Loading

Cineclubes as tentativas de manter ligado o projetor

As salas de cinema espalhadas pelo país encontram-se vazias de espetadores, sendo que a ida às sessões convencionais é ainda uma possibilidade. Depois de, há cerca de dois meses, ser oficializada a suspensão destas exibições, os cineclubes esforçam-se como podem para manter a luz da Sétima Arte acesa.

Cineclube de Faro mostra (da janela) cinema como ato social

O recente projeto "Cinema à Janela" começou a surgir nas paredes claras de vários prédios da capital algarvia, num modo de combater a ausência de espetadores nas salas de cinema. O presidente do Cineclube de Faro, Carlos Rafael Lopes, acredita que a iniciativa demonstra a "velha máxima de que o cinema é um ato social e não isolado".

"Não queríamos ficar completamente congelados enquanto associação cultural", explica Carlos Rafael Lopes a mentalidade na "fase de ponderação" que passaram na tentativa de manter a atividade e a interação com o público. Na secção de formação do cineclube, por exemplo, viu no WhatsApp uma oportunidade de, na quarta-feira de cada semana, manter a audiência a par de vários filmes que já estavam na programação da associação e dinamizar conversas em volta deles com os sócios.

Um festival de cinema num parque de estacionamento em Avanca

Um dos projetos que ajudam o Cineclube de Avanca a manter a sua atividade é o Festival de Cinema de Avanca, a caminhar já para a sua 24ª edição. A arrancar no dia 18 de julho, para depois se desenrolar entre 22 e 26 do mesmo mês, o festival será moldado em formato drive-in. Os espetadores terão acesso a uma ecrã gigante ao ar livre, visto a partir de locais de estacionamento delineados em espaços amplos no centro da freguesia, com as distâncias de segurança cuidadosamente estabelecidas. Serão exibidas obras da competição internacional da mostra e várias curtas-metragens "que a organização ainda está a selecionar", informa Costa Valente, do Cineclube de Avanca.

A "indefinição constante" que assombra o Cineclube de Vila do Conde

Para o Cineclube de Vila do Conde, as opções de combate à falta de sessões são escassas. O cineclube "não possui equipamento de projeção próprio", pelo que costuma adotar a sala secundária do Teatro Municipal de Vila do Conde para exibir sessões semanais. Esta paragem forçada provocou uma "indefinição total", lamenta Natacha Moreira, o que não permite grande flexibilidade. O cineclube já dependente das decisões da Câmara Municipal e mesmo aí não acabam as incertezas. "Também não sabemos como é que vão ser resolvidos os detalhes do apoio anual ao circuito de exibição alternativa do Instituto do Cinema e do Audiovisual, que atribui 5 mil euros aos cineclubes que concorrem", acrescenta. O problema é que, para um cineclube se candidatar, tem de realizar um número mínimo de sessões para demonstrar a sua atividade e, de momento, Natacha Moreira diz que não sabem se vão conseguir cumprir.