A nova geração dos festivais Frequentar festivais se transformou em tendência entre os jovens

Festivais de musica sempre foram, ou pelo menos na segunda metade do ultimo século, um grande marcador no tempo de gerações. Se a Woodstock em 1969 é um sinônimo da geração Hippie, e o Rock in Rio, a edição de 1985, a primeira geração pós-ditadura no Brasil, hoje temos a geração que paga valores exagerados em ingressos, e associam este à um estilo de vida, que claro, é exibido através das redes sociais.

Caroline Barcelos no festival Lollapalooza Brasil, São Paulo. 2017 / Acervo Pessoal.

Caroline Barcelos, de 21 anos, frequenta festivais de música há pelo menos 3 anos, diz ser uma grande fã de música eletrônica, além de algumas bandas de indie rock. Moradora do Rio de Janeiro, a jovem esteve no ultimo final de semana em São Paulo, para o festival Lollapalooza, e fez questão de visitar os dois dias. Muito animada, a carioca disse que apesar de gostar muito da experiência de frequentar o festival, ela preza pelo conforto e segurança, e por isso não se incomoda em pagar aproximadamente 250 reais por um ingresso referente à cada dia do festival, que com o preço um pouco elevado, além de pagar os imensos caches de artistas internacionais, consegue deixar o evento acessível apenas a uma parcela da população e transforma a pulseira de acesso ao espaço (o Lolla Pass) um verdadeiro item de status.

Essa nova temporada de festivais de música, talvez tenha sido estreada pelas novas edições do Rock in Rio, que após um hiato de 10 anos, retomou as atividades no Brasil em 2011, com uma pegada bastante diferente das edições anteriores, contando um grande numero de patrocinadores e parceiros que exibiam suas marcas em quase todos os espaços possíveis dentro dos concertos, e emprestando seus nomes até mesmo para os palcos e brinquedos, como a Roda Gigante Heineken. No ano seguinte recebemos a primeira edição do Lollapalooza Brasil, em 2012, que atingia um público um pouco diferente do Rock in Rio, que é classificado como o mainstream, por trazer em seu line up artistas muito comerciais e com grandes numero de fãs, este novo ao contrario conta com artistas mais segmentados, os chamados indies, que muitas vezes não pertencem a grandes gravadoras e por isso agradam o publico que deseja se destacar dos demais, entretanto as diferenças acabam por ai, os preços cobrados pelos ingressos, e o consumo dentro dos espaços, e o grande interesse comercial e publicidade são quase iguais em ambos os eventos.

1.Entrada do festival Lollapalooza Brasil realizado no ultimo final de semana. 2.Pessoas curtem o festival na tarde de domingo. 3.Jovens exibem seus Lollapasses Foto: Iago Moraes

Embora pareça que essa realidade da "gentrificação" dos festivais de musica ocorra apenas em terras tupiniquins, ela já ocorre a bastante tempo em outros países, e muitos destes festivais funcionam como marcas que penetraram as fronteiras brasileiras há pouco, além do americano Lollapalooza, já temos por aqui ao menos 3 festivais de música eletrônica, que apesar de terem um estilo de música um pouco diferente do oferecido pelos supracitados, possui um apelo idêntico, como o gigante Tomorrowland, que já acontecia na Europa há pelo menos 10 anos, antem da primeira edição brasileira no interior de São Paulo em 2015, e os americanos Ultra Music Festival e o Eletric Daisy Carnival, que são uma maneira dos fãs da musica eletrônica assistirem shows de inúmeros DJ's de renome internacional de uma só vez, ao longo de 2 ou 3 dias, e ao contrario das conhecidas Raves que à grosso modo seriam praticamente a mesma coisa, esses festivais contam com um grande esforço de construção de marca, e ao comprar os tickets de acesso, os seus consumidores também estão adquirindo o estilo de vida associado a estas marcas.

Além de ocorrer em diversos países simultaneamente, esses novos festivais atuam de maneira, que muitos dos seus seguidores desejem frequentar festivais em outros países, e dessa maneira o evento se transforma no proposito de viagens internacionais, é o caso de Ana, 20, estudante de moda, que é uma frequentadora assídua de festivais de música eletrônica, e já saiu mais de uma vez do Brasil para desfrutar dos shows. A capixaba que também esteve no ultimo final de semana em São Paulo para o Lollapalooza, nunca perdeu uma edição da nova geração de Rock in Rio's e já foi há pelo menos 5 festivais de música fora do Brasil. Ana afirma que "Gosto de viajar sempre que posso, e ir a festivais de música com amigos é de mais. Por que não unir o útil ao agradável e marcar as viagens em datas próximas?"

1.Ana Hadad no Lollapalooza, São Paulo.2017. 2.Ana no festival Eletric Daisy Carnival, Miami 2014 / Acervo Pessoal.

Ana não é a única a pensar assim, depois de uma breve conversa com os frequentadores, pode-se notar um padrão, que muitos destes absorvem as roupas, os acessórios, os ângulos de fotos tomadas, e até mesmo os gostos musicais de festivais que estão em alta no estrangeiro, e que nem existem no Brasil, como o Coachella e o Burning Man, ambos ocorrem no deserto da California anualmente, e já são conhecidos como verdadeiros desfiles de moda e tendencia, frequentados por celebridades e a partir daí muitos brasileiros que viajaram a esses festivais fisicamente, ou através de redes sociais trouxeram junto essas novas tendencias.

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Iago Moraes
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