Representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e chefes de Estado de todo o mundo elencaram, em 2015, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que nortearão a agenda global até 2030 (conheça os objetivos na imagem abaixo).

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. (Fonte: reprodução)

A criação dos ODS visa a coordenar ações mundiais – com o apoio de governos, empresas, academia e sociedade civil – para a promoção da vida digna para todos.

O Instituto Embraer – responsável por definir e realizar o investimento social da Companhia – busca atuar em consonância com as pautas globais e, nesse sentindo, elegeu o ODS #5 IGUALDADE DE GÊNERO como tema da Semana da Asa 2016.

Vamos falar sobre mulheres empoderadas na Aviação?

AGENDA 2030 - MULHERES

No vídeo abaixo, Beatriz Carneiro - Secretária Executiva da Rede Brasil do Pacto Global - fala sobre os Princípios do Empoderamento da Mulher, iniciativa em parceria com a ONU Mulheres, que busca fomentar na comunidade empresarial práticas que visem à equidade de gênero.

“A igualdade de oportunidades é boa para os negócios: quando você tem diversidade dentro das empresas você tem maiores chances de buscar novas soluções e trazer produtos inovadores e soluções inovadoras para a sociedade que está em constante transformação (...). As empresas tem papel fundamental em promover essa inclusão feminina, o empoderamento feminino e a igualdade de gênero”. — Beatriz

PIONEIRAS

Voar sempre foi um sonho dos homens – e das mulheres também.

Alberto Santos Dumont concretizou esse desejo em Paris, no ano de 1906 e, perante mais de mil espectadores, pilotou o 14-Bis – primeira aeronave mais pesada que o ar a decolar por seus próprios meios.

1º voo do 14-Bis

A partir do feito histórico do brasileiro, diversas iniciativas experimentais surgiram no campo aeronáutico. Em 1910, por exemplo, Demetre Sensaud de Lavaud projetou e construiu um avião pela primeira vez no Brasil, o monoplano São Paulo.

A incipiente aviação comercial e os aeroclubes propagados pelo país incentivaram diversos entusiastas a voar, engajando um público crescente. A produção industrial e a aviação nas Forças Armadas estabeleceram-se somente em meados de 1930, mas as duas primeiras décadas do século XX foram efervescentes.

A atuação feminina no setor aeronáutico teve início nos anos 20 diante de cenário pouco convidativo: no campo social as mulheres lutavam para conquistar a igualdade de direitos políticos e civis, ao passo que o setor aeronáutico era ainda uma exclusividade masculina.

A determinação de quatro mulheres foi essencial para superar o desafiador contexto da época. Entre 1920-30, Thereza, Anésia, Ada e Joana alcançaram o fascinante sonho de voar.

Thereza de Marzo

Thereza de Marzo, nascida em São Paulo (SP), em 6 de agosto de 1903, foi a primeira brasileira a receber o diploma de piloto-aviador internacional. Antes de voar, no entanto, superou dificuldades em terra.

Thereza de Marzo (Fonte: reprodução)

Apaixonada por aviação, foi repreendida pela família quando relatou o desejo de pilotar. Determinada, percorreu a pé a cidade de São Paulo até o Aeródromo Brasil, onde os pilotos italianos - João e Enrico Robba - ministravam aulas de voo. Sem o apoio familiar, conseguiu matricular-se no curso rifando uma vitrola.

Iniciou as aulas em março de 1921, contando com as instruções dos irmãos Robba e do piloto alemão Fritz Roesler. Durante um ano, à frente de um avião Caudron G-3, realizou o seu sonho.

Pilotou sozinha pela primeira vez em março de 1922 e, algumas semanas depois, no dia 8 de abril, habilitou-se perante banca do Aeroclube Brasil, recebendo o brevê nº 76 da Fédération Aéronautique Internationale. No mesmo ano, efetuou o primeiro reide para a cidade de Santos (SP) e criou as chamadas Tardes de aviação, nas quais realizava voos panorâmicos com passageiros.

Em 1926 se casou com o instrutor Fritz Roesler. Embora inicialmente compartilhassem a paixão pela aviação, Roesler proibiu que Thereza voasse após o casamento. A aviadora nutria esperanças de voltar a voar, mas encerrou a carreira de piloto precocemente. Apesar disso, totalizou mais de 300 horas de voo, numa trajetória coroada de êxito e pioneirismo.

Thereza e Fritz / Brevê n°76 (Fonte: reprodução)

Anésia Pinheiro Machado

Anésia Pinheiro Machado é considerada a segunda mulher a receber o brevê de piloto no Brasil – apenas um dia após a conquista de Thereza, mas seus feitos foram de longo alcance.

Anésia Pinheiro Machado (Fonte: reprodução)

Nascida em 5 de junho 1904, em Itapetininga, interior paulista, ingressou no setor aeronáutico aos 17 anos, quando começou seu treinamento pilotando aeronaves.

Após a conquista do brevê em 1922, passou a voar com o transporte de passageiros. No mesmo ano, concretizou voo histórico entre as capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, compondo as comemorações do centenário da independência brasileira. Foi a primeira mulher a realizar um voo interestadual no país.

O feito gerou grande visibilidade, incluindo comprimentos de Alberto Santos Dumont. Na mesma época, Anésia havia participado do I Congresso Feminista Internacional como delegada da Liga Paulista pelo Progresso Feminino. Assim, o voo pioneiro em uma data comemorativa nacional representou importante bandeira para o movimento feminista dos anos 1920.

Reportagem em publicação portuguesa / Brevê n°77 / Carta de Alberto Santos Dumont (Fonte: reprodução)

Anésia também foi uma pioneira política. Ainda muito jovem participou da chamada Revolução de 1924, quando foi presa e mais tarde libertada pelos revolucionários. Entre outras missões, sobrevoou o navio Minas Gerais, jogando flores e um bilhete dizendo “E se fosse uma bomba?”. Por conta disso, ficou proibida de voar até o ano de 1939 – quando retomou suas atividades.

Em 1940, recebeu a licença nº 271 do Departamento de Aviação Civil (DAC) para piloto privado. Também conquistou a autorização para voar em aeronave comercial. Logo em seguida, foi habilitada como instrutora de voo, piloto de voo por instrumentos e, nos Estados Unidos, instrutora de Link Trainer.

Em 1951, realizou novo feito histórico: com um monomotor voou de Nova York para o Rio de Janeiro. No mesmo mês, atravessou a Cordilheira dos Andes na América Latina.

Em 1954, foi reconhecida pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI), na Conferência de Istambul, como Decana Mundial da Aviação Feminina, por ser a detentora do brevê mais antigo do mundo ainda em atividade de voo.

Anésia e diferentes aeronaves que pilotou (Fonte: reprodução)

Ada Leda Rogato

Ada Rogato é detentora de alguns títulos: foi a primeira mulher brasileira a obter licença como paraquedista, a primeira piloto habilitada de planadores e a terceira a receber um brevê aeronáutico, em 1935. Também se tornou conhecida pelas acrobacias aéreas e como pioneira na aviação agrícola. A partir daí seus feitos só cresceram.

Ada Leda Rogato (Fonte: reprodução)

Nascida em São Paulo, no dia 22 de dezembro de 1920, a filha de imigrantes italianos começou a vida profissional como funcionária pública, mas não tardou a ingressar no setor aeronáutico. Após a conquista das habilitações necessárias, Ada – que sempre pilotava sozinha -, alçou voos ainda mais altos.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, realizou de maneira voluntária mais de 200 voos de patrulhamento no litoral paulista. Alguns anos depois, em 1950 atravessou os Andes por onze vezes. Feito inédito até então.

No ano seguinte, voou mais de 50 mil quilômetros pelas Américas, chegando até o Alasca, EUA. Utilizou na empreitada um pequeno monomotor Cessna 140, batizado de "Brasil".

Também conquistou recorde na Bolívia ao pousar no aeroporto de La Paz – então o mais alto do mundo – com um avião de baixa potência, somente 90 HP. Foi ainda pioneira ao cruzar sozinha a região amazônica, em uma aeronave sem rádio, guiando-se apenas com uma bússola.

Além de destacar-se como piloto e paraquedista, Ada Rogato também se dedicou à preservação da história aeronáutica do Brasil. Atuou como redatora em revista especializada, foi Presidente da Fundação Santos Dumont e Diretora do Museu da Aeronáutica.

Foi a primeira mulher a receber a Comenda Nacional de Mérito Aeronáutico e o título da Força Aérea Brasileira de Piloto Honoris Causa.

Ada Rogato e seus aviões (Fonte: reprodução)

Joana Martins Castilho D'Alessandro

Diferente de outras pioneiras, Joana Castilho teve grande incentivo familiar para ingressar na aviação. Nascida em São Paulo, em 10 de novembro de 1924, adotou logo cedo o município de Taubaté (SP), onde voou pela primeira vez aos treze anos.

Joana Martins Castilho D'Alessandro (Fonte: reprodução)

Joaninha - como ficou conhecida - é considerada a aviadora acrobata mais jovem do mundo. O fato é listado no Guiness Book e faz menção ao voo acrobático que realizou aos 14 anos. Dois anos depois, em 1940, também ganhou campeonato de acrobacia.

O talento e pioneirismo de Joana ganharam destaque entre autoridades políticas e na imprensa. Assis Chateaubriand – grande empresário das comunicações – destacou os feitos da piloto em uma série de reportagens nos Diários Associados. Mesmo o Presidente da República, Getúlio Vargas, salientou publicamente a importância de Joana para a aviação.

Foi sua família, no entanto, que permaneceu subsidiando suas atividades aeronáuticas. Joaninha e seus pais acreditavam que seu exemplo encorajaria outras jovens mulheres a ingressar no setor - e estavam certos. Até hoje a aviadora é lembrada pela sua destreza como piloto e paraquedista, sendo considerada uma referência no setor, tendo recebido inúmeras homenagens e se tornando de fato uma inspiração para mulheres na aviação do Brasil.

Joana Martins Castilho D'Alessandro com Getúlio Vargas / Joana e Ada Rogato / Joaninha em premiação de voos acrobáticos (Fonte: reprodução)

AVIAÇÃO COMO PROFISSÃO PARA AS MULHERES NO BRASIL

As pioneiras abriram caminho para que outras mulheres desbravassem não só os céus – mas todo um campo profissional.

Lucy Lupia é um exemplo. Carioca de Grajaú, iniciou sua trajetória na aviação em 1967 voando em um pequeno aeroclube. Atuou profissionalmente como co-piloto, piloto e, na década de 1970, realizou treinamento oferecido pela Embraer para pilotar a aeronave comercial EMB 110 Bandeirante. Além do turboélice, voou mais de 30 diferentes monotores e bimotores. Até os dias atuais é considerada uma precursora na aviação comercial brasileira.

Lucy Lupia em cockpit (Fonte: reprodução) / EMB 110 Bandeirante (Fonte: Centro Histórico Embraer)

As mulheres também ingressaram na Força Aérea Brasileira (FAB) a partir de 1982 e, desde então, ocupam cargos e postos em áreas diversas. A primeira turma de oficiais-voadoras foi formada em 2006, ajudando a incrementar o número de mais de onze mil mulheres no efetivo da FAB nos dias de hoje.

Profissionais militares da Força Aérea Brasileira (Fonte: Força Aérea Brasileira)

Muitos ainda são os desafios, é claro. Mas as mulheres vêm ocupando espaço crescente e hoje são milhares nos setores de aviação e tecnologia – graças também a um longo passado de realizações de muitas brasileiras que, desde o início do século XX, se lançaram à verdadeira aventura de voar.

Em reverência a esse legado, apresentamos alguns depoimentos inspiradores de mulheres que ao seguirem os passos de nossas pioneiras, traçam suas próprias rotas e continuam a fazer história.

Confira!

“O fato de ainda não sermos maioria, ou de ainda não sermos em grande número na área de tecnologia, não quer dizer que nossa presença ou que a nossa participação não seja expressiva - e que não possa ser ainda mais expressiva.” — Capitão Camila
“A mulher na liderança é uma característica das empresas inovadoras e sustentáveis.” — Fabiana
“E, como estamos cruzando fronteiras para procurar talentos em várias partes do mundo, também temos que cruzar as fronteiras do gênero, visto que as mulheres estão integrando cada vez mais a sua vida.”- Donna
“Eu comecei a carreira na Embraer como menor aprendiz e foi onde despertou essa vontade de trabalhar com aviões (...). Para que tem um sonho ou deseja ingressa ingressar na área da aviação, nós temos desenvolvido um trabalho muito bom, as mulheres têm ganhado seu espaço com um trabalho diferenciado.”— Danielle
“Eu fiquei um tanto preocupada, ‘uma mulher fazendo Engenharia Mecânica?’ (...) . E [hoje] a primeira coisa que eu gostaria de falar é que se uma mulher tem vontade de fazer Engenharia faça, que não desista, faça!” — Priscila

Deseja saber mais sobre sobre a história da Embraer e da indústria aeronáutica brasileira?

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