O Ser Bilíngüe Fatos e Mitos Sobre BILINGUISMO

Mitos

  • O biletramento pode causar atrasos na alfabetização em língua mãe (doravante L1) porque sobrecarrega o cérebro.
  • Quanto mais exposição à língua estrangeira (doravante L2), maiores chances a criança terá de atingir o nível de proficiência avançado semelhante a de um "native speaker".
  • É mais fácil aprender outra língua quando você começa a estudar quando criança. Afinal de contas, as crianças são verdadeiras "esponjas linguísticas".

Visões tradicionais = Visões monoglóssicas

A proficiência em L1 é separada da proficiência em L2.
  • Há uma relação direta entre a exposição à língua estrangeira (em casa, na rua, na escola) e o desenvolvimento da competência nessa língua.
  • As habilidades adquiridas por meio da L1 não se transferem para L2 e vice-versa.
  • Aprender outra língua resulta em um duplo monolinguismo.

Fatos

  • 95% de toda a pesquisa existente sobre aquisição de linguagem feita até o final do século 20 é baseada em crianças monolíngues.
  • Uma teoria para aquisição de linguagem pautada em visões monoglóssicas não explica o bilinguismo como fenômeno crescente no mundo globalizado.
  • As pesquisas mais recentes desenvolvidas pelos estudiosos do bilinguismo indicam benefícios cognitivos significativos, que questionam o senso comum.
Fred Genesee fala sobre os mitos do cérebro monolíngue.

VISÕES HETEROGLÓSSICAS

Jim Cummins's Common Underlying Proficiency

Prevê que há uma significante transferência de conceitos e competências entre as línguas (L1 e L2) nos dois sentidos. Isto quer dizer que há uma competência comum subjacente que promove o desenvolvimento da proficiência nas duas línguas, desde que, obviamente, existam as condições necessárias (motivação, insumo, interação etc.).

Jim Cummins is a professor at the University of Toronto Ontario Institute for Studies in Education, and has been a driving force behind bilingual education for the past three decades.
O Sujeito Bilíngue

Terezinha Maher explica que "ao depender do tópico, da modalidade, do gênero discursivo em questão, a depender das necessidades impostas por sua história pessoal e pelas exigências de sua comunidade de fala, o sujeito bilíngue é capaz de se desempenhar melhor em uma língua do que na outra – e até mesmo de se desempenhar em apenas uma delas em certas práticas comunicativas."

Terezinha de Jesus Machado Maher é mestre em Linguística Aplicada, na área de. Multiculturalismo, Plurilinguismo e Educação Bilíngüe.
Brigitta Busch's Linguistic Repertoire

Segundo Busch (2015), o conceito de repertório linguístico é descrito como a competência comunicativa demonstrada pelos sujeitos-falantes de línguas que são socialmente móveis e comprometidas com recursos comunicativos concretos utilizados por esses indivíduos em sua vida cotidiana, que refletem sua história e trajetória de vida, representada em uma diversidade de espaços socioculturais, históricos e políticos reais.

Dr. Brigitta Busch works as professor at the Institüt für Sprachwissenschaft / Institute of Applied Linguistics of the Universität Wien / University of Vienna.
Ofelia Garcia's Translanguaging

O funcionamento discursivo único do sujeito bilíngue, portanto, prevê a utilização de estratégias próprias de seu repertório linguístico que não são, de maneira alguma, aleatórias. Garcia (2009) denomina as práticas discursivas do sujeito bilíngue como “Translanguaging”. Segundo a autora, a competência comunicativa do sujeito bilíngue só pode ser compreendida e avaliada sob a perspectiva do falante.

Portanto, para interagir no – e com o – século 21, o sujeito bilíngue é capaz de produzir práticas discursivas que funcionam simultaneamente no espaço e no tempo. À medida que as línguas se expandem, o sujeito bilíngue pode escolher novas oportunidades de interação com o mundo globalizado, o que o leva a atuar em diversas realidades sociais que coexistem e que são permeadas por diferentes elementos culturais.

Content Language Integrated Learning - CLIL

Na Móbile Integral, adotamos uma abordagem denominada CLIL, na qual a língua adicional é usada para a aprendizagem e o ensino de Inglês e de determinados conteúdos, voltados para o desenvolvimento das habilidades de comunicação interpessoal e das matérias curriculares propriamente ditas, como Ciências, História, Artes ou Literatura. Esse conteúdo é extraído do contexto escolar e trabalhado de forma temática e interdisciplinar. Isso significa, portanto, que a instrução CLIL é uma forma verdadeiramente integrada de linguagem e de ensino das matérias disciplinares.

Um dos fatores mais importantes no cenário atual é como desenvolver proficiência em línguas ao mesmo tempo que educamos nossos alunos. Uma maneira de fazer isso é ensinar matérias curriculares em uma língua adicional. Nós nos referimos à educação bilíngue do tipo CLIL, termo usado pela Comunidade Europeia. (GARCIA, 2009, p. 265.)
Segundo Coyle e Marsh (2010), o ensino CLIL é organizado conforme os eixos prescritos pelo 4Cs Framework.
  • Conteúdo: progressão das matérias curriculares ministradas em língua adicional.
  • Cognição: processo de aquisição de conhecimentos que se dá por meio da memória, do raciocínio, da imaginação e da linguagem.
  • Cultura: conscientização das identidades e diferenças culturais voltadas para a compreensão da diversidade cultural.
  • Comunicação: aprendizagem e uso de linguagem.
Comunicação
  • Language of learning (Língua de aprendizagem): refere-se a vocabulário e estruturas de que os alunos necessitam para acessar novos conhecimentos acerca do conteúdo aprendido.
  • Language for learning (Língua para aprendizagem): refere-se à linguagem necessária para que os alunos operem em uma língua adicional para a aprendizagem de conteúdos.
  • Language through learning (Língua através da aprendizagem): refere-se à língua que surge das interações nos diferentes contextos de aprendizagem.
Alfabetização

Crianças podem aprender a ler em duas línguas mesmo quando ainda estão desenvolvendo habilidades cognitivas e orais na língua mãe. Na verdade, a alfabetização ocorre apenas uma vez na vida e o que ocorre a seguir é a transferência de conhecimentos adquiridos com a experiência de alfabetização na primeira língua para o outro idioma.

Obrigada!
Created By
Karina Fernandes
Appreciate

Made with Adobe Slate

Make your words and images move.

Get Slate

Report Abuse

If you feel that this video content violates the Adobe Terms of Use, you may report this content by filling out this quick form.

To report a Copyright Violation, please follow Section 17 in the Terms of Use.