O MELHOR PAI DO MUNDO: JORGE OBRIGADA POR TER ME AMADO E INSPIRADO TANTO!

Era uma vez um jovem aviador, maranhense de Grajaú radicado no Rio de Janeiro.... Moreno, olhos verdes, sorriso cativante e muito carismático. Ele era leve e doce, mas também muito determinado. Cresceu no interior do Maranhão, o mais velho de sete irmãos. Passou a infância na beira do rio, pescou, nadou, jogou bola e muito aprontou. Mas cresceu e foi estudar. Passou em concursos e foi trabalhar. Mas nunca deixou de sonhar. Queria ver céu de perto, pilotando e assim foi para o Rio tentar... Não deu outra, na Vasp foi trabalhar.
Mas não é do homem de garra e trabalhador que quero falar agora. Nem do piloto charmoso, tampouco do industrial bem sucedido... Quero falar do mais doce Pai que uma garotinha poderia ter... Do mais compreensivo amigo, do mais talentoso psicólogo que chegou a construir uma cama de madeira comigo, só para que perdesse o medo de dormir só e tivesse vontade de habitar meu quarto com a nova cama "self made". Histórias infantis para dormir, sim todas as noites as tive. Mas eram especiais, criadas por ele e recheadas de aventuras, superação e lições de ética que desde a infância iriam pautar o meu caminho segundo a cartilha dele, na qual trabalho, honestidade e busca de excelência eram os "must have" inegociáveis da vida.
Com minha mãe Maria Carmen e meu pai Joaquim Jorge: Meus alicerces sólidos
Cresci, tendo meu pai como grande amigo, confessor e maior incentivador. Misto de chapa e super herói, incansável para me ajudar, mesmo quando voltava do trabalho exaustivo. Criativo e lúdico, sempre querendo educar com amor. Amor, ah como isso é importante na primeira infância, na adolescência e na maturidade. E como ele nos amou...Sentir-se amado é ter uma base sólida para toda a vida. Sabe aquele sentimento de que a gente "tudo pode" ? Não por sermos melhores, mas por termos tido esse cara tão especial que um dia acreditou na gente e nos acostumou a sonhar, a querer mais e a buscar... Sim, ele era aquele pai que mesmo com saudade e apego, não nos prendia no ninho, mas nos ensinava a voar. Quanto desprendimento e sabedoria tinha ele!
Foto Ilustrativa - Para lembrar que ele estava comigo quando aprendi a andar de bike sem rodinhas, numa tarde linda, ao por do sol do Aterro do Flamengo (RJ)
E quando resolvi aprender a andar de bicicleta sem rodinhas? Que medo deu... Mas ele me levou, em uma tarde ensolarada e linda, para o Aterro do Flamego, e naquele local "cartão postal" do Rio, foi correndo comigo, segurando por trás a minha bike já sem rodinhas mas dando todo o equilíbrio que eu precisava e ainda não tinha... Ah, esse Equilíbrio, me fez tanta diferença... Ele dizia para eu ir que ele estava ao meu lado, quando na verdade já havia soltado a bike e monitorava apenas. Eu já ia pedalando por conta própria, mas achando que ele se segurava. A Segurança dele era tudo para mim... Equilíbrio + Segurança, são legados dele que até hoje me impulsionam, mesmo nas horas mais duras dessa vida adulta. Cresci achando que "Eu Consigo / Yes, I Can" só porque ele me acostumou assim... E isso ajuda tanto Pai. Feliz da garotinha que cresce ouvindo isso, sentindo isso e muito mais... Como eu!
Eu ficava contando as horas para ele chegar do trabalho: A espera dos brigadeiros e sonhos que ele trazia todas as noites atendendo aos meus pedidos!
Quando mocinha, contava as horas a noite para ele chegar do trabalho... Nem com todo o cansaço e os maiores problemas que pudesse ter, ele deixava de trazer o que eu pedia. E a "encomenda" era sempre a mesma: " Alô, Pai, quando você vier pra casa, traz brigadeiro pra gente?". Sim, eu o "alugava" com esse pedido quase todas a s noites. Ele pacientemente sempre trazia, com prazer: Brigadeiros, sonhos de creme, milho cozido, sorvete e tudo o mais que adoçasse a nossa infância. Que aliás, já era doce de sobra, só por conta dele! Sim, um pai amigo , protetor e que ainda mimava mesmo!
Desde bebê, ele me deu colo e me fez sentir a pessoa mais especial e protegida do mundo!
Desde bebê, ainda filha única, era no colo dele o local em que encontrava mais aconchego e felicidade. Ele era piloto da aviação comercial e passava dias ausente. Eu, uma bebê que a mãe tentava acostumar a um sono saudável e desde cedo. Ele chegada de viagem de madrugada, saudoso e ia correndo me pegar. No colo dele eu achava meu melhor lugar no mundo... Sob os protestos de mamãe, pedindo para ele "o bebê não acordar e estragar", ele me pagava em seu colo, e saia dançando pela casa, com música e tudo... Assim, embalada com tanto amor, eu me acostumei a ficar.. Horas e horas, só nos dois e uma gigante cumplicidade que desde então nascia e para sempre perdurará. Hoje, mesmo sem ele, e sem o colo dele, ainda sinto que posso "tudo" se nele eu me Inspirar!
A minha mão na dele, era só essa foça que eu precisava para enfrentar o mundo!
Todo super - herói tem uma fonte de poder. E não sou nenhuma mulher maravilha, mas bem que tinha minha arma para o mundo enfrentar e vencer: A força dele! Sempre que tinha um projeto importante, um desafio ou algo assim, ia até ele, segurava aquela mão já idosa, e pedia para ele torcer por mim. Ele então, mesmo após um forte AVC que o deixou sem muitos movimentos por 16 anos, sempre encontrava forças para minha mão bem forte apertar. E ali, me fazia acreditar que sim:" Eu ia conseguir". E sempre conseguia mesmo!!!
No Jardim Botânico (RJ) refazendo os caminhos da infância, quando com ele íamos colher cajazinhos aos domingos e apreciar o verde
Hoje, ainda sinto que "Posso Tudo" com a força que ele me dá, mesmo tendo partido. Acredito que esteja no céu, livre do sofrimento da doença, sorrindo ainda mais. Preciso aprender a senti-lo onde acredito que ele possa estar: No céu azul, no mar, nas aves, nas crianças e nas flores. Meu Pai era um ser feito de amor, doçura e poesia. Talvez gostasse tanto de crianças, por nunca ter deixado de ser uma. Ah, feliz do adulto que aprende a ser forte, sem deixar de ser criança. Ele era assim! Aos domingos, mesmo doente, íamos a praia bem cedinho, eu e ele. Acho que esperava a semana toda por esse momento. E eu não faltava. Só se chovesse ou ele adoecesse. No sol, no céu, no mar, agora quero te encontrar!!!
Na praia, no céu, no mar, sei que ele sempre ali vai estar!
Cercado de netinhos, mas pena que ele não teve tempo de lhes ensinar os valores da Vida!
Created By
Adriana Vieira
Appreciate

Credits:

Created with images by Gamma Man - "Kylie learns to ride a bike. Kind of." • LariKoze - "brigadier traditional nutella" • Frugan - "Elmer och pappa"

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