UMA ROTINA DE VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS Em JABOATÃO Este ano houve 20 investidas contra unidades municipais

UMA ROTINA DE VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

JABOATÃO Este ano houve 20 investidas contra unidades municipais

MARIA LUISA FERRO - mluisa@jc.com.br

Vinte. Este é o número de registros de violência nas escolas da rede municipal de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife, registradas este ano. O número é do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da cidade (Sinproja). Arrombamentos, assaltos à mão armada e ameaças passaram a fazer parte da rotina dos estudantes e professores de 16 das 138 unidades de ensino do município. O JC visitou três das escolas em situação de risco. Insegurança é a maior preocupação de pais e funcionários.

Na Escola São Sebastião, no bairro de Vila Rica, de dezembro até agora, foram cinco arrombamentos e um assalto. No último dia 14, quatro homens encapuzados entraram pelo telhado e fizeram dois funcionários reféns. Não havia alunos no horário.

Após essa ocorrência, a Secretaria de Educação iniciou uma reforma na unidade. “Não adianta reformar, se não tem guarda para fazer a segurança física e patrimonial”, afirmou Marcelo Anderson, 42 anos, professor de ciências.

A falta de segurança é a reclamação mais comum nas escolas. De acordo com o Sinproja, as unidades de ensino não possuem vigilantes nem porteiros, o que facilita a ação dos bandidos. Alguns funcionários chegaram a ser ameaçados, após registrar boletim de ocorrência das investidas.

Já no bairro Usina Bulhões, uma situação inusitada. A Escola Doutor José Queiroz foi fechada em agosto do ano passado, após ser invadida 25 vezes em quatro anos. Os gestores solicitaram a mudança de local após uma professora e um funcionário serem feitos de reféns dentro da unidade. Os alunos e docentes foram transferidos para a Escola Roberto Inácio da Silva, em Vila Rica, na esperança de dias melhores.

Na semana passada, homens invadiram o local e praticaram atos de vandalismo, deixando todos aterrorizados. “Isso nos causa medo, pois tenho certeza de que esses bandidos irão voltar para levar o que não levaram agora. Nós mudamos de lugar para fugir dessas situações, mas tudo está voltando”, afirmou uma professora que não quis se identificar por medo de represálias.

Das escolas visitadas, a Santa Catharine Labouré é, de longe, a que se apresenta em estado mais crítico. Em menos de três dias, a unidade foi invadida duas vezes e teve dez ventiladores, dois aparelhos de som e duas televisões roubadas. Em 2016, a unidade chegou a ser invadida nove vezes. Até garrafões de água foram roubados. De acordo com uma das gestoras da escola, a verba destinada para compra de material pedagógico acaba sendo investida em segurança.

Na Catharine Labouré, também existe uma brecha no telhado que facilita o acesso dos criminosos. De acordo com o Sinproja, as escolas alvo de invasões não receberam nenhum apoio ou sequer uma visita por parte da Secretaria de Educação. “Ninguém da secretaria visitou as escolas para ver o estado após as investidas. Nenhuma perícia foi feita no local e ninguém da segurança foi ouvir as unidades. Um verdadeiro descaso”, afirmou a diretora do sindicato, Maristela Ângelo.

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Jornal Do commercio
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