O Pernangipano

Os primeiros versos da história de Pedro Amaro do Nascimento começaram a serem escritos em 28 de junho de 1937 no município de Paudalho, a 37 km de Recife, capital pernambucana. Ele é o quarto filho dos agricultores Manoel Amaro e Felismina Maria. O seu primeiro ofício foi ajudando os pais na agricultura, aos seis anos, e quando já tinha 13 foi chamado para dar aula aos filhos do patrão de seus pais. Ingressou no mundo da escrita com 17 anos, inspirando-se nas rodas de viola que ia com sua mãe, onde mais tarde passou também a tocar.

Sem muita rima, o poeta teve sua vida dividida em duas principais estrofes: os primeiros 40 anos em que viveu no interior pernambucano, onde se apaixonou por cordéis e viola, e os demais anos em que tem passado em Aracaju, nos quais se consolidou, de fato, cordelista. Entre Pernambuco e Sergipe nasceu e ficou conhecida a figura de Pernangipano.

Segundo Pedro, não dá para viver apenas de literatura de cordel, trabalhou como técnico em refrigeração industrial, motivo que fez com que o violeiro viajasse com sua família por mais de sete horas até a capital sergipana, onde passou a ter um maior reconhecimento enquanto poeta: foram 79 certificados recebidos por suas poesias . Em 2007, Pernangipano recebeu menção honrosa pelo papa Bento XVI, com o livro João Paulo II.

O cordelista tem suas manias, gosta de escrever em silêncio e conta que qualquer barulho faz com que ele perca o foco em suas estrofes. Não gosta de mesmices: se alguém já falou daquele assunto, ele sente a necessidade de inovar, “gosto de falar sobre o que ninguém fala”. Ao olhar o mar ele teve uma inspiração, falar sobre a sombra, se questionou e se pôs no lugar de quem ia ler. “Por que ninguém fala sobre a sombra? O que é a sombra? Por que ela tá sempre aqui e ninguém a nota?”.

"O ESPAÇO CULTURAL É METADE DE MIM"

Se até aqui dividiu-se a sua vida em duas metades, Pedro faz mais outra divisão, “o espaço cultural é metade mim”.

A ideia de construir a Casa do Cordel - Espaço Cultural Pedro Amaro do Nascimento, surgiu do próprio poeta em uma viagem que fez ao Rio de Janeiro com sua família. Eles foram visitar a academia brasileira de literatura de cordel, de onde veio a inspiração. E em junho de 2013, nascia aqui em Aracaju a outra metade, da metade sergipana do cordelista e violeiro Pedro Amaro.

Olhando ao redor do que construiu, diz: “É aqui onde escrevo. O Espaço Cultural, tem muito de mim. Lugar onde analiso, medito,observo o tempo e coloco no papel. É preciso escrever com cuidado.”

A cada cordel mostrado, vendido, declamado é um orgulho. O Pernangipano não disfarça um paixão pelo que faz.

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