27/9) o economista francês Thomas Piketty.

Piketty disse que as próximas medidas dedicadas a elevar a renda dos mais pobres devem vir acompanhadas também de um sistema tributário mais justo, que reduza a imensa fatia da renda concentrada historicamente pelo topo mais rico no Brasil. Estudo recente conduzido pelo World Wealth and Income Database, instituto codirigido por Piketty, mostrou que a fatia da renda nacional concentrada nos 10% mais ricos passou de 54,3% para 55,3% de 2001 a 2015. No mesmo período, a participação da renda dos 50% mais pobres também subiu 1 ponto percentual, passando de 11,3% para 12,3%. Já a participação da faixa intermediária de 40% da população na renda nacional caiu de 34,4% para 32,4% de 2001 a 2015. Leia a reportagem completa no Valor.

Thomas Piketty: esclarecendo um dos maiores best-sellers de economia

Thomas Piketty é o autor mais vendido da história da economia. Seu livro O capital no século XXI chegou ao topo das listas de mais vendidos de forma surpreendente, já que, mesmo que Piketty escreva de forma clara, o livro tem 700 páginas e trata de um tema denso, a história da riqueza e da renda.

Na obra, partindo de sua pesquisa sobre 20 países, Piketty apresenta uma fórmula simples para explicar a desigualdade econômica: r > g, o que significa que a renda sobre o capital cresceria num ritmo mais rápido do que a economia.

Na prática, Piketty quer mostrar que aqueles que já possuem um patrimônio, seja por herança, investimentos ou bônus, tendem a enriquecer de forma mais rápida do que os que ganham sua renda por meio do trabalho. A renda produzida pelo capital tenderia, afirma, a se acumular nas mãos de pequenos grupos, enquanto a renda do trabalho tenderia a se dispersar pela população como um todo. Assim, conclui ele, se os ganhos sobre o capital aumentam mais rápido do que os salários, a desigualdade aumenta.

Apesar da leitura que muitos tiveram sobre o livro, Piketty esclarece que a desigualdade em si não é a vilã da história, mas sim seu crescimento, que levaria ao real problema, a extrema desigualdade. E, mesmo assim, este não é nosso inevitável destino, como explica o economista na entrevista publicada aqui.

Radicalizar a democracia

"Os países mais ricos do mundo enriqueceram porque aceitaram distribuir" - Thomas Piketty

O presidente Emmanuel Macron tinha acabado de fazer seu primeiro discurso sobre o futuro da União Europeia, 24 horas depois de conhecidos os resultados da eleição alemã, quando o economista Thomas Piketty pegou um avião para São Paulo. Participaria, pela primeira vez, do fórum de palestras Fronteiras do Pensamento.

Ao receber o Valor, na tarde de seu desembarque, em hotel na zona Oeste de São Paulo, Piketty já tinha sua crítica na ponta da língua. O discurso não incorporara as sugestões do economista, no segundo turno da eleição francesa, como passaporte para seu apoio ao candidato do Em Marcha. A proposta, transformada em livro ("Por uma Europa Democrática", Intrínseca, 2017), é a de que a única saída para a União Europeia é radicalizar a democracia.

A aposta de Piketty, cujo candidato (Benoît Hamon, do Partido Socialista), ficou em quinto lugar, é de que a UE não encontrará seu rumo enquanto suas decisões derivarem do embate de seus ministros de Finanças e não dos eleitos pelos parlamentos nacionais.

Foi sua segunda passagem pelo Brasil. Na primeira, em 2014, cumpria o circuito de lançamento de "O Capital no Século XXI". O livro fez do economista de 46 anos, nascido de um casal de militantes de esquerda da geração de 1968, um best-seller mundial, com mais de 2 milhões de cópias vendidas em todo o mundo e 150 mil no Brasil.

O compêndio ficou desfalcado de informações mais precisas sobre o Brasil, que só seriam liberadas pela Receita no ano passado. Os dados sobre imposto de renda foram pioneiramente processados pelos economistas Marcelo Medeiros e Pedro Ferreira de Souza, mas são os estudos de seu orientado, o irlandês Marc Morgan, que levaram Piketty a ser mais assertivo: "Os países mais ricos do mundo adotam, há mais de um século, uma política de progressividade fiscal cujo desconhecimento no Brasil bloqueia seu desenvolvimento", disse, ao Valor, antes de rechaçar a resiliente percepção da elite nacional de que é preciso crescer para distribuir: "Os países mais ricos se desenvolveram porque distribuíram".

O economista fala como escreve. Explora a mesma ideia por vários caminhos até que esteja seguro de que foi bem assimilada. Restringiu o número de entrevistas desde que seu best-seller lhe impôs uma agenda de arauto da desigualdade, mas preservou o tom da ofensiva. Agora investe em estudos sobre os obstáculos políticos à redução da desigualdade e em ampliar seus contatos com pesquisadores do tema mundo afora. Traz no seu tablet a fotografia da capa do livro "Tributação e Desigualdade", organizado pelo economista José Roberto Afonso, que está para ser lançado com um artigo de sua autoria.

Aos 23 anos, o matemático, doutor em economia, cruzou o Atlântico para dar aulas no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Hoje permanece na EHESS, Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris, e se limita a cruzar a Mancha para dar quatro dias de aula por ano na LSE (Escola de Economia de Londres). Leia a entrevista concedida a Maria Cristina Fernandes, no Valor.

Thomas Piketty: “A democracia deve controlar o capitalismo, não o contrário”

Thomas Piketty: Não sou contra o capitalismo e a propriedade privada. Nasci em 1971, tinha 18 anos quando caiu o muro de Berlim. Era jovem demais para ter sido comunista. Pode ser que existam pessoas, no Brasil ou fora dele, que ainda vivam na Guerra Fria. Não é problema meu. O que me interessa é saber qual forma de capitalismo ou de propriedade privada temos e quais ou seus impactos. Acredito no mercado, mas entendo que precisamos de instituições públicas democráticas muito forte para enquadrá-lo. Necessitamos de impostos progressivos sobre a propriedade, de serviços públicos de qualidade, de infraestrutura, de regras para o mercado do trabalho, de sindicatos organizados, de tudo o que nos ajude a controlar as forças do mercado para que estas funcionem no interesse geral. A democracia deve controlar o capitalismo, não o contrário. É uma conclusão baseada nas lições da história. Só depois dos grandes choques como a I Guerra Mundial, a revolução bolchevique e a crise de 1929 é que surgiram mecanismos de redução de desigualdades na Europa e nos Estados Unidos. A redução da desigualdade estimulou o crescimento econômico e obrigou o capitalismo a desenvolver sistemas como o da previdência social. Existem várias maneiras de organizar o capitalismo, que não é o mesmo na Suécia, onde o Estado recolhe 50% das riquezas em impostos, para sustentar os serviços prestados à sociedade, e na Ásia e América. Leia a entrevista completa ao Correio do Povo.

Thomas Piketty apresenta histórico sobre desigualdade e lamenta ascensão do nacionalismo

Na palestra intitulada "O avanço da desigualdade e a globalização", apesar de seu forte caráter histórico, o economista francês aproveitou também para tecer fortes críticas à recente ascensão de práticas nacionalistas — muito, acredita ele, levadas a cabo pelo crescimento da desigualdade em diferentes países. Ele citou casos como a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, e a saída do Reino Unido da União Europeia (o chamado Brexit), que ainda não davam sinais de que aconteceriam quando da publicação de seu principal livro, há quatro anos.

— O aumento da desigualdade pode levar ao aumento do nacionalismo. E esse problema precisa ser tratado de forma democrática. A frustração com a política não pode ser usada para culpar grupos minoritários, como fez Trump com os latinos. O que vemos nos Estados Unidos é deprimente, mas não é coincidência: tem tanta relação com o aumento da desigualdade quanto o Brexit — garantiu Piketty. Leia o texto completo em Zero Hora.

Contraponto: A temporada de Piketty

Um grupo de teóricos insiste em observar a desigualdade. Mas o Brasil faria bem em se concentrar no que acontece com a pobreza.

Piketty defende uma tese que vai muito além do debate econômico. Ela contém uma “suspeita” filosófica: quando a desigualdade cresce acima de um nível “x”, há uma ameaça à justiça social. Sociedades muito desiguais destruiriam as ideias de meritocracia e equidade no acesso a oportunidades, centrais para a democracia. Ele não define em que consiste o ponto “x”. Apenas suspeita que estejamos muito perto dele, em boa parte do planeta, e com certeza no Brasil, um país particularmente marcado pela desigualdade. Sugere criar um imposto global sobre a riqueza. Suas opiniões têm um viés político bastante claro. Ele acredita no governo. Acha que a máquina do Estado, se arrecadar mais, fará um bom trabalho em favor dos mais pobres.

[Parte do artigo do cientista político Fernando Schüller, publicado na revista Época.]

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