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Qualidade da Fibra produtores mato-grossenses buscam melhor posicionamento comercial

O algodão de Mato Grosso sempre se destacou pela qualidade, tanto no mercado interno como nas exportações. Mas nos últimos anos, com a evolução tecnológica do parque industrial têxtil, o nível de exigência do padrão de qualidade de fibra está cada vez mais elevado.

Desta maneira, a Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão – AMPA, com apoio técnico do Instituto Mato-grossense do Algodão – IMAmt, criou em 2012, o Programa de Qualidade de Fibra, um projeto específico voltado para a qualidade junto aos produtores do estado, com objetivo de incorporar boas práticas, em todas as etapas da cadeia produtiva.

O projeto busca coletar informações das etapas da lavoura, na colheita, no beneficiamento e na classificação do algodão, de forma a garantir a conformidade da pluma. Com uma fibra bem produzida, bem caracterizada e adequadamente classificada, o cotonicultor poderá ter segurança para negociar a produção.

O caminho tomado

As iniciativas de aprimoramento de qualidade começaram onde há interferências de fatores externos que influenciavam diretamente a qualidade da fibra:

  1. Semente: verificar não apenas a produtividade da cultivar, mas também a qualidade do produto final;
  2. Manejo: buscar melhores técnicas de controle sobre pragas e doenças, da ocorrência de plantas daninhas, nematóides, entre outras;
  3. Colheita: testes com colhedeiras, de forma encontrar as condições adequadas para a qualidade, como as características climáticas, como temperatura e umidade, a melhor velocidade de colheita, além do cuidado no armazenamento;
  4. Beneficiamento: definir padrões com melhor eficácia, para cada maquinário, levando em conta a característica do produto, a velocidade e número de serras no descaroçamento do algodão;
  5. Uniformidade: buscar o emblocamento a partir da classificação da fibra; e
  6. Indústria: a identificação do perfil de fibra desejada pelo mercado reside preocupação dos produtores em ofertar o fio adequado para cada indústria.

Histórico

Consultor técnico desde o início do projeto, o coordenador Sérgio Dutra elaborou as normas do Programa. Ele conta um pouco destes seis anos de monitoramento:

Cada talhão, uma análise

A área de plantio de algodão em Mato Grosso na safra 2017/18 ultrapassou 780 mil hectares, um aumento de 25% em relação à safra 2016/17. Pelas diferenças geográficas, o estado é dividido em sete núcleos regionais, cada um com especificidades próprias, o que traz um desafio para o projeto: tratar as diferentes conformidades, na busca de um objetivo, a qualidade.

Na busca de dados que tragam segurança para os produtores, são realizadas coletas de amostras em todas as fazendas dos associados, de forma proporcional em função da área algodoeira de cada região. Todas as amostras são coletadas antes da colheita e são beneficiadas com a mesma máquina de descaroçamento, com condições controladas.

Desta maneira, se pode ter uma visão da qualidade intrínseca da fibra em função da safra, da variedade e da época de plantio. Também são realizadas coletas em diversas fases do processo de beneficiamento, no intuito de identificar quais processos afetam, e de que forma afetam, a qualidade da fibra.

As variedades, é preciso conhecê-las bem

O coordenador técnico do Programa Qualidade da Fibra de Mato grosso, Jean Louis Belot é reconhecido por ser pesquisador melhorista de cultivares de algodão.

Ele destaca a importância de conhecer a capacidade do grande número de variedades de forma a passar a melhor informação para os produtores dentro das características de suas fazendas:

Visão dos gestores

Importante destacar a receptividade e pensamento das associações mato-grossenses voltadas para a cotonicultura em relação ao projeto:

Cada vez mais os produtores se voltam para a qualidade da fibra, tanto aqueles que se voltam para o mercado externo, como também para entregar um produto dentro das especificações da indústria têxtil nacional. O produtor Junior Zanetti, de Campo Verde-MT, pondera sobre a necessidade de se buscar sempre a qualidade:

Parcerias, sempre importantes e presentes

A presença de parcerias sempre complementam e ajudam no pleno desenvolvimento dos projetos. No projeto de Qualidade de Fibra, é importante destacar:

Embrapa Algodão

  • desenvolvimento de método de identificação de pegajosidade a campo. Serão fornecidas amostras com ampla variabilidade nas propriedades destas.

Cooperativa dos Cotonicultores de Campo verde - Cooperfibra

  • fornece equipamentos do laboratório de classificação para se detectar e quantificar os açucares e assim determinar a pegajosidade das amostras de algodão.

Universidade Federal do Mato Grosso - UFMT - Campus de Rondonópolis-MT

  • monitoramento da qualidade na colheita e no beneficiamento do algodão

Texas Tech University

  • pesquisa de melhoramento genético do algodão no Brasil e de seleção de variedades com alta qualidade de fibra, sob coordenação do professor Renildo Nion, da UFMT de Rondonópolis.

Instituto Mato-grossense do Algodão - IMAmt

  • Escola de Beneficiamento AMPA/IMAmt: construída no Centro de Treinamento e Difusão Tecnológica do Núcleo Regional Sul, em Rondonópolis. Nela foi montada uma micro usina com características apropriadas para atividades pedagógicas e de pesquisa. Construída em vidro, possibilita o acompanhamento de todos os processos e fases do beneficiamento de forma a auxiliar na capacitação de colaboradores de toda cotonicultura nacional.
  • Controle de pragas e doenças: a equipe do Projeto de Bicudo apoia na coleta de amostras de algodão, além do repasse de base de dados do levantamento e talhões de algodão plantados no estado.

Indústria Têxtil

Para fechar toda a cadeia produtiva, a AMPA procurou se aproximar ao máximo dos grandes varejistas, dos corretores de algodão, bem como de fiações, tecelagens, confecções e de centros de distribuição de vestuário de moda, uniformes profissionais, cama, mesa e banho.

Nos últimos anos, produtores mato-grossenses realizam visitas técnicas a importantes polos têxteis, como São Paulo e Santa Catarina, além do Nordeste, como foi feito em dezembro de 2017, quando um grupo liderado pelo presidente da AMPA, Alexandre Schenkel, visitou empresas no Ceará e em Sergipe.

“Essa interação entre produtores e representantes dos demais elos da cadeia do algodão é fundamental para que estejamos aptos a consolidar nossa fatia do mercado e aumentar a participação da fibra natural no segmento têxtil” (Alexandre Schenkel – presidente da AMPA)

O grupo visitou:

  • Sergipe Industrial Têxtil (SISA)
  • Cia. Industrial Têxtil (CIT)
  • Vicunha
  • Grupo Lunelli
  • Empresa TBM

Da mesma forma que os produtores visitam a indústria, o caminho inverso também é feito. Durante o V Workshop da Qualidade do Algodão, realizado em Cuiabá, em agosto de 2017, representantes da indústria têxtil foram convidados a participar, e aproveitaram para conhecer lavouras e usinas de beneficiamento em Campo Verde-MT.

“É preciso haver uma aproximação maior entre os produtores e os grandes varejistas. Muitas coisas que os consumidores desejam em termos de sustentabilidade já são praticadas pelos produtores no campo. Tudo isso precisa ser informado melhor a quem está na ponta da cadeia do algodão (Maria José Orione – diretora de Planejamento da Capricórnio Têxtil, de SP)

Estiveram no V Workshop:

  • Capricórnio Têxtil-SP
  • ADM-SP
  • Kuradhiki do Brasil-SP
  • Star Colours-SP
  • Incofios-SC
  • Buddemeyer-SC
  • Fiação São Bento-SC
  • Círculo-SC
  • Fiação Águas Negras-SC
  • Vargas Têxtil-SC
  • Karsten-SC
  • Orbi Corretora-PR
  • Coamo-PR

Primeiros Resultados

Desde a aprovação do projeto de Qualidade de Fibra, junto ao Instituto Brasileiro do Algodão - IBA, em 2012, destacam-se:

  • compilação de dados das seis últimas safras de 20% dos talhões em produção, com representatividade proporcional à participação de cada cultivar;
  • realização de ensaios e estudos sobre tingimento, realizados em parceria com a empresa Santista S/A;
  • desenvolvimento de software específico para registro da qualidade intrínseca da fibra produzida em Mato Grosso;
  • realização de Workshops da Qualidade desde 2013, para compartilhamento das principais necessidades da indústria têxtil brasileira e do mercado internacional;
  • treinamentos em 10 diferentes modalidades nas Algodoeiras mato-grossenses; e
  • visitas técnicas em indústrias têxteis das regiões sul, sudeste e nordeste
Tela do Software do Banco de Dados - Qualidade intrínseca da fibra de algodão de MT
Visita de representantes da indústria têxtil durante Workshop de 2017 - Fazenda Modelo - Campo Verde-MT - Foto: AMPA / IMAmt

IBA

O Instituto Brasileiro do Algodão entende a importância da qualidade de fibra para a cotonicultura brasileira. O grupo técnico sempre busca acompanhar os resultados de forma a auxiliar na adequação e complementação do Projeto de Qualidade de Fibra.

O diretor técnico do IBA, Gustavo Rodrigues Prado, destaca os diferenciais do projeto:

“Programa de Qualidade da Fibra da AMPA, executado pelo IMAmt, é um belo exemplo de boas práticas e integração dos elos cadeia produtiva. Os resultados evidenciados pela equipe de projetos do IBA no monitoramento da execução comprovam o êxito da iniciativa, desde as recomendações sobre o manejo de lavouras até o beneficiamento e a industrialização. Todavia, o maior ganho está na aproximação da indústria ao produtor. Assim, um entende a realidade do outro e constroem juntos acordos que beneficiam ambas as partes.

Há várias outras iniciativas das associadas relacionadas à melhoria da qualidade da fibra, testando cultivares, buscando variedades com bom rendimento e qualidade de fibra, utilização de equipamentos modernos de análise da qualidade, mas ainda não há nenhum projeto estruturado como este.

Entretanto, o IBA tem um papel fundamental como agente disseminador de boas práticas e vem desempenhando esse papel. Nas visitas de monitoramento os técnicos de projetos têm levado informações a despeito dos resultados do projeto de qualidade da fibra da AMPA".

"Acredito que o principal resultado alcançado pelo projeto foi proporcionar aos produtores do Mato Grosso, uma visão sistêmica de todos os aspectos que envolve a questão “qualidade” na produção do algodão. Com esta nova visão o produtor têm muito mais elementos para definir o tipo de algodão que deseja produzir de acordo com as condições que ele dispõe" (Adilson Santos - analista técnico - IBA)

Referências

  • www.iba-br.com
  • www.ampa.com.br
  • www.cooperfibra.com.br
  • entrevistas realizadas em Campo Verde, Rondonópolis, Cuiabá, Sapezal, Lucas de Rio Verde
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IBA
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