FEIRA DE GENTE Espaços (para quais) públicos?

Quem, além de turistas, está no Mercado? Quem vai todos os dias? Quem contribui para que funcione?
“Eu vim pra cá porque em casa ficava muito triste, aí o meu filho que é fiscal falou com o rapaz dono dessa banca pra me deixar cuidando dela e tô até hoje. Ele é bom, sabe? Confia em mim, porque essas coisas de pegar em dinheiro dos outros... Aí agora eu sou feliz. Deixo os problemas atrás da porta de casa quando venho e quando volto entro sem olhar pra eles. Eu me sinto muito feliz aqui, tem muita gente”. Maria José é natural de Piaçabuçu, interior alagoano. Tem 74 anos e mora em Sergipe desde os doze. Trabalha na feira há quase dois anos, já viu de tudo nesse pouco tempo no mercado e nesse longo tempo de vida e, ainda assim, mantém largo o sorriso para todos que passam.
Maria da Conceição Soares tem 74 anos, é natural de São Cristóvão e Mora em Aracaju. Passa os dias andando pela cidade, ainda que com um problema não pé. Maria da Conceição Soares teve nove filhos, dois foram mortos, um mora com ela e os outros são espalhados pela cidade. Para complementar a renda da família que é grande pede dinheiro nas ruas. Aos fins de semana com o maior fluxo do Mercado Municipal, vaga entre o restaurantes, lojas e praças aos redores.
O laranja mecânico de sua farda, não impede que passe por despercebida. São tantas cores no mercado, sua farda é comum. Por ordens da empresa não pode ser fotografada de perfil. Registrou-se um olhar para ela.
Entre uma nota e outra, seu João (pseudônimo), assim como tantos outros artistas tenta vender a sua arte, ele utiliza não apenas as mãos e seu instrumento, guia pela melodia e pelo olhar.
Pensando na brincadeira dos sete erros, o que estaria errado nessa cena? A resposta é nada! Não há nada de incomum, são pessoas andando pela feira de artesanato e um entregador de gás indo até o restaurante no bloco ao lado. Cenário cotidiano, uma hibridização constante, não há muitas paredes limitando espaços.
"Eu tenho uma casa, mas durmo na rua porque aqui consigo cobertor, comida e fralda. Dorme eu, minha sogra, meu sogro e meu cunhado. O meu namorado está no COPEMCAN, vim da visita ontem. Se meu filho for menino o primeiro nome vai ser Marcos, foi ele que escolheu. Se for menina? Ah, eu não sei."

Report Abuse

If you feel that this video content violates the Adobe Terms of Use, you may report this content by filling out this quick form.

To report a Copyright Violation, please follow Section 17 in the Terms of Use.