SEMANA DA ASA 2015

O PIONEIRO

Este mês, o jato de ataque ar-superfície AMX comemora 30 anos de seu primeiro voo e rollout no Brasil. O Centro Histórico Embraer celebra esse tema durante a Semana da Asa 2015. Confira!

PARCERIA INTERNACIONAL

Em meados da década de 1970, a Embraer já havia conquistado reconhecimento no mercado aeronáutico e cogitava estreitar parcerias com empresas estrangeiras. Visava, assim, ampliar seu portfólio de aeronaves e também atender à demanda do Ministério da Aeronáutica (MAer) do Brasil para modernizar a Força Aérea Brasileira (FAB).

Em 1976 ocorreram os primeiros estudos para a fabricação de um avião subsônico em parceria com a empresa italiana Macchi que, à época, já desenvolvia um projeto avançado de jato, lançado no ano seguinte sob a designação MB 340.

Com o objetivo de priorizar maior participação brasileira no desenvolvimento do projeto e conciliá-lo às necessidades da Força Aérea Italiana, a Embraer e as empresas Aeritália (hoje Alenia Aeronautica) e Macchi (hoje Aermacchi) associaram-se, em 1978, optando pela criação do programa do caça subsônico AMX, cuja sigla corresponde a A de Aeritália, M de Macchi e X de experimental.

Equipe das três empresas responsáveis pelo desenvolvimento do AMX. Entre eles, Ozires Silva, Ozílio Silva, Adalto Ferreira da Silva e Antônio Garcia da Silveira / 1983.

A DECOLAGEM

Em 1980, após um período de revisão dos trabalhos e atribuições, autoridades aeronáuticas brasileiras anunciaram na Feira Internacional de Farnborough, na Inglaterra, a decisão de integrar o programa italiano. Em 27 de março de 1981 foi assinado o acordo que oficializou a parceria entre os dois países.

Program workshare do AMX

O acordo determinava que as companhias italianas fossem responsáveis por cerca de 70% do programa e a Embraer pelos 30% restantes. À Embraer coube o desenvolvimento e a fabricação das asas, tomadas de ar do motor, estabilizadores horizontais, pilones subalares e os tanques de combustível. A empresa brasileira também participou ativamente em todo projeto dos sistemas de trem de pouso, navegação, ataque, comandos de voo e controle de armamentos. Para a campanha de ensaios em voo no Brasil, a Embraer construiu dois protótipos e um corpo de testes de fadiga.

NASCE UM CAÇA

O AMX foi concebido como caça-bombardeiro a jato, monomotor, especializado para missões de ataque, privilegiando robustez e confiabilidade para missões de alta exposição. Compatível com as dimensões continentais do Brasil e a utilização na Europa, o projeto considerou a necessidade de longo alcance, incluindo capacidade de reabastecimento em voo. Além disso, incorporou novas tecnologias, como avançados sistemas de computação, navegação, ataque e contramedidas eletrônicas. O projeto introduziu, entre outras inovações da época, novas tecnologias como o HOTAS (Hands On Throttle And Stick), que concentra os comandos de navegação e ataque no manche, o Head-Up Display, visor que reúne informações de voo e de navegação, o Multifunctional Display, visor multifunção e contramedidas eletrônicas RWR (Radar Warning Receiver).

Três vistas da aeronave AMX
Especificações e performance AMX (A-1)

Na FAB, o jato desempenha missões de ataque ao solo, apoio aéreo e reconhecimento tático. Equipado com turbinas Rolls-Royce, o subsônico era considerado um “avião invisível”, ou seja, sua Caixa de Contra-Medidas Eletrônicas (ECM) emitia sinais contínuos para ultrapassar incólume aos radares e demais sensoriamentos.

BRASIL E ITÁLIA GANHAM OS CÉUS

A apresentação oficial do avião ocorreu na Itália em 15 de maio de 1984 e o primeiro protótipo do AMX construído no Brasil – o quarto do programa – realizou seu voo inaugural em 16 de outubro de 1985, em São José dos Campos, pilotado pelo comandante Luiz Fernando Cabral. O rollout da aeronave ocorreu no dia 22 do mesmo mês e contou com a presença de autoridades brasileiras e italianas.

Em 1988, o primeiro AMX de fabricação seriada voou na Itália e as primeiras entregas à FAB e à Força Aérea Italiana ocorreram no ano seguinte.

Rollout no Brasil, 22 de outubro 1985

Até o ano 2000, aproximadamente 200 aviões deste tipo foram produzidos. O AMX também contabiliza 252 missões de combate voadas pelos esquadrões italianos, sem nenhuma aeronave perdida. No Brasil, o caça – designado A-1 pela FAB – é operado pelo primeiro (Poker) e terceiro (Centauro) esquadrões do 10º Grupo de Aviação, da Base Aérea de Santa Maria (RS), e pelo primeiro esquadrão (Adelphi) do 16° Grupo de Aviação da Base Aérea de Santa Cruz (RJ).

Primeiro voo (16 de outubro de 1985) e apresentação oficial (22 de outubro de 1985) no Brasil
AMX em céu italiano

A participação direta no desenvolvimento do Programa AMX também permitiu à Embraer absorver tecnologias avançadas nas áreas da propulsão a jato, sistema de comando de voos fly-by-wire, sistema de controle de armas e pontaria, barramento digital e desenvolvimento de softwares embarcados. Este legado foi imprescindível para o desenvolvimento do jato regional ERJ 145, avião que marcou a história da Embraer e elevou a indústria aeronáutica brasileira à condição de líder mundial. Além das inovações tecnológicas, o AMX também legou à Embraer a experiência em desenvolvimento integrado do produto com parceiros internacionais. Este modelo de gestão foi ampliado e aplicado em diversos programas da Embraer, como o próprio ERJ 145 e a família de jatos comerciais E-Jets.

UM NOVO AMX PARA A FAB

O alto desempenho obtido pelo AMX na FAB levou o Comando da Aeronáutica (Comaer) a decidir pela modernização do A-1, tarefa que coube à Embraer.

Anunciado em 2009 ,o programa A-1M prevê a revitalização e a modernização dos caças e inclui a incorporação de novos sistemas de navegação, armamentos, geração de oxigênio, radar multímodo e contramedidas eletrônicas, além da revisão estrutural.

Inovações do A-1M / créditos: Marcelo Ribeiro

As inovações agregadas possibilitaram, entre outras melhorias, a redução da carga de trabalho dos pilotos em combate ao substituir indicadores analógicos por telas digitais multifuncionais, otimizando funções de comando e armamento. Desde 2013, o A-1M está operando na FAB e introduziu inúmeras outras vantagens operacionais, tais como o aprimoramento da doutrina de emprego da frota, o melhor rendimento das horas de voo e a redução dos custos de manutenção e operação.

Tradicional "batismo" da aeronave após primeiro voo de sucesso em Gavião Peixoto - SP / 2012
Entrega do primeiro A-1M para FAB / 2013
Ten. Av. Carla, primeira mulher a pilotar o AMX no Brasil

O programa também beneficia a geração de tecnologia brasileira na área de sistemas aviônicos e desenvolvimento de softwares embarcados, provendo autonomia para o Brasil e fomentando iniciativas relacionadas à eletrônica em defesa.

Com crescente atuação no mercado global, os produtos e soluções da Embraer Defesa & Segurança estão presentes em mais de 60 países. Líder na indústria aeroespacial e de defesa da América Latina, a Unidade de Negócios beneficiou-se de um longo passado de realizações da Embraer que, desde a década de 1970, cumpre papel estratégico na defesa da soberania nacional.

HISTÓRIAS DE QUEM ESTEVE LÁ

João Marcos da Silva, analista de processos

"Iniciei minha carreira na EDE - Embraer Divisão de Equipamentos -, hoje ELEB, em junho de 1984. Tive o privilégio de participar da nacionalização do trem de pouso do AMX. O projeto da perna de força era cotada nas coordenadas cartesianas x, y e z, o que na época foi um desafio muito grande na construção dos processos de fabricação".

Luiz Carlos de Araujo Limia, técnico em manutenção de aeronaves e engenheiro

"Iniciei na Embraer em maio de 1987 na área de Treinamento de Clientes. Participei de uma equipe de Instrutores que confeccionou o material de instrução e treinou a primeira turma de militares de manutenção da FAB pertencentes ao Esquadrão 1º/16º GAV para Operar o AMX, designado na FAB A-1 e A-1B. Após essa experiência, fomos para o Campo dar Assistência Técnica e iniciar a Operação na Base Aérea de Santa Cruz - RJ. Foi uma experiência muita rica e que trouxe novos desafios, tecnologia e crescimento como profissional e pessoa, tanto para a EMBRAER e quanto para a FAB."

Paulo Toledo, especialista em treinamentos

"Trabalho na Embraer desde fevereiro de 1981 e participei do programa AMX desde o início. Trabalhei em todas as fases da montagem e suporte aos ensaios dos dois protótipos brasileiros e segui no programa até a entrega do s/n 0030, quando fui transferido para a área de treinamento de clientes para assumir, como instrutor, parte do programa de treinamento do AMX. Este programa foi de suma importância para a empresa e para mim, pois trouxe muito do que temos hoje da tecnologia de ponta largamente empregada em vários outros produtos."

João Aparecido Vieira, técnico de processos

"Comecei minha carreira na Embraer em abril de 1985 e com muito orgulho eu fiz parte do grupo que pintou o 1º AMX. Ajudei a fazer as inscrições técnicas, letreiros e brasões!"

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