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Insights da vida-kung fu

Reflexões Cotidianas dos Discípulos de Mestre Julio Camacho

Extraídas do Perfil no Instagram

da Família Moy Jo Lei Ou

@moyjoleioufamily

Primeiras impressões

Extraído da página “Tradere”

8 de junho de 2019

Quando conheci a Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence, fiquei encantado. Era tudo que eu poderia esperar. Talvez mais! Mestre Thiago Pereira, à época diretor do Núcleo Méier, narrava com paixão que beirava o romantismo a riqueza do Sistema Ving Tsun. Após algumas semanas foi anunciado que Mestre Julio Camacho, meu mestre e responsável pelas atividades dos Núcleos Méier e Barra, nos faria uma visita, a fim de convidar alguns membros a ingressar no Sistema Ving Tsun.

Na noite do convite, tomado pela ansiedade, fantasiei sobre o conhecimento que poderia adquirir desse mestre. Na minha cabeça, claro, ele era muito idoso e, no mínimo, possuía uma barba exótica. Uma espécie de sábio dos filmes de kung fu dos anos 70. Mas confesso que fiquei desapontado quando o vi entrar. E mais ainda quando começou a falar. Eu não consegui identificar nele nada que o associasse a grupo algum: vestia-se de forma comum, falava de forma comum. Por algum motivo, isso me desagradou muito. Em certo momento, me vi perdido. Ainda que sem traços românticos, havia algo especial tanto na escolha de palavras tanto na forma como conduzia a conversa com os alunos.

Foi nesse episódio que presenciei, pela primeira vez, uma demonstração de kung fu do meu mestre e onde começou minha admiração.

“Olhem uns para os outros e tentem encontrar características que os definam como membros de Ving Tsun. Não há! O nosso grupo é heterogêneo. Isso mostra que somos amadurecidos como praticantes”, disse Mestre Julio certa vez. E de fato, olhando para as pessoas à minha volta, senti um imenso orgulho. Idade, profissão, ambições, tipo físico, nada indicava semelhanças entre nós. Formávamos o grupo mais estranho. Absolutamente dessemelhante.

Kung fu é uma habilidade construída apenas através de experiências pessoais. Não há método que possa ser usado para aprender. Por isso, qualquer pessoa é capaz de desenvolver kung fu. Depende apenas de se como ela explora seu próprio potencial. Essa ideia, que pode ser nomeada como inteligência marcial, está em toda a prática do Sistema Ving Tsun, e não à toa aparece no nome de nossa escola. A solução para as mais diversas crises está em conseguir enxergar os benefícios que só podem passar existir por causa do problema (seja ele o soco de um agressor ou o volume alto da festa de seu vizinho).

Por André Guerra, “Moy Mei Da”, 20º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

Novo fôlego, novas ideias: o início de um novo projeto

Extraído da página “Histórias da Família Moy Jo Lei Ou”

7 de junho de 2019

Acho incrível como as coisas convergem para desenlaces inesperados.

Após a virada do ano, logo nos primeiros meses de 2019, eu simplesmente deixei que fosse “apagada” toda a presença que havia construído em 2018 no mo gun.

Fiz uma tentativa de retorno, quando, em março deste ano, junto a Si Fu e irmãos kung fu, compomos a comitiva representativa em São Paulo por ocasião do aniversário de Si Gung. Passada esta valorosa experiência, acabei ficando pelo caminho novamente.

Quando ficamos tão fechados em nosso mundo, deixando que os problemas acabem se tornando maiores do que nós, esquecemo-nos da existência de pessoas que não nos deixam ficar pelo caminho, porque estas buscam estar no lugar do outro e oferecer o que elas têm de mais legítimo, que é estar conectado, estar junto. Sobre estas pessoas, eu chamo de Família Kung Fu.

Foi graças a uma mensagem de Si Fu que mais uma vez vejo-me inserido neste universo grandioso e acolhedor, e sem demora, convidado a participar de um novo projeto.

Um dos períodos históricos mais fascinantes e complexos, para mim, é o feudalismo. Quando o estudamos, temos um contato maior com expressões como transição e ruptura, além de toda a desconstrução do período que é feita.

Na foto, eu diria que este momento é o meu período de transição, e que todos os outros pelos quais passei, foram apenas rupturas com antigos “eu”.

Sobre o novo projeto, ele convidou-me a escrever para os “Registros Orientados da Vida Kung Fu”, e para compor o projeto, serão utilizadas como fontes primárias todo o material registrado a partir de fotos, cujas histórias serão contadas pelo próprio Si Fu, e por conseguinte, será gerado um acervo contendo estas mesmas histórias, vindo a compor o seu legado.

E como minha primeira missão para dar prosseguimento ao projeto foi sair em busca de parte do acervo fotográfico de Si Fu que estava com o Si Hing Thiago Pereira, meu irmão kung fu se tornou “guardião” destas fotos históricas.

Assim como Si Fu, estou empolgado com este projeto, não só por sua dimensão, mas pelo que ele vai representar, em aspectos da produção de material relativos à Família Moy Jo Lei Ou, além da oportunidade que vejo diante de mim de poder atuar em prol da minha família kung fu, e isso me deixa muito satisfeito.

Por Fabiano Granado, “Moy Fat Bing On”, 34º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

Culpa

Extraído da página “Jornada do Coração”

6 de junho de 2019

Certa vez, antes da visita do Si Gung ao Núcleo Barra em janeiro, eu estava no mo gun inserindo os certificados do novo diretor, Si Hing André, e do novo diretor adjunto, Si Hing Guilherme, em molduras para serem pendurados na parede.

Ficou faltando a foto dos dois com o Si Fu, que eu não conseguia encontrar, e fui embora do mo gun sem resolver essa questão.

Eu já estava saindo do condomínio prestes a embarcar em um Uber quando Si Hing André me liga para me perguntar sobre a foto.

Digo que não sei o que aconteceu com ela.

Si Hing André não briga comigo, mas faz uma admoestação sobre a importância de não largar processos no meio sem o encaminhamento devido.

Daquela hora até o momento da visita do Si Gung, no dia seguinte, a culpa pesava sobre mim.

Só fui sentir certo alívio literalmente minutos antes da chegada do Si Gung ao mo gun, quando vi Si Hing André entrar no jing tong, a sala no mo gun dedicada aos ancestrais, e resolvi ir falar com ele para desculpar-me.

Ele me disse que não ficasse me sentindo culpado, que a culpa é um sentimento que não ajuda. O importante é como eu me apoio em uma situação na qual considero que minha atuação não foi tão boa para gerar algo positivo, de preferência para mim e para os outros.

Posteriormente Si Gung também falou de como é preciso olhar para o aprendizado como um processo, com erros e acertos, que nunca termina.

Si Fu diz que a palavra “desculpar”, des + culpar, significa tirar, desfazer a culpa de alguém.

Então, quando uma pessoa diz “me desculpe”, ela está pedindo que outra tire dela a culpa que carrega.

Nisso é preciso atentar a dois pontos: se a pessoa realmente tem essa culpa e por que é necessário que outra pessoa tire dela essa culpa.

É normal e quase automático que peçamos desculpas mesmo quando algo completamente inofensivo ocorre.

E mesmo que essa culpa de fato exista, por que o mais importante é que outra pessoa lhe retire a culpa em vez de aproveitar-se do ocorrido para resolver e até melhorar a situação?

Quem diria que a etimologia de uma palavra poderia nos fazer pensar com essa profundidade sobre as relações humanas...

Por Rafael Pombo, “Moy Gap Fat”, 43º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

Relação si–to

Extraído da página “Escritos Marciais”

5 de junho de 2019

O eixo da família kung fu é a relação sito (si futo dai).

Como diz o Si Fu, para que se estabeleça uma família kung fu, um si fu precisa apenas de um to dai.

Existe diferença entre vida kung fu e encontros casuais entre praticantes.

Ouvi Si Fu dizer, certa vez, que o fato de haver irmãos kung fu reunidos, por si só, não caracteriza vida kung fu. Isto me deixou muitíssimo intrigado, pois sempre, por mais de dez anos, acreditei no contrário.

O que caracteriza a vida kung fu é o momento estar relacionado justamente ao andamento da família kung fu e, evidentemente, a conexão e sintonia com o si fu.

Num certo dia de prática, tive diversas experiências significativas com Si Hing Leo Reis: ele golpeou para valer, e pude ressignificar medo, ansiedade e estratégia. Mas o que caracterizou esta prática como um momento de vida kung fu não foi a experiência vivida, e sim o fato de que cada momento estava de alguma forma relacionado ao Si Fu. Aquele era o eixo que conectava minha prática ao Si Hing e o Si Hing a mim.

O bacana dessa história é que não me sinto desconfortável ou algo do tipo. Sinto-me intrigado em saber para onde eu estava olhando esse tempo todo que não percebi o óbvio. Este é o kung fu: a cada momento um aprendizado para a vida.

Por Guilherme de Farias, “Moy Fat Lin”, 11º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

Quando tudo parece simples

Extraído da página “Para Além do Visível”

4 de junho de 2019

Hoje, assim que encerrou minha prática de chi sau, Si Fu me chama para conversarmos e aconteceu o que eu mais temia. Mesmo estando longe, acompanhava as postagens e percebi que os relatos da vida kung fu faziam parte do novo modelo de estrutura do Clã Moy Jo Lei Ou. Para muitos poderia ser apenas mais uma conversa ou orientação, mas para mim é o começo de uma relação mais próxima com meu si fu Julio Camacho.

Anos atrás, quando caminhávamos pelas redondezas do CEO Corporate & Offices (antigo mo gun), eu comentava com Si Fu que sentia a necessidade de estar mais perto dele, mesmo sem ter condições financeiras para estar no mo gun da Barra (na época praticava no Méier). Ele vira pra mim e fala: “Só depende de você.” Naquele tempo não consegui entender e acabei me afastando. Como em toda prática, tem a parte visível, mas, por trás dessa parte visível, existem muitas possibilidades em que podemos aprender e que podem nos acrescentar muito e ajudar a nos refinar.

Durante cada prática podemos aprender muito mais, além daquilo que é proposto, quando estamos atentos pra cada detalhe que acontece dentro do mo gun. Certa vez, enquanto estávamos conversando, resolvi pegar um copo de água para o Si Fu e, quando fui entregar, ele interrompeu a conversa para me dar atenção e poder me orientar. Ele falou que mais importante que o copo de água seria preparar o ambiente de forma estratégica para que eu pudesse servi-lo sem interromper para entregar a água. Muitas vezes queremos resolver as coisas sem antes pensar de forma estratégica e acabamos perdendo tempo ou até mesmo desgastando mais energia.

Por Clayton Quintino, aluno de Mestre Sênior Julio Camacho

Preparando um mo gun com kung fu

Extraído da página “Vivência Marcial”

3 de junho de 2019

Com a mudança do mo gun de lugar, coube à família kung fu fazer a mudança do mo gun. Dia 16 de dezembro de 2017, fui com os meus irmãos kung fu André Almeida, Rodrigo Moreira, Clayton Meireles e Iuri Alvarenga preparar o mo gun para que pudéssemos pelo menos levar no dia seguinte uma parte da família kung fu que ainda não conhecia o local do novo mo gun.

Nosso si fu (mestre), Julio Camacho, participa de todo o processo nos ensinando como podemos usar nosso kung fu para as mais diferentes situações.

Após o almoço voltamos para o mo gun para terminarmos o que precisava ser feito. Começamos a limpar as paredes do mo gun e retirar os entulhos que estavam lá e levarmos para o carro do Iuri, que iria jogá-los fora. Pode parecer que não tem nada de kung fu nisso, mas é como aprendemos a fazer tudo da maneira mais eficaz possível.

Até mesmo uma simples tarefa como essa de descer sacos de entulho pode ser uma importante ferramenta para melhorar o seu kung fu.

Por Bruno Brandão, “Moy Mo Tak”, 44º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

O que fazer quando uma onda te derrubar

Extraído da página “Kung Fu Waves”

2 de junho de 2019

Sentei-me com Si Fu no “Benkei da Loirinha” para planejarmos a próxima viagem à Europa no início do semestre passado, e Si Fu parecia animado. Segundo ele, não estava acreditando muito no meu projeto até perceber quanto eu tinha estudado desde a última viagem.

Foi também sentado de frente para Si Fu, meses antes, que ele me disse algo como: “Quando uma onda grande te pega e você parece que está numa máquina de lavar, se você começar a nadar desesperadamente, você só vai gastar energia, porque de 360° de possibilidades, você pode estar nadando na direção errada. Sabe o que se faz numa situação assim? Nada. Você para e espera a onda acabar de bater.”

Ir para a Suíça não estava nos meus planos. Porém, de toda a viagem épica que fizemos no ano de 2019, sem dúvidas, a Suíça para mim ficou como ponto alto dos meus momentos com Si Fu.

Foram momentos que me fizeram perceber quanto tenho sorte de ter conhecido o Si Fu.

Foi em Zurich que tive contato com a música “Primavera” de Ludovico Einaudi. Sempre que a escuto me lembro de Zurich e da viagem à Europa. Foi esse mesmo Ludovico Einaudi, com sua música “Le Onde”, que embalou a nossa demonstração no Teatro Odylo Costa Filho da UERJ em 2007, por sugestão minha. Havia ficado apaixonado por essa música que foi a trilha daquele ano, o ano exatamente do meu Baai Si.

Digo isso, porque o almoço nesse dia na Suíça foi um dos mais especiais de minha história com Si Fu. E fica a lição aqui de ouvir sempre o Si Fu. Como Si Gung diz: “Toda relação e toda conversa começam com sau (obedecer).” Porque de todas as mesas que nos separavam, fosse durante uma conversa ou durante uma refeição, nunca me imaginei tão longe com Si Fu, sentado à mesa em Zurich.

Ouvindo “Primavera” no quarto do hotel em Zurich enquanto Si Fu descansava no final da tarde, me lembrei de quando ouvia “Le Onde” do mesmo músico no ano de meu Baai Si. E de quão longe essa relação chegara e de quão profunda ela ficou desde então.

Então, se uma onda te pegar, o melhor é não fazer nada, e esperar ela parar de bater.

Por Thiago Pereira, “Moy Fat Lei”, 2º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

O apoio teórico

Extraído da página “Na Estrada de Saam Fat”

1º de junho de 2019

Desde a primeira vez que pratiquei Ving Tsun, ainda no Programa Fundamental, observei um momento especial que acontecia em todos eles sem exceção: o apoio teórico ao dispositivo que estava sendo trabalhado.

Mesmo me sentindo uma menina de 5 anos no C.A., busquei (e continuo na mesma condição, buscando) entender cada ideia essencial explicada naqueles ensinamentos. Via escrito no flipchart coisas como “sau”, “paak”, “da”, “lap”, “chi”, “tan” e outros. Tudo se configurava de maneira desfragmentada na minha cabeça.

Por meio da admissão à família kung fu, tive ainda maior perspectiva daquilo que parecia tão completo, mas na verdade era apenas uma amostra do que estava por vir.

Eu ali estava no Programa Experiencial, tendo pela primeira vez o acesso à listagem do Siu Nim Do (A “pequena ideia do caminho”), listagem criada pelo Si Taai Gung Moy Yat, nosso patriarca. O Siu Nim Do me ensinou a base fundamental: yee ji kim yeung ma. A posição de base enraizada, do controle de si. Necessária para, nos antigos costumes, prender um carneiro para tosquiá-lo. Isso é uma figura pictórica, no caso. No Ving Tsun ele é muito mais que isso. É a ancoragem entre o corpo e o chão. Coisa que nos próximos níveis será fundamental para que o praticante conheça sua própria estabilidade e possa usá-la nas práticas.

Sempre me chamou a atenção a expressão “Saam Fat” (o “caminho do coração”), nome desta página, assim como “kung fu” (o “trabalho do homem maduro”) e também “Ving Tsun” (o “canto da primavera”). Tudo isso me abria o entendimento para todos os outros significados para dispositivos e elementos do sistema.

Sigo aprendendo a cada dia. Vez por outra um infeliz esquecimento, vez por outra uma bela memorização. Em algum momento terei aprendido “saam”, “lap”, “chi”, “kung”, “jat”, “paak” e “tan” com profundidade sem perceber.

Por Carmen Maris, “Moy Kat Ming”, 42ª discípula de Mestre Sênior Julio Camacho

Pode o Ving Tsun ser um sistema de defesa pessoal?

Extraído da página “Descombate”

31 de maio de 2019

O kung fu não é estritamente um sistema marcial, mas muitos sistemas chineses diferentes com aspectos diferentes em cada um deles. Estes sistemas querem desenvolver o kung fu. Cada um desses sistemas nos dá variações criadas com o objetivo de nos proporcionar experiências para resolver qualquer problema que possamos ter em nossa experiência do dia a dia.

O Ving Tsun é um desses sistemas de variação e foi sistematizado pela fundadora Yim Ving Tsun. Neste contexto, é fundamental entender o Ving Tsun, para ver que ele não é só aquilo que vemos nos vídeos ou fotos criados para nos mostrar a aplicação do sistema em combate real. Vídeos que nos dão demonstrações de combate devem ser direcionados para nos dar acesso a conceitos e ideias que apoiem ​​a cena. Um soco é muito mais que um soco.

O Ving Tsun não pode ser resumido em um sistema de defesa pessoal, e as pessoas que estão tentando fazer isso não são bem-intencionadas. Um momento de combate é um conjunto de momentos complexos em que há intrincados fatores visíveis e invisíveis, principalmente fatores de risco. Nossa vida está ameaçada em um combate real. Podemos lidar com os fatores de risco de acordo com o desenvolvimento do kung fu. Os instrumentos que foram criados pelo sistema Ving Tsun, portanto, podem ser caracterizados por instrumentos de estudo para o desenvolvimento do kung fu. Mas é claro que podemos estudar situações de risco e combate! Se estivermos conscientes de que este estudo é apenas um “teste de habilidade”.

Devemos ter cuidado para não sermos seduzidos pelo discurso da luta dominada pelas técnicas. O combate real é controlado pelo invisível, e a capacidade de ver o invisível é chamada de kung fu.

Por Pedro Corrêa, “Moy Lei Yat”, 28º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

Honestidade e o kung fu

Extraído da página “Consciência Marcial”

30 de maio de 2019

Nas filmagens dos fragmentos do Ving Tsun, posso salientar que um dos momentos mais marcantes para mim e que gerou uma transformação interior foi nesse dia. Por mais simples que fossem meus movimentos corporais, por mais que eu tentasse, não estavam sendo honestos (autênticos). Após centenas de tentativas consegui uma pequena melhora. Depois que as filmagens tinham acabado, naquele dia, procuramos avaliar aquelas situações todas e cada um colocar seus pontos.

Assim que todos terminaram de falar, Si Fu dirigiu sua palavra para mim e disse: “Cris, você precisa ser mais honesto.” Para mim, na hora, foi impactante! Dolorido até. Mas necessário. Si Fu explicou que não é o fato de eu não ser uma pessoa honesta, e sim honesto comigo mesmo, pois parecia claramente que eu estava tentando ser algo nos meus movimentos corporais que não era eu de fato.

Creio que essa honestidade é desenvolvida com a prática, com a auto-observação das suas próprias escolhas e os resultados alcançados com isso. Quanto mais vamos evoluindo nos estudos do Ving Tsun, mais honestos devemos ser com nós mesmos, pois a mestria só vem de forma autêntica quando conseguimos alcançar esse estágio.

Por Cristiano Chaves, “Moy Ke Yeuk”, 13º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

É preciso coragem!

Extraído da página “Memórias em Vermelho”

29 de maio de 2019

O dia 17 de março de 2018 foi um marco histórico para a nossa Família. Além da inauguração do Núcleo Barra, comemoramos os 15 anos da Família Moy Jo Lei Ou e celebramos a admissão de novos membros à Família, acessos de nível e discipulado. No entanto, o que mais me marcou neste dia foi o uso recorrente da palavra coragem.

Inicialmente, Mestre Julio Camacho, nosso Si Fu, lembrou a todos como foi o momento de abrir o primeiro Núcleo e como esse desejo havia sido recebido pelo Si Gung, Leo Imamura, que a princípio não achava que daria certo, embora autorizasse a empreitada. Foi com coragem e aposta no futuro que nossa família se iniciou; a mesma que marcou toda a trajetória do Mestre Julio Camacho.

Aquela noite foi marcante também pelos participantes da cerimônia. Em cada fala, a perseverança e a coragem de fazer parte dessa família, encarando os obstáculos e percalços diários para tornar possível a prática do Ving Tsun. Ouvindo aqueles relatos, soou-me como uma espécie de convocação geral, inclusive para mim, de superar e agir com coragem. Durante a construção da vida kung fu, há muitos desafios a serem superados, como a falta de tempo, o cansaço, os conflitos internos. Mas a convivência com o Si Fu e os irmãos kung fu colabora para renovar as forças e seguir.

A palavra “coragem” vem do termo francês courage que, por sua vez, possui suas raízes no latim; etimologicamente, o termo remete a ideia de “agir com o coração” e compreendendo melhor suas origens, nada mais adequado para a família kung fu do que esta palavra. Que possamos fazer, através do Ving Tsun, um caminho de desenvolvimento pessoal e humano, capaz de lidar da melhor forma com as adversidades, como um ato de coragem.

Sigamos juntos!

Por Rubia Souza, “Moy Hung Peng Yat”, 36ª discípula de Mestre Sênior Julio Camacho

O encontro com o Ving Tsun

Extraído da página “Kung Fu Lens”

28 de maio de 2019

Sempre fui amante de artes marciais. Pratiquei jiu-jítsu quando criança e depois voltei a praticar durante a faculdade. Acabei parando por uma luxação acrômio-clavicular no ombro esquerdo. Cheguei a praticar tae kwon do com um grande amigo meu no Rio de Janeiro por alguns meses, mas não me identifiquei muito com a arte, pois onde eu treinava a marcialidade era deixada de lado, em prol de treinamentos para “competição”.

Porém, algumas vezes certas coisas acontecem de maneira inesperada. Minha jornada no Ving Tsun se iniciou em julho de 2014, quando procurei no Google “Kung Fu na Barra da Tijuca”.

Imagine minha surpresa ao saber que do outro lado da Avenida das Américas, no condomínio Blue Sky, estava localizada a Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. Quando eu digo do outro lado da Avenida eu realmente quero dizer que eu via o local com clareza da varanda do meu apartamento.

Após a surpresa inicial, agendei uma visita no site, e quem me recebeu na ocasião foi o praticante Pedro Ivo, que na época havia acabado de se tornar discípulo. Me identifiquei de cara com o Pedro e mais ainda com a arte. A forma que me foi apresentada foi genial. Em nenhum momento ele me falou “Te garanto que você vai aprender a se defender e a dar uns tapas em quem te incomodar ou lhe desejar mal”.

Mas ele disse uma coisa que nunca esqueci: “O kung fu vai te ajudar a lidar melhor com as situações do seu dia a dia.” E como ele estava certo...

Comecei, assim, minha jornada no Ving Tsun.

Por Thales Guimarães, “Moy Tai Lei”, 25º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

A fé decidida de um si fu

Extraído da página “O Kung Fu nas Coisas”

27 de maio de 2019

Fé é a adesão de forma incondicional a uma hipótese, que a pessoa passa a considerar como sendo uma verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que se deposita nesta ideia ou fonte de transmissão. É com essa atitude de fé decidida que imagino que o Si Fu convida alguém a ser tornar um discípulo (dai ji), mesmo quando tudo e todos acham que é melhor não.

Nada melhor do que a foto tradicional da família kung fu, no dia do meu Baai Si, para retratar isso. Cada pessoa nessa foto representa uma família ou alguém por detrás dela. E não seria possível comporem essa foto se o Si Fu não tive tido uma atitude de fé decida nessas pessoas…

Às vezes nossa família consanguínea ou marido e esposa depositam uma fé duvidosa em nossa pessoa, talvez por cuidado ou medo do desconhecido. Mas isso se torna danoso, pois quantos sonhos deixaram de se realizar por falta da atitude de acreditar, antes de se ter um desdobramento das coisas?

Aprendi com o Si Fu certa vez sobre o sistema de aprendizagem chinesa, o sau-po-lei (aceitar-analisar-separar). O si fu do meu si fu, chamado Si Gung, diz que só o fato de alguém não aceitar algo ou ter uma negativa acerca de algo, por si só, já seria um demonstração de fraqueza, logo é importante aceitar algo, ter fé decidida e acreditar.

Essa capacidade de extrair o melhor de cada pessoa começa com o ato de fé por parte de cada si fu, para com cada um, e isso se estende para nossa vida, e por eu trabalhar como profissional liberal, na área de vendas, posso comprovar isso. Preciso sempre acreditar, antes mesmo de sair de casa.

Acredito agora que, se você achar que vai dar certo ou que vai dar errado em alguma coisa, você estará certo do mesmo jeito.

Ouvi dizer pelo meu si fu Julio Camacho um ditado chinês de que o rio sempre corre para frente, mesmo quando encontra os obstáculos. Isso me faz refletir, sobre minha vida kung fu e quanto de energia eu coloco nas coisas.

Por fim, esses são benefícios de conviver com um si fu que tenha uma atitude de generosidade para com seus discípulos. Que nos faz acreditar que somos capazes de realizar tudo com excelência.

Por Marcio Lopes, “Moy Si Ou”, 38º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

Silêncio

Extraído da página “Sobre Kung Fu”

26 de maio de 2019

Conheci pessoas que se arrependiam pelo que diziam ou pelas suas ações, mas eu, talvez, só talvez me arrependa um pouco por tudo o que eu não disse.

Como é só talvez e arrependimento nem é necessariamente algo do qual eu me ocupe em ter, vou me ocupar em dizer algumas coisas as quais não disse antes, só por precaução:

Na minha adolescência eu tive uma grande amiga chamada Fernanda; uma pessoa bem única, devo dizer. Ela foi a pessoa mais próxima a mim por um determinado período, e arrisco dizer que é a pessoa que melhor me conhecia, o que era curioso porque sempre errava meu estado de humor.

Eu era um tanto romântico e talvez exagerado, mas não gostava de demonstrar meus sentimentos, então toda vez que ficava extremamente feliz com algo, forjava um semblante sério para não parecer um bobo alegre ou talvez para não evidenciar isso, e quando estava em alguma medida fragilizado eu colocava um sorriso bobo no rosto e fingia que estava tudo bem.

Fernanda inocentemente caia em todas as minhas interpretações. Se eu estivesse zangado ela perguntava por que eu estava tão feliz e quando eu estava extremamente feliz ela perguntava se estava tudo bem, porque eu estava muito sério.

Em ambas as opções ríamos da situação, e se eu não tivesse bem passava a ficar, e se já estivesse melhorava ainda mais meu humor.

Cresci, mudei de cidade e minha rotina se tornou algo completamente inimaginável para a pessoa que eu era naquela época. Não vou entrar em detalhes, mas era uma rotina bem cansativa, posso assim dizer.

Certo dia desço no ponto de ônibus do Via Parque extremamente cansado, num nível de exaustão tão grande que seria um milagre conseguir chegar ao Mo Gun, quem dirá participar das atividades.

O impressionante é que milagres existem, e eu chego à porta do Mo Gun, respiro fundo, ponho um sorriso no rosto, finjo não estar cansado, estufo o peito, abro a porta do Mo Gun e me deparo com o Si Fu.

A primeira coisa que ele diz é:

― Nossa, Clayton, que cara de cansado.

E a primeira coisa que me vem a cabeça é: Que saudades da Fernanda.

Por Clayton Meireles, “Moy Kei Tang”, 33º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

Da técnica à arte

Extraído da página “Linhas do Ving Tsun”

25 de maio de 2019

A palavra “técnica” vem do grego téchne, que se traduz por “arte” ou “ciência”. Uma técnica é um procedimento que tem como objetivo a obtenção de um determinado resultado, seja na ciência, na tecnologia, na arte ou em qualquer outra área.

Muitas pessoas podem encarar uma arte marcial como um punhado de técnicas, mas acredito eu que essa definição seja pobre. Ouvi meu Si Fu falando sobre isso diversas vezes, e minha conclusão é que a arte não está na técnica, mas sim em como nós a executamos. Ving Tsun não é sobre lutar, é sobre fazer tudo com maestria; inclusive lutar.

A marcialidade não está na luta em si. É possível lutar sem marcialidade, e é possível reunirmos a Família de maneira marcial. A marcialidade nasce da maneira que encaramos os eventos, e não dos eventos em si. E para a marcialidade se tornar arte depende de nós mesmos, de como executamos tudo em nossas vidas e não somente movimentos técnicos.

No início de uma prática marcial, muitas vezes, o vínculo é com as aulas, mas o objetivo final não é somente esse. No fundo o que queremos é criar vínculos com pessoas, com nosso Si Fu e nossos irmãos kung fu. O início pode se dar através da prática de algumas técnicas, mas a arte de viver melhor é muito mais que isso. Para sermos humanos melhores precisamos exercitar nossa humanidade, e por definição só podemos exercer humanidade na relação com outro humano.

A família kung fu é algo muito especial. Desconheço um grupo onde tantas pessoas se dediquem, com tanto afinco, a entender melhor a relação que existe entre elas, seja a relação do toque dos punhos durante uma prática ou simplesmente a relação entre a fala de um e a escuta do outro. Ou qualquer outra que possamos imaginar.

Por Rodrigo Moreira, “Moy Mo Lei”, 22º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

Motivação

Extraído da página “Simplificando”

24 de maio de 2019

Não lembro bem como conheci o Sugaya. Talvez tenha sido em alguma noite, bêbado, em algum estacionamento de algum supermercado. O que me lembro era da sua péssima mania de querer interromper toda e qualquer pessoa que tocasse violão, pedir emprestado e começar “Tears Don’t Fall”, do Bullet for My Valentine. A inconveniência era tanta que uma vez montamos uma banda com uma proposta, mas o Sugaya conseguiu com que ela tocasse apenas várias músicas do Bullet, repetidamente.

Mas não é só de sua insistência que vivem minhas memórias. Poderia numerar várias situações, desde o Gudang que ele insistia em fumar, passando pela nossa loucura de reagir a um assalto na Avenida das Américas no caminho para o mo gun, até nossa admissão na família em 2013. No entanto, não há necessidade para tal.

Ao final do ano passado, esbarrei com o si hing Guilherme Farias no BRT e voltamos para a Taquara conversando. Fiquei sabendo por ele, dentre várias outras coisas — como suas desventuras e conquistas no continente africano —, que meu amigo havia falecido. Não tenho redes sociais, como Facebook, então não fazia ideia disso. O mais dolorido era que, pouco tempo antes, Sugaya havia pedido para reingressar nas atividades da família, mas não pela prática, mas pelas relações entre os integrantes do clã.

Hoje faço questão de me despedir e não deixar pessoas queridas para depois.

Neste ano, volto a me aproximar do clã, depois de alguns anos afastados por limitações de vários tipos. Diferente da aproximação de seis anos atrás, dessa vez chego sozinho, mas abraçado por pessoas queridas. Ainda sem que ninguém me pedisse, me sinto herdeiro da vontade do meu querido amigo de voltar para a vida kung fu. Chego, então, com uma nova responsabilidade que se confunde com motivação. Quer dizer, o que me move para frente já não é mais vontade ingênua de “aprender a lutar”, mas o respeito com o compromisso que assumi para com essas mesmas pessoas queridas que me recebem, e com as que já não podem mais me receber também. Assumi, dessa forma, a tarefa de desenvolvimento no Ving Tsun com peso dois. Agora não só por mim, mas por nós.

Por Luan Scliar, aluno de Mestre Sênior Julio Camacho

Chi Sau: aprender e recomeçar do zero

Extraído da página “Papo Kung Fu”

23 de maio de 2019

Ouvi de meu Si Fu, Mestre Sênior Julio Camacho, uma frase muito importante e ao mesmo tempo muito difícil de ser vivida: “É preciso ter um bom coração e uma péssima memória.” O contexto da frase fala sobre a importância de saber zerar uma falha, uma ofensa, enfim, algo de ruim que alguém tenha dirigido contra nós. Isso está longe de ser “bonzinho”. Esta frase deve ser lida à luz do pensamento estratégico.

O Chi Sau (que pode ser traduzido como “braços aderidos”) acompanha o praticante de Ving Tsun por um longo tempo em sua jornada. Diversos são os sentimentos que podem ser experimentados nesta rica prática: raiva, frustração, medo, covardia, satisfação, alegria, e tantos outros. Não falarei sobre as técnicas associadas ou sobre os pontos que podemos observar durante a rolagem dos braços aderidos. Venho falar sobre algo que também é tão importante e tão difícil de adquirir: a capacidade de recomeçar do zero.

O Chi Sau mostra entre outras coisas que muitas vezes somos golpeados porque nos colocamos na situação para que isto aconteça. A leitura que o companheiro de prática faz da nossa energia, posicionamento, distância e do timing levam-no, muitas vezes, a golpear-nos. É como se “pedíssemos” por isso, dando ao outro todas as condições. Na vida não é diferente.

Muitas vezes nosso comportamento nos leva a sermos “golpeados pela vida” de modo que todo ser humano sente muito daquilo que um praticante de Ving Tsun sente na prática do Chi Sau. Porém, da mesma forma que depois de um golpe, voltamos à posição inicial, e zeramos para nova “rolada de braços”. Assim é a vida; depois do golpe ela continua e precisamos seguir em frente.

Isso me faz lembrar outra frase de meu Si Fu, quando um irmão Kung Fu meu reclamou sobre a dificuldade em lidar em certas situações, que envolviam inclusive outros irmãos nossos: “Eu sei que não é fácil zerar certas coisas. Isso é treinado...” Esta frase me marcou muito porque, a exemplo de meu Si Fu que já alcançou este nível, tenho o objetivo de também chegar a ele. Afinal, quem sabe zerar não está alheio ao que ocorreu, menos ainda age desta forma por ser mais fácil, muito pelo contrário. Ter poder pessoal para escolher, sem ser dominado pela emoção, é um estágio de desenvolvimento elevado.

Isso é ter Kung Fu.

Por Roberto Viana, “Moy Wai On”, 27º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

Alinhamento

Extraído da página “Tradere”

22 de maio de 2019

O Núcleo já estava fechado e me dediquei por um tempo a apreciar os certificados na parede. Lembro de ter sentido um certo orgulho, no dia da foto, quando notei que a minha gravata e a de Si Fu tinham a mesma cor. Já o terno, comprei após assumir a direção do Núcleo Barra em 2016, no antigo CEO Corporate & Offices. “Um diretor tem que se vestir melhor”, pensava.

Claro, é besteira o acaso da gravata. Mas é importante que o discípulo esteja alinhado com seu Si Fu. Sempre fui muito desleixado com a minha aparência. Me reestruturar foi e tem sido um esforço.

Eu passei a assinar como André Guerra, meu nome de família, no lugar do sobrenome Almeida, mas jamais cogitei mudar esse certificado. Ele representa um momento em que Si Fu escolhe me nomear, assim como aos outros diretores de nossa família, um legítimo representante seu. Para isso ocorrer da forma adequada, precisamos estar alinhados.

Quando recebi esse nome no certificado, Moy Mei Da, fiquei confuso. Mei significa “beleza”. Confesso que esperava algo mais marcial. Da, entre muitas possibilidades, pode significar “ater”. A estética é tanto a forma que porta um conteúdo quanto a forma de o transmitir. A maneira de se vestir, falar, se mover, até mesmo de assinar seu nome, tudo está no campo estético. Por isso “ater beleza”, para mim, significa ater Kung Fu, me aproximar de meu Si Fu.

Pensando com mais clareza agora, acho que fiquei feliz com a gravata porque me parece um pequeno sinal de que estava no caminho certo desse alinhamento.

Por André Guerra, “Moy Mei Da”, 20º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

Plantas

Extraído da página “Jornada do Coração”

21 de maio de 2019

Depois de certos eventos, sejam relacionados ao Ving Tsun ou não, tenho a tendência de achar que finalizei meus afazeres por um bom tempo e poderei tirar férias de qualquer compromisso minimamente estressante dessa natureza.

Isso é um problema, porque atribui qualquer sentimento de realização somente ao “ter feito” e nunca ao “fazer”. E todo o tempo enquanto não se alcança o “ter feito”, o “fazer” é repleto de ansiedade, distrações, vontade de desistir.

Isso me lembra uma situação que tem sido recorrente nas noites de quinta-feira no mo gun.

À essa hora, eu quase sempre já participei de dois horários de prática pela tarde, e por isso já me cansei um pouco.

É à noite, no entanto, que costumam vir alguns si hing experientes, todos do Programa Tradicional, reservado aos discípulos.

É uma hora perfeita para a prática, tanto pela experiência de cada si hing, como pela variação de pessoas com quem praticar, algo importante para nosso progresso.

E, às vezes, fico de fora.

Não há nada errado em precisar descansar e ninguém é obrigado a praticar se não se sente apto. Sei disso. Agora… não só no que tange ao Ving Tsun, estou sendo honesto comigo mesmo quando acho que não dá para ir além?

Si Hing André, além de ser diretor do Núcleo Barra, ou é tutor ou é praticante de todas as sessões de quinta. Muitos dos que vêm à noite estão chegando de um dia inteiro de trabalho. Por que eu sou diferente?

Irmãos kung fu já me disseram que fazer esse tipo de comparação não é benéfico para mim, que todos têm seu próprio tempo, suas necessidades.

Si Fu também faz uma analogia entre o praticante e uma semente sendo regada: não se pode controlar o crescimento da planta, apenas regular a rega e aguardar.

Talvez aquela planta que ainda esteja tão pequena depois de tanto tempo sofra um estirão.

Talvez nem se perceba que aquela outra está sempre crescendo, ainda que lentamente, como cabelo e unhas, e quando olhamos de novo para ela, está imensa.

Nem a própria planta percebe, eu diria.

Dá para ir além? No meu caso, tenho certeza de que dá. Acho que só falta aplicar mais o que desenvolvo no Ving Tsun à minha vida como um todo e acreditar mais em mim como o Si Fu acredita em todos nós.

Por Rafael Pombo, “Moy Gap Fat”, 43º discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho

Controle versus Fluxo

Extraído da página "Consciência Marcial"

20 de maio de 2019

Lembro perfeitamente quando meu Mestre (Sifu) de Kung Fu Julio Camacho me fez lembrar que a verdadeira guerra ocorre dentro de nós mesmos a todo instante, e se ficarmos só focando em resultados e deixando de perceber o processo (jornada), vamos deixar detalhes essenciais para nosso desenvolvimento humano e para o próprio resultado dessa jornada em si.

Ele reforça que nós não temos controle de nada essa ideia de controle nada mais é que uma ilusão. O que podemos é monitorar o processo e fazer os ajustes necessários para nos ajudar a alcançar um determinado objetivo. Ele conclui dizendo que antes mais nada, devemos observar nosso comportamento, nossa vida, para sermos o mais legítimos possíveis, quanto ao que passamos para outras pessoas, para que não entremos em incoerência dificultando a credibilidade que temos ou que possamos a passar a ter.

Entendo que a vida na forma como pensamos falamos e agimos está intimamente ligada a essa luta do dia-a-dia, a esse fluxo natural da vida, ao qual enfrentamos e assim possamos desenvolver nossa inteligência e fortalecendo nossa mente através da própria consciência marcial.

Pelo discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho, Cristiano Goldman “Moy Ke Yeuk”.

Combate Simbólico

Extraído da página "Papo-Kung Fu"

19 de maio de 2019

A prática do Ving Tsun se apoia em movimentos que remetem a um cenário de combate simbólico, ativando regiões do cérebro que informam que a pessoa está em perigo.

Estes cenários, controlados pelo tutor, apresentam ao praticante, situações de crise, apontando na direção de respostas eficientes para cada cenário, afinal a vida é um processo dinâmico, nunca as situações serão exatamente iguais. E é exatamente por isso que também há a necessidade da troca destas experiências com o maior número possível de praticantes, pois, quanto mais percebemos a reação do outro, maior se torna a nossa capacidade de enxergar as diversas reações humanas, e respondermos da melhor forma possível, respeitando sempre, nossa expressão pessoal na resposta.

A importância de um cenário que se apresenta sob a forma de um combate simbólico é fundamental para que a crise seja real, (ainda que tenhamos em um ambiente protegido) advindo a oportunidade de pensarmos sobre como o desafio da crise, nos faz aumentar nossa capacidade de resposta eficaz, ou seja, aumentar nosso Kung Fu. Afinal, não há luta mais desafiadora do que a própria vida.

Pelo discípulo de Mestre Sênior Julio Camacho, Roberto Viana “Moy Wai On”

Acreditar

Extraído da página "Histórias da Família Moy Jo Lei Ou"

18 de maio de 2019

O título desta publicação é fruto de um momento em que Si Gung se referiu a Si Fu, e mais de uma vez, ao fato dele acreditar nas pessoas, quando estas não acreditariam nelas mesmas, a despeito de qualquer situação. Mais do que isso, o título faz alusão a uma das características de Si Fu que mais me chamam a atenção e que tenho tentado trabalhar comigo mesmo.

Foi a partir desse momento que o espaço que eu havia deixado para o Si Fu, fora de fato ocupado por ele. Permiti que ele fosse e agisse como meu Si Fu, pois, até então, eu relutava em estar com ele por questão da distância. Acho que essa é uma outra mágica da construção da relação com o Si Fu, você se permitir entrar num processo de maturidade e passar a não deixar coisas banais como a falta de dinheiro, ou distância, interferirem na relação. E isso, atrevo-me a dizer, valerá para qualquer outra ocasião fora do contexto das artes marciais.

Além disso, e o que me pegara de surpresa, foi a formalização do convite para iniciar o processo discipular com Si Fu. Foi uma surpresa, não só pelo fato de ter acessado o Biu Ji naquela manhã, mas estes acontecimentos estarem surgindo exatamente num momento da minha vida ligeiramente conturbado.

Não existirá para mim, uma prova maior do que estou tentando explicar sobre a crença nas pessoas, sobre a crença nas relações.

O Baai Si é o último nível (eu suponho) para a ratificação do que vai se construindo aos poucos na relação Si Fu-To Dai, a partir do momento em que ocorre o convite para o ingresso na família.

Estando ali a frente, com outros irmãos kung fu em função do mesmo momento, só conseguia pensar na confiança, no consentimento e nos sentimentos surgidos pela realização de uma etapa tão importante. Ao sair do Mo Gun àquela noite, eu havia acabado de me tornar o 34º Discípulo de Mestre Senior Julio Camacho.

Já ouvi algumas vezes que o Baai Si é uma aposta que o Si Fu faz na pessoa e na relação. Provavelmente em algum momento da relação, eu descubra o porquê desta "aposta". Ou talvez nem descubra. No entanto, isso não importa tanto.

De fato, o mais importante é que o "homem que acredita", mais uma vez pos sua crença em alguém, e naquele momento era eu.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Fabiano Granado “Moy Fat Bing On”

Momentos

17 de maio 2019

O Ving Tsun, por diversas vezes, é difícil de ser aprendido.

Todas as pessoas que nos procuram já possuem experiências significativas de vida, o que dificulta a proposta de olhar para a experiência através de uma “lente” Kung Fu.

Minhas vivências com meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, sempre foram vividas em três etapas:

A primeira diz respeito a obedecer, aceitar, aderir. Somente aceitando plenamente com uma escuta livre de julgamentos e sem uma recusa inicial temos acesso a toda a proposição.

A segunda diz respeito a destrinchar o que foi aceito, analisar, quebrar em partes, questionar inteligentemente questionar, aproveitando-se efetivamente do que foi proposto.

Por fim, a terceira, diretamente associada a uma nova proposição, derivada do que foi inicialmente colocado e extraindo deste todo o potencial imanente, esta etapa final de proposição pressupõe um uma enorme capacidade de transmutação.

Nem sempre cada momento está claro para mim, mas quando percebo em que etapa estou, minha absorção dos ensinamentos do Si Fu aumenta exponencialmente.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Guilherme de Farias “Moy Fat Lin”.

Nunca baixe a guarda!

16 de maio de 2019

Num momento muito desafiador de minha carreira, comentei com Si Fu: "sinto como se tivesse fracassado"

Si Fu prontamente respondeu: "Não é como se você tivesse fracassado. Você realmente fracassou, Thiago!"

Si Fu parece ter o dom de desconstruir meu pensamento, e de repente, eu me via ali sem palavras, ecoando o que ele acabara de dizer.

"Você realmente fracassou, Thiago, mas você não está sozinho. Eu também já fracassei, e você também estava lá. Você viu quando eu toquei o fundo. Bem-vindo ao clube". Concluiu ele, rindo.

Fui pego de surpresa numa tarde, quando o Si Fu me enviou uma foto em guarda para a réplica de Rocky Balboa, personagem que tanto admiro, com o seguinte texto: "Nunca baixe a guarda, Thiago. Nem seus heróis devem fazer isso."

Naqueles dias de altas aventuras, descobri a importância de admitir o fracasso para termos uma chance de sermos bem sucedidos no próximo ciclo, mas de principalmente, nunca baixar a guarda.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Thiago Pereira “Moy Fat Lei”

Convite

15 de maio de 2019

Em 16 de setembro de 2018, Si Fu me convidou para iniciar o processo discipular na Família Moy Jo Lei Ou.

O verbo convidar vem da junção de dois termos em latim, trazendo em si duas ideias: incentivar que outro atue por própria vontade e estar em vida comum.

Quando alguém é convidado a ser discípulo dentro da família Kung Fu, temos uma proposição de vida em comum, norteado pelo compromisso ao legado do Sistema Ving Tsun e zelo na relação Si Fu/To Dai.

Toda grande caminhada começa por um convite para dar o primeiro passo. Sigamos!

Pela discípula de Mestre Senior Julio Camacho, Rúbia Barbosa “Moy Hung Peng Yat”

Elaborando a Linha Central

14 de maio de 2019

Sabemos todos da importância da manutenção da linha central dentro de aspectos práticos do Ving Tsun, mas de que formas podemos levar tais conteúdos para o cotidiano?

Certa vez ainda, no núcleo de treinamentos e estudos, em Jacarepaguá, perguntei ao meu Si Fu Julio Camacho, como ficar concentrado diantes de perguntas simples que exigiam respostas mais elaboradas.

Ele me perguntou se de fato tais perguntas exigiam respostas mais elaboradas e relembrou o princípio da linha central.

Até hoje uso de tal dispositivo sem ao menos me dar conta de onde foi o momento em que comecei a fazer uso dele de maneira refinada.

Pelo discípulo de Mestre Julio Camacho, Fernando Xavier “Moy Fei Lam”

Todos podem!

13 de maio de 2019

Meu Si Fu, Mestre Senior Júlio Camacho nos ensinou que Kung Fu pode ser praticado por qualquer pessoa.

Diferente do que se imagina no senso comum, um corpo atlético, forte e habilidoso... nada disso importa quando falamos de praticar Ving Tsun.

Este sistema de Kung Fu, por meio de um cenário marcial no qual a guerra é traduzida em movimentos de luta, desenvolve no praticante competências múltiplas - aprende-se a fazer qualquer coisa melhor, inclusive lutar.

Por esta perspectiva, o Sistema Ving Tsun é uma poderosa ferramenta de desenvolvimento humamo.

O trabalho do Si Fu, portanto, não se reduz a "ensinar a lutar". Vai muito além disso. Todas as pessoas possuem um potencial ainda inexplorado dentro de si, e apoiado no sistema, Si Fu orienta o praticante à trazer àquele potencial à tona.

A relação Si Fu-To Dai é exclusiva.

Por mais que existam vários praticantes, o desenvolvimento do seu Kung Fu é realizado sempre com respeito à sua individualidade e aos seus valores.

Para cada To Dai (aluno), o Si Fu orientará conforme seus potenciais, limites e valores pessoais.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Roberto Viana “Moy Wai On”

Três Guerras

12 de maio de 2019

Ouvi certa vez, que o Pensamento Clássico Chinês considera um homem de habilidade aquele que desenvolve suas capacidades a partir de três guerras simbólicas.

A Guerra da Pena, que valoriza a capacidade de escrita, a Guerra da Fala, a habilidade de se expressar oralmente e a Guerra do Movimento, a do gesto marcial propriamente dito.

Sob a tutela de meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho, tenho contato com estas três guerras diversas vezes por dia.

Curiosamente, nenhuma outra me traz dificuldade maior que a que solicita de mim habilidades de escrever. Organizar o pensamento e comunicar-me com quem não está à minha frente é, para mim, um grande desafio.

Meu Si Fu me fez entender que na prática todas as guerras estão interligadas, por isso, se quero ser um exímio artista marcial, devo ser mestre nos três combates.

Sigo lutando.

Pelo discípulo de Mestre Julio Camacho, Guilherme de Farias “Moy Fat Lin”

McDonald’s

11 de maio de 2019

Após dias juntos por diferentes países da Europa, chegamos à Luxemburgo de trem.

O taxista português (que falava cinco idiomas) deu, provavelmente, a melhor dica da viagem: "Vocês podem ir pra Trier, na Alemanha, de trem”

Chegamos em Trier poucas horas depois. No caminho, passamos por varias paisagens estonteantes as quais Si Fu me chamou a atenção para vários detalhes que normalmente passariam despercebidos.

Caminhamos por toda a pequena cidade que pulsava alegre com muitas pessoas parecendo um cenário de “Chrono Trigger”.

Andando por uma rua, eu disse ao avistar um McDonald’s: “Ih! Olha lá um McDonalds!”. Si Fu parou e perguntou calmamente: ”Pereira, explica pra mim por que toda a vez que você vê um McDonalds nessa viagem você fala: Ih! Olha lá um McDonalds!” (risos).

Si Fu fez uma imitação minha falando essa frase mais duas vezes e morri de rir. Foi muito engraçado.

No dia seguinte, passeando por Luxemburgo, entramos numa reta e lá estava um McDonalds bem ao final da rua. Para minha surpresa Si Fu indagou-me já rindo: “Ali Pereira! Não vai falar Ih! Olha lá um McDonalds! ?” . Eu apenas ri.

Difícil passar hoje ou comer num McDonalds sem sorrir lembrando da imitação do Si Fu.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Thiago Pereira “Moy Fat Lei”.

Sentindo o "cheiro"

10 de maio de 2019

Durante o Seminário de Alinhamento Prático do Programa Fundamental (SAP 2019), Si Fu expressou várias vezes a sua vontade de que a família inteira participasse da “criação” do Programa Fundamental, de forma que esse seminário realmente tivesse a função de alinhar o pensamento.

Como de costume, Si Fu abriu o final do evento para que cada um pudesse expressar o que via daquele momento. Fizemos uma analogia com o Ving Tsun e um cardápio de restaurante.

Se o Programa Tradicional é a “picanha”, o Programa Experiencial seria a “salada de acompanhamento” e o Programa Fundamental seria o “cheiro da comida”.

Ao mesmo tempo que, ao sentirmos o cheiro característico de uma boa carne, podermos ficar mais calmos sabendo que ela está a caminho, podemos também ficar mais agitados ou mais famintos ainda.

Que esse “cheirinho” traga muitos frutos e novos praticantes para fazer ainda mais a diferença na família MJLO.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Thales Guimarães “Moy Tai Lei”.

Diversificando

09 de maio de 2019

Meu Si Fu e meus tutores sempre falam da importância de praticar Ving Tsun com vários parceiros diferentes.

Isso porque são inúmeras as formas de desenvolver meu próprio Kung Fu e para isso necessito não estar condicionada a apenas uma ou duas energias.

São incontáveis as diferentes naturezas dos praticantes.

Se me condiciono a praticar somente com aquelas mais afins, com as quais tenho mais identificação, não existe o desenvolvimento, posto que desenvolver é “des-envolver”, isto é livrar-se do que se já está envolvido.

Mas e o diferente? E o meu oponente com energia diversa da minha? O que faço? Não vai à diante? Desisto dele? “Não dá liga?”

Tem que dar.

É na prática com pessoas das mais diversas naturezas que desenvolvo Kung Fu em todos os sentidos.

Gosto de pensar que em cada parceiro-praticante tem todo um universo que talvez conheça ou desconheça e é aí que está esse trabalho sábio. Com isso vem meu desenvolvimento e o do meu oponente juntos.

Kung Fu fala de não existir sucesso quando se alimenta a idéia de separação, de incompatibilidade.

Pela discípula de Mestre Sênior Julio Camacho, Carmen Maris “Moy Kat Ming”.

Observando

8 de maio de 2019

Quando estávamos fazendo a reforma do Mo Gun, Si Fu nos orientou como utilizar nosso Kung Fu para obter o melhor resultado sempre.

Durante a uma pausa para almoçarmos, Si Fu comentou como se nos orientarmos para o resultado, mas sempre prestar atenção no processo pouco importa o resultado por incrível que pareça, pois sempre teremos oportunidade de aprendizado e com isso melhoraremos como seres humanos. E o resultado irá aparecer.

Então sempre podemos aprender, não importa o resultado se positivo (melhor) ou negativo (pior).

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Bruno José Brandão “Moy Mo Tak”

A Kind of Magic

07 de maio de 2019

Ainda era cedo naquela manhã de domingo quando recebi uma mensagem do meu Si Hing Thiago Pereira de muito longe, mais precisamente de Luxemburgo, um pequeno país da Europa.

Ele estava em viagem com nosso Si Fu, Mestre Julio Camacho, em uma viagem oficial.

Em anexo à mensagem, esta foto.

Si Fu pediu para que fizessem esse registro como uma forma de me presentear, pois assim que ele viu o livro, lembrou de mim.

Já é de conhecimento público que sou fã do Queen e meu Si Fu lembrar de mim, num lugar tão longe, foi um gesto de carinho tão formidável quando a foto em si.

A conexão entre Si Fu e To Dai é, sem dúvidas, uma espécie de mágica!

Pela discípula de Mestre Senior Julio Camacho, Rubia Barbosa, "Moy Hung Peng Yat"

No Set de Filmagem

06 de maio de 2019

Nesse dia da foto, na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, tive a oportunidade de ver meu Si Fu lidando com diferentes questões pertinentes à gravação da DDD21, série de TV que ele estava produzindo e aprender mais que eu imaginava a partir disso.

Trabalhar juntamente ao meu Si Fu em mais esta empreitada foi uma oportunidade indescritível, assim como tantas outras que tive de aprender Kung Fu não somente pelo toque dos punhos, mas pela maneira como meu Si Fu leva a vida.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Rodrigo Moreira “Moy Mo Lei”.

Estar com seu Si Fu

05 de maio de 2019

Se um dia alguém me perguntasse o que é mais importante no Kung Fu, eu diria: "Estar com seu Si Fu".

Não se constrói o Kung Fu sozinho, é necessário que exista uma troca entre as pessoas para que elas se desenvolvam juntas. E isso vai muito além da técnica. É uma relação de humanidade.

Meu Si Fu é alguém que olha para os seus To Dai com uma percepção profunda, com uma lente tão apurada, capaz de enxergar cada um, em níveis que nem a própria pessoa se percebe.

Si Fu sempre está disposto a ouvir, orientar, zelar. É um nível de olhar cuidadoso que só se consegue quando há troca, quando se permite que se tenha, através de proximidade e tempo, ou como diz meu Si Fu: "desejo que nossa relação seja longa".

Importante que cada To Dai também compreenda o tesouro que é esta relação, materializando sua compreensão através da importância que é de, igualmente, zelar por seu Si Fu.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Roberto Viana “Moy Wai On”.

Caminhando

04 de Maio de 2019.

Por vezes tenho a impressão que a vida me usa em vez do contrário.

As experiências com meu Si Fu, Mestre Senior Julio Camacho são diversas, tão diversas que, as vezes deixo de observar um determinado aspecto das práticas seja por cansaço ou falta de tempo.

Me recuso a acreditar que esta sensação é exclusividade minha. O caminho é longo e árduo para qualquer praticante, por isso, caminhar junto é crucial, assim ao mesmo tempo vivo minha experiência e vejo o outro viver a dele, posso acelerar ou desacelerar o passo de acordo com minha capacidade de caminhada, posso, inclusive, apreciar o caminho com o olhar externo mas tenho sempre a certeza de que não estou sozinho.

Sei que este caminho fizeram por nós, este caminho farão por nós.

Pelo discípulo de Mestre Senior Júlio Camacho, Guilherme de Farias “Moy Fat Lin”

Honestidade

03 de maio de 2019

Certa vez, após um evento em nossa Família-Kung Fu, quando todos se dirigiam para o restaurante, Si Fu me perguntou porque eu não iria. Respondi que não tinha dinheiro. Para a minha surpresa, ele disse:

"Eu pago a sua. Depois você me paga"

Aquela frase tão simples me deixou desconcertado, pois eu não tinha mais a minha melhor desculpa.

Quase quinze anos após, eu já na condição de Mestre (e mais uma vez em um jantar), conversávamos sobre uma situação em minha Família-Kung Fu, quando ele me disse:

"...em casos assim, o melhor é apenas oferecer uma solução simples, deixando a pessoa decidir o que ela quiser. Todos ganham tempo e a pessoa tem a oportunidade de perceber se ela tem um problema real ou se seu verdadeiro problema é a sua incapacidade de ser honesta consigo."

Foi quando eu finalmente, honestamente, aprendi a lição, ainda que quinze anos depois.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Thiago Pereira “Moy Fat Lei”

Tempos

02 de maio de 2019

Vi e revi este vídeo, feito pela Si Mo, diversas vezes. Este é um tema, brilhantemente abordado por Si Fu em meio minuto, que tomava grande parte das minhas sessões de psicoterapia (Si Hing Iuri, então meu terapeuta, bem sabe). Minha enorme vontade de fazer certas coisas sempre suplantava o que me era possível fazer no momento, e como consequência, em vez de fazer pelo menos o pouco que eu podia por ora, não fazia nada, julgando esse pouco insuficiente para suprir minha vontade.

Sempre quis desenhar melhor. Na minha cabeça, imagino ilustrações fantásticas de tudo aquilo que quero expressar, mas a habilidade que tenho agora é tão decepcionante em comparação, que a prática não me traz nenhum consolo ou perspectiva de melhora. As horas livres em que eu poderia me dedicar a praticar e melhorar nem que fosse um pouquinho eu jogava no lixo, temendo falhas e frustrações.

Com o Ving Tsun, isso vem mudando aos poucos. Não deve ser à toa que o Siu Nim Tau, tão basilar em nosso sistema, se refira justamente ao “apequenamento da vontade”. No budismo, que não por acaso influiu na origem do Ving Tsun, existe o conceito fundamental de “dukkha”, algo como “insatisfação”. Sinto que dukkha habita precisamente no vão entre o tempo das coisas e o tempo da vontade. Criaturas desejosas como somos, todos sofremos com dukkha; a questão é como lidamos com dukkha.

Quando Si Hing Iuri sugeria, em terapia, que talvez meu problema fosse ter uma vontade grande demais, eu sempre desconsiderava tal sugestão e ainda ficava me perguntando de onde ele tirava isso. Agora sei. E cada vez mais o tempo das coisas parece, em vez de um martírio, uma oportunidade.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Rafael Pombo “Moy Gap Fat”

Gratidão

01 de maio de 2019

Na noite abafada do último domingo, uma pequena tempestade chegou. Repleta de ventania e chuva, ela levou embora a energia elétrica, mas não o mormaço angustiante.

Aproveitei para dedicar esse momento a mim mesmo e a escutar, mais profundamente, o que um velho amigo, em suas palavras mudas feitas de puro movimento, paradoxalmente tão simples e tão complexas, tinha a me ensinar.

Mesmo depois de mais de vinte anos de convívio intenso e constante, durante os quais sempre espalhei seus princípios aos que me cercaram, ele me fez sentir uma criança quase inocente em meus conhecimentos, e admirei-o, e aos que o criaram, ainda mais.

No final, a gratidão àqueles que o mantiveram vivo por centenas de anos, junto com um sentimento de conexão comigo mesmo e com o mundo a minha volta, e a certeza de que mais desses encontros precisam acontecer.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Leonardo Reis “Moy Lei Wong”

Analogias

30 de abril de 2019

Muitas vezes fico assustado de como o Kung Fu faz analogias com a própria vida e como o nosso momento nesta caminha em paralelo com a nossa prática no Ving Tsun.

Si Fu mais uma vez me tocou profundamente quando fez esse “desenho” no painel, que se encaixa completamente no meu atual momento. A arte de viver está em encontrar o equilíbrio entre matar e morrer e se conectar com todos os desdobramentos que as nossas escolhas trazem.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Thales Guimarães “Moy Tai Lei”

Alinhando

29 de abril de 2019

Mestre Julio Camacho usa com frequência a palavra alinhamento.

Alinhar membros inferiores e superiores. Alinhar o pensamento e a ação. Alinhar o discurso e prática.

Estudando o Sistema Ving Tsun sob a tutela do Si Fu, eu alinho meu entendimento da vida com a experiência de vivê-la.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Guilherme Farias “Moy Fat Lin”

Apreendendo

28 de abril de 2019

Fiz essa foto pensando no momento oportuno ao Rafael. Havíamos encerrado a primeira reunião de organização do aniversário do Si Fu desse ano.

Se dirigindo a saída, Si Fu virou sua atenção a ele. Acredito na idéia de que só se aprende agarrando o que se apresenta a cada momento oportuno.

Aprendizado vem de APPREHENDERE, “agarrar, tomar posse de”. O discípulo que se dedica ao Sistema Ving Tsun deve estar constantemente atento ao potencial de cada cenário.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, André Guerra “Moy Mei Da”

Apostando

27 de abril de 2019

Por muitas vezes não entendi a lógica que Si Fu estava usando para um determinado assunto.

Em alguns casos, tentar descobrir o critério para convidar alguém a acessar um próximo Domínio e principalmente realizar o “Baai Si” era quase impossível.

Em alguns momentos questionei alguns desses convites e ele sempre teve comigo a paciência de quem sabe que o outro não está enxergando “o todo”.

Quando Si Fu entregou o Jiu Paai ao Mestre Leonardo e a mim, como símbolo de que poderíamos iniciar uma Família Kung Fu, me perguntei internamente quais seriam suas expectativas, se é que elas existiam.

Quando os anos passaram e eu me tornei Si Fu, pude entender melhor meu próprio Si Fu e algumas de suas decisões.

Si Fu diz que a Família Kung Fu é seu maior patrimônio, mas se ele só convidar pessoas para o Baai Si por merecimento, a Família perderá em diversidade e possibilidades. Seus convites com natureza de “aposta”, permitem com que descubramos novos valores na forma de discípulos que agregam à Família.

Como discípulo, é importante encontrar a força para seguir nessa vanguarda com Si Fu, permitindo com que ele faça seu trabalho, e novos Mestres possam surgir sob sua tutela.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Thiago Pereira “Moy Fat Lei”

Valorizando a Estratégia

26 de abril de 2019

Em nossa família aprendemos o tempo todo a desenvolver a inteligência estratégica, um dos grandes pilares do Ving Tsun.

Há que se ter estratégia para tudo: desde o combate marcial em si até uma simples conversa entre duas pessoas e, quando ela não existe, os golpes não dão bom resultado, os diálogos também não têm clareza e não se alcançam os resultados desejados.

Sou apaixonada pelo tema.

Desde que o Ving Tsun entrou na minha vida noto que a cada momento busco sair do improviso (minha tendência natural) e planejar a melhor estratégia para tudo na vida. Nem que isso signifique apenas ficar esperando.

Na foto, uma reunião com nosso Si Fu Júlio Camacho sobre a nossa estratégia de Comunicação.

Pela discípula de Mestre Senior Julio Camacho, Carmen Maris “Moy Kat Ming”

Escrevendo

25 de Abril de 2019

Assim que cheguei ao Núcleo, meu Sifu Julio Camacho, me chamou para um conversa e entre tantos assuntos proveitosos vou destacar um: sua "técnica secreta" de escrever.

Si Fu sempre estimula seus discípulos a registrarem seus momentos de Vida-Kung Fu, como forma de revisitarem a experiência (aprendendo novos aspectos sobre esta) e desenvolverem habilidade de comunicar estas mesmas experiências para que outras pessoas possam também aprender ou inspirarem-se, potencializando-as enormemente.

Si Fu explicou-me, então, sua "técnica secreta", que é completamente apoiada no seu próprio entendimento do Sistema Ving Tsun.

Respeitando um fluxo natural que sempre se apresenta (e precisa apenas ser identificado), o processo deve se dar de forma simples, imediata e mais que tudo, prazerosa.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Cristiano Goldman “Moy Ke Yeuk”

Sendo como o Ving Tsun

em 24 de abril de 2019

“Tem que ser como o Ving Tsun: Muito simples! Muito bom! Imediato!” Com essas palavras de meu Si Fu, o Mestre Julio Camacho, saí inspirado a retomar minha página, onde compartilho experiências vivendo com Kung Fu.

Praticando Ving Tsun, aprendo que posso ir além de minhas próprias habilidades. A frase que cito acima cabe em tudo que fizemos, seja comunicando, lutando ou liderando.

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, André Guerra, “Moy Mei Da”

Relação Si Fu-To Dai

23 de abril de 2019

“Se os anos levassem embora toda a memória que eu tenho, eu ainda saberia o caminho que me conduziria de volta para seu lado.

A Estrela Polar pode morrer, mas a luz que eu vi em seus olhos queimará lá sempre, acesa pelo amor que nós compartilhamos antes do tempo.

Quando a floresta virar jade, e as histórias que nós fizemos desvanecerem-se, uma brilhante luz ainda restará...”

A love before time - Li Wen. 2000

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Thiago Pereira, “Moy Fat Lei”

Reverenciando

22 de abril de 2019

O respeito à Ancestralidade é um dos pilares do Sistema Ving Tsun, especialmente em nossa linhagem.

Como reitera sempre meu Si Fu, Mestre Julio Camacho, é nosso compromisso proteger o legado deixado pela fundadora do sistema, Yim Ving Tsun e que, por tantas gerações, vem sendo transmitido.

Nós somos porque outros vieram e construíram uma história. A nossa História.

Quando reverencio meu Si Taai Gung, Patriarca Moy Yat, e todos os ancestrais, reverencio a minha própria História, o meu presente e o meu futuro como legatária da única arte marcial criada por uma mulher. Sigamos juntos!

Pelo discípula de Mestre Senior Julio Camacho, Rubia Souza, "Moy Hung Peng Yat"

"Baai Si"

21 de abril de 2019

"Baai Si": o nascimento de um ou mais novos discípulos.

É, sem dúvida, um momento igualmente especial para esses novos discípulos e para o mestre que os recebe.

É também um mistério, pelo menos para mim, o que me aguarda daqui para a frente. Talvez nem meu Si Fu, Julio Camacho, tenha ideia.

Para minha surpresa, ele diz enxergar o discipulado como uma aposta que ele faz, com o coração, não como uma prova de mérito do discipulando.

Na sociedade em que vivemos, tal visão chega a ser contraproducente, pois estamos habituados a buscar o resultado favorável a qualquer custo, mesmo em detrimento do processo individual do outro.

É por isso que a lógica do kung fu (se é que “lógica” é uma palavra adequada) aos poucos encanta aqueles que a põem em prática, pois permite-nos ver além de modelos prontos e desenvolver nossa humanidade.

Minha irmã kung fu Carmen e eu agora estamos neste caminho misterioso, empolgante e desafiador, junto a todos os nossos outros irmãos, nosso Si Fu e nossa Si Mo. Enfrentando obstáculos ou comemorando vitórias, o importante é que sigamos juntos!

Pelo discípulo de Mestre Senior Julio Camacho, Rafael Pombo, “Moy Gap Fat”

VÍNCULO

20 de abril de 2019

Tornar-me um Membro Vitalício da minha Família-Kung Fu era algo natural a seguir dentro de mim como praticante de Ving Tsun. Isso no tempo que fosse.

Poderia demorar anos. Surpreendentemente não demorou.

Nesse dia, essa necessidade que eu tinha de ter meu Si Fu (vidrada em Kung Fu desde menina e idealizando esse momento) recebeu uma resposta concreta. Era o “sim” que eu esperei por anos.

Agora eu, que há 19 anos buscava, por meio de outras práticas marciais chinesas, desenvolver Kung Fu, estava diante de meu mestre e tinha ali ele, o esperado Si Fu, me oferecendo a conexão vitalícia. Tesouro.

Ter um Si Fu é privilégio. Não existe sentido nessa relação que não seja o do desenvolvimento humano. Eu pessoalmente busco isso a cada segundo.

30 de março de 2019 é minha primeira efeméride na Família Moy Jo Lei Ou.

Data marcante e vai pulsar no meu coração no “modo vitalício”.

Gratidão máxima ao Si Fu Julio Camacho e a todos os meus irmãos Kung Fu.

Sigamos juntos!

Pela discípula de Mestre Senior Julio Camacho, Carmen Maris, “Moy Kat Ming”

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Membros Vitalícios da Família Moy Jo Lei Ou
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